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28/02/12

A Vida Inteligente no Universo


Em Memória de Carl Sagan, selecionei o livro, Carl Sagan e I.S. Chklovski, “A Vida Inteligente no Universo”, Publicações Europa-América, tradução da 1ª edição de 1966, porque me marcou para a vida.
O livro é uma viagem através do espaço e do tempo. Além de uma descrição exaustiva do Universo, das galáxias, das estrelas, da sua vida e morte, e, como tal, uma excelente introdução à Astronomia, à Astrofísica e à Cosmologia, este livro discute cientificamente a possibilidade da existência de vida inteligente extraterrestre. É uma procura séria, baseada em factos científicos e não dogmáticos. É uma abordagem verdadeiramente arrebatadora. É um livro que nos faz sentir muito pequenos. As distâncias cósmicas são enormíssimas e, por isso, para nos convencer, Sagan faz comparações usando escalas do nosso quotidiano. Diz Sagan: “representemos o sol como uma bola de bilhar com cerca de 7 cm de diâmetro. Nesta escala, Mercúrio, o planeta mais próximo do sol, ficaria a cerca de 280 cm, a Terra a uma distância de 760 cm, Júpiter, o planeta maior, a cerca de 40 m, e Plutão o planeta mais distante, ficaria a quase 300 m da bola de bilhar. O diâmetro da Terra seria um pouco maior que 0,5 mm (um grão de areia), o da Lua 0,1 mm, e a sua órbita à volta da Terra teria um diâmetro de cerca de 4 cm. Nesta escala minúscula, a estrela mais próxima do Sol, a Próxima de Centauro, a cerca de 4 anos-luz, ficaria a cerca de… 2000 km (!), tão longe que as enormes distâncias planetárias mostradas na nossa escala pareceriam insignificantes por comparação.” Arrebatador. Foi este tipo de deslumbramento que bebi neste livro, que me levou a interessar-me por obras sobre Cosmologia. Neste sentido, sem querer desmerecer outras editoras importantes, aproveito para dar os meus parabéns à Gradiva que a partir, salvo erro dos anos 80, criou uma coleção de livros absolutamente extraordinária chamada “Ciência Aberta”. Através dela conheci a obra de autores tão interessantes e cientistas tão ilustres como Steven Weinberg, Stephen Hawking, Paul Davies, Hubert Reeves, só para citar os que mais gosto. Obviamente que, certamente, um dia aqui estarei para falar de cada um deles. Deus me dê forças e engenho para tal. Hoje, aquela coleção conta já com centenas de livros, todos eles praticamente ligados às Ciências Físicas e à Cosmologia.

A Cosmologia é a área científica, multidisciplinar, que trata da História do Universo. Sobre a sua origem, a sua evolução. Eu diria mesmo que se trata da área científica que mais se aproxima de Deus. Hoje, como todos deveriam saber, a Ciência reduziu o papel de Deus na criação à própria origem do Universo. Pois a Cosmologia consegue explicar-nos tudo o que aconteceu desde que o Universo foi criado, nessa explosão primordial a que chamam de “BIG BANG” datando, inclusivamente, a sua origem há cerca de 15.000 milhões de anos. Tudo o que conhecemos começou nesse instante. Fez-se, literalmente, luz. Esta idade, que parece um número enorme e uma idade elevadíssima, afinal é banal. Com os números que todos dias por aí se publicam e ouvem, sobre o défices, os PIB e companhia, constatamos afinal que o Universo nem é assim tão velho. Afinal a nossa Economia é gerida por números bem maiores. 20% da venda da EDP (fomos bem muito bem lesados e, por isso, esperamos que um dia os responsáveis sejam responsabilizados), rendeu cerca de 3.000 milhões de euros, significando que a empresa vale em euros o mesmo número de anos que o universo tem. Isto é fantástico! Eis a importância das Finanças nos nossos dias. Vive-se para ela. Ponto. Mas esta grandiosidade dos números financeiros dos dias irracionais que, infelizmente, vivemos, atiram-nos, inapelavelmente, para o livro que hoje aqui vos trago: A Vida Inteligente no Universo. É um livro extraordinário por várias razões. Podia ter escolhido outros, porque outros existiram que me marcaram. Mas não há amor como o primeiro, segundo dizem. Mas se existiram razões para esta escolha, eis algumas:
Primeiro:
Faz todo o sentido falar de inteligência, em tempos em que ela, decisivamente, não abunda. Vivemos dias de quase demência coletiva, de pura irracionalidade. Talvez estejamos mesmo a viver o fim da chamada Civilização Ocidental que, como sabemos, é a sucessora da Greco-Romana. Neste sentido, há todo um simbolismo quando parece que o estrebuchar desta civilização comece precisamente na Grécia. Não deixa, curiosamente, de ser um sinal. Um triste sinal. Triste porque, se pensarmos bem, são os que se julgam superiores, porque tendo dinheiro se acham ricos, mesmo que de espírito pobre e, no passado, financeiramente miseráveis e moralmente e humanamente selvagens, que, hoje, vivendo no centro e norte da Europa, maioritariamente protestante (nos Estados Unidos quem hoje comanda o sistema financeiro são WASPs, que tranduzindo, significa, Branco, Anglo-Saxão e Protestante) usam, dizia, pejorativamente, a sigla PIGS (Portugal, Italy, Greece, Spain) ou PIIGS (Portugal, Italy, Irland, Greece, Spain), para caracterizar os países periféricos, que se encontram em dificuldades na zona Euro. Diga-se, por terem ido atrás dos embustes que eles próprios criaram para enriqueceram à custa dos PIIGS. Nada é por acaso. A crise das dívidas soberanas podiam ser resolvidas num ápice se fosse somente uma questão de bom-senso. Mas não o é. Não é por acaso, obviamente, que só incluíram os países católicos nesta sigla, se é que me percebem. Também não é por acaso que dão à luz excrescências desumanas, como o tal de Breivik. Nada é por acaso. O renascimento do Nazismo na Rússia também não é por acaso. Quem diria! Mal eles sabem, por pura soberba, racismo e estupidez, no entanto, que estão a dar um tiro nos pés. A soberba sair-lhes-à pela culatra, para não dizer uma asneira. Afinal, estão, sem o saberem, a enterrar a Civilização em que vivem, e que deviam preservar para as gerações futuras. Mas, mais do que o fim de uma Era, estaremos antes a assistir a um novo ciclo da história. Será a antecâmara da destruição da Humanidade? Seja como for, é também a Dialética a dizer presente, com certeza. Mas qual foi a contribuição destes países arrogantes para a Civilização Ocidental, tal como a conhecemos, estes que agora escorraçam a Grécia e os outros PIGS?

