Razao

ESTE BLOGUE COMBATE TUDO O QUE POSSA POR EM CAUSA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A SUA LIBERDADE. É, POR ISSO, ANTICAPITALISTA E ANTICOMUNISTA.

04/05/11

Um Tiro no Porta-Aviões Laranja

Sócrates e o PS preparam-se mesmo para se tornarem num “case study” de Ciências Políticas, para espanto de muitos comentadores políticos. No entanto, uma estratégia partidária irrepreensível aliada a uma oposição que, ou não se ouve, ou dá tiros nos pés a toda a hora, fazem temer o pior. A reeleição de Sócrates para primeiro-ministro.

É certo também, dissemo-lo várias vezes, que para pior já basta assim. Mais neo-liberalismo, ou seja mais do mesmo, que é a cartilha gasta do actuais PPD e PP, é fado que os portugueses não devem querer tocar. O nosso sistema capitalista atingiu um nível de desregulação e de corrupção de tal ordem elevado, que é melhor que estes partidos não voltem para o governo, a julgar pelas orientações políticas dos seus actuais dirigentes. Lá, recorde-se bem, não estão nem Sá Carneiro nem Freitas do Amaral. Por isso, Deus nos livre de tal desgraça. Para isso já basta a orientação da actual Comissão Europeia, e da generalidade dos países europeus que comandam os destinos da União Europeia, com os tristes resultados que todos conhecemos. Os neo-liberais estão a acabar connosco, tal como os liberais do século XIX arrasaram com a economia daquele tempo. É urgente mudar.

Assim, infelizmente, Sócrates até começa a parecer que nem é o pior dos males, apesar de todo o mal que nos tem feito. É esta a mensagem que agora o PS e governo estão a passar para a opinião pública. A social-democracia há muito que foi metida na gaveta. Depois de uma casca de banana chamada PEC 4, descascada nas vésperas do congresso do Partido Socialista, que conduziu, tal como eu previ, a uma viragem nas intenções de voto para as próximas legislativas, eis que o PS e o Governo se preparam para afundar o porta-aviões da armada laranja. Assumindo, de peito aberto as negociações com a troika, conduziram toda a negociação não passando cavaco a PPD e PP. O PEC4 que prepararam, propositadamente austero para ser chumbado, diga-se, era, sabiam-no bem, o ponto de partida para as negociações com a troika. Agora, pouco tempo volvido, selam o acordo com a troika com ares de salvadores da pátria. Afinal, teremos dinheiro e não vão ser necessárias as medidas de austeridade que todos receavam. Afinal, parece que nem vai haver sacrifícios, tal a forma como Sócrates apresentou o acordo há umas horas, ladeado por Teixeira dos Santos, que se limitou a fazer figura de corpo presente, em conferência de imprensa. Ou melhor, Sócrates apresentou tudo o que não vai ser feito, que é óptimo. Mas sobre o que vai ser preciso fazer nada se sabe ainda. A não ser o que já estava previsto no PEC4 sobre o corte das pensões acima dos 1500 euros, que era de inteira justiça, face a todos aqueles que, trabalhando, viram os seus salários serem cortados. Afinal, Sócrates, de vilão passou a vítima e agora a herói. Bravo!

Caricata foi a posição em que o PPD, no mínimo, ficou. Pedro Passos Coelho esperou toda a tarde pela comitiva da troika que, pura e simplesmente, o desprezou. Sem saber o que fazer, o PPD mandou para a frente das câmaras, um Eduardo Catroga completamente aos “papéis”. Afinal, Eduardo Catroga, que chefiava a delegação do PPD nas negociações com a troika parecia não saber o que dizer e, pior, deu a entender que não sabia patavina do que tratava o acordo assinado pelo governo, e que o PPD e o PP terão que assinar. Não o acordo, mas uma carta de intenções, o que na prática vai dar ao mesmo. A margem de manobra política do PPD e PP ficaram assim reduzidas a “quase” nada. Isso mesmo foi entendido por Santana Lopes que, no programa “Prova dos 9” da TVI desta noite, aproveitou para dar mais uns tiros na armada laranja. Incrível é que o PS e o governo, que conduziram o país a esta situação, embora com enormes responsabilidades externas, é certo, se preparam para virar as sondagens definitivamente a seu favor. Ficaremos a aguardar pelas próximas sondagens e cá estaremos para julgar esta nossa previsão.

