08/02/11
07/02/11
Bravo Paco Bandeira!
Ouço-te e canto-te desde miúdo. Cantei muitas vezes: Oh Elvas, Oh Elvas, Badajoz à vista, sou contrabandista de amor e saudade, transporto no peito a minha cidade... E não sei porquê, lembrei-me agora daquela outra música, já não sei de quem: Oh tempo, volta para trás...
Mas não muito para trás...
Também tenho estranhado a tua ausência das rádios e TVs. Eles que nunca te largavam... e agora é o que se vê? Criaste-lhes anti-corpos, não foi? Pois, depois de te ouvir compreendo tudo muito bem... Não sei porquê, mas fizeste-me lembrar o Zeca, o Dylan até. Mas agora com uma frontalidade impressionante. Sinceramente, não esperava uma música destas de ti. Via-te como um ícone da música popular portuguesa. Por isso, conservador demais para te atreveres a testar a censura encapotada dos nossos dias. Lamento que agora não passem a tua música na rádio e que não te veja na TV como antigamente. Muita coisa mudaria se o nosso povo te ouvisse agora com ouvidos de ouvir. Quem sabe, este "post" não ajudará a divulgar um pouco este teu "grito". Deus queira, até porque a música é linda!
Mas continua sempre assim. Não esmoreças. Precisamos desta intervenção, porque, infelizmente, os Zecas deste país têm sido tão poucos...
Os meus parabéns! E muita força amigo Paco!
Um abraço do
JP
Odori Nauseabondi
Na passada Sexta-feira, em Coimbra, andava um cheiro nauseabundo no ar... uma espécie de cheiro a lagar de azeite, a água russa... era estranho. Senti-o à saída de casa e depois, a alguns kms, na própria cidade. Souselas? Adubação massiva de terras? Ou mais umas mediditas à socapa deste fabuloso Governo?...04/02/11
Haverá Vida Extraterrestre?
A sonda da Nasa, Kepler, nome dado em homenagem ao astrónomo alemão Johannes Kepler, foi uma sonda lançada com o objectivo de descobrir planetas idênticos à Terra. Planetas que possam ser "habitáveis". Esta sonda acaba de fazer a descoberta de um novo sistema solar. A estrela Kepler-11, na constelação do Cisne, dista cerca de 2000 anos-luz do sol e são pelo menos 6 os planetas que a orbitam. Este facto faz deste novo sistema solar o mais completo sistema exoplanetário conhecido. Comparado com o nosso Sistema Solar, como mostrado na ilustração junta, 5 dos novos planetas têm órbitas mais próximas da sua estrela-mãe que o planeta Mercúrio tem relativamente ao Sol. Estes planetas têm períodos orbitais (anos) de 10 a 47 dias terrestres. Todos estes planetas são maiores que a Terra e, provavelmente, compostos de misturas de material rochoso e gás. Suspeita-se também a existência da água nestes planetas. A ser verdade, a vida pode aqui ser possível. A existência dos planetas, seus tamanhos e massas foram determinadas pela observação cuidadosa da passagem dos planetas, que escurecem a luz de Kepler-11, enquanto em trânsito ou de passagem em frente da estrela. De facto, em Agosto de 2010, a câmera do telescópio Kepler gravou o trânsito simultâneo de três dos planetas no sistema. Conforme anunciado ontem, por meio desta técnica de trânsito, a missão Kepler já identificou mais de 1200 candidatos a exoplanetas num campo de visão que cobre apenas cerca de 1/400 do céu. Estes resultados sugerem a existência de muitos planetas ainda não descobertos que orbitam estrelas da nossa galáxia, a Via Láctea.27/01/11
Pelo Não Financiamento Público de Qualquer Forma de Ensino Privado
Querem escolas privadas? Paguem-nas! Desculpem-me a frontalidade, mas para mim a igualdade de oportunidades no acesso à educação, sem qualquer excepção, é a melhor forma de garantirmos uma verdadeira sociedade democrática.
Todos já reparámos na contestação do ensino privado ou cooperativo pelo facto do governo ter reduzido as subvenções públicas. Sinceramente, é curioso, para não dizer uma asneira, das grossas, que aqueles que mais mal dizem do Estado e do Serviço Público, sejam os primeiros a dizer aqui-del-rei quando o estado corta as ajudas ao ensino privado e cooperativo. Lamentavelmente, o estado tem vindo a sustentar todo o ensino português, público, privado ou cooperativo, até à escolaridade obrigatória, isto é, até ao 9º ano, desde que as escolas sejam declaradas de serviço público. Isto é, praticamente todas elas, embora sejam privadas. Patético!