Pois a grega foi imensa. A Democracia, os Sistemas Políticos, a Filosofia, a Ciência, tiveram como berço a Grécia Antiga. Os Romanos deram-nos a Organização do Estado. Os Franceses a República e o Socialismo. Os Portugueses deram novos Mundos ao Mundo, nas Descobertas. Os Americanos a Conquista do Espaço, tal como os Russos. Afinal, nesta atual História, triste, o que é que os países do Norte da Europa e a Alemanha nos deram? Terá sido por acaso que durante muitos séculos foram considerados povos bárbaros? O racismo primário que se traduziu no Apartheid na África do Sul foi obra de quem? O apuramento da raça que se traduziu pelo maior Genocídio da História da humanidade foi perpetrado por quem? Essa excrescência política a que chamaram de Nazismo foi obra de quem? Quando vêm falar de PIIGS sabemos muito bem o que querem. Não nos iludamos com a direita que governa nestes países. É um autêntico cancro da humanidade. A Alemanha, sem dúvida, deu-nos imensos grandes pensadores, cientistas, músicos e escritores, mas também nos deu muitas desgraças. Eles que tanto foram ajudados. Eles a quem os restantes europeus já perdoaram tanta coisa. Eles que, pela pilhagem que fizeram na Grécia na 2ª Grande Guerra, devem hoje aos gregos mais de 80 biliões de euros. Eles que nos deram o Genocídio e o Nazismo, provavelmente, os momentos mais tristes da História da Civilização Ocidental, da própria Humanidade. Ao mesmo nível, só mesmo os tempos da Inquisição da Santa Sé. Mais a Norte, somente a implementação dos excelentes sistemas sociais-democratas são dignos de nota (o que na realidade não é pouco). Sistemas que, inacreditavelmente, hoje, em vez de serem acarinhados e aprofundados pela própria Europa, por eles próprios, por serem autênticos faróis para o desenvolvimento social e político, parece que todos querem destruir, numa orgia frenética de estupidez, numa espécie de rendição absoluta e louvor ao capitalismo primário, selvagem, pornográfico, que tanto mal nos fez no passado, na pós-revolução industrial. O comunismo não surgiu por acaso! Estúpidos! Querem insistir num caminho que já provou ser errado. Não aprendem com a História, porque a ignorância dos homens, como já dizia o nosso Marquês de Pombal, é a fonte de todos os males.
Segundo:
A lição que Sagan nos dá. Ou melhor, as lições. A primeira de todas. Mostra-nos que a Ciência está acima de todas as outras atividades humanas. Afinal, trata-se, de um livro escrito a duas mãos. Este livro foi iniciado por I.S. Chklovski, um Astrofísico Russo que iniciou o trabalho e o publicou na ex-União Soviética. O livro teve um grande impacto e Carl Sagan propôs-se a fazer a tradução do livro para inglês. Mas como se tratava de uma assunto que lhe era caro, propôs que ele anotasse o livro, sempre que o texto inicial lhe puxasse alguma nova ideia. E foi assim, em plena Guerra Fria, pois a primeira edição é de 1966, que os dois cientistas ultrapassaram barreiras físicas, aparentemente inultrapassáveis, para escrever este livro. Sagan dizia que a probabilidade de se encontrar pessoalmente com Chklovski naquele tempo era igual à probabilidade de cumprimentar um extraterrestre. É por isso prova que a Ciência está acima de qualquer questiúncula política. Repare-se que, nem Chklovski, deixou de apoiar o sistema comunista, em que acreditava, nem tão-pouco, Sagan, que obviamente discordava dele, deixou de acreditar no sistema capitalista, com regras, diga-se, que vigorava nos EU. É também por isso uma lição de civismo exemplar. Note-se que nos EU, não muitos anos antes, qualquer ligação à URSS, inclusivamente a colaboração num livro, poderia ser mal entendida e facilmente ser considerado “Um amigo dos comunistas”. Muitos americanos pagaram caro as arbitrariedades desse tempo de “caça às bruxas”, no tempo do Senador McCarthy, uma década antes. O caso mais famoso foi o da perseguição ao cineasta Charlie Chaplin, entre outros. 
Terceiro:
A terceira razão para a escolha deste livro é a lição direta que ele nos dá. Este livro faz-nos sentir pequeninos, muito pequeninos. Por isso, através dele, o nosso ego pode ser reduzido. Ou pelo menos, comprimido. Aconselho-o, também por isso, como leitura obrigatória a qualquer pessoa que ingresse na vida política. Principalmente aos governantes que temos tido. Mas, essencialmente, a todos aqueles que sejam curiosos e se perguntem o que fazemos aqui, para onde vamos. O que somos nós? Haverá vida noutros planetas? Onde acaba o Universo? Como surgiu a vida? Questões que estão por responder e para as quais a Ciência tem vindo a procurar e, nalguns casos, a dar respostas. Neste sentido, este livro foi onde, até hoje, encontrei mais informação. Apesar do livro ter sido escrito em 1966, e apesar de nalguns assuntos poder estar desatualizado, continua a ser uma referência inquestionável para todos os que procuram respostas para estas perguntas, diria, cosmológicas. Mesmo que escrito numa época pré-Modelo Padrão. No entanto, os anos 60 foram anos em que se fizeram algumas grandes descobertas. E importantes. Por exemplo, Penzias e Wilson descobriram aquilo a se chama radiação de fundo cósmica. Uma prova, se calhar a principal prova, da existência do BIG BANG. A