Razao

ESTE BLOGUE COMBATE TUDO O QUE POSSA POR EM CAUSA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A SUA LIBERDADE. É, POR ISSO, ANTICAPITALISTA E ANTICOMUNISTA.

06/09/12

Portugal Já Está a Arder!


Divagações em noites de terror.
Terror de alguns! Regozijo por estupidez e incompetência ou ganância de outros.

Parece ser o título do livro de Dominique Lapierre sobre a entrada dos nazis em Paris, ou o título de um outro, desabafo do industrial Jorge Jardim sobre a descolonização "exemplar" de Moçambique. Mas não. Agora o assunto é o mesmo, mas a terra queimada é outra: Portugal! E não é só no sentido literal, como naquelas obras. Portugal já está a arder a todos os níveis!

Há casos curiosos. Eu pertenço a uma família que, sendo anti-fascista, sempre foi perseguida pelo Estado Novo. Por isso, todos demos vivas sonoros quando, noite dentro, ouvíamos o avanço da revolução dos cravos. Nos dias seguintes, em Moçambique, mãe e pai discursavam livremente para toda a população, dando vivas à revolução que tardou em chegar. Estavam longe de imaginar que seria o princípio do fim de trinta longos anos de trabalho árduo em terras moçambicanas, muitas vezes defendendo veementemente, perante a PIDE, muitos cidadãos moçambicanos acusados de pertencerem à FreLiMo. E a paga? No verão desse ano vieram de férias a Portugal e nunca mais regressaram, devido ao genocídio de muitos portugueses naquele Setembro Negro de 1974 em Lourenço Marques. Ainda sob o domínio português, pasme-se, e cuja História ainda está por fazer. Naqueles dias negros, milhares de portugueses foram, literalmente, abandonados por Portugal e chacinados por incentivo e mando de Samora Machel. Uma besta que destruiu um dos países mais bonitos do mundo! Que pena não ter sido Mondlane, assassinado pela PIDE, ou mesmo Chissano a iniciar o processo de independência de Moçambique. Adiante. Aqui ficaram, sem nada, roubados e espoliados pelos Estados Português e Moçambicano. Como eles, com medo de perderem a vida, cerca de 200.000 portugueses foram obrigados a deixar o país. Perdemos todos. Enfim, esta é a triste sina do ser português... Mas dizia, parecendo incongruente, apesar de ser de esquerda, não esqueço o mal que a esquerda daqueles tempos fez à minha família. Jamais esqueceremos! Mas o assunto, hoje, é Portugal.

Histórias e factos de um país à beira do caos.

Portugal arde em todos os sentidos. Lamentavelmente o povo português continua adormecido. Somente aqueles que sofrem na pele os efeitos dos incêndios que lhes batem à porta estão acordados e bem acordados. Aos outros, que julgam que nunca nada lhes acontece, preferem dormir e deixar andar, mesmo que a casa do vizinho já esteja em chamas. Até um dia!... Rio de Mel foi evacuado...

Infelizmente, falar dos incêndios em Portugal no pós-25 de Abril é como falar do próprio país, da sua história e da sua política. A história do país "democrático" e a dos incêndios têm um denominador comum. A corrupção. Os incêndios que, como todos sabemos, ano após ano deflagram no nosso país, tantas vezes de origem criminosa, e que têm destruído uma das maiores riquezas naturais de Portugal, com tremendos prejuízos humanos e ambientais, para não falar dos económicos, nunca estiveram na agenda dos badamecos dos políticos que nos têm (des)governado. Sim, badamecos! Sem mais! Tal e qual como ouvi ontem, no Eixo do Mal, Clara Ferreira Alves a referir-se a um que alapou no poder e que não sai enquanto não fizer o "negócio da sua vida", leia-se, um negócio chamado RTP. O badameco é, como calculam, o pseudo "doutor" que dá pelo nome de Miguel Relvas. É triste que nós tenhamos que o tratar assim, mas que fazer quando esta gente não sabe o seu lugar? Não tem ética política e, pior, vergonha na cara? Mas à incompetência deste senhor, junta-se a de todo um governo a quem se terá que assacar a responsabilidade de ter sido o verdadeiro carrasco de Portugal. Por pura teimosia e fanatismo político ao serviço de interesses estrangeiros! Medina Carreira, que defende o que eu aqui já defendo há muitos anos, ao contrário do que apregoa, peca por ser intimamente um fanático de direita encapotado. Embora concorde com o problema do fim da indústria Ocidental às mãos dos orientais, discordo profundamente dele quando diz que foi o anterior governo o responsável pela situação económico-financeira que Portugal vive hoje. Não foi! E eu fui um acérrimo crítico de Sócrates. O que aqui escrevi fala por mim, por exemplo. A verdade é esta. Portugal foi conduzido à situação actual, bem pior da que se vivia há um ano e meio atrás, para que fosse melhor espoliado dos seus bens! A política seguida é de verdadeira terra queimada, economicamente falando. Num só ano fizeram-nos muito mal! Neste blogue, alertámos-lo aqui e acolá. Será que todos estes politiqueiros serão um dia julgados? Esperemos que sim!

Neste contexto, podemos dizer que há muito que Portugal está a arder. Em lume brando! E nos verões quentes, literalmente, em lume intenso e diabólico. Infelizmente, nunca houve vontade política para acabar com o flagelo dos incêndios. Interesses ou incompetência? Ambos! Todos sabemos que a mão criminosa começou quando o negócio da madeira queimada assim o exigiu, sem que a classe política tivesse mexido uma palha para acabar logo com o negócio sujo. Agricultor que não vendesse o pinhal são por tuta e meia, depressa o despacharia pelo preço da uva mijona mal o fogo lhe consumisse as primeiras pinhas. Foi este o primeiro móbil dos criminosos das florestas portuguesas, aonde os madeireiros e as celuloses não ficam nada bem na fotografia. Depois o crime refinou-se. Ardia muito. Ardia com força, com a força do diabo. Não há como o português para depressa arranjar forma de lucrar com a desgraça alheia. Depressa arranjaram forma de ganhar muito dinheiro com a "concessão" dos meios de combate aos incêndios. Agora deitam fogo para depois serem chamados a apagá-lo. E tem sido assim. Se por vezes há descuido das populações, das forças da natureza, na maior parte dos casos, há crime. Crime que praticamente nunca é punido. E de crime em crime vão destruindo a floresta, o ambiente, e o lar de milhares de portugueses, com a passividade de outros tantos. Até quando?

