Razao

ESTE BLOGUE COMBATE TUDO O QUE POSSA POR EM CAUSA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A SUA LIBERDADE. É, POR ISSO, ANTICAPITALISTA E ANTICOMUNISTA.

20/01/11

Pensamentos e Citações

A Internet é a primeira coisa que a Humanidade construiu e que a Humanidade não entende. É a maior experiência de anarquia que já tivemos!
Eric Schmidt (CEO Google)

Palavras Chave das Presidenciais de 2011

Coelho, Coelha, carneiros, SLN, BPN, crise, Cabo Verde, paraísos fiscais, sermões na missa, bombas atómicas, dívida pública, baixa de salários na função pública, PECs, aumentos brutais dos custos de quase tudo, reduções brutais de comparticipações em quase tudo, desemprego, Orçamento de Estado, Cavaco sucede a Cavaco?!?, Alegre que já não é Alegre, Defensor que só ataca, Coelho que só desmascara, Lopes, verdades e cassetes...

Frase do dia

"Os políticos são como as fraldas, se não se mudarem cheiram mal..."
José Manuel Coelho, candidato às presidenciais 2011

13/01/11

Soneto Quase Inédito

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.

José Régio, 1969

E esta hem?

PS: Este soneto foi retirado daqui

Um Facto Histórico

A propósito de "papas na língua" e do comentário do cozinheiro solitário, comentei que os cozinhados "perdidos" da Maria, criada do meu tio-avô, que vivia entre o Açor e a Estrela, ficaram imortalizados na escrita de Miguel Torga. Por coincidência hoje recebi uma colecção de diapositivos da autoria de Luís Aguilar e Vitália Rodrigues, concebidos a partir de uma Fotobiografia de Clara Rocha, nas comemorações do centenário do nascimento do médico escritor.

A coincidência tornou-se enorme porque, nesta colecção, para grande espanto meu, deparei-me com uma fotografia de 1958, tirada durante o comício do General Humberto Delgado no teatro Avenida em Coimbra, mostrando uma ovação do público presente ao Dr. Adolfo Rocha.

Fotografia de 1958 tirada no teatro avenida em Coimbra durante uma ovação ao Dr. Adolfo Rocha (à esquerda). Mário Silva está na mesma zona, do lado direito (retirada dos diapositivos).

É que, em Novembro passado, eu tinha publicado aqui mesmo, a propósito das actividades políticas do Professor Mário Augusto da Silva, uma fotografia tirada exactamente no mesmo local, mas de um ângulo ligeiramente diferente!!!...

Fotografia de 1958 tirada no teatro avenida em Coimbra durante uma ovação ao Professor Mário Silva (à direita). Adolfo Rocha está na mesma zona, mas do lado esquerdo (Foto Gaspar).

Esta coincidência, aqui documentada, é também prova inequívoca de que, durante este surpreendente comício, assistiu-se a ovações sucessivas do público presente, sob a batuta do General sem Medo, com certeza, aos intelectuais portugueses presentes, que sempre tiveram coragem de enfrentar o antigo regime. Pagaram caro, com a perseguição, prisão e demissão, a sua coragem e determinação na luta pelos ideais da liberdade, contra a mordaça, a mesquinhez e a ignorância. Conclui-se, portanto, que este comício foi também uma homenagem a estes portugueses geniais e, por isso mesmo, uma afronta clara a Salazar e aos seus correlegionários. Em suma, uma baforada de liberdade, no meio de infindáveis anos de mordaça na boca, para júbilo de todos os presentes. Foi com certeza um dia inesquecível para todos.

Se Mário Silva se destacou na Ciência, parente pobre da nossa cultura, Miguel Torga destacou-se nas Letras. Pena que não tivesse ganho o Nobel da Literatura quando foi nomeado em 1960. Os diapositivos de Luís Aguilar e Vitália Rodrigues são um um olhar, sobre a vida e obra deste génio das Letras Portuguesas, que queria aqui deixar. Aos autores agradeço poder, neste espaço, partilhar convosco este seu olhar.

10/01/11

Esta gente aqui....

Há coisas na vida que não se explicam. Sentem-se. Ponto. Esta performance é bela. Ponto. Hoje, ao ouvi-la, lembrei-me de nós. Nós Portugueses. Nós aqui, Senhor, nós aqui...