explosão primordial que deu origem ao universo que conhecemos. E, de facto, se a Teoria do Big Bang já tinha sido proposta anteriormente, devido observações que apontavam para a sua existência, como a expansão das galáxias descoberta por Hubble que descobriu que as galáxias se estavam a afastar umas das outras e que a velocidade de afastamento era proporcional à distância a que se encontravam. Este modelo pode ser explicado com base num modelo muito simples. Se fizermos umas marcas na superfície de um balão vazio e depois o enchermos, repararemos que as marcas se afastam umas das outras, porque o meio entre elas aumenta. É isto, mais ou menos, que permite explicar o afastamento galáctico. E se as galáxias se afastam umas das outras então, raciocinando inversamente, podemos concluir que nalgum tempo atrás estiveram mais juntas. Recuando sucessivamente no tempo, vamos dar a um ponto inicial… onde tudo começou, numa mega explosão universal, chamada Big Bang. Uma curiosidade relacionada com este facto, que também descreve um pouco como as convicções religiosas podem modificar a proposição de novas teorias, foi a inclusão por Einstein de uma constante, chamada constante cosmológica, nas suas equação da teoria geral da relatividade. Efetivamente, embora não dogmático, Einstein era profundamente religioso. A teoria quântica sempre lhe fez muita confusão, chegando a este propósito a afirmar que “Deus não joga aos dados”! Mas, dizia, Einstein acreditava piamente num Universo estático e imutável. Dado que a expansão do Universo era uma conclusão direta da sua teoria, no caso de não considerar a tal constante, ele decidiu “aldrabar” introduzindo-a nas suas equações. Os Físicos teóricos, diga-se, também nunca se sentiram confortáveis com a sua presença (da constante, obviamente). Dependendo das evoluções que a Física tem vindo a sofrer ao longo dos anos, ela tem sido posta e retirada, consoante as necessidades. Mas esta atitude de Einstein, de introduzir a constante cosmológica para que as suas equações conduzissem a um Universo idealizado, levou-o anos mais tarde a reconhecer que tinha sido o erro mais estúpido que tinha cometido… ou talvez não! Efetivamente, ele teria descoberto a expansão das galáxias muitos anos antes (1915) de esta ter sido descoberta pelas observações do astrónomo americano Edwin Hubble (1929), que deu o seu nome ao telescópio orbital lançado pela Nasa nos anos 90. De notar que as descobertas de Hubble levaram a que George Gamow nos anos 40 propusesse a chamada teoria do Big Bang. Esta teoria, hoje comummente aceite, sempre teve ao longo dos anos alguns opositores, como o britânico Fred Hoyle, cujo termo se deve ironicamente a ele, pois surgiu-lhe quando ao tentar parodiar a tese do universo em expansão, lhe surgiu o termo Big Bang.
Quarto:
A quarta razão foi o facto de que a partir da leitura deste livro, a procura por outros semelhantes, seja de Astronomia, de Física e Cosmologia, nunca mais parou. Foi neste sentido um despertar para uma área extremamente interessante do saber. Que é precisamente o de saber o que somos e o que fazemos aqui! Podia ter escolhido Steven Weinberg, com o seu livro os “Três Primeiros Minutos do Universo"… Um dos laureados com o Prémio Nobel da Física em 1979 (em co-autoria com Abdus Salam e Sheldom Glashow) pela unificação de duas forças da natureza – a eletromagnética e a nuclear fraca. Posteriormente, Carlo Rubbia (que escreveu entre outros um livro excecional chamado o Dilema Energético(*)) também viria a descobrir duas partículas fundamentais (em co-autoria com Wan der Meer), chamadas de Bosões W e Z responsáveis pela força fraca, também ele laureado com o Nobel da Física. Este livro foi portanto escrito numa época em que se consolidava o chamado Modelo Padrão, base da Física das Partículas e da Teoria Quântica dos Campos, que unificava três das quatro forças da Natureza. A nuclear forte, fraca e a electromagnética, apenas ficando de fora gravidade. Ainda hoje não foi possível a unificação das 4 forças da Natureza numa teoria única. Espera-se que a Teoria das Cordas, mais recente, (na qual não acredito) venha a dar uma resposta a este problema. Uma teoria de tudo, cuja descoberta levou alguns autores a declararem que seria o fim da Física. Em sentido estrito, obviamente. Na altura em que o livro foi escrito, os físicos estudavam precisamente formas possíveis que levariam à génese do Modelo Padrão. Este modelo basicamente divide as partículas fundamentais em dois grandes grupos – os fermiões são as partículas que constituem a matéria e os bosões que são as partículas que transmitem as forças (e medeiam as partículas). Esta teoria, embora explicando as três forças da natureza, não consegue incluir a gravidade e uma força mediadora relacionada, o gravitão que, neste caso, só poderia ser atrativa e não repulsiva. Mas isto está em desacordo com a teoria da relatividade geral de Einstein, que considera que a gravidade é somente consequência da curvatura do espaço-tempo. Corpos de grande massa distorcem/encurvam o espaço-tempo em seu redor cuja consequência é medida pela força gravítica que geram.
Numa simples palavra. Este livro foi um GUIA para mim. Obrigado Carl Sagan!