Hoje está uma noite diabólica e o cheiro a caruma queimada, que sinto entrar pela janela, é prenuncio de que há muitos compatriotas nossos, com o credo na boca, a viverem uma noite infernal. Posso imaginar. Felizmente saímos incólumes, quando o fogo andou por aqui perto no verão de 2005. Nesse verão o fogo andou dentro da cidade de Coimbra, e foi preciso isso para que os políticos se mexessem e fizessem alguma coisa. Na altura fizeram um Decreto-Lei sobre a limpeza de matos e florestas que ainda hoje, julgo eu, se encontra em vigor. Esta Lei veio alterar a que vigorava, pasme-se, desde o tempo de Salazar. Infelizmente, ninguém a cumpre e nem ninguém é responsabilizado por não a cumprir. E dou um pequeno exemplo. Nesse ano de 2005 a Mata Nacional de Vale de Canas, com espécies de flora e fauna únicos no mundo ardeu. Uma mata lindíssima aonde se podiam encontrar os eucaliptos mais altos da Europa. Hoje, tão pouco tempo passado da catástrofe, quem sobe pela estrada que liga a cidade de Coimbra a Vale de Canas pode até ter um acidente de viação devido à completa falta de visibilidade causada pelo mato alto que circunda a estrada municipal. Por desleixo, incúria e incompetência de quem governa a edilidade, o mato que a lei manda cortar até uma distância de 15 m da via, cresce e desenvolve-se livremente. A Câmara dá assim um péssimo exemplo aos cidadãos, desrespeitando, lamentavelmente, a Lei. Desrespeita-a não só no que se refere à falta da limpeza das vias, de que é responsável, como também nada faz pela limpeza de matas e florestas junto das povoações pelas quais é responsável. As matas e florestas não são limpas. Naquele ano, lembro-me, já pressentindo o pior, andei de porta em porta das autoridades para que fizessem alguma coisa relativamente ao mato que circundava (e continua a circundar) a minha casa, rico em mimosas e eucaliptos enormes, fetos, silvas e até restos de madeira queimada do incêndio que tinha ocorrido dez anos antes. Fui, literalmente, gozado. Uma das cenas trágico-cómicas de que me lembro, nesse ano, e após as minhas diligências, apareceram em minha casa, para tomar conta da ocorrência, um sr e uma sra. num belo jipe camarário. Presumo que se passeiem imenso, dado que nada fazem! Olhando para a carga térmica infernal ali mesmo à sua frente, num terreno de elevado declive, e depois de terem contado as três casas dos meus vizinhos (esquecendo-se de todas as outras que estão por detrás no interior da aldeia), disseram-me na cara que eram árvores (as mimosas e os eucaliptos que a lei impede que estejam a menos de 50 m de habitações e a menos de 200 m de povoações!) e que, por isso, nada podiam fazer. Se quisesse ver-me livre daquelas árvores que me invadiam, literalmente, o jardim, a uns 3 m da parede da casa, teria que processar os proprietários dos respectivos terrenos em Tribunal. Pu-los imediatamente na rua e, até hoje, nenhuma resposta oficial me foi dada. Lembro-me bem que um dos proprietários, quando numa das  diversas vezes lhe pedia para que limpasse o mato, ou que me deixasse a mim fazê-lo, me respondeu: "não limpo nem deixo limpar!" (sic). Disso não quisemos nós saber quando, naquela noite infernal, eu e o meu vizinho saltámos para o terreno, armados com moto-serra e deitámos abaixo todas as mimosas e eucaliptos que pudemos. Às tantas uma delas caiu um pouco de lado e enfaichou-se no muro da minha casa, destruindo-o parcialmente. Como o fogo se aproximava pela frente, e com as fagulhas já a esvoaçar por cima das nossas cabeças, abandonámos tudo e corremos para a frente das casas para o atacar. Valeu-nos a chegada dos bombeiros de Penacova que assentaram arraiais mesmo à nossa frente, para nosso alívio. Cheguei a ter o carro a trabalhar à frente de casa temendo o pior. No dia seguinte, depois de uma noite em branco, só sossegada pelo barulho dos Canadair na manhã seguinte, fomos novamente para o terreno. Tinha que me livrar da copa da árvore que agora estava dentro da minha casa. A situação era mais perigosa do que antes. Assim foi. Estávamos nós a cortar quando vimos um jipe parar no cimo na estrada. Lembro-me que dizia polícia florestal na porta. Achei curioso, pois nunca tinha visto nenhum antes. Indagados se tínhamos autorização do dono para ali estar, depressa dissemos que não. E contei-lhe a história, dizendo-lhe quem era o dono e aonde ele vivia. Depois de nos dizer que, efectivamente, tendo sido declarada situação de emergência, podíamos continuar a cortar à vontade, exclamou qualquer coisa do género: "Ai é desse senhor? Tem a certeza? Esse que tanto escabeche fez ontem, dizendo cobras e lagartos aos bombeiros por se ter visto em apuros com a casa rodeada pelo fogo? Esperai aí que ele já vai ver..." e assim, metendo-se no jipe, arrancou a toda a velocidade na direcção da casa do dito cujo. Só sei que desde essa altura, e sem que seja preciso dizer nada, o mato vai sendo limpo na parte que lhe diz respeito. Pior é o da parte debaixo, pertencente a um GNR, que já me ameaçou pelo facto de o ter intimado via junta de freguesia. Tenho aqui eucaliptos maiores que a minha casa, a poucos metros da parede.

Mas, diga-se, a maior aliada que tenho tido nesta luta tem sido a Junta de Freguesia de S. Paulo de Frades. Neste capítulo, tem feito um bom trabalho que, espero, se possa manter no futuro, pois vemos o governo com vontade de dar cabo de tudo... para melhor poder queimar, literalmente, o país. Assim, sugiro que em vez de acabarem com as juntas de freguesia, que nos são próximas, acabem com as Câmaras, verdadeiros sorvedouros de dinheiros públicos, cheias de boys e de incompetentes. 

23/07/12

Auf Wiedersehen Griechenland!


O FMI da Sra Lagarde vem agora dizer que não manda mais dinheiro para a Grécia! Secundada pelo ministro alemão das finanças que diz que "saída da Grécia do Euro já não assusta!" Inacreditável!