03/05/11

Anedota do Dia

José Sócrates visita a Inglaterra e vai jantar com a rainha.
E às tantas, pergunta:
- Vossa majestade, a senhora impressiona-me. Como pode estar sempre cercada de gente inteligente? Como é que a senhora faz?
Ela responde:
- É muito simples. Eu deixo-os sempre em alerta. Faço um teste de QI regularmente, só para ver se a inteligência deles ainda está bem viva.
Sócrates, surpreendido:
- E como é que a senhora faz isso?
A rainha concorda em mostrar um exemplo. Pega no telefone e liga ao David Cameron:
- Bom dia, David. Tenho um pequeno teste para ti...
David, todo educado:
- Bom dia, Majestade. Tudo bem. Estou pronto para o teste.
Pode perguntar.
- Muito bem, David. O teste é o seguinte:
"É filho do teu pai e da tua mãe, mas não é teu irmão nem tua irmã.
Quem é?"
- Muito simples, Majestade. Sou eu mesmo...
- Bravo, David. Como sempre, inteligente. Até à próxima.
Sócrates fica impressionadí­ssimo. De volta a Portugal, decide por em prática a técnica que aprendeu com a rainha.
Telefona à ministra da educação Isabel Alçada e pergunta:
- Isabelinha, é o Sócrates, companheira. Tenho aqui um pequeno teste de inteligência para ti.
- Tudo bem, pergunta:
- É o seguinte: É filho da tua mãe e do teu pai, mas não é teu irmão nem tua irmã. Quem é?
- Ah, Sócrates, eu não esperava um teste assim, de repente.
Tenho que pensar alguns minutos. Telefono-te depois, ok?
- Sem problemas. Até logo.
Ela de seguida liga para o Cavaco Silva, já que ele tem fama de inteligente.
Faz a mesma pergunta que lhe foi feita, ao que o Cavaco responde:
- Ora bolas Isabel, sou eu mesmo, como é óbvio!...
- Muito bem, perfeito, Cavaco! Obrigado.
E volta a ligar ao Sócrates:
- Sócrates, podes repetir a tua pergunta, por favor? Creio que tenho a resposta.
- Muito bem: É filho da tua mãe e do teu pai, mas não é teu irmão nem tua irmã. Quem é?
E a ministra da educação, vitoriosa:
- Simples!!! Ora bolas, é o Cavaco Silva!!!
- NÃOO, estúpida!!! Tens que treinar mais!!! É o David Cameron!!!

30/04/11

Uma Escola para Tolos?

Um artigo Professor João Ruivo que todos devem ler. A par deste que em tempos escrevi. Principalmente depois da decisão absurda, tola até, do Tribunal Constitucional ao considerar inconstitucional a decisão da Assembleia da República, que tinha revogado o actual modelo de avaliação de desempenho dos docentes.

DE NOTAR QUE OS DOCENTES SÓ RECLAMAM UM SISTEMA JUSTO E FUNCIONAL DE AVALIAÇÃO. NÃO SÃO CONTRA A AVALIAÇÃO, SÃO, ISSO SIM, CONTRA AS ESTÚPIDAS MEDIDAS IMPOSTAS POR ESTE GOVERNO. E CONTRA AS QUAIS, ALIÁS, ESTÁ A MAIORIA DO POVO PORTUGUÊS, REPRESENTADO PELA MAIORIA DOS DEPUTADOS NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, QUE É O ÓRGÃO LEGITIMAMENTE ELEITO PELOS PORTUGUESES A QUEM COMPETE FAZER AS LEIS DE PORTUGAL! ISTO É ESCANDALOSO! AONDE ESTÃO AS DECISÕES DESTES SENHORES JUÍZES QUANDO OS GOVERNOS DECIDEM AUMENTOS DAS PROPINAS OU DAS TAXAS MODERADORAS, ESSAS SIM, VERDADEIRAMENTE INCONSTITUCIONAIS?