(*) Livro que aconselho a quem tem tido o poder de decisão sobre o plano energético Nacional. Existem por aí muitos burros, preconceituosos, que falam do que não sabem e têm sabido impor a sua visão errada sobre este assunto, tão importante para o nosso futuro. Portugal tem uma dívida energética enorme, que podia ter começado a ser resolvida há trinta anos atrás. Hoje poderíamos ser um país mais rico e próspero se estes imbecis não se tivessem imposto. Até quando?

Como eu Vejo Carl Sagan


Carl Sagan foi um Astrónomo, Astrofísico, Cosmólogo e Exobiólogo americano, Professor das Universidades de Cornell e Harvard, infelizmente já falecido (1934-1996). Foi um divulgador e um comunicador da Ciência nato. Não só pela escrita, através de livros como Os dragões do Éden, com o qual ganhou um Pulitzer, Cosmos, Contacto, Biliões de Biliões, Um Ponto Azul Claro, etc. A série televisiva Cosmos foi uma série excepcional sobre o Universo, provavelmente a melhor de sempre, realizada e produzida por Carl Sagan e por sua mulher Ann Druyan, em associação com a BBC. O seu livro, best-seller, Contacto foi adaptado ao cinema, tendo tido como principal protagonista Judie Foster. Carl Sagan foi sempre um cientista inconformado, cujo fascínio pelo Universo sempre transpareceu nas suas obras, conseguindo transmitir todo o seu entusiasmo aos seus leitores. A ele se devem também grandes iniciativas para a pesquisa de vida extraterrestre, inteligente ou não, no Universo. Mas uma pesquisa séria e honesta, tendo sempre o crivo da Ciência como batuta. A ele se deveram alguns financiamentos do governo americano a este tipo de pesquisa, nomeadamente a criação de projetos pioneiros relacionados com a pesquisa de vida inteligente extraterrestre conhecido como SETI, tendo estado na origem da instalação do radiotelescópio instalado pela Universidade de Cornell em Arecibo, Porto Rico. Em anos de investigação, somente meia dúzia de sinais suspeitos conseguiram passar o crivo de autenticidade para serem considerados alienígenas. No entanto, da lista de critérios que teriam que cumprir, houve um em que todos falharam. O da repetibilidade. Cientificamente falando, apesar de poderem ter sido sinais de vida inteligente, não foram considerados por nunca mais terem sido encontrados. Em Ciência a comprovação inequívoca é essencial. Mas Sagan sempre teve a convicção de que não estamos sós no Universo. As enormes distâncias, as descomunais distâncias que são necessárias vencer, podem perfeitamente explicar a razão pela qual ainda não tenhamos sido contactados. As emissões de rádio terrestres são também demasiado recentes para que pudessem ter sido captadas algures na vastidão do espaço. E é preciso que apontem as antenas na nossa direção. Ele acreditava, verdadeiramente, neste cenário. Três anos após a sua morte, em 1999, foi implementada uma rede de computação partilhada, o projeto Seti@home, para o tratamento dos sinais de rádio recebidos pelo radiotelescópio de Arecibo, onde qualquer pessoa pode participar. Os pormenores podem ser vistos no site http://setiathome.berkeley.edu/, que recomendo. Basta descarregar uma mini aplicação da plataforma BOINC da Universidade de Berkeley e participar. De referir que Carl Sagan participou ativamente no programa espacial americano, tendo coordenado ou estado envolvido nos programas referentes a diversas sondas espaciais, nomeadamente, Pioneer, Mariner e Voyager. Foi um dos fundadores da The Planetary Society.
Para mais informações sobre a vida e a obra de Carl Sagan aconselho o seu portal, The Carl Sagan Portal, mantido pela sua mulher Ann Druyan.

Chuva na Crista

Há cristas que esperam, esperam, esperam, desesperando, por chuva na crista... E não perdem a fé! 

31/01/12

P.O.R.T.U.G.A.L.

País Onde... Roubar, Tirar, Usurpar, Gamar e Aldrabar... é Legal.

Onde os sacrifícios são para alguns... para os mesmos de sempre... e, especialmente, para os "judeus", leia-se, funcionários públicos, da nova nomenclatura... FDUGP... foras-da-lei, que passam a vida a MENTIR, dizendo que não há dinheiro! Alguém acredita?! Não há $ é para o que deveria haver!... Isso sim! Pois para as mordomias destes sem-vergonha-na-cara, dos seus amigalhaços, boys e o raio que os parta a todos, não falta ele ($$$$$$$$$)!
Mas eis a novíssima "carroça" adquirida pelo "Estado" (141000 euritos), para cumprir "obrigações protocolares"! Parece que a manutenção da anterior viatura era muito cara! Dizem eles! Caras de pau!
Tenham um pingo de vergonha na cara, seus #"$@§£&%+p;*?!#!

Para estes governantes continuarem a fazer as suas políticas de merda, que não se coíbem sequer de rasgar o Pacto Social (tal a falta de cultura), que já vem da Revolução Francesa, enganando-nos a todos, num dos países mais desiguais de toda a Europa, só ultrapassados por um ou outro país ex-comunista do Leste Europeu (e mesmo assim não sei), sendo portanto um país do chamado 3º mundo, em vias de regressão civilizacional acelerada, ainda por cima, mais vale que os $#&@£§, antes que eles acabem de vez connosco! Porque $#&@£§ já nós estamos há muito tempo! Cambada de trogloditas sem-vergonha!

29/01/12

A Troika Chegou ao Céu...

video 
Ah, não!
Eles não se esquecem de ninguém...
São longos anos de experiência...
De fora, de fora,
Só mesmo se forem...
Brancos, Anglo-saxões e Protestantes...
Ou os orientais,
Que lhes fazem frente!

28/01/12

Mundos à Parte

Os comentadores e analistas políticos que para aí pululam deviam pôr os olhos e ouvidos neste exemplo pimba... Não terão vergonha? Eis pois o que é preciso dizer sobre a estupidez, a ganância, a usura e a mentira que nos esmaga.



Que contrasta com o mundo em constante mudança em que vivemos... e que JAMAIS alcançaremos com a estupidez que nos(se) (des)governa...


19/01/12

UcccchhhGT - Sindicalismo ao Serviço dos Interesses

Sindicalismo? Defesa dos direitos de quem trabalha? Ora, ora, afinal, UGT significa:

UNIÃO GERAL DE TROCA-TINTAS

O acordo celebrado com o governo é uma vergonha e uma mancha negra para o sindicalismo português. Os responsáveis sindicais que o assinaram deviam pintar a cara de preto quando, por interesses obscuros, traíram as expectativas daqueles que dizem representar. Trata-se de uma verdadeira traição. Eu sinto-o perfeitamente. Para mim a UGT morreu com este acordo! Alcatrão e penas era o que estes indivíduos mereciam. Quanto terá valido o acordo em luvas? Só isso poderá explicar um acordo com o governo mais liberal e anti-social de que há memória, antes e depois do 25 de Abril. Traíram toda e qualquer expectativa de uma luta justa pelos direitos de quem trabalha. E este governo, diga-se, é um governo fora-da-lei, que governa desprezando, publicamente e descaradamente, a actual Constituição da República Portuguesa. Num país civilizado isso jamais ocorreria. Só num país culturalmente atrasado podem os seus governantes arrogarem-se a governar acima da Lei. Nesse aspecto, estamos nos antípodas relativamente ao desenvolvimento social e humano atingido em países, desenvolvidos e civilizados, como a Islândia, por exemplo.

Mas a sem-vergonhice é tanta que, para se desculparem, vêm os dirigentes da UGT dizer que agiram e aceitaram o acordo por influência da CGTP (?!) que lhes pediu, pasme-se, para que consertassem com o governo. Que desculpa esfarrapada. Alguém acredita nestes palhaços?

A Greve Geral, afinal, foi só para inglês ver! PALHAÇOS!

Tenham vergonha!

25/12/11

Merry Christmas and Happy New Year

From Coimbra for all of you, I wish a Merry Christmas and a Happy New Year!