Estão muito enganados! 

Para mim este cenário, a concretizar-se, marca o fim da paz na Europa! Eu aconselhava o alemão a providenciar o pagamento da dívida que os alemães têm para com os gregos que, salvo erro, é superior a 80 biliões de euros, pelos danos causados na 2ª Grande Guerra. Mas no meio desta cacofonia, o Sr. Draghi, vai dando umas no cravo e outras na ferradura, para ver se passa despercebida a sua vontade, "bem escondida", de dar um chuto à Grécia. Mas este senhor não tem que dizer nada. Só tem que cumprir o que os líderes políticos europeus lhe mandarem fazer. O problema é que não existem e, talvez por isso, este senhor parece assumir-se cada vez mais como o patrão da Europa, a quem vai mandando recadinhos.

Mas esta ideia, de fechar a torneira à Grécia depois de lhe terem destruído a economia, vinda daqueles que têm destruído a economia mundial, é surpresa para alguém? Jamais! Isto era de prever. E a batota, a fraude, a imoralidade, a imundice, conta-se em poucas palavras.

Os abutres que mandam nos chamados "mercados" estão à espera de ganhar biliões! Ponto final! 

E os alemães, neste assunto, também não devem ser nenhuns santinhos!

Primeiro, com a sua política de austeridade extrema, asfixiam e destroem o país. Entretanto, os especuladores de sempre, donos dos chamados "mercados", que destruíram o sistema financeiro em 2008,  e aonde se inclui a Goldman Sachs, patroa dos Srs. Draghis, Montis, Borges, Moedas e de muitos outros políticos que, cada vez mais, controlam os estados europeus, principalmente os que estão em dificuldades, apostaram forte nos chamados CDS (Credit Default Swap). Este produto financeiro só está disponível em pacotes de 10 milhões de dollars e, na prática, permitem que quem nele aposte ganhe várias vezes o dinheiro investido, se as empresas ou os países alvo (pasme-se) forem à falência. É o capitalismo selvagem e de casino no seu melhor!

Segundo, percebe-se assim o interesse que pessoas como a Sra. Lagarde ou um Sr Draghi, ou outro qualquer da mesma laia, que não passam de paus mandados, têm nestas falências. Devem estar à espera de comissões multimilionárias, caso as suas decisões conduzam à catástrofe financeira dos países alvo. Têm dúvidas? Se assim não é, porque razão foram criados estes produtos financeiros? É fácil deduzir que estes CDSs não surgiram por acaso, nem para inglês ver. Têm que cumprir o seu papel, ou seja, o de dar muito dinheiro a ganhar a quem neles aposta. E quem tem dinheiro para apostar aos 10 milhões de $ de cada vez?

E não venham os nossos politiqueiros dizer que não somos a Grécia, porque estamos exactamente a seguir o mesmíssimo caminho da Grécia. As semelhanças no andamento das economias são tão evidentes que até um cego as consegue ver. Por isso estes abutres não ficarão por aqui. Estes abutres da economia mundial, depressa se virarão para Portugal que segue à risca a mesma receita. Outros se lhe seguirão, sacrificando-se assim os povos europeus à ganância do capitalismo selvagem que os tais de "mercados" souberam impor à Europa. Em última instância a consequência de tudo isto é o retorno da guerra à Europa. Haveria alternativa a este desfecho? É difícil quando os decisores políticos das nações estão, literalmente, entre a espada e a parede, nas mãos do capital do mundo, ou seja, dos ditos "mercados". Neste panorama a nossa desgraça, e a desgraça da Europa, é não vislumbrarmos líderes políticos à altura dos acontecimentos. Não esperando nada de Merkel, porque faz parte do problema, resta que Hollande não defraude as expectativas. Também Obama tem um papel a desempenhar, se é que quer salvar a face e a pouca credibilidade que lhe resta. A ver vamos, mas a política que nos rodeia, cá e lá fora, é de uma imundice e de uma nojeira sem nome!

22/07/12

Vai Estudar Relvas!

Inicialmente tinha colocado como título desta mensagem "Um Oportunista chamado Relvas". Mas dada a ideia genial de publicitar o caso Relvas na Volta à França, por um professor da EB2.3 de Cantanhede, professor José Santos, achei que devia alterar o título e juntar a minha voz (leia-se indignação) à dele.


Indignação, não pelo curso que este senhor "tirou", mas pelo mal irreparável que fez à Universidade, não só à Lusófona, mas a todo o ensino universitário português, que tem sido muito mal tratado pela classe política.

E compreende-se porquê!

Mas, também, pela ausência total de formação desta gentalha que, obviamente, se reflecte depois com todo o esplendor na sua vida pública, na falta de ética política que demonstram, na total ausência de princípios, e, por isso, na imoralidade completa e abjecta que nos obrigam a suportar. Este senhor, se algum pingo de integridade tivesse, devia ter-se demitido mal se lhe descobriu a careca no caso das "secretas", pois mentiu descaradamente, sob juramento, à comissão parlamentar. Mas se o mesmo não tem estatura moral para perceber o seu lugar, que é, indubitavelmente, o do olho da rua, pior está o primeiro-ministro que é do mesmo calibre, por teimar em mantê-lo, incompreensivelmente, como ministro.

Mas, será possível?

Dizem-nos agora que este ($#"?!("**+>) só sairá do governo depois de privatizar a RTP!

COMO?!? 

Como é isto possível?!? 

Depois de todos sabermos que só lá está para isso mesmo? Para meter as manápulas no negócio, beneficiando quem lhe irá pagar, ou já pagou, muitos milhões? Ainda dizem mal de D. Januário que, tal como eu, percebeu toda esta nojeira? Abram os olhos! Esta gente têm que ser posta no olho da rua, a bem ou a mal! O cheiro a corrupção é nauseabundo demais!

Os Funcionários Públicos e os Outros...

