Razao

ESTE BLOGUE COMBATE TUDO O QUE POSSA POR EM CAUSA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A SUA LIBERDADE. É, POR ISSO, ANTICAPITALISTA E ANTICOMUNISTA.

17/01/09

CORPUS... e Carcaças

Foi construído na Holanda um grande museu interactivo dedicado ao corpo humano. Trata-se de uma viagem tridimensional pelo interior do corpo humano, durante a qual o visitante pode ver, sentir e ouvir como funciona o corpo humano e qual é o papel da comida saudável, da vida saudável e o bem que o exercício físico faz. Chamado CORPUS, foi inaugurado pela rainha Beatriz da Holanda no dia 14 de Março de 2008. O edifício, altamente transparente, tem 35 m de altura e foi construído com os contornos do corpo humano projectados nele. Está situado junto à auto-estrada A44 que liga Amsterdão e a cidade de Haag (the Hague), cidade fronteiriça com a Alemanha. Pena que quando ali passei, e foram várias vezes, ainda não existia. Mas para quem for à Holanda, aqui fica esta interessante sugestão.
Mas enquanto na Holanda "o mundo pula e avança", em Portugal regride-se. Lá cria-se CORPUS, cá destrói-se o Museu Nacional da Ciência. Que outro país do mundo poderia decretar o fim do seu Museu Nacional da Ciência e da Técnica? Ter a coragem, como teve este governo do PS (embora o PSD seja o principal responsável), de acabar com um Museu Nacional da Ciência, pelo simbolismo que isso acarreta, somente de quem não tem princípios, nem cultura. Se funcionava mal, fizessem tudo para corrigir a situação. Agora, fechar um Museu Nacional da Ciência? Pois é, nem nos países em vias de desenvolvimento. As únicas situações semelhantes que me ocorrem são o saque, aos olhos das tropas americanas, do Museu Nacional do Iraque, berço da humanidade, e a destruição pelos talibans das estátuas do Afeganistão, onde pontuava a maior imagem de um buda em pé do mundo, com 53 metros de altura e que tinha sido esculpida numa escarpa na cidade de Bamiyan. Somente com estes pode Portugal comparar-se...











7 comentários:

Anónimo disse...

Pois JP tem toda a razão do mundo, nós, nós não, este País onde nascemos e estamos até ir para outro lado, não dá valor ao pouco que existe e tem valor, porque os valores a que dão valor são os que não prestam aqueles que não tem interesse, pelo menos para pessoas que se interessam por coisas que tem interesse. Estes políticos dão valor e fazem tudo para que vá para a frente "novas tecnologias" como o TGV, que ainda não sei bem onde o desgraçado vai atingir a velocidade para que possa ser rentável o investimento, dão incentivos a empresas que não estão em falência, portanto injectam dinheiro onde ele já existe, mas nas empresas que estão em vias de falência, essas paciência são só mais umas centenas de desempregados que importância isso tem. Agora cultura, isso é só para cultos e nós somos considerados uma classe inculta, por isso para quê Museus de Tecnologia vamos é dar concertos, uns charros, e muito alcool. Viva os políticos .... :-(
Um abraço
Ana

JP disse...

Cara Ana,

Concordo plenamente. Curiosamente, na edição de ontem do diário de coimbra vinha uma notícia que parecia ser resposta a este meu "post". Pois parece que a Universidade de Coimbra, que ficou com a carcaça, vai arrancar com a segunda fase do Museu da Ciência no Colégio de Jesus. Já não era sem tempo! Entretanto vamos aguardar para saber que partes da carcaça ficam e que partes vão para o lixo...

Abraço
JP

LUIS FERNANDES disse...

Concordo consigo, mas...(há sempre um "mas"). Passamos a vida a queixarmo-nos dos políticos. Embora o que vou dizer seja uma frase requentada, quer se queira, quer não, por um lado, eles são o resultado da nossa pouca exigência para com eles. Por outro, ninguém (ou poucos) se envolve verdadeiramente nas causas que dizem defender. Amigo -permita-me tratá-lo assim-, a cultura é uma treta. Ou melhor: é um chapéu que fica bem em qualquer cabeça, como um discurso que se cola em qualquer boca.
O senhor sabe do que falo. A extinção do Museu Nacional da Ciência e da Técnica é uma vergonha. Sim. Mas sabe quem leva a maior fatia? Os cidadãos de Coimbra. A começar por mim, que se calhar, perante a apatia de todos, acabei por mandar esse desaparecimento às favas (para não dizer à merda, desculpe!). Sabe também que atribuo culpas à família do grande cientista (seu familiar), que, quanto a mim, não se bateram suficientemente pela sua memória. Mas, acima de tudo, e isso enfurece-me, é chamarem cidade de cultura e conhecimento a Coimbra e esta gente esquisita, que mora aqui, não fazem nada para preservar a memória, seja lá do que for. Provavelmente nem terão memória. E isso é que me chateia brutalmente. Infelizmente, este procedimento é transversal à sociedade contemporânea, dita de moderna.
Desculpe!, deixe-me fazer um manguito a tudo isto. Passamos a vida a chorar o que perdemos. Talvez aí se explique o culto exacerbado pelos mortos. Quando em vida, passamos o tempo a dar-lhes caneladas, depois de "partirem" damos-lhes nomes de ruas e outras balelas do género.
Mais uma vez desculpe (é a terceira e última que o solicito), isto deixa-me irritado. E aqui não consegui disfarçar.
Um abraço.