Que o estado subvencione uma escola privada ou cooperativa do interior do país onde não exista alternativa pública (se não existia devia existir), ainda vá que não vá, mas isso é o que certamente não se passa nas grandes cidades do nosso país. Aliás, se não existe, devia existir. E, nestes casos, o Estado deve construir, comprar e resolver o problema que pontualmente exista nalguma região do país. O dinheiro que virá de não subvencionar, JUSTAMENTE, o ensino privado, dará para construir muitas escolas decerto. Só assim teremos um ensino de qualidade onde todos, sem qualquer excepção, possam ter acesso. Não é o colégio particular dos "betinhos" que o permitirá. Antes pelo contrário. Estes são o espelho das desigualdades sociais que temos que combater se queremos uma sociedade de igualdade de oportunidades.
Conheço a realidade de Coimbra onde existem muitos colégios privados, a maioria religiosos. Os "meninos dos papás" que, Meus Deus, poderiam lá agora estudar numa escola pública, que horror, vão para o colégio ainda de fraldas. E todos podem ir para o colégio? Obviamente que não. A não ser que tenham grande cunha, evidentemente. Chegar ao bispo, nestes casos, pode ser a chave para o "sucesso". Depois, a partir da primária até ao 9º ano, o estado paga, ou melhor, pagamos todos. A partir daí os papás se querem manter os filhotes no colégio têm que abrir os cordões à bolsa. Claro que os que lá andam, muitos deles filhos de novos ricos, que se calhar não pagam a ínfima parte dos impostos que nós pagamos, mantêm os filhinhos no colégio. E esta gente que é maioritariamente, venenosamente, visceralmente até, contra o serviço público, e tudo o que cheira a Estado, agacha-se, estende a mão, e roubam-nos à má cara, fazendo com que paguemos os estudos dos seus meninos bonitos durante anos a fio. Não pode ser! Até porque todo esse dinheiro deveria ir direitinho para a Escola Pública. É dinheiro de todos. Não faz sentido que sustente privados.
Na minha opinião o corte devia ser total. E eu não sou contra o ensino privado ou cooperativo. Não! Os papás querem o menino no colégio das freiras? Têm dinheiro para isso? Então, com certeza, mas não à nossa custa! Não à minha. Se é privado e os papás têm a mania, então que paguem. Porque tenho que ser eu, e todos nós, a pagar? Os meus filhos estudaram sempre na escola pública porque a defendo. É essa que existe nos países que considero serem os mais evoluídos do mundo, no que respeita aos valores da vida humana, à coesão e ao bem-estar social. Falo dos países sociais democratas do Norte da Europa. Lá não faz sentido sequer falar em ensino privado.
Não são exemplo?
No entanto, devemos pugnar para que o Estado cumpra com as suas obrigações. Obrigações que assumiu erradamente, inclusivamente, pasme-se, por aqueles que dizem defender o Estado Social (?!?!), e que terá obrigatoriamente que cumprir agora. Exigimos o fim imediato das subvenções aos privados, sim senhor, sejam eles de que tipo for, mas exigimos também que o Estado assuma as suas responsabilidades com todas as pessoas envolvidas no ensino privado e cooperativo, alunos, docentes e funcionários. Isto pode passar por integrar todos na Escola Pública e não deixar, em caso algum, nenhuma criança sem aulas, nenhum professor sem alunos, nenhum funcionário sem escola. E dinheiro há muito! Basta que acabem com uma ou duas parcerias púb(l)ico-privadas, das centenas que para aí proliferam e que nos esmifram a todos. Que este seja um ano de transição, mantendo-se, por uma questão de bom-senso, as escolas privadas a funcionar, se estas forem totalmente dependentes dos subsídios. Nestes casos deve o Estado manter o financiamento do ano anterior. Se for preciso, para o próximo ano, todas as escolas que não tenham autonomia financeira, devem ser compradas pelo Estado e tornadas públicas, se for caso disso, ou encerradas. É claro, que deste modo, a Escola Pública sairá reforçada. Existindo uma política de exigência, a Escola Pública será sempre de excelência. Bem melhor que a privada até, porque esta nunca terá os mesmos recursos. Mas se os tiver, à custa do dinheiro dos que fazem questão de a pagar para os seus filhos, dar-lhes-emos os nossos parabéns. Há com certeza muitos bons exemplos destes. que devem, por isso, ser enaltecidos e aplaudidos. Isto é o que acontece nos países desenvolvidos do Norte da Europa.
A bem da Escola Pública Portuguesa, a bem da verdadeira igualdade de oportunidades para todos os portugueses!
Este assunto, controverso, pode ser também seguido aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui...
24/01/11
O Povo Nunca Se Engana e Raramente Tem Dúvidas...