09/01/11

Obrigado Major Vítor Alves


Faleceu hoje um dos mentores do 25 de Abril. O Coronel Vítor Alves, 1935-2011, reconhecido pelos seus pares, Otelo e Vasco Lourenço, como um dos principais estrategas do MFA, deixou-nos mais pobres. Mais pobres porque fazem falta a Portugal homens do seu calibre. Vítor Alves foi um exemplo que os nossos políticos não souberam seguir. Ajudou a derrubar o antigo regime, que governara Portugal durante 48 infindáveis anos, restituindo-nos a liberdade. E não só. Lutou por mantê-la, tendo feito parte do chamado "Grupo dos Nove" que saiu vencedor no 25 de Novembro. Vítor Alves foi o porta-voz do Conselho da Revolução. Recebeu várias condecorações, nacionais e estrangeiras. Para além de outros importantes cargos, Vítor Alves foi ministro de vários governos provisórios. Foi nomeado para o cargo de ministro sem pasta em 1974, tendo exercido essas funções até 1975. Foi responsável pelas pastas da Defesa Nacional e da Comunicação Social, tendo visto aprovada, por sua iniciativa, a primeira lei de imprensa pós-25 de Abril, que vigorou até 1999. O militar desempenhou exemplarmente os seus cargos ministeriais, tendo chegado a ser ministro da Educação e Investigação Científica entre 1975 e 1976, no 6º governo provisório. Foi, assumindo estas funções, que o militar oficializou o Museu Nacional da Ciência e da Técnica, em 1976. Este acto demonstra bem a sua visão e a sua inteligência, dando o exemplo a outros que, como cientistas de carreira, deixarão para sempre o seu nome ligado ao encerramento deste Museu Nacional tão importante para Portugal. Para vergonha de todos!

Bem-haja e descanse em paz.

08/01/11

Henrique Neto Sem Papas na Língua!


Recebi por email alguns excertos da entrevista de Henrique Neto, empresário e antigo deputado do PS, ao Jornal de Negócios da última sexta-feira. É um histórico que muito fez pelo PS. É uma entrevista absolutamente demolidora. Henrique Neto surpreende-nos com a sua confissão e testemunho. Será verdade? Sinceramente, tenho que admitir que somente uma grande revolta pode levar alguém a falar assim dos responsáveis máximos do seu país, ainda por cima sendo estes da mesma família política. Aparentemente. Eu sempre fui simpatizante do PS. Só não votei no PS nas últimas eleições. Pelos vistos, não sou só eu que não se revê neste PS da era "socrática". Enfim... ai Portugal, Portugal!

"Uma vez, fui a um debate em Peniche, conhecia o Sócrates de vista. Isto antes do Governo Guterres. Não sabia muito de ambiente, mas tinha lido umas coisas, tinha formado a minha opinião. O Sócrates começou a falar e pensei: “Este gajo não percebe nada disto”. Mas ele falava com aquela propriedade com que ainda hoje fala, sobre aquilo de que não sabe. Eu, que nunca tinha ouvido o homem falar, pensei: “Este gajo é um aldrabão, é um vendedor de automóveis. Ainda hoje lhe chamo vendedor de automóveis"Ainda hoje lhe chamo vendedor de automóveis".

"Quando se pôs a hipótese de ele vir a ser secretário-geral do PS, achei uma coisa indescritível. Era a selecção pela falta de qualidade. O PS tem muita gente de qualidade. Sempre achei que o PS entregue a um tipo como o Sócrates só podia dar asneira". "Gosto muito de Portugal – se tiver uma paixão é Portugal – e não gosto de ninguém que dê cabo dele. O Sócrates está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto. Entre o mal que faz e o bem que faz, com o Sócrates, a relação é desastrada".

“Há caras de que gostamos mais e outras menos, mas não me pesa assim tanto. Além do facto de que estou convencido de que ele não é sério, também noutros campos. Conheci a vida privada do Sócrates, ele casou com uma moça de Leiria, de quem conheço a família. Sou amigo do pai dela, que foi o meu arquitecto para a casa de São Pedro de Moel. Esta pequena decoração que vê aqui [em casa] foi feita pela cunhada do Sócrates. Às vezes compro umas pinturas que a mãe delas faz. Nunca fui próximo da família, mas tenho boas relações. Não mereciam o Sócrates. Portanto, sei quem é o Sócrates num ambiente familiar. Sei que é um indivíduo que teve uma infância complicada, que é inseguro por força disso, que cobre a sua insegurança com a arrogância e com aquelas crispações. Mas um País não pode sofrer de coisas dessas".