Os acólitos do governo, como um tal de Pires de Lima que tenho a tristeza de estar a ouvir na SIC neste preciso momento, que nasceram com o rabinho virado para o sol e que, na prática não sabem, literalmente, fazer nada, continuam a achar que os funcionários públicos (bem como os pensionistas e reformados) devem ser espezinhados e punidos sem dó nem piedade. Para além dos impostos que já pagam como todos os outros? Que bestas quadradas! Apesar da resposta clara do Tribunal Constitucional, estas bestas continuam a falar dos cortes nos subsídios como um corte de despesa do Estado. Trastes sem nome! Vão insultar a inteligência da vossa mãezinha! Confiscando e roubando salários (há casais sem 4 salários!!!), quer queiram, quer não queiram, estão a cobrar um imposto suplementar a estes trabalhadores. TRATA-SE POR ISSO DE UM AUMENTO DA RECEITA, POR COBRANÇA DE UM IMPOSTO EXTRAORDINÁRIO ENORME QUE SÓ AFECTA ALGUNS! Ou são burros ou fazem-se burros? Estás-lhes no sangue o ódio visceral e indisfarçável à coisa pública, ao mesmo tempo que, hipocritamente, a parasitam. A nós todos! Só assim se percebe a forma como não conseguem reconhecer a injustiça das ESTÚPIDAS e FORAS-DA-LEI medidas que tomam. A consequência é a debandada dos melhores profissionais do sector público, na sua maioria para o estrangeiro. No fundo é isto que esta gentalha pretende! Destruir o Estado por via de quem para ele trabalha! Ainda por cima vêm com a mentiras de que os funcionários públicos não são despedidos. Só quem é medíocre, como a maior parte dos gestores privados que pululam neste país, pode pensar assim! Mas quem julgam estes senhores que são? Tratam os funcionários públicos e pensionistas como não-gente, escravos, ou qualquer outra coisa indigna a quem se pode fazer tudo? Eu sou filho de boa gente e, por isso, sinto-me ofendido e ultrajado por esta escumalha a quem não reconheço qualquer moral ou autoridade moral para actuarem como autênticos salteadores que o são. O TC foi claro! Actuam conscientemente como foras-da-lei. Se estes vermes querem guerra, porque não lhes dão guerra os funcionários que têm sido alvo destes insultos? BASTA!

18/07/12

Anedota do Dia

Isto está tudo tramado: agora são os alcoólicos anónimos que querem ser enólogos. 

Não têm o curso, mas têm a experiência…

Frase do dia

Este governo é profundamente corrupto!

D. Januário Torgal Ferreira
Bispo das forças armadas

16/07/12

Observando os Observatórios dos Observadores que Observam

E para quando um observatório para observar as trafulhices do Relvas?
É que o homem vai de vento em popa! Parece que o cadastro do sinhor é mesmo da pesada. Desde falsificação de moradas, ao célebre caso das "viagens fantasmas" dos deputados nos anos 90, este sinhor está em todas, carago! Há mesmo muito que observar... senão observem bem como somos bons a observar, o por vezes observável e, por outras vezes, o inobservável. Senão vejamos:

Observatório do medicamentos e dos produtos da saúde (só pode ser piada)
Observatório nacional de saúde (é mesmo piada)
Observatório português dos sistemas de saúde (... o país está mesmo em coma!)
Observatório vida (de quem?)
Observatório do ordenamento do território (e que bem que está ordenado!)
Observatório do comércio (lícito ou ilícito?)
Observatório da imigração (o tal que faz bué da falta, e o da emigração? Para quando?…)
Observatório para os assuntos da família (da pobreza das famílias!)
Observatório permanente da juventude (dos boys!)
Observatório nacional da droga e toxicodependência (quê?...)
Observatório europeu da droga e toxicodependência (hã!...)
Observatório geopolítico das drogas (... só podem andar alucinados!)
Observatório do ambiente (das passarinhas!)
Observatório das ciências e tecnologias (dos Magalhães que já não são!)
Observatório do turismo (lunar?)
Observatório para a igualdade de oportunidades (aí que liiiinnndooooo!)
Observatório da imprensa (por aqui podiam poupar um pouco o trabalho das secretas!)
Observatório das ciências e do ensino superior (das trafulhices e das licenciaturas tipo OMO)
Observatório dos estudantes do ensino superior (das caloiras, só pode!)
Observatório da comunicação (falam, falam, falam e não os vejo a fazer nada)
Observatório das actividades culturais (boião da coltura, carago!)
Observatório local da Guarda (e de Barrancos, não?)
Observatório de inserção profissional (é para os deputados e ministros após ao aninhos de vigência)
Observatório do emprego e formação profissional (... de quem?)
Observatório nacional dos recursos humanos (acho que queriam dizer desumanos…)
Observatório regional de Leiria (...o que é que esta gente fará ??)
Observatório permanente do ensino secundário (observar as pitas!)
Observatório permanente da justiça (aí é que é!!!! Haja justiça)
Observatório estatístico de Oeiras (... deve ser para observar o SATU!!!)
Observatório da criação de empresas (tá a dar… todos os dias…)
Observatório Mcom (o que se vê nesta coisa?)
Observatório têxtil (e do algodão, aquele que não engana)
Observatório da neologia do português (os brasileirismos)
Observatório de segurança (talvez sejam aqueles que nos seguram as carteiras sempre abertas, para sair mais uns eritos)
Observatório do desenvolvimento do Alentejo (mas, com calma!..........................)
Observatório de cheias  (..lol...lol...)
Observatório da sociedade de informação (outra vez a treta dos comunica, informa, aldraba)
Observatório da inovação e conhecimento (inovação: o desemprego é uma oportunidade; conhecimento: era bom que o mentor o conhecesse)
Observatório da qualidade em serviços de informação e conhecimento (..mais 3!!!)
Observatório das regiões em reestruturação (porreiro pá!!!)
Observatório das artes e tradições (era uma vez um D. Afonso que bateu na mãe)
Observatório de festas e património (VENHAM AS BEJECAS!!!)
Observatório dos apoios educativos (agora que tínhamos chegado às festas, vamos estudar?)
Observatório da globalização (até fico tonto!)
Observatório do endividamento dos consumidores (...serão da DECO ??)
Observatório do sul Europeu (Dos pigs? ou daqueles que andam sempre nas praias do Sul à nossa conta?)
Observatório europeu das relações profissionais (sem comentários!)
Observatório transfronteiriço Espanha-Portugal  (...o que é que estes fazem ???)
Observatório europeu do racismo e xenofobia (europeu?!)
Observatório dos territórios rurais (dos grelos, dos tomates, dos marmelos e afins)
Observatório dos mercados agrícolas (lá está! O comércio dos grelos, os tomates, os marmelos e afins)
Observatório virtual da astrofísica (é a observação por um canudo...)
Observatório nacional dos sistemas multimunicipais e municipais (...valha-nos a Virgem!!!)
Observatório da segurança rodoviária (e das multas!)
Observatório das prisões portuguesas (estão um brinco!!!)
Observatório nacional dos diabetes (finalmente alguém válido!!!)
Observatório de políticas de educação e de contextos educativos (caso de estudo: um dia na Lusófona!)
Observatório ibérico do acompanhamento do problema da degradação dos povoamentos de sobreiro e azinheira (e do pinheiro, carago?)
Observatório estatístico (alguém faça uma estatística dos custos desta treta toda!)
Observatório dos tarifários e das telecomunicações (...este não existe!!! é mesmo tacho!!!)
Observatório da natureza (Nossa, ando a ser observado!!!)
Observatório qualidade (de quê? hã? Como?)
Observatório da literatura e da literacia (e o acordo ortográfico)
Observatório da inteligência económica (ai Nossa Senhora os acuda!!!)
Observatório para a integração de pessoas com deficiência (vá lá, desde que seja para a deficiência política)
Observatório da competitividade e qualidade de vida (qualidade de quem?)
Observatório nacional das profissões de desporto (correr ao Pingo Doce, fugir das Finanças, yoga nos Centros de Saúde e muito mais)
Observatório das ciências do 1º ciclo (outra vez o estudo, bolas! Só do 1º?  e dos espontâneos?)
Observatório nacional da dança (isso sim, haja música!)
Observatório da língua portuguesa (mas quantas vezes se trata da língua?)
Observatório de entradas na vida activa (Hã? e das saídas? Isso é que é importante e ninguém está a ver!)
Observatório europeu do sul (dos mouros, carago!)
Observatório de biologia e sociedade (coitados dos cibernautas!)
Observatório sobre o racismo e intolerância (e da xenofobia?)
Observatório permanente das organizações escolares (estão a reinar connosco!)
Observatório médico (das doentes entre os 25 e 40 anos, gosto!)
Observatório solar e heliosférico (cá para mim este deveria estar nas toxicodependências!)
Observatório do sistema de aviação civil (...devem passar o dia a ver aviões!)
Observatório da cidadania (não há pachorra!…)
Observatório da segurança nas profissões (hahahahahahahaha!)
Observatório da comunicação local (...e estes ???)
Observatório jornalismo electrónico e multimédia (mamamia!)
Observatório urbano do eixo atlântico (...minha Nossa Senhora!!!)
Observatório robótico (se ainda fosse trombótico, agora robótico...)
Observatório permanente da segurança do Porto (... Qual?)
Observatório do fogo (... que raio de observação !!! será que é do inferno?)
Observatório da comunicação (Obercom) (duas vezes observado é sempre melhor!!!)
Observatório da qualidade do ar (... irrespirável...)
Observatório do centro de pensamento de política internacional (aonde estão? aonde estão? hã? onde?)
Observatório ambiental de teledeteção atmosférica e comunicações aeroespaciais (Chiquérrimo!)