Mas afinal quem é que legisla em Portugal? O poder executivo, ou seja o Governo? Para que serve então a nossa Assembleia da República? Já agora poderia o douto tribunal mandar fechar as suas portas e poupar assim cerca de 200 milhões de euros aos bolsos dos contribuintes, em vez de andarem a roubar dinheiro a quem trabalha. Qualquer dia, se calhar, vão fazer o favor de deixar as pessoas trabalhar, gratuitamente, para o Estado.

Uma escola para tolos?

O teimoso prosseguimento da implementação das actuais medidas de política educativa anuncia uma clara mudança de paradigma: a transição do modelo sixtie da “escola para todos”, para o modelo pós-modernista da “escola para tolos”.


A grande reforma educativa sorvida dos quentes e vibrantes anos do final da década de sessenta, consubstanciada nas filosofias do Maio de 68, apontava para uma escola aberta, universal, inclusiva, interclassista, meritocrática, solidária, promotora da cidadania e, até, niveladora, no sentido que deveria esbater as desigualdades sociais detectadas à entrada do percurso escolar.

Os professores passavam a ser mediadores da aprendizagem, promotores da socialização e do trabalho partilhado. Os alunos metamorfoseavam-se em aprendentes activos, participativos, concretizadores, co-líderes da sala de aula e do rumo a dar às planificações. Os pais, descolarizados ou iletrados, por vergonhosa opção de quatro décadas de ditadura, entregavam os seus filhos naqueles centros de promoção do sucesso social. Era a escola aberta à comunidade, uma escola moderna, que se impunha à escola tradicional. Era, enfim, a escola para todos.

Com o decorrer dos anos, os governantes, lá no alto do seu douto saber, entenderam que, já agora, os professores e a escola poderiam também cumprir uma imensidão de funções até então cometidas ao Estado, às famílias e à sociedade. Mesmo que não tivessem tido preparação para isso, os professores tinham demonstrado que sabiam desenvencilhar-se e, sobretudo, que não sabiam dizer não.

E desde então, essas passaram também a ser tarefas e funções da escola e dos seus docentes. A partir desse momento singular, passámos a ter uma escola que, por acaso, também era um local de aprendizagem formal, mas que, sobretudo, se foi desenvolvendo como um espaço de aprendizagens sociais, informais, socializadoras. E foi assim que se baralhou e se desvirtuou uma escola que, altruisticamente, queria ser para todos, transformando-a numa escola onde tudo cabia. Era a escola para tudo.

Mais recentemente (reportando-nos ao baronato de Maria de Lurdes Rodrigues e ao principado de Isabel Alçada), entendeu-se que a escola gastava muito e os professores, numa indolência secular, pouco faziam. Logo, quem sabe? até poderiam ser substituídos uns pelos outros, à molhada, degradantemente. Ou até secundarizados por skinnerianas máquinas de ensinar, que apressadamente se viram baptizadas de Magalhães, porque os governantes portugueses gostam que a história, tal como as telenovelas, se repita.

Aos professores, era exigido que reincarnassem de novo: uns em avaliadores, outros em avaliados; uns em directores, outros em assessores, outros em assessorados; uns em titulares, outros em titulados, uns em relatores, outros em ralados. Porém, desta vez, a culpa não ia morrer solteira. Mas, para isso, revelava-se necessário desviar as atenções: o resvalar da escola não podia ser atribuído ao acumular dos insucessos de continuadas e desastrosas políticas educativas. Com o derrapar da instituição escolar, a responsabilidade tinha que ser apenas atribuída a um dos actores: aos docentes, claro… e, logo, à sua falência profissional. Acreditam? Pois… é a escola para tolos.

O que eles não sabem nem sonham é que os professores têm dentro de si a força regeneradora do saber, da cultura e da utopia social. Modelando sabiamente os seus alunos, são os construtores de futuros. Dentro e fora da escola querem partilhar a discussão do amanhã, porque aprenderam que ter, é ceder e partilhar.

Infelizmente, como humanos que são, também erram: do seio da escola por vezes saem maus políticos e, logo, más políticas. Mas não é por isso que se deixam abater, já que exercem uma profissão que exige a reflexão permanente, a busca de consensos, e a capacidade de ser persistente, sem teimosia.