Anónimo disse...

Ou melhor que partes ainda existem, e quais as que já habitam outras paragens?????? Será que estarei assim tão errada????
Um abraço
Ana

JP disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
JP disse...

Caro amigo Luís Fernandes,

O meu amigo mostra-se indignado e eu compreendo. Como a resposta ao seu comentário está a ficar demasiado longa, decidi escrever um “post” sobre este assunto, clarificando o papel da família do Professor Mário Silva. Melhor. O meu e daqueles que me são mais próximos. Quem não se sente, não é filho de boa gente. E eu, graças a Deus, tive a sorte de nascer filho de gente muito boa. Por isso peço-lhe que esteja atento ao Natureza. Mas como não o quero deixar sem qualquer resposta, dir-lhe-ei apenas que Coimbra não mereceu. Ponto final. Saiba que as únicas pessoas que se interessaram, verdadeiramente, pelo Museu foram precisamente os familiares do Professor Mário Silva. E mais uns poucos. Dois ou três. E se o Museu ainda se manteve cerca de 30 anos após a sua morte, foi porque nunca nos calámos. Ao contrário dos conimbricenses que sempre lhe viraram as costas. Têm a memória curta e adoram dizer mal daquilo que não conhecem. Bem sei. Todos. Coimbra não o mereceu. Portugal não o mereceu. Lamento dizê-lo.

Para finalizar, e relativamente à memória do meu avô, eu tenho a minha consciência muito tranquila. Se eu não tivesse levantado a minha voz, bem alto, "berrando" aos ouvidos de alguns órgãos da comunicação social nacionais, após as vergonhosas edições jornalísticas do dia 6 de Agosto de 1995 (por exemplo, Público e Visão), há muito que o meu amigo teria deixado de ouvir falar em Mário Silva. Se calhar o meu amigo não sabe porquê, mas eu contar-lhe-ei depois. Mas naquele dia enterram-lhe a memória. Eu fui censurado e o meu trabalho “aproveitado”. Mas iniciei ali uma luta que culminou com a homenagem que a Universidade de Coimbra lhe prestou em 1997. E digo-lhe mais. Praticamente todos os textos biográficos que circulam na internet são cópias descaradas do meu texto original, publicadas sem a minha autorização. Agora, meu amigo, pode dizer o que bem entender… mas que foi injusto foi. E eu nem precisava de o comentar, apesar da provocação. Ao invés, fico-lhe agradecido pela oportunidade que me deu de dizer mais umas quantas verdades que, com certeza, não serão do agrado de muito boa gente. A mim, o que verdadeiramente me entristece, é que Portugal roubou a memória do meu avô.

Abraço e obrigado pelo seu comentário,
JP

JP disse...

Cara Ana,

Não sabemos. Sei que foram feitos inventários nos anos 70... enfim... não há palavras... há muita tristeza... e muita indignação! Eu jamais esquecerei e perdoarei o que fizeram. Ao contrário da cidade e dos seus cidadãos. E lamento que, afinal, a Universidade de Coimbra tenha estado por detrás disto tudo. Porque, em meu entender, Paulo Gama da Mota, o director do Museu e seu carrasco, nunca poderia ter acumulado o cargo com o do novo Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. Uma vergonha que somente poderia ter acontecido em Portugal.

De qualquer modo, deixei neste blogue o meu testemunho sobre o Museu. Daquele que o meu avô deixou a Coimbra e a Portugal. Para que não misturem o nome dele com a carcaça em que o tornaram e que deambula por aí… Acho que ainda não o enterraram completamente! Mas já deverá ter umas pazadas em cima. É um verdadeiro morto-vivo! Uma verdadeira morte lenta, uma agonia insuportável! Também me preocupa muito o destino do seu espólio...

Abraço,
JP