Observatório europeu das PME (nano, micro …)
Observatório da restauração (ainda mexe, ainda mexe!)
Observatório de Timor Leste (e conseguem ver de cá ??? hahahaha)
Observatório de reumatologia (e de todo o poder político!)
Observatório da censura (censurar a censura. pois claro!)
Observatório do design (do quantos? coiso e tal?)
Observatório da economia mundial (Ena! Observem, observem!)
Observatório do mercado de arroz (arroz doce?)
Observatório da DGV (Das Gajas Vaidosas)
Observatório de neologismos do português europeu (mas mandaram os prof de português regressar, para que serve?)
Observatório para a educação sexual (até gosto!)
Observatório para a reabilitação urbana (que ganda treta!)
Observatório para a gestão de áreas protegidas (bué treta)
Observatório europeu da sismologia (...e dos tremeliques do Relvas!)
Observatório nacional das doenças reumáticas (outra vez?!? Nossa, estão todos rotos!)
Observatório da caça (ao coelho?)
Observatório da habitação (que anda a voar para os bancos!)
Observatório do emprego em Portugal  (... Que é que é isto?!?! Nossa Senhora!!!!)
Observatório Alzheimer (agora é que é dos políticos!!!)
Observatório magnético de Coimbra (hmmm... isto tem a ver com ciência ou com exoterismo?) 

Com tanta observação observada, pois cada uma destas casotas de observação deve conter, para além do observador, obviamente, um Presidente, um Vice, Meia dúzia de Adjuntos e Tesoureiros, Secretárias para todos, Administrativos aos molhos, Porteiros e Chauffeurs q.b., enfim... podemos observar para onde voam os nossos impostos e o confisco dos salários! Meu povo, diz o Senhor dos Passos, para que precisais de Educação, Saúde e Justiça, pois se o que é preciso é formar observadores? Um para cada casota e muitos boys para a coisa funcionar? Essa deve ser a função básica, única e primordial de qualquer Estado desenvolvido, como o nosso! Nesta matéria, não há país que tenha matéria que chegue à nossa!

Recebido anonimamente por email. Foram mantidos alguns comentários da mensagem inicial por serem manifestamente cómicos!

11/07/12

Uma Carta Aberta ao Reitor da Lusófona

CARTA ABERTA DE JOÃO MIGUEL TAVARES AO REITOR DA LUSÓFONA

Exmo. Reitor,

Foi com grande satisfação que soube que a Universidade Lusófona conferiu uma licenciatura em Ciência Política ao Dr. Miguel Relvas em apenas 14 meses, reconhecendo dessa forma a sua elevada estatura intelectual. Sempre sonhei com o alargamento das Novas Oportunidades ao Ensino Superior e fiquei muito feliz por terem dado o devido valor à cadeira de Direito que o senhor ministro fez há 27 anos com nota 10. Depois, naturalmente, o processo foi "encurtado por equivalências reconhecidas" (palavras do Dr. Relvas), após análise do seu magnífico currículo profissional.