11/12/11

Madame Curie: no 100º aniversário do Prémio Nobel da Química

A propósito de neste Domingo, dia 11 de Dezembro, passarem 100 anos sobre o discurso de Madame Curie (Marie Sklodowska-Curie 1967-1934) perante a Academia Real das Ciências da Suécia, que lhe atribuiu o segundo Prémio Nobel da sua carreira de cientista, transcrevemos na íntegra um artigo escrito em 1938 no jornal "Notícias de Coimbra" do seu discípulo, o Físico português Mário Augusto da Silva. O Nobel da Química foi-lhe atribuído pelas descobertas do Rádio e do Polónio. Anteriormente, em 1903, tinha recebido o Nobel da Física, juntamente com o seu marido Pierre Curie e Antoine Henri Becquerel, pelos seus trabalhos de investigação sobre o fenómeno da radioactividade espontânea, descoberta por Becquerel. Morreu em 1934 vítima de uma leucemia provocada pelas radiações a que esteve sujeita durante a sua carreira de investigadora. As mesmas que também são usadas para tratar tumores malignos.

No 40º aniversário da descoberta do Rádio - Madame Curie

pelo Professor Doutor Mário Silva

A recente celebração oficial do 40º aniversário da descoberta do Rádio fez novamente correr mundo os dados biográficos mais interessantes dessa gentilíssima figura de mulher que foi Madame Curie. Já quando, em 1923, se celebrou o 25º aniversário, por jornais, revistas e livros de todo o mundo se registaram as características mais notáveis da vida e da obra da ilustre cientista. Na recente celebração, os autores de artigos de jornais e os conferentes encontraram uma excelente fonte de informação no livro que, no ano passado, Eve Curie escreveu e dedicou à memória de sua Mãe. São, pois, geralmente conhecidos os pormenores da descoberta do Rádio e as circunstâncias particulares da vida da sua autora; nestas condições, solicitado amavelmente pelo «Noticias de Coimbra» a escrever, para um número comemorativo da referida descoberta, duas palavras sobre Madame Curie, parece-me que não devo correr o risco de dizer o que por tantos tem sido descrito e contado; mais Interessante será registar algumas, pelo menos, das impressões pessoais que tive o feliz ensejo de colher durante os anos em que Madame Curie foi a orientadora dos meus trabalhos de doutoramento, e durante os quais tive a honra ele ser, em muitas das suas aulas teóricas, seu assistente na preparação das demonstrações experimentais.

O meu primeiro encontro com Madame Curie tenho-o ainda gravado na memória com toda a nitidez, tão funda impressão me causaram a simplicidade de maneiras com que me acolheu e a solicitude atenciosa com que prometeu resolver as dificuldades que se levantaram à minha admissão no seu Laboratório onde todos os lugares, nesse princípio de ano lectivo de 1925, tinham sido já tomados. Não me fez desanimar, antes, pelo contrário, pediu-me que esperasse uns dias por uma resposta definitiva, que seria provavelmente favorável, ao meu pedido de admissão. Registo aqui as palavras que me escreveu dias depois, pelo que elas representam de atenção para com a Universidade de Coimbra:

“Monsieur - Vous avez demandé à être admis à tl'availler au Laboratoire Curie de l’Institue du Radium pour apprendre la technique et pour faire une recherche personnelle. A fin de rendre service à la Université de Coimbra que vous a confié cette mission, je suis disposé à accorder votre admission, bien que vous avez fait votre demande trop tard, quand l’organisation de l’année scolaire était déjà, en príncipe, arrêtée. Veuillez agréer, Monsieur, mes salutations sincères – (a) M.Curie.”

Com o maior alvoroço respondi imediatamente:

“Madame - Tout en vous remerciant beaucoup de votre letre, j'ai le plaisir de vous communiquer que j'accepte tout ce que vous m'avez proposé. Je ferai mon inscription au Secrétariat e j'attendrai l'ollverture de votre cours et du Laboratoire. Je viens d'écrire à M. le Recteur de I' Université de Coimbra et à M. le Directeur du Laboratoire de Physique où j'ai travaillé, en leur rendant compte de ce que vous m'avez proposé et en leur faisa

nt remarquer que vaus accordiez mon admission au Laboratoire Curie pour rendre service à I'Université de Coimbra. Je vous prie d'agreér mes respectueux remerciements - (a) M. A. da Silva”

Carta do Secretário do Instituto do Rádio de Paris, M. Razel, convocando Mário Silva para uma reunião no Laboratório Curie. M. Laporte era assistente de Marie Curie no laboratório com quem Mário Silva ficou a trabalhar. Fréderic Joliot foi admitido no mesmo ano no laboratório, tendo ficado a trabalhar directamente com Iréne Curie com quem viria a casar.

Na falta de um lagar no Laboratório, foi na sua sala de aula que Madame Curie me instalou para a execução dos meus primeiros trabalhos. Assim se explica, em grande parte, a atenção com que os seguiu desde o início, e todo o interesse que por eles tomou. Assim se explica também que eu tivesse ficado em estreita ligação com a organização do seu curso teórico e que eu tivesse tido a honra de a auxiliar nas demonstrações experimentais das suas lições. Nunca mais me foi possível esquecer a emoção que senti quando, pela primeira vez, entrei a seu lado na sala de aula onde, nesse dia, ela ia falar sobre a Teoria das transformações radioactivas a um numeroso auditório que a recebeu de pé e, segundo o costume, com uma prolongada salva de palmas. A experiência que eu tinha previamente montado e verificado era das mais curiosas do curso: demonstração a todo o auditório do ritmo das transformações radioactivas, tornando, por assim dizer, audível as explosões dos átomos do Rádio; um amplificador ligado a um altifalante estava disposto para registar cada uma das explosões dos átomos do precioso metal. A experiência é curiosa porque revela bem o carácter de probabilidade das transformações radioactivas. O estudo teórico destas transformações encontra pois nesta experiência uma excelente confirmação. Madame Curie desenvolveu a sua lição metodicamente, magistralmente, durante os três quartos de hora habituais das suas aulas, e guardou para o final a execução da experiência. Quando acabou e anunciou que eu ia realizá-la, confesso que um peso enorme me oprimiu: a experiência podia falhar, uma das lâmpadas do amplificador, qualquer coisa da montagem podia ter-se desarranjado. Foi com enorme sacrifício que reprimi toda a minha emoção, e comecei com calma aparente a fazer as ligações. Ao pegar no pequeno tubo de Rádio com que eu ta fazer a demonstração, tive a sensação de que podia dar-se uma catástrofe, tal receio tinha de um insucesso. Felizmente, o pequeno tubo de rádio depressa mostrou a sua actividade. Começaram a soar altifalante as primeiras explosões radioactivas, e o auditório, entusiasmado, aplaudiu, misturando o barulho das suas palmas com o ruído das explosões atómicas. Respirei aliviado e quase tive a ilusão, nesse minuto para mim memorável, de que aquelas Palmas também se dirigiam ao ignorado português que ali estava, sentindo que acabara de viver um dos momentos mais emocionantes da sua vida de professor.