Hoje, e talvez por estarmos à beira de uma pressentida reedição do Maio de 68, com os jovens na rua a contestarem as políticas e os políticos que se enredaram em rotinas de salamaleques e na narcísica gestão das suas imagens e carreiras, fazemos nossas as palavras dos Deolinda: “ E fico a pensar/ que mundo tão parvo/ onde para ser escravo/é preciso estudar”.

Professor João Ruivo

Contra o Preconceito, Votar, Votar!

Grande Lula da Silva!
Tomara que houvesse mais políticos assim. Ou melhor. Haver até há, só que não os deixam "piar". Na Europa nem vê-los! Neste contexto, os brasileiros deram uma lição de democracia ao mundo. Apostaram num metalúrgico para Presidente e este fez um trabalho extraordinário. O Brasil parece ter encontrado definitivamente o caminho do progresso económico e social. Os americanos de certa forma tentaram, mas parece que se enganaram. O povo português é que não há forma de aprender! Infelizmente, deixa-se enganar e engole tudo o que os "nossos" fazedores de opinião debitam, embora não passem de mero lixo tóxico... São autênticas Fukoshimas de duas patas e proliferam em todos os órgãos de comunicação social! Mas aqui fica este pequeno vídeo. Pode ser que sirva de inspiração, para que os meus conterrâneos votem massivamente à esquerda do PS nas próximas eleições. Deus nos livre das pragas que nos têm infestado, desde há trinta anos a esta parte, e para as quais sentimos sempre uma atracção fatal!

28/04/11

Moody's, Fitch e Standard & Poor's

Hércules matando a Hidra de Lerna, François-Joseph Bosio, Louvre

Moody's, Fitch e Standard & Poor's (Norma e pobres?!...), são as cabeças de uma hidra que chamamos de "Mercados". Qual hidra com três cabeças. Agora, será preciso mais do que um Hércules para matar esta nova Hidra de Lerna da era da globalização. Agora só mesmo com a união dos povos, seguindo o exemplo dos nossos irmãos árabes...

Há uns dias atrás um grupo de economistas, encabeçado pelo Professor de Economia, meu conterrâneo, Professor José Reis, apresentou uma queixa-crime na Procuradoria-Geral da República contra as agências de notação Moody's, Fitch e Standard & Poor's por crime de manipulação do mercado. Bravo! A queixa é subscrita por José Reis, José Manuel Pureza, da Universidade de Coimbra, Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). José Reis afirmou que estas agências «dominam mais de 90 por cento do mercado» internacional, pelo que «é preciso saber se as leis da concorrência são respeitadas». Estaremos atentos para ver as consequências judiciais desta queixa histórica. Infelizmente, por experiência própria, da nossa Justiça não esperamos grande coisa. É apenas curiosidade.

Efectivamente, não se compreende, de modo nenhum, que havendo indicadores que mostravam que a economia portuguesa até não estava a ir tão mal assim, estas agências não paravam de baixar os ratings. Não havia, nem haveria nunca, PEC que satisfizesse estes cães famintos. Baixam, única e exclusivamente, porque resolveram orientar a sua ganância especulativa contra os Estados da periferia da Europa, com o beneplácito da própria UE. Foi esta mesma ganância que fez com que estes ladrões classificassem com AAA, a notação máxima que atribuem, pasme-se, o banco Lehman Brothers e a seguradora AIG em vésperas das suas falências. Como pode a UE aceitar as orientações destes charlatães? E nós?

Percebemos muito bem que, provavelmente, as orientações das suas notações têm como objectivo, único, que os tais Fundos de Investimento (parece que pelo menos duas cabeças da Hidra são propriedade de um Fundo de Investimento (?!?)) reembolsem, rapidamente, as perdas colossais de 2008. Perdas devido à especulação desenfreada que eles mesmos criaram, na sua sede infinita pelo lucro fácil e rápido. Por isso arrastaram o mundo para uma crise da qual parece não haver saída. Agora, quais cães famintos, agarram-se aos ossos dos países com as economias fragilizadas, devido também às estúpidas políticas do euro forte do Sr. Trichet e Companhia, que só beneficiam os países ricos do norte da Europa.