É dentro desse mesmo espírito que vinha agora solicitar igual tratamento para a minha pessoa. Embora seja licenciado pela Universidade Nova com uns simpáticos 17 valores, a verdade é que o curso levou--me quatro anos a concluir e o Jornalismo anda pela hora da morte. Nesse sentido, e após análise da oferta disponível no site da universidade, venho por este meio requerer a atribuição do grau de licenciado em: Animação Digital (tenho visto muitos desenhos animados com os meus filhos), Ciência das Religiões (às vezes vou à missa), Ciências Aeronáuticas (já viajei muito de avião), Ciências da Nutrição (como imensa fruta), Direito (fui duas vezes processado), Economia (sustento uma família numerosa), Fotografia (tiro sempre nas férias) e Turismo (visitei 15 países). Já agora, se a Universidade Lusófona vier a ministrar Medicina, não se esqueça de mim. A minha mulher é médica, e tendo em conta que eu durmo com ela há mais de dez anos, estou certo de que em seis meses posso perfeitamente ser doutor.

Respeitosamente,
João Miguel Tavares

06/07/12

Ainda Há Justiça em Portugal!


Neste "post" fazemos uma profunda reflexão política da decisão histórica do Tribunal Constitucional que, com o seu acórdão, vem dar alento a todos os portugueses que julgavam que a Justiça portuguesa estava morta e enterrada. Não está! E isso dá-nos uma sensação de conforto e de esperança, que há muito não sentíamos, no meio da bafienta vida social e política portuguesa.
  
O Tribunal Constitucional acaba de chumbar o corte dos subsídios de férias e de natal aos funcionários públicos e pensionistas, decretado pelo governo. Finalmente, faz-se justiça! Apesar da estranha nota de suspensão temporal da inconstitucionalidade que, no meu ponto de vista, é incompreensível. Ao Tribunal só compete dizer se a medida é, ou não é, inconstitucional. Medidas excepcionais à Constituição só poderão ser tomadas em caso de declaração do Estado de Emergência ou de Sítio. Mas isso obrigava o governo a decretá-lo e, pelo que sabemos, não o fez, obviamente, por não ter qualquer razão suficientemente forte que o justificasse. Mas o que é importante aqui realçar, é que qualquer leigo de bom-senso percebia que estes cortes diferenciavam os portugueses perante a Lei. Tratava-se, obviamente, de um confisco salarial em que os privados seriam tratados como cidadãos de primeira e os funcionários públicos e pensionistas como cidadãos de segunda. Cabia a estes últimos arcar com a fatia de leão da austeridade, pela qual este governo nutre uma paixão obsessiva. Não podia, nem pode, ser!

Somente pessoas desprovidas de bom-senso, por pura estupidez e/ou preconceito, podiam ver nesta medida uma medida de corte na despesa do Estado. Roubando o que aos seus funcionários e aposentados lhes é devido, por direito, diziam que estavam a cortar na despesa! Os pensionistas descontaram toda a sua vida sobre 14 salários e os funcionários públicos regem-se por contratos laborais. Eles que ainda por cima têm carreiras e vencimentos congelados desde o governo de Durão Barroso (e da sua conversa da tanga em 2002). Só no ano passado viram os seus salários reduzidos entre 3% (1300 euros) e 10% (acima de 2000 euros). Aliás a actual decisão do Tribunal Constitucional não pode ser desligada da decisão anterior que permitiu esses cortes. Mas foi assim, como corte na despesa, que este governo, efectivamente, apresentou o confisco. A Troika aceitou-o como corte na despesa. Os "comentadores" televisivos da "nomenklatura" continuam a tentar meter-nos pelos olhos adentro este ponto de vista obtuso, chamando corte na despesa a um confisco de salários, quando na realidade não passa de um aumento de receita encapotado. Se o Estado confisca dois salários, a quem os deve por Direito, somente quem tem enorme desonestidade intelectual pode vir dizer que o Estado está a cortar na despesa. E, note-se muito bem, houve famílias aonde o confisco foi equivalente a 4 salários! Uma brutalidade sobre a qual ninguém fala. Como se pode exigir a estas famílias que elas continuem a cumprir com os seus deveres se o Estado, literalmente, as rouba? Ainda por cima, dizendo-lhes depois, que vivem acima das suas possibilidades? Somente se as pessoas lesadas não tivessem quaisquer direitos, mas só obrigações e deveres. Era o que mais faltava! E quem são os lesados? Não são somente administrativos que, por ventura, ganham mais no sector Estado do que no sector privado e que pouco ou nada produzem. Isto é uma mistificação e um preconceito que tentam generalizar injustamente. Há bons e maus profissionais em todo lado, no público e no privado. A maioria são trabalhadores empenhados, com desempenhos que colocam as instituições públicas aonde trabalham ao nível do melhor que há no mundo. Tomáramos nós que existissem entidades e organismos privados com desempenhos semelhantes. O país não estaria, certamente, na situação em que se encontra. Um exemplo é o das universidades públicas portuguesas. Por isso, muitas das pessoas que foram e são estigmatizadas com o rótulo de funcionário público, são pessoas de elevado mérito, com elevada formação académica e altamente especializadas que, na maior parte dos casos, ganham menos do que os seus colegas da privada. Falamos de médicos, de cientistas, de professores, sem falar, obviamente, de muitos outras carreiras que nem sequer têm paralelo no sector privado, como seja o caso dos juízes e magistrados, polícias, militares, diplomatas, etc, etc. Ou seja, profissionais sem os quais o Estado, e por isso o país, não funcionaria. Esta atitude de assalto a estes profissionais, por mesquinhez e preconceito, está até nos antípodas do que se passava no anterior regime, onde todas estas carreiras eram valorizadas. Na realidade, a estigmatização destes profissionais por parte dos políticos e governantes actuais, fundamentalistas do capitalismo selvagem em que vivemos e, por isso, gente politicamente analfabeta, só poderia acontecer numa qualquer Conchichina, num qualquer país de gatunos sem lei, num qualquer Estado ditatorial terceiro mundista, para aonde os defensores desta medidas, eles sim, deveriam ser obrigados a emigrar. Mas jamais num país que diz ser um Estado de Direito. Foi isto que, na prática, o Tribunal Constitucional veio agora dizer e que era óbvio para qualquer pessoa de bom-senso. Os nossos actuais governantes e os seus acólitos julgam que vivem num qualquer país das bananas aonde vale tudo, inclusivamente limpar o rabo à Constituição da República. Pelos vistos, estão muito enganados, felizmente e a bem de Portugal. Mas atenção. O que estamos a criticar como pura estupidez não é o confisco dos salários e das pensões. É, isso sim, o princípio de iniquidade que acarreta e a divisão entre os portugueses, em função da sua entidade patronal, que este governo promoveu. Que fique bem claro. Se calhar, bastava até que taxassem um pouco mais as grandes fortunas e as transferências para os paraísos fiscais, para compensar qualquer sobretaxa fiscal sobre trabalhadores públicos e privados. Porque não fizeram ou fazem isso, em vez de estarem a criar fissuras sociais gravíssimas e a destruir o país? Até quando?