Por mais de uma vez, Madame Curie me fez sentir que era com o maior interesse que se empenhava em, como ela diz na carta que transcrevi, «rendre service à I' Université de Coimbra». Quando Doumergue, então Presidente da República, visitou oficialmente o Instituto do Rádio, Madame Curie teve particular interesse em me apresentar; recordo ainda que afirmou ao Presidente que tinha a maior satisfação em ter no seu Laboratório um assistente da mais antiga Universidade Portuguesa, a Universidade de Coimbra.

Tantas vezes, realmente, a ouvi falar de Coimbra que não descansei enquanto não consegui um meio de provar-lhe que, reconhecida, a velha Universidade Portuguesa, a ia homenagear..., não com mais um doutoramento «honoris causa» ou com uma recepção oficial cheia de pompa. De há muito que eu sabia que Madame Curie fugia, sempre que podia, a exibições de grande aparato, que tinha mesmo horror às grandes manifestações oficiais, com discursos e condecorações. Tal como Pierre Curie, Madame Curie vivia exclusivamente para os seus trabalhos de investigação e para o seu Laboratório. A homenagem a prestar-lhe devia pois ter em atenção as suas predilecções e o seu ideal de vida. Nada melhor podia ter arranjado do que comunicar-lhe que a Universidade de Coimbra ia ter, como a sua Universidade, um Instituto do Rádio feito à imagem e semelhança do seu próprio Instituto. Era a projecção da sua obra no pequeno país do Ocidente da Europa; era continuar aqui a ciência que ela tinha criado e que constituía toda a ambição da sua vida. A ideia tinha sido feliz. Foi com a alegria de uma criança que acaba de ter um brinquedo desejado, que Madame Curie me felicitou e se felicitou por saber que mais um Instituto do Rádio ia aparecer consagrado às investigações e às aplicações do «seu Rádio». Tão grande foi essa alegria que logo me propôs vir assistir à sua inauguração. Foi esta a agradável notícia que eu trouxe para Portugal quando regressei em 1929. A todos anunciei que Madame Curie viria expressamente a Coimbra, e só a Coimbra, assistir à inauguração do novo Instituto. O professor Doutor Álvaro de Matos, director da secção médica, foi dos primeiros a receber a notícia. O seu entusiasmo não foi inferior ao meu, e desde logo pensou em abreviar a realização de tão importante acontecimento. Neste sentido trabalhei, mas todos os meus esforços foram inúteis. Nove anos depois o Instituto do Rádio de Coimbra continua com as suas portas fechadas e, o que é mais doloroso, a morte de Madame Curie irremediavelmente inutilizou o projecto em cuja realização empenhei o melhor da minha boa vontade. À memória de Madame Curie devo esta declaração de consciência.

Para terminar, algumas palavras mais sobre o ambiente de trabalho no, Instituto do Rádio de Paris.

No meu tempo, O Instituto era um pequeno mundo onde se falavam quase todas as línguas; eu era o único português, mas havia, além de franceses, russos, polacos, sérvios, romenos, eslavos, suíços e japoneses.

A direcção científica de Madame Curie a todos se impunha, excepção feita - porque não dizê-lo? - de alguns franceses. Eu sei - toda a gente sabe que a França, pátria adoptiva de Madame Curie, várias vezes homenageou a ilustre Professora; mas pouca gente sabe que o sentido dessas homenagens muitas vezes se dirigiu com acentuada persistência ao nome de Curie. Mais ainda: quase ninguém sabe que, para muitos franceses, Madame Çurie foi sempre considerada a usurpadora de uma situação e de funções que eles teriam preferido ver em mãos de compatriotas. Certa imprensa chegou mesmo, há alguns anos, a fazer campanha contra Madame Curie Registe-se contudo também que ela teve em muitos dos mais eminentes, amigos sinceros, dedicados até à veneração. No Laboratório era por vezes bem sensível o ambiente de frieza feito por muitos à sua volta. Ela devia senti-lo, e daí o seu retraimento. Poucas vezes saía do seu laboratório privativo, e muitos trabalhos faziam-se sem que ela tomasse conhecimento. Isso não impedia, porém, que algumas vezes, esquecidas atitudes passadas, ela não fosse conversar, com o seu habitual sorriso com os que mais se afastavam, e tudo se passava então como se existisse, entre lodos, a mais cordial e amiga das convivências. No «savoir vivre», os franceses dão sempre lições...

A actividade em todo o laboratório mantinha-se durante o ano num ritmo constante com uma média de oito horas de trabalho diário intenso. Madame Curie dava o exemplo. Às 9 horas da manhã, quase sempre, era a primeira a entrar no Laboratório. Ás vezes, porém, havia feriado extraordinário, mais do que feriado, havia festa. Era a festa dos doutorados. No dia do exame de doutoramento de um trabalhador do laboratório, Madame Curie, à sua custa, dava uma festa em sua honra, durante a qual era da praxe que ela fizesse um discurso de elogio do novo doutor. Todos os trabalhadores do Laboratório se associavam à festa, e a aspiração de cada um era, mais do que o doutoramento, a festa e o elogio de Madame Curie. Foi também essa a minha aspiração durante os quatro anos do meu estágio, aspiração que eu tive a felicidade de ver realizada. Dessa festa conservo, contudo, uma recordação que me entristece hoje (1938)... É que Madame Curie, no final do seu discurso, ao formular alguns votos, não esqueceu a Universidade de Coimbra. Fecho os olhos e ainda a vejo, com a sua taça erguida, saudar o país distante que lhe tinha dado a alegria de fundar um Instituto do Rádio, lembrando mais uma vez que seria com alegria que viria visitar-nos para assistir à sua inauguração. Mal diria eu então, ao agradecer comovido a saudação, que os anos iriam passar uns após outros, vazios e inúteis, que o Instituto do Rádio de Coimbra acabaria por ficar esquecido da própria Universidade que o instalou, e que nós nunca teríamos o orgulho de a ver no velho burgo em que nascemos”.