Há quem tenha mau perder e há quem tenha mau ganhar. Cavaco Silva tem mau ganhar. Comprova-o o discurso da vitória presidencial. Vociferando contra todos os vencidos, acusando-os a todos de infames, inclusivamente contra Fernando Nobre, vem o reeleito falar de dignidade. Dignidade? Afinal, os bons exemplos devem vir de cima. Inclusivamente nos discursos que se fazem. E o discurso de vitória não se ficou por considerar os vencidos de infames e indignos. Quase hereges até. Não! Cavaco apontou o dedo à comunicação social para que esta denunciasse as suas fontes. Não saberá que as fontes jornalísticas podem ser sigilosas e, como tal, não podem ser reveladas se estas assim o entenderem? Afinal, para que quer Cavaco saber quem são? Não nos esquecemos que Cavaco Silva, já como primeiro-ministro, nos brindou com um discurso na Assembleia da República que evocou o Deus, Pátria e Família da época salazarista. O seu discurso de agora fez-nos recordar o de então.
Basear a sua reeleição na evocação da sabedoria popular, afirmando que o povo não se deixou enganar, e, com base nela, considerar que é digno e os outros são indignos, também não é intelectualmente honesto. Afinal podemos evocar o mesmo, fazendo o discurso ao contrário. Na realidade, a escolha popular nem sempre é a mais correcta, nem a mais sábia. Como democratas temos que a aceitar, pressupondo que o reeleito será, para o bem e para o mal, Presidente de todos os portugueses e não somente, como disse Cavaco, "de todo o Portugal." Porque terá omitido a frase “de todos os portugueses”, como tem sido tradição nos discursos dos presidentes eleitos? Há os indignos, encabeçados pelos ex-adversários políticos? Também Salazar foi eleito pelos portugueses para encabeçar a lista dos 100 Grandes Portugueses de todos os tempos, com 41% dos votos. Este ditador, que tanto mal fez a Portugal, pois ainda estamos a pagar pelo atraso secular a que nos votou, ficou à frente de homens como D. Afonso Henriques, Infante D. Henrique, Vasco da Gama, Marquês de Pombal, D. João II, Luís de Camões, Fernando Pessoa e tantos outros. Tantos homens que tanto deram a Portugal. Muitos deles nem sequer aparecem na lista, em detrimento de outros que nunca lá deveriam estar. Cavaco Silva ganhou com cerca de 53% dos votos, numa eleição onde mais de metade da população portuguesa, para mal dos nossos pecados, não votou.
A reeleição de Cavaco Silva, na minha opinião, só comprova que nem sempre o voto popular é sábio. Tal como tantas vezes aconteceu no passado. Por isso a necessidade de educar, educar e educar. Ao contrário do que defendia Salazar. Portugal ainda tem que percorrer um longo caminho para que a democracia possa dar bons frutos. Infelizmente, um povo inculto é facilmente manipulado. E isso Salazar bem o sabia. Por este motivo, Sócrates (o verdadeiro) e Platão, por exemplo, eram contra a democracia grega de Péricles. Eram-no porque defendiam que o melhor governo deveria emanar dos mais sábios. Na velha democracia ateniense, o povo era muitas vezes chamado a tomar decisões para as quais não estava minimamente preparado. As leis votadas na Eclésia eram preparadas no Bulé, uma assembleia constituída por 500 cidadãos seleccionados ao acaso da pólis. Assim, o governo não era exercido com sabedoria e, segundo aqueles sábios, eram tomadas muitas decisões erradas. Tal como a reeleição de Cavaco Silva o foi. Na minha opinião, claro.
Esperemos, no entanto, que o discurso, que foi proferido no calor da vitória, não seja para levar à letra. Fazemos igualmente votos para que, na medida do possível, Cavaco Silva desempenhe bem o papel de Presidente de todos os portugueses. A bem de Portugal e dos portugueses!
23/01/11
O Testemunho do Professor Arnaldo
A ESCOLA É O ESPELHO DA SOCIEDADE; ESTA NÃO TRANSFORMA AQUELA, REPRODU-LA
Do Diário do Professor Arnaldo (transcrito do blogue aventar)
Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos. Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar. De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude. Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche. O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas…Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta. Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».
Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?
É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos.
Die Ramp


Ankunft und Ende
von E.R. Nele
Kunstwerk und Mahnmal
1985 errichtet
1992 nach einen Brandanschlag wieder hergestellt
2001 restauriert
Wir erinnern an die Ausgrenzung und
Ermordung von Menschen in der Zeit
nationalsozialistischer Herrschaft.
Ihr Leiden und Sterben soll unvergessen bleiben.
Universitat Gesamthochschule Kassel
22/01/11
Max, Artista de Circo
Uma Homenagem à Independência JornalísticaA referência a este conto surgiu na edição de ontem do jornal Diário de Coimbra, que comemora os 60 anos de Adriano Lucas à frente do jornal que o seu pai fundou em 1930. Adriano Lucas, decano dos dirigentes da imprensa portuguesa, e um exemplo vivo de independência jornalística, que tem dado voz aos cidadãos das beiras, foi sempre um paladino da liberdade de imprensa em Portugal. Parabéns Eng. Adriano Lucas.