Assim, querendo fazer passar esta medida estúpida como um corte na despesa, o governo e os seus acólitos estavam literalmente a passar por cima do direito elementar da igualdade de tratamento perante a Lei dos cidadãos lesados, ao mesmo tempo que poupavam outros ao pagamento de uma taxa excepcional equivalente a dois salários. Quatro salários no caso dos casais em que ambos trabalham para o Estado. E foi isto que o Tribunal veio dizer. Foi o princípio constitucional da igualdade dos cidadãos perante a Lei, que esta medida estúpida põe em causa (artigo 13º da Constituição), que levou os juízes a decidirem (9 contra 3), sem qualquer margem de dúvida, portanto, ao contrário do que diz o Sr. Marques Mendes! Mas também não percebo o que pode levar um juiz, a não ser que seja muito mal formado, a não declarar inconstitucional esta medida de inconstitucionalidade tão óbvia. Adiante...

Mas pior. Será que o governo agiu conscientemente e responsavelmente nesta matéria? Sem dúvida alguma que sim, a julgar pelo seu fanatismo político de cariz neoliberal, metendo a social democracia na gaveta e fazendo com que Sá Carneiro rebole no caixão. E esta evidência é, talvez, a prova maior da incompetência do actual governo. Porque, com a sua atitude prepotente e deplorável, pois os funcionários e pensionistas nem sequer tiveram direito a uma palavra que fosse, viraram portugueses contra portugueses, quando a hora difícil que o país atravessa exigiria a união de esforços entre todos para ultrapassar a crise. Esta é que é a crua realidade dos factos, contra a pura demagogia do governo e dos seus defensores. Com a fissura social que estes governantes abriram, jamais Portugal poderá vencer a crise. Nós não temos qualquer dúvida acerca disto. O Presidente da República, por seu turno, se começou por abrir a boca contra o que se estava a desenhar, depressa a fechou. Porquê é que ninguém sabe!

A piorar tudo, ainda por cima, esta estúpida e prepotente medida não teve qualquer efeito nas contas do Estado, ou melhor, teve até o efeito contrário, pois a austeridade e o mau estar social que ela gerou, ligados à recessão, ao abaixamento de cobrança de impostos e ao aumento da despesa por via do desemprego, coloca o défice actual do Estado em situação pior, pasme-se, do que aquela que existia no ano passado durante o governo de Sócrates. Mas era preciso ser alguma sumidade para ter previsto o resultado de tanta asneira? Previam uma recessão de 2,8% no orçamento?! Nem era preciso fazer contas para perceber que isso era uma utopia completa face às políticas estúpidas que queriam impor à viva força, ou seja, atacar o funcionalismo público. Bastava alguém que soubesse pensar um pouco, para além de só saber fazer contas de somar e de sumir. E ainda continuam a dizer que o ministro das finanças é competente? Credo! Deus nos valha! Enfrentamos uma crise empolada várias vezes por pura incompetência de quem nos (des)governa e a quem as responsabilidades terão que ser assacadas no futuro. Ressabiado o primeiro-ministro já começou a fazer chantagem e, ao mesmo tempo que atira achas para a fogueira social, mostra descaradamente que afinal está a borrifar-se para o escandaloso desequilibro que se verifica entre o corte da despesa (que não tem sido nenhum) e o aumento da receita (impostos, confiscos e sobretaxas) que tão bem sabe fazer. Aliás, só sabe fazer isso e, com isso, está a levar o país para o abismo! Mas que fique muito claro, não vá esta gente aproveitar a boleia da decisão do Tribunal Constitucional para desculpar a sua incompetência pura. É que a inconstitucionalidade só começa a valer para o próximo ano. Aliás, só assim se consegue perceber a decisão dos juízes de suspender a Constituição para este ano. É que, caso contrário, o governo teria o álibi perfeito para desculpar a sua incompetência e o descalabro das suas políticas. Políticas que vão atirar o país, já este ano, para um buraco de onde dificilmente sairá. Assim o Tribunal Constitucional desarmou completamente o governo e, por esse motivo, o mal-estar nas suas hostes tornou-se indisfarçável. 

Podemos, portanto, concluir que este governo desde cedo começou a aldrabar as contas. A aldrabar tudo. Pois só aumentou a receita, e quer continuar a aumentar a receita à viva força, dizendo que agora vai "roubar" também os trabalhadores do sector privado, sem nada fazer pelo lado da despesa. Verdadeiramente infernal! O pior é que já não dá para cobrar mais impostos. Acabou. Os portugueses estão no osso. Aumentar impostos agora significa baixar ainda mais a receita. Esta é que é a verdade! Neste contexto, não me coíbo de dar uma lição ao governo por saber que teria sido incomensuravelmente mais competente do que ele. Escrevi-o aqui por diversas vezes. A solução que deveria ter sido tomada para o orçamento deste ano, não fosse a estúpida e errada interpretação do binómio despesa/receita que fizeram, preconceituosa até, teria sido aplicar a solução que aplicaram aquando dos subsídios de Natal do ano passado, ou seja, ter aplicado uma sobretaxa sobre 50% dos subsídios de férias a todos, acrescida de uma taxa suplementar sobre as grandes fortunas. Assim, toda a gente compreenderia, toda a gente iria aceitar, dada a situação de emergência nacional e, distribuindo os sacrifícios por todos, evitariam a fissura social que abriram, promovendo ao mesmo tempo a união nacional, tão necessária nestes dias difíceis que atravessamos. Neste cenário, o consumo não seria reduzido tão drasticamente e, consequentemente, a recessão seria aliviada, bem como as falências e o desemprego. Mas não quiseram assim, por puro analfabetismo político e, pior, por puro preconceito anti-Estado, anti-povo, anti-nós. Hipocritamente, claro, porque ao mesmo tempo permitem que os privados seus amigos o parasitem. É preciso dizê-lo. E agora?