Coimbra, 1 de Dezembro de 1938.

Mário Augusto da Silva.

Note-se que Mário Silva não podia dizer mais, pois estávamos em pleno Estado Novo, com o fascismo e o nazismo em verdadeira ascensão por toda a Europa. A realidade foi que o Instituto do Rádio de Coimbra foi boicotado directamente pelo próprio Salazar.



06/12/11

O Euro Pode Mesmo Acabar?

Se até há bem pouco tempo era tabu falar do fim do Euro, hoje esse cenário é bem possível de se tornar realidade. Exigem-se decisões efetivas, daí a importância do Conselho Europeu, que terá lugar em Bruxelas nos dias 8 e 9 de Dezembro.

O eixo franco-alemão já apresentou as suas ideias, que passam por um novo Tratado Europeu, introdução de sanções automáticas para os Estados-membros que não respeitem o limite ao défice de 3% do PIB e ainda a entrada em vigor em 2012 do Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Ainda assim o receio do fim da união monetária fez com que várias empresas, dentro e fora da Europa, dessem início aos seus planos de contingência, no sentido de minimizar o impacto deste cenário.

Irá a Zona Euro a tempo de salvar a sua moeda única? Quais os cenários possíveis se a união monetária chegar ao fim? A união política poderá ser a salvação do euro?

Na minha opinião, o problema não é o fim do Euro, mas sim o fim da própria União Europeia. E as consequências do seu fim serão catastróficas a todos os níveis. Talvez o mais importante seja o fim da paz na Europa e o retorno dos nacionalismos e das guerras. Se tal acontecer, a direita europeia terá que ser responsabilizada por essa tragédia. E explico porquê.

A construção europeia foi, em grande medida, fruto do labor dos partidos sociais-democratas e socialistas europeus que estão, desde há alguns anos a esta parte, em franco declínio em toda a Europa. As razões para este facto são muito misteriosas, por que foram os valores da solidariedade e da justiça social, tão caros às suas políticas, que permitiram que os europeus alcançassem o nível de bem-estar que felizmente ainda conhecemos. Foram estes valores que deram origem à construção do chamado Estado Social por toda a Europa. Contudo, foram construções isoladas, pois, como todos sabemos, a União Europeia nunca passou de uma união económica e monetária alicerçada nos interesses dos países mais ricos do centro da Europa. Mas a tal declínio, não são alheios o nascimento do próprio Euro e da Globalização, e a consequente desregulação do Comércio mundial. Esta última conquista, tão cara ao neoliberalismo vigente, foi a principal responsável pelo declínio das economias europeias, em especial das periféricas. A economia da zona Euro sempre foi anémica. O Euro, que nasceu com paridade face ao dólar, está hoje sobrevalorizado de forma excessiva. Os interesses dos mais ricos da Europa estiveram sempre à frente de tudo e de todos. No início de forma escondida, assumem hoje contornos de autêntico escândalo, numa espécie de governo oculto que já caricaturam de “Merkozy”. Em Portugal, lamente-se, só a esquerda do PS parece continuar a defender aqueles valores. Neste contexto, Sócrates e as suas políticas hipócritas arrasaram-nos. Ao insistir na defesa do Estado Social, permitindo ao mesmo tempo o afundamento da economia portuguesa, criou no espírito dos portugueses a ideia errada que o Estado Social é, no fundo, o responsável pela actual situação. Nada de mais errado! E isto tem sido muito bem aproveitado pela actual direita neoliberal que, mascarada de social-democrata, está hoje no poder. Para essa ideia muito têm contribuído também os “fazedores de opinião” ou os “comentadores” ao serviço deste “novo sistema político”. E são claras as políticas do actual governo visando a destruição do sector público português, escudadas, igualmente, numa outra grande desculpa chamada Troika. É preciso dizê-lo, foi a corrupção generalizada, a todos os níveis, que nos trouxe até à actual situação. E isso, infelizmente, parece não ir mudar nos próximos anos. Por exemplo, o OE para 2012 é um orçamento fora-da-lei, com normas completamente inconstitucionais aos olhos de qualquer leigo e pessoa de boa-fé, construído essencialmente para atacar o sector público português e o seu POBRE Estado Social. Aonde pára o Direito? Este orçamento é a prova que os interesses económicos e financeiros estão acima das leis, dos povos e das suas Nações. Vivemos, por isso, num sistema oligárquico suicidário. E o que se passa em Portugal é somente o reflexo das políticas europeias actuais. O discurso parece ser o mesmo em todo o lado. Assim, o fim do Euro não espanta ninguém. No fundo, no fundo, podemos resumir dizendo que a União Europeia não foi feita para egoístas e oportunistas. Foi a sua ganância desmedida que nos trouxe até aqui.

A construção europeia foi sempre baseada nos valores da social-democracia e da democracia cristã que, hoje, todos combatem sem o assumirem frontalmente. Quando decretam a morte do Estado Social não é isso que estão a fazer, sem, no fundo, o assumirem? A direita, que agora assume o poder em toda a linha, sempre foi anti-europeísta, apesar de hoje ser politicamente incorrecto assumi-lo também. Lembrem-se, por exemplo, das razões que levaram à saída de pessoas como Freitas do Amaral do CDS, seu fundador. Os partidos conservadores sempre preferiram os nacionalismos bacocos, à construção de uma verdadeira união política e social. A Europa, como uma federação de Estados, com um verdadeiro Banco Central responsável pela política monetária da União, jamais será possível à luz das ideologias conservadoras de direita. E esta seria, sem dúvida, a saída para actual crise europeia. A par da regulação dos mercados, obviamente, onde os interesses económicos e financeiros fossem secundarizados face à defesa do bem comum e das pessoas, em vez da actual política, ao serviço do capitalismo selvagem e do dinheiro que hoje a move, em Portugal e na Europa. Mas, para isso, seriam necessárias políticas mais consentâneas com os valores da solidariedade e da justiça social em todo o espaço europeu, das quais os actuais políticos europeus nem sequer querem ouvir falar.

29/11/11

Merkozy

Frase do Dia:

A União Europeia está a ser governada por um ser híbrido a que chamam "Merkozy"... E nem sequer são duas pessoas com votos iguais... é um voto e meio, porque o miúdo vai sempre atrás...