O conto que aqui trazemos ao vosso conhecimento, curiosíssimo, surgiu no jornal Diário de Coimbra no dia 29 de Junho de 1945, dia de S. Pedro. No mesmo ano que marcou o fim da Segunda Grande Guerra Mundial. A responsabilidade da sua publicação, na coluna "A Cidade", foi de Carminé Nobre, escritor e jornalista, na altura chefe da redacção do jornal e seu co-fundador (autor da obra incontornável "Coimbra de Capa e Batina"). A curiosidade é que o conto não passou de uma metáfora, por forma a escapar aos crivos da censura, acerca da notícia publicada na primeira página do jornal, intitulada "Foram ontem entregues ao sr. Dr. Maximino Correia as insígnias da Grã-Cruz da Instrução Pública". Era do conhecimento público que o então Reitor da Universidade de Coimbra era um homem do regime... por isso também era conhecido no meio estudantil por "cata-vento", devido, igualmente, ao cata-vento que tinha no cimo do telhado da sua casa, sita no Penedo da Saudade, e que ainda existe. Aliás, naquela notícia, podem-se ler excertos hilariantes, como o seguinte excerto de um dos discursos "«o prelado universitário, disse, é o informador e o executor das ordens recebidas. É ele que disciplina o impulso generoso da mocidade, mas também é ele que a sabe preservar de influências malévolas, de intuitos inconfessados, manobras ocultas. É essa uma das funções do Reitor...»".
Max, Artista de Circo - O Conto
O circo chegou à cidade, numa noite de imenso calor… Na Companhia destacava-se o astro brilhante do homem do trapézio voador - Max, artista de circo.
De pequenino mostrou logo habilidade para trabalhar em barra fixa e mais tarde foi um grande ás nos trabalhos de pêsos e alteres. Mas o seu vigor inicial foi-se perdendo aos poucos, com as deficiências da alimentação e o excesso dos pêsos que tinha de suportar.
O público era cada vez mais exigente e Max, artista de circo, não viu outro remédio para manter o seu alto prestigio de astro, de primeira grandeza: continuou artista de circo, mas mudou o género dos seus trabalhos. Agora divertia o público que tôdas as noites acorria a admirá-lo, com habilidades de prestidigitação e jogos malabares que tinha aprendido nos intervalos da sua preparação de atleta.
O seu querido público que o acarinhava e distinguia com ovações e especiais, recordava o grande artista que tinha sido um verdadeiro mestre, em barra fixa, e nos pêsos e alteres e lamentava que a falta de vigor físico o empurrasse para êste género fácil da habilidade normal das sortes de prestidigitação.
Havia ainda quem o aplaudisse, mas muitos dos que o faziam era por piedade ou por escárneo. Mas o seu declinio continuava e Max, artista de circo, lembrou-se mais uma vez de mudar de género e vêmo-lo agora contorcionista, a meter-se inteirinho numa caixa de chapéus, a trocar os pés pelas mãos e a fazer semelhantes habilidades, só possíveis a um homem a quem tivesse sido extraida a coluna vertebral.
Porém, Max, tinha nascido para artista de barra fixa e forçosamente que não poderia conseguir o mesmo êxito, neste novo género de trabalho.
O seu empresário também se desgostava com o declínio de um dos melhores Números da companhia e sugeriu-lhe que mais uma vez mudasse de género de trabalho.
E certa noite, numa grande festa preparada para o efeito, o digno empresário presta uma solene homenagém ao insigne artista e, perante o respeitável público, que delirantemente o aplaudiu, o empresário fez a apresentação de Max, o homem do trapézio voador.
Começava agora os seus trabalhos mais arriscados, a 20 metros de altura e trabalhando sem rêde. Mas já tinha perdido a agilidade da juventude e os seus trabalhos no trapézio eram poucos, fracos e ridículos…
E uma triste noite, com o circo quási vazio, Max estatela-se no chão perante risos e gritos da assistência. No dia seguinte, nem o empresário o foi ver à Morgue...
A Força da Censura
Como é referido no jornal na sua edição de ontem "Esta era uma história na qual o regime colocou sabor político. Considerou que Max era então o Reitor Maximino Correia e que o mestre do circo (empresário) não podia deixar de ser Salazar, devido ao comportamento que assumia com quem deixava de o servir...". Assim, por decisão governamental, o jornal foi suspenso a partir do dia 7 de Julho de 1945, só voltando às bancas cerca de um ano depois, a 4 de Julho de 1946. O Diário de Coimbra pode, por isso, orgulhar-se de ter sido o jornal português que sofreu a mais grave penalização imposta pelo antigo regime. E resistiu devido ao empenho de Adriano Lucas e dos seus colaboradores.
Há coisas que o tempo não muda...