O caricato disto tudo é que esta escumalha (os ultra-neo-liberais dos mercados) mandam no poder político mundial. Os seus responsáveis passeiam-se, hoje, por onde querem, mais ricos do que nunca. Enquanto o Zé paga tudo. Claro. Mas Pior. Muitos foram reconduzidos para lugares de maior responsabilidade ainda. Isto acontece hoje nos EUA, com Barak Obama a mostrar que também ele não sai ileso desta fotografia. Para mal dos nossos pecados, Obama está a tornar-se numa profunda decepção. Quando a crise se deu, mandaram os estados do mundo tapar o buraco financeiro que eles criaram. O lema foi privatizem-se os lucros e nacionalizem-se os prejuízos. Até os tótós da nossa direita reclamavam! Nacionalize-se! Portugal salvou o BPN seguindo as orientações da UE. É preciso não esquecer. A mesma que agora nos vira as costas... No entanto, os cães danados, depois de salvos, resolveram recuperar as perdas usando como ferramenta, que eles chamam de ALAVANCAGEM, as dívidas soberanas dos países, onde se inclui Portugal. Isto não pode continuar... Bem fizeram os Islandeses que se negaram a pagar as dívidas dos seus bancos especuladores. E nós pagamos porque Sócrates decidiu por nós!

25/04/11

25 de Abril de 2011

imagem retirada daqui

Celebram-se hoje trinta e cinco anos da Revolução de Abril. Apesar das conquistas adquiridas ao longo destes anos, a sociedade portuguesa foi conduzida a um beco sem saída. Para isso muito contribuiu a partidocracia e o clientelismo que floresceu em torno dos partidos políticos da esfera do poder. De facto, hoje, a credibilidade da nossa classe política é praticamente nula. O que ela diz, pura e simplesmente, não se escreve. Diz coisas que a realidade teima em mostrar que não são verdadeiras. Antes, são mesmo contraditórias. Partidos que se dizem de esquerda, governam com a batuta do neo-liberalismo e da direita, pregando aos quatro ventos que são defensores de um modelo social que lentamente vêm ajudando a destruir.

O problema não é, infelizmente, somente português. Diria mesmo que os europeus ensandeceram, pois vemos países que considerávamos modelos de desenvolvimento social, baseados nos valores da social democracia, a votarem em partidos de extrema direita, defensores de valores que no passado tanto mal fizeram à humanidade. É razão para dizer que a memória dos povos é curta. Esqueceram-se que foi a social democracia que permitiu que atingissem, em poucos anos, padrões de vida elevadíssimos. Os nórdicos, não há muito tempo, morriam à fome.

A desagregação lenta que temos vindo a assistir da União Europeia é somente o corolário das políticas da direita e do capitalismo selvagem que têm sido seguidas nos últimos anos. Pior. Capitalismo de casino, dos off shores, onde se lava o dinheiro proveniente do tráfico de droga, de armas e de pessoas. Com este sistema estão os actuais políticos europeus solidários. Incluindo os portugueses. Se estamos enganados, porque não combatem e ilegalizam os off shores? Porque permitem que a dívida dos países seja alvo de agências de notação e de especuladores sem escrúpulos? As mesmas agências que classificavam, com notação máxima, bancos e seguradoras que faliram logo de seguida, arrastando com eles toda a economia mundial? Como pode ser isto possível? E que penas têm tido os responsáveis pelo crash de 2008? NENHUMAS! São eles que continuam a mandar ou gozam de reformas milionárias!

Este sistema baseado na ganância humana, da corrupção generalizada, não tem futuro. Nunca teve. Os povos suportam as injustiças sociais até determinados limites. Por isso, dias negros se avizinham, e temos que nos preparar para as graves convoluções sociais que aí vêm. Porque, infelizmente, só movimentos revolucionários de rotura poderão acabar com o sistema oligárquico que se instalou. Com pés de veludo, este foi tomando conta do poder, vencendo a democracia por dentro. Não sou eu que o digo. É a História que no-lo diz.

25 de Abril sempre!

22/04/11

Geração à Rasca

Sobre as razões que assistem à geração à rasca... enfim, a todos nós!





PS: fotos recebidas por e-mail

21/04/11

Acerca da Desmotivação dos Alunos...

O texto abaixo chegou-me via e-mail e, aparentemente, foi escrito pelo professor António Galrinho. A sua reflexão complementa algumas reflexões que tenho vindo a escrever neste blogue, razão pela qual decidi publicá-la.

