Querem escolas privadas? Paguem-nas! Desculpem-me a frontalidade, mas para mim a igualdade de oportunidades no acesso à educação, sem qualquer excepção, é a melhor forma de garantirmos uma verdadeira sociedade democrática.
Todos já reparámos na contestação do ensino privado ou cooperativo pelo facto do governo ter reduzido as subvenções públicas. Sinceramente, é curioso, para não dizer uma asneira, das grossas, que aqueles que mais mal dizem do Estado e do Serviço Público, sejam os primeiros a dizer aqui-del-rei quando o estado corta as ajudas ao ensino privado e cooperativo. Lamentavelmente, o estado tem vindo a sustentar todo o ensino português, público, privado ou cooperativo, até à escolaridade obrigatória, isto é, até ao 9º ano, desde que as escolas sejam declaradas de serviço público. Isto é, praticamente todas elas, embora sejam privadas. Patético!
Que o estado subvencione uma escola privada ou cooperativa do interior do país onde não exista alternativa pública (se não existia devia existir), ainda vá que não vá, mas isso é o que certamente não se passa nas grandes cidades do nosso país. Aliás, se não existe, devia existir. E, nestes casos, o Estado deve construir, comprar e resolver o problema que pontualmente exista nalguma região do país. O dinheiro que virá de não subvencionar, JUSTAMENTE, o ensino privado, dará para construir muitas escolas decerto. Só assim teremos um ensino de qualidade onde todos, sem qualquer excepção, possam ter acesso. Não é o colégio particular dos "betinhos" que o permitirá. Antes pelo contrário. Estes são o espelho das desigualdades sociais que temos que combater se queremos uma sociedade de igualdade de oportunidades.
Conheço a realidade de Coimbra onde existem muitos colégios privados, a maioria religiosos. Os "meninos dos papás" que, Meus Deus, poderiam lá agora estudar numa escola pública, que horror, vão para o colégio ainda de fraldas. E todos podem ir para o colégio? Obviamente que não. A não ser que tenham grande cunha, evidentemente. Chegar ao bispo, nestes casos, pode ser a chave para o "sucesso". Depois, a partir da primária até ao 9º ano, o estado paga, ou melhor, pagamos todos. A partir daí os papás se querem manter os filhotes no colégio têm que abrir os cordões à bolsa. Claro que os que lá andam, muitos deles filhos de novos ricos, que se calhar não pagam a ínfima parte dos impostos que nós pagamos, mantêm os filhinhos no colégio. E esta gente que é maioritariamente, venenosamente, visceralmente até, contra o serviço público, e tudo o que cheira a Estado, agacha-se, estende a mão, e roubam-nos à má cara, fazendo com que paguemos os estudos dos seus meninos bonitos durante anos a fio. Não pode ser! Até porque todo esse dinheiro deveria ir direitinho para a Escola Pública. É dinheiro de todos. Não faz sentido que sustente privados.
Na minha opinião o corte devia ser total. E eu não sou contra o ensino privado ou cooperativo. Não! Os papás querem o menino no colégio das freiras? Têm dinheiro para isso? Então, com certeza, mas não à nossa custa! Não à minha. Se é privado e os papás têm a mania, então que paguem. Porque tenho que ser eu, e todos nós, a pagar? Os meus filhos estudaram sempre na escola pública porque a defendo. É essa que existe nos países que considero serem os mais evoluídos do mundo, no que respeita aos valores da vida humana, à coesão e ao bem-estar social. Falo dos países sociais democratas do Norte da Europa. Lá não faz sentido sequer falar em ensino privado.
Não são exemplo?
No entanto, devemos pugnar para que o Estado cumpra com as suas obrigações. Obrigações que assumiu erradamente, inclusivamente, pasme-se, por aqueles que dizem defender o Estado Social (?!?!), e que terá obrigatoriamente que cumprir agora. Exigimos o fim imediato das subvenções aos privados, sim senhor, sejam eles de que tipo for, mas exigimos também que o Estado assuma as suas responsabilidades com todas as pessoas envolvidas no ensino privado e cooperativo, alunos, docentes e funcionários. Isto pode passar por integrar todos na Escola Pública e não deixar, em caso algum, nenhuma criança sem aulas, nenhum professor sem alunos, nenhum funcionário sem escola. E dinheiro há muito! Basta que acabem com uma ou duas parcerias púb(l)ico-privadas, das centenas que para aí proliferam e que nos esmifram a todos. Que este seja um ano de transição, mantendo-se, por uma questão de bom-senso, as escolas privadas a funcionar, se estas forem totalmente dependentes dos subsídios. Nestes casos deve o Estado manter o financiamento do ano anterior. Se for preciso, para o próximo ano, todas as escolas que não tenham autonomia financeira, devem ser compradas pelo Estado e tornadas públicas, se for caso disso, ou encerradas. É claro, que deste modo, a Escola Pública sairá reforçada. Existindo uma política de exigência, a Escola Pública será sempre de excelência. Bem melhor que a privada até, porque esta nunca terá os mesmos recursos. Mas se os tiver, à custa do dinheiro dos que fazem questão de a pagar para os seus filhos, dar-lhes-emos os nossos parabéns. Há com certeza muitos bons exemplos destes. que devem, por isso, ser enaltecidos e aplaudidos. Isto é o que acontece nos países desenvolvidos do Norte da Europa.
A bem da Escola Pública Portuguesa, a bem da verdadeira igualdade de oportunidades para todos os portugueses!
Este assunto, controverso, pode ser também seguido aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui...