Concluindo, o governo cometeu um duplo erro fatal. Primeiro, não procedeu como explicado acima porque, segundo a sua análise errada, deturpada e mesquinha, estaria a ir somente pelo lado da receita, esquecendo que ao "roubar" somente os funcionários e pensionistas estava a fazer exactamente o mesmo, com a agravante de estar a abrir uma fissura social com contornos que ainda não sabemos muito bem o alcance. Segundo, consequência do primeiro erro, o governo comprometeu o país, perante a Troika, a fazer precisamente o contrário. Ou seja, dois terços pelo lado da despesa e somente um terço pelo lado da receita. Ora, se considerarmos a medida do confisco dos salários como um imposto adicional sobre alguns portugueses, como na realidade o é à luz do direito, como fica demonstrado pelo acórdão do Tribunal Constitucional, então a redução da despesa que este governo fez no último ano reduz-se a, praticamente, ZERO! Ou seja, têm agido somente do lado da receita. E a Troika avalia isto positivamente? Como assim? Porque se a Troika levar em conta esta decisão judicial, depressa percebe que confiscar salários a alguns, à luz das mais elementares regras do Direito, não pode ser considerado corte na despesa, mas sim aumento de receita. Certo? E quais as consequências da mentira? Pois, para cortar na despesa, era preciso mexer nos interesses instalados. Nos deles e nos de quem manda neles. Cortar na despesa não é, como estes senhores consideram, roubar os salários das pessoas que dão o melhor de si. Não senhor! Para cortar na despesa era preciso acabar com os tachos dos "boys" laranjas e amigalhaços (e também nos rosas), as mordomias, os cargos de administração não executiva nas empresas públicas, as viagens sumptuosas, a corrupção desenfreada, o parasitismo dos privados ao Estado, a banca corrupta, os monopólios e os cartéis que por aí abundam, os institutos públicos de coisa nenhuma, as PPPs dos ladrões, as offshores do diabo, os interesses dos gabinetes de advogados que parasitam o Estado, a fuga ao fisco dos profissionais liberais e comerciantes sem escrúpulos, etc., etc., Tudo isto avaliado em muitos milhares de milhões de euros, que fariam dos subsídios que roubaram uma simples gota no oceano do seu despesismo. Obviamente que tudo isto são assuntos aonde provavelmente esta gente também tem interesses e onde, certamente, não dá jeito cortar.

Agora, em vez de quererem atacar todo este bolo de despesa, melhor dizendo, de todo este escandaloso roubo do Estado, e em face do "grande problema" levantado pela Justiça, que incompetentemente criaram, já andam a dizer que o equivalente da medida é o despedimento de 100.000 funcionários públicos. Mas eles não dizem que é seguro trabalhar para o Estado? Que caras de pau! Obviamente que o Estado tem despedido e subcontratado sem problemas. Que o digam os professores e os enfermeiros. Os funcionários públicos têm sido tratados como não gente por este governo. Como se o país não precisasse deles! Mas quem fará o trabalho desses funcionários? Será que o Estado pode continuar a cumprir as suas obrigações sem o contributo destes funcionários? Sem a Escola Pública (aonde os "Relvas" deste país jamais se licenciariam) ou Serviço Nacional de Saúde (para aonde muita desta gente vai a correr quando lhes dá o amoque)? E a Justiça e a Defesa? Privatizam-se também? No entanto, poderão não ser 100.000, mas há com certeza muita gente a mais. Só que falamos de profissionais diferentes. Certamente. Por exemplo nos administradores de-coisa-nenhuma-pagos-a-peso-de-ouro. Eu dou uma sugestão cuja poupança alcançaria facilmente milhares de salários "normais". Que comecem pela administração da CGD. Uma das primeiras medidas deste governo foi aumentar a administração da Caixa, dos amigos e amigalhaços, de 7 para 11, ou seja, metendo lá mais quatro dos seus boys, pagos a peso de ouro e, pior, ao serviço de privados que querem "come-la", literalmente. Dizem que reduziram os custos, apesar do aumento dos boys. Alguém acredita nisso? Se estendessem estas medidas de diminuição urgente de administradores que-nada-fazem-a-não-ser-encher-a-mula-à-nossa-custa a todas as empresas públicas, estaria o problema do défice público resolvido. Sem mais! O problema é que os nossos governantes julgam-se em estágio para o Eldorado, se é que me faço entender...

Para finalizar esta minha longa análise política realista do país actual, que não ouvimos a ninguém nos termos em que aqui a colocámos, e que aqui ficará para a posteridade, se a liberdade de expressão prevalecer nos tempos difíceis vindouros, além do governo, desta decisão histórica do Tribunal Constitucional, há que assacar responsabilidades políticas a outros incompetentes também. A começar pelo Presidente da República que promulgou o Orçamento de Estado para 2012 sem pedir a verificação preventiva da sua Constitucionalidade. Apesar de reconhecer que lhe parecia que o orçamento continha medidas inconstitucionais? Pasme-se! Afinal a sua principal função, para não falar do governo fora-da-lei que a jura, não é cumprir e fazer cumprir a Constituição da República? Mas o pior para todos nós é o facto do principal partido da oposição não assumir o seu papel e se alhear deste tremendo problema social e político. Lamentável e imperdoável. De facto, o PS tem feito uma oposição balofa, chegando ao ridículo de ter querido impedir a verificação da Constitucionalidade da medida. Falamos, obviamente, dos dirigentes do partido socialista que moveram uma autêntica guerra contra o grupo de deputados do PS que se insurgiu contra a medida e que, por isso, se uniu para reunir as assinaturas necessárias para pedir a verificação da constitucionalidade da Lei. Bem-hajam! Aos restantes, a credibilidade foi-se e, por isso, ainda que tentem instrumentalizar politicamente o Tribunal Constitucional, resta-lhes uma saída. A demissão!

Ler aqui o Acórdão do Tribunal Constitucional - via blogue Aventar

PS: dada a importância do tema em análise, fui obrigado a emendar este texto por mais que uma vez. A bem da democracia e da liberdade de expressão.

05/07/12

Imagem do Dia

Trata-se da capa de um livro escrito por Álvaro Santos Pereira, autor do blogue adiado Desmitos, antes de ser ministro da economia. Não haverá aqui nesta imagem algo de premonitório? Acho que Álvaro Santos Pereira se enganou na profissão! O senhor é um profeta, carago! E consegue descrever como ninguém, numa simples imagem, o resultado das suas próprias políticas e ideias!