Save Darfur | Voices for Darfur: 5 Years of Advocacy
11/11/10
A Magia do Espírito
Estes soitos pertenciam ao proprietário Francisco dos Santos Nobre, irmão do meu avô, sendo conhecido por Francisco Habilidades. Viveu solteiro.
A sua alcunha “Habilidades”, deve-se ao facto de materializar os seus sonhos construindo obras, as mais diversas, como pedreiro, carpinteiro e ferreiro. Nas suas forjas construía as suas ferramentas agrícolas.
Na sua casa grande, à entrada de Baloquinhas, vivia com as suas longas barbas, como um patriarca bíblico. Dava conselhos sobre os trabalhos agrícolas e, pela sua personalidade de bondade, as suas palavras éticas e de conduta humana eram bem ouvidas e aceites.
Mas esta sua vivência foi interrompida pela praga da “tinta”, que matou todos os seus castanheiros e os seus soitos transformaram-se em troncos mortos, como fantasmas.
Num certo dia outonal, o “Ti” Francisco Habilidades, já no fim da vida e doente, espreitando pela janela da sua casa, olhando o último castanheiro a morrer, disse-lhe com uma voz ouvida por todas as encostadas, em Baloquinhas:
“Quando eu morrer, tu não morrerás, porque o meu espírito vai para dentro do teu corpo e, quem usar a tua madeira, terá uma vida feliz e livre de todos os maus espíritos”. (Memórias no tempo do calor das lareiras).
Esta mensagem espiritual, dirigida ao moribundo castanheiro, tem origem herdada nos rituais celtas, povos que habitaram na freguesia de Vide.
Os seus druidas, sacerdotes, acreditavam que os espíritos dos mortos se refugiavam nas árvores, consideradas os seus templos.
Deste modo, ainda hoje, o costume muito usual de bater com os nós dos dedos sobre a madeira, especificamente, sobre a tampa de madeira de uma mesa para espantar azares dos espíritos.
A antropologia cultural dos povos primitivos deixou-nos, como herança, muitos ou milhares de exemplos, expressos em costumes de conduta humana. Por isso, as comunidades humanas actuais vivem ainda agarradas, por vezes, num âmbito divino, a esses costumes dos povos das primeiras civilizações pré-históricas.
Alguns exemplos desta vida primitiva, aparentemente simples, mas com um significado profundo: o vestuário preto ou branco, usado como luto, pela morte de familiares ou pessoas queridas, a colocação de flores (mas naturais), sobre a campa dos mortos, a coroação dos heróicos atletas, vencedores nos Jogos Olímpicos, em homenagem ao deus pagão grego, Zeus. Os rituais religiosos de hoje são heranças dos tempos pagãos.
01/11/10
Pensamentos e Citações (1)
21/10/10
O Exemplo Francês
Mas o povo é sereno!
Perante estas medidas injustas na idade de reforma, e face à gravidade que a nossa taxa de natalidade apresenta, diminuindo, ano após ano, nem uma medida governamental ou parlamentar surge para alterar este estado de coisas. Nada. Continuamos inclusivamente a ter um sistema de impostos que castiga os casais com filhos. Duas pessoas divorciadas pagam menos impostos em sede de IRS que um casal com filhos. Isto é escandaloso e demonstrativo da incompetência de quem nos governa.
Mas, o povo é sereno!
E o povo cala, não mexe, não tosse, não muge. Amocha.
O povo é sereno!
No meio de toda esta imundice, até as nossas centrais sindicais parece que gozam connosco. Um dia de greve geral?! Para quê? Um dia de descanso forçado? Para que serve isso? Vamos brincar às greves?! O que eu e todos os trabalhadores honestos deste país esperam é uma greve geral por tempo indeterminado, caso este orçamento vergonhoso passe na Assembleia da República, como tudo leva a crer. Uma greve que demonstre a nossa indignação e a nossa revolta perante uma situação política insustentável, por culpa de toda uma classe política corrupta que prolifera por essa europa fora, e em Portugal em particular.
E o povo, vai continuar sereno?