"Escrevi uma carta ao Guterres, que foi publicada, em que lhe disse coisas que digo do Sócrates. Era deputado quando escrevi a carta, era da comissão política do Partido Socialista. Foi na fase de Pina Moura e daqueles descalabros todos. Na comissão política, estão publicadas algumas dessas coisas, [sobre] os negócios do Jorge Coelho e do Pina Moura. Depois de ter falado disso tudo em duas ou três reuniões e não ter acontecido nada, escrevi uma carta e mandei ao Guterres. Ele distribuiu a carta. No outro dia veio nos jornais. Era uma carta duríssima. Os problemas eram os mesmos, estávamos a caminhar mal, estávamos a enganar os portugueses, a dizer que a economia estava na maior, quando não era verdade. Na altura já falava com o Medina Carreira e ele já falava comigo".

"Quando o Pina Moura foi ministro das Finanças, uma senhora das Finanças instalou-se lá na empresa. Nunca contei isto. Encontrava-a no elevador, nunca falei com ela, “bom dia Sra. Dr.ª.”. Mas os meus homens contavam-me. Andou à procura, à procura, à procura como uma doida. Esteve lá alguns dois anos. As coisas não são impunes, a gente paga-as neste mundo. Disse o que quis do Pina Moura, da maioria desses gajos; era natural que se defendessem. Os seus colegas jornalistas muitas vezes foram ao Pina Moura com o que eu disse; e ele: “Não comento”. O Guterres também não comentava, e o Sócrates também não comenta. Aliás, quando faço uma intervenção ao pé dele fica histérico, não me pergunte porquê".

"Estudei um pouco da história portuguesa, nomeadamente dos Descobrimentos; fizemos erros absurdos. Um dos erros é deixarmo-nos enganar, ou pelos interesses, ou pela burrice. O poder, os interesses e a burrice é explosivo. Descambámos no Sócrates, que tem exactamente estas três qualidades, ou defeitos: autoridade, poder, ignorância. E fala mentira. Somos um País que devia usar a inteligência e o debate para resolver os problemas, e temos dirigentes que utilizam a mentira e evitam o debate".

"A última comissão política do PS foi feita no dia em que o Sócrates anunciou estas medidas todas. Convocou a comissão política depois de sair da conferência de imprensa, para o mesmo dia, à última da hora, para ninguém ir preparado – primeira questão. Segunda questão, organizou o grupo dos seus fiéis para fazer intervenções umas a seguir às outras, a apoiar, para que não houvesse vozes discordantes. A ideia dele era que o Partido Socialista apoiasse as medidas. Fez medidas tramadas, toda a gente sabe. O mínimo era que o partido as apoiasse. Mas não falou antes. Depois o Almeida Santos fez aquilo que faz sempre: uma pessoa pode inscrever-se primeiro, mas o Almeida Santos só dá a palavra a quem acha. Os que acha que vão dizer o que não quer que digam, só vêm no fim. E no fim: “Isto está tarde, está na hora de jantar”. Isto é uma máfia que ganhou experiência na maçonaria. O Arq. Fava é maçónico, o Sócrates entrou por essa via, e os outros todos. Até o Procurador-Geral da República. Utiliza-se depois as técnicas da maçonaria – não é a maçonaria – para controlar a sua verdade. Os sucessivos governos, este em particular, pintam uma imagem cor-de-rosa da economia portuguesa. Isto é enganar as pessoas sistematicamente.

“Depois aparecem críticos como o Medina Carreira ou eu a chamar a atenção para a realidade do País – chamam-nos miserabilistas! E quando podem exercem pressão nos lugares onde estão esses críticos e se puderem impedir a sua promoção ou acesso aos meios de informação, não hesitam. Isto era o que se passava antes do 25 de Abril, agora passa-se em liberdade, condicionando as pessoas, e usando o medo que têm de perder o emprego. José Sócrates, na última Comissão Política do PS, defendeu a necessidade das severas medidas assumidas pelo Governo, mas também disse que era muito difícil cortar na despesa do Estado porque a base de apoio do PS está na Administração Pública. Disse-o lá, e pediu para isso a compreensão dos presentes. Não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis, ser-me-ia indiferente. Mas ele é o primeiro-ministro e está a dar cabo do meu País. Não é o único, mas é o mais importante de todos".

Sem palavras...

30/12/10

Feliz Natal e Próspero Ano Novo

Votos de um próspero Ano Novo e que as "sanguessugas de duas pernas" destes país sejam esmagadas!

24/11/10

Hoje, Dia de Greve Geral em Portugal

A greve é a linguagem dos que não são ouvidos...

Martin Luther King
Nunca, como hoje, uma greve fez tanto sentido!