Acerca da desmotivação dos alunos

De uma vez por todas se caia na realidade e se deixe de pedir aos professores aquilo que não lhes compete. Estratégias para isto, estratégias para aquilo; lidar com a indisciplina, lidar com a desmotivação. Aos professores não se deve pedir que arranjem estratégias para resolver esses problemas, pois isso é admitir que eles são situações normais, correntes e com tendência a perpetuar-se. Simplesmente não se pode admitir que eles existam como norma.

A escola pública oferece um ensino gratuito (gratuito!, à excepção da aquisição do material escolar), onde os alunos podem usufruir de refeições a um preço pouco mais do que simbólico, em regra com bons e óptimos equipamentos e professores. Os alunos mais carenciados têm comparticipação parcial ou total na aquisição dos seus materiais, nas refeições e nos transportes. De um modo geral os programas são adequados às faixas etárias e ao tipo de sociedade que é o nosso. Estas condições por si só não são mais do que satisfatórias para que os alunos e as suas famílias se sintam naturalmente motivados? De que raio de motivação extra precisam os alunos?

Em África, na Ásia e na América Latina há centenas de milhões de crianças e jovens que frequentam escolas (os que têm essa sorte) em condições miseráveis. E aí muitos deles estão bem mais motivados do que os nossos. Serão os seus professores melhores do que nós? Possuirão eles as tais estratégias mágicas que nós, tecnologicamente apetrechados, não conseguimos vislumbrar?

É mais do que evidente que a motivação é uma treta quando colocada nas mãos dos professores, mas uma realidade quando olhamos para os sítios onde reside a sua génese: na sociedade em geral, nas famílias, em quem nos governa e na legislação obtusa que se produz. Por isso, os professores não têm que motivar quando não há motivos de origem pedagógica para o tipo de desmotivação com que deparam.

A mesma reflexão deve ser feita em relação à indisciplina, que também não é um problema que o professor tenha que resolver. A indisciplina é uma questão que, simplesmente e em circunstâncias normais, não deveria existir! Em circunstâncias normais, para resolver problemas pontuais de indisciplina o professor deveria precisar apenas de uma palavra: "Rua!"

Se houver comportamentos desadequados nas salas de espera e nos gabinetes médicos dos hospitais serão os médicos a resolvê-las? Se a mesma coisa acontecer numa repartição de finanças são os funcionários que vão resolver? Num restaurante, num meio de transporte, numa sala de espectáculos...?

Ora, o professor não tem que motivar nem disciplinar, tem apenas que ensinar, que é aquilo que se lhe pede cada vez menos. Nessas matérias peçam-se, pois, responsabilidades a quem realmente as tem, senão daqui a 50 anos quem cá estiver estará ainda a falar do mesmo.

António Galrinho

Professor

PS: o negrito é meu

Hélas!

No meu post "Uma golpada chamada PEC4" do dia 10/4, na sequência da realização do congresso socialista e a propósito da forma como o Governo apresentou o PEC4, afirmei:


Ela aí está a dar-me razão. Hélas! A sondagem SIC/EXPRESSO/RR apresentada hoje mesmo dá um empate técnico entre PS e PSD, com uma diferença a favor do PSD de 3,7%, contra os 6% que se registava à data daquele congresso. Hoje, os comentadores e "politólogos" televisivos afirmavam que a causa para a descida do PSD e a subida do PS se devia essencialmente ao convite de Passos Coelho a Fernando Nobre. Puro engano. Resta saber se o "esquecimento" completo sobre a golpada socialista se deve a incompetência ou a manipulação...

PS1: Apesar da credibilidade que a sondagem nos merece, a puxar claramente pela direita, a verdade é que ela mostra claramente uma subida deste PS, que se calhar até é bem maior à indicada. Hélas!

PS2: Acho que o ministro Teixeira dos Santos deveria ser condecorado! Hoje, presto-lhe a minha homenagem, pois suportou nos seus ombros toda a arbitrariedade e incompetência dos governos de Sócrates. Agora, o reconhecimento que "os amigos socialistas" lhe prestam é banirem-no das suas listas. Aplica-se aqui claramente aquele velho ditado "cospem no prato onde comeram...". Enfim...