Diogo Freitas do Amaral
in Expresso - 28/11/2011

Sem papas na língua, só pecando por ser benevolente para com o governo português, que se tem comportado como um verdadeiro miúdo obediente que vai, sempre, na... bagageira!

28/11/11

O Projecto Goldman Sachs e a Eminência Parda do Governo Português

Os tentáculos da Lula Vampiro, ou melhor, do banco de investimentos Goldman Sachs estende-se pelos corredores do poder da Zona Euro, sem que nada seja feito. É a oligarquia a mostrar-se sem-vergonha, pornográfica, marcando o fim das democracias ocidentais. Quem lhe fará frente? A crise das dívidas soberanas e as austeridades impostas aos povos europeus têm aqui um verdadeiro responsável. Embora não seja o único, assume-se como a face do mesmo. Publicado por Stephen Foley no The Independent, com o título "What price the new democracy? Goldman Sachs conquers Europe".

Não sabia, mas fiquei a saber, que o banco de investimento Goldman Sachs tem a alcunha de Lula Vampiro. Eu diria que, pela situação a que chegámos, se trata mais de um polvo vampiro, cujos tentáculos invadem os corredores da política europeia. Em tempos falei da hidra de três cabeças para classificar as agências de notação financeira, elas próprias dominadas por estes polvos. Hoje, e passa a ser do domínio público, temos os interesses de um banco de investimento americano que de forma tentacular se imiscui em tudo o que diz respeito à economia, à política e às finanças dos estados soberanos europeus. Esta gentalha pretende, a todo o custo, sugar até ao tutano o sangue do trabalho dos europeus para recuperar as perdas da primeira crise financeira, que eles próprios criaram em 2008. E livrarem-se, a todo o custo também, das consequências das crises das dívidas soberanas, castigando-nos com a austeridade que todos estamos a sentir, ganhando muito dinheiro ao mesmo tempo. São os povos a ser sacrificados à sede insaciável destes grupos financeiros sem escrúpulos.

Já se falava em oligarquia americana. Os acontecimentos recentes na Itália mostram que a rede tentacular acaba de colocar à frente da 3ª nação europeia um dos seus assessores de topo. A deposição do “indescritível” Sílvio Berlusconi e a imposição de um governo de tecnocratas, não eleitos, põe em causa o próprio sistema democrático italiano. Mário Monti, que é um quadro superior da Goldman Sachs, está agora à frente de uma das maiores potências europeias. Assim, é lícito afirmar que a Goldman Sachs, como banco de investimento, vê o seu poder político crescer para níveis nunca vistos. Analisando a situação com maior detalhe, vemos que o polvo cresce como nunca, também noutros países europeus em dificuldades. A austeridade brutal imposta nestes países parece ter uma causa comum: os interesses inalienáveis da Goldman Sachs. Ao que nós chegámos. Mas, se na Itália colocaram Mário Monti, na Grécia colocaram Lucas Papademos. Não podemos esquecer o esquema financeiro que a Lula ajudou a criar para que os gregos camuflassem o seu real défice e, desse modo, entrassem para a zona euro. A Goldman canalizou cerca de $1bn de financiamento para o governo grego em 2002 numa transacção chamada “cross-currency swap”. Do outro lado do negócio, a trabalhar no Banco Nacional da Grécia, estava Petros Christodoulou, que iniciou a sua carreira na Goldman e que foi agora promovido a chefe de gabinete de gestão da dívida do governo grego. Lucas Papademos, agora colocado na posição de Primeiro-Ministro grego, também ele não eleito democraticamente, era um tecnocrata do Banco Central da Grécia naquele tempo. Mas a rede tentacular não fica por aqui.

Escolher políticos bem relacionados na porta de saída dos governos é apenas metade do Projecto Goldman Sachs, colocar gente da Goldman nos governos é a outra metade. Por exemplo, Mario Draghi, que assumiu a Presidência do Banco Central Europeu, entrou e saiu de governos e entrou e saiu da Goldman Sachs. Trabalhou no Banco Mundial e foi director executivo do Tesouro italiano antes de passar três anos como director executivo da Goldman Sachs Internacional, entre 2002 e 2005 — para retornar ao governo como Presidente do Banco Central de Itália. Note-se que o sr. Draghi foi acusado numa controvérsia ligada a truques de contabilidade que usou em Itália e em outras nações da periferia da zona do euro para que se adequassem à moeda única.

Mas os portugueses também marcam presença nesta trama. António Borges, que o “The Independent” relaciona com Paris, é um português muito próximo do actual governo. Foi até quarta-feira passada responsável pela a divisão europeia do Fundo Monetário Internacional, ele que também é um importante quadro da Goldman. Nada parece escapar aos tentáculos da Lula.

Mas não só. A Goldman Sachs está muito bem representada na cúpula do governo português. Carlos Moedas, actual Secretário-Adjunto do Primeiro-Ministro, trabalhou para a Goldman Sachs na área das fusões e aquisições. É a verdadeira Eminência parda deste governo. Provavelmente o principal mentor das medidas de austeridade que constam do OE para 2012. O mesmo que levará Portugal à ruína, num cruel sacrifício em nome da Lula Vampiro e da sua insaciável sede de dinheiro e de poder. Moedas deve ter soprado umas coisitas ao ouvido dos outros três: Coelho, Relvas e Gaspar. Percebemos agora, bem melhor, a adoração desmedida, o “ai Jesus” e os “suspiros” constantes do nosso Primeiro-Ministro na subserviência cega que mostra aos ditames dos “mercados”, diga-se, da Lula. Os portugueses que comam terra, se preciso for, porque a dívida escabrosa, grande parte ODIOSA, e os juros escandalosos serão pagos até ao último tostão, nem que chovam picaretas. Presumimos que o nosso empobrecimento ser-lhe-à muito bem recompensado... Pode ser que o tiro lhes saia pela culatra.

Aconselho vivamente a leitura da crónica de Stephen Foley no The Independent, com o título "What price the new democracy? Goldman Sachs conquers Europe" para perceberem melhor o chamado Projecto Goldman Sachs e de todos os seus contornos. Nele só não consta a referência a Carlos Moedas, verdadeiramente à frente dos destinos de Portugal.

Mas como lutar contra isto? Vamos assistir a tudo de braços cruzados? caídos? cabisbaixos?

INDIGNEM-SE!

O PARAÍSO EXISTE - BASARUTO (MOÇAMBIQUE)

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