Quando será que vamos seguir o exemplo da França? A França que nos deu a República, que nos deu o Maio de 1968, parece que também agora quer dar o exemplo aos europeus. É mesmo caso para dizer:
Vive la France!
17/10/10
Frase do Dia
Depois do átomo e da descoberta do neutrão, do protão, do fotão, do electrão, do quark, do fermião, do bosão, do gluão, José Sócrates Pinto de Sousa acaba de descobrir o pelintrão, um corpo sem massa nem energia que suporta toda a carga.
M. Manuela Rodrigues
11/10/10
Orçamento da Assembleia da República para 2010
Algumas rubricas do orçamento da Assembleia da República para o ano em curso
(retirado do Diário da República 1ª Série, Nº 28, de 2010):
1 - Vencimento de Deputados ..................................12 milhões 349 mil Euros
2 - Ajudas de Custo de Deputados..............................2 milhões 724 mil Euros
3 - Transportes de Deputados ................................
4 - Deslocações e Estadas ................................
5 - Assistência Técnica (??) .............
6 - Outros Trabalhos Especializados (??) ............
7 - RESTAURANTE,REFEITÓRIO,
8 - Subvenções aos Grupos Parlamentares...... ........................
9 - Equipamento de Informática (!!!)............................2 milhões 110 mil Euros
10- Outros Investimentos (??) ......................................2 milhões 420 mil Euros
11- Edificios .........................................
12- Transfer's (??) Diversos (???!?!!!!).....................13 milhões 506 mil Euros
13- SUBVENÇÃO aos PARTIDOS na A. R. .........
14- SUBVENÇÕES CAMPANHAS ELEITORAIS.....73 milhões 798 mil Euros
No total a despesa orçamentada para o ano de 2010, é (?!?!):
191 Milhões, 405 Mil, 356 Euros e 61 Cêntimos!
Ou seja, isto é o que se pode chamar de um orçamento pornográfico, tendo em consideração que estávamos em ano de "crise"...
Crise?! Qual crise?!
08/10/10
Encenação ou Coragem?
O curioso é que por detrás de todo este plano ignóbil, há uma máquina montada nos órgãos de comunicação social para meter na nossa cabeça que não há alternativa às medidas, injustas e imorais, que o governo quer impor para o próximo orçamento do estado. Dizem eles que se não forem acatadas, seremos severamente castigados pelos sacro-santos "mercados", que nos obrigarão a pagar juros incomportáveis da dívida pública. Que merda é esta? Em primeiro lugar. Afinal qual é o papel do Banco Central Europeu no meio desta macacada? A sua taxa directora actual de 1% serve exactamente para quê? Se não serve para nada e existem uns especuladores, que se apresentam com o título pomposo de empresas de rating, impondo-nos as taxas que entenderem com base em boatos e especulações, então porque não se fecham as portas do BCE? Isto é tudo uma patranha muito mal contada. Porque não fazem eles o mesmo com a dívida da América? E se fossem brincar para a casa deles...
Após as anunciadas medidas da nossa desgraça, pois a economia com elas irá pelo cano, festejou-se pelo meio o primeiro centenário da República Portuguesa. No meio de umas frasesitas de circunstância sobre a comemoração em si, os governantes, principalmente o primeiro-ministro, limitaram-se a mandar recados à oposição e aos sindicatos e o principal líder da oposição, Pedro Passo Coelho, nem sequer lá pôs os pés. Neste último caso, podemos sempre perguntar qual a relação entre este acto e o facto de a proposta de Revisão Constitucional do PSD ter sido elaborada pelo monárquico Teixeira Pinto? Será que o Sr. não pôs lá os pés porque é monárquico e, por isso, anti-republicano? Isto tem que ser esclarecido. Estas atitudes reprováveis por parte de todos há-de a República um dia vingar. A República merecia bem mais.
Mas voltando à vaca fria, ou quente, consoante o ponto de vista. Estas medidas são tão más que, FMI a mais ou FMI a menos, perdidos por cem, perdidos por mil, porque não fazer figas para que o orçamento não passe na Assembleia da República e para que estes incompetentes sejam postos a andar? Para eles irem apertar o cinto dos funcionários da PT, da Galp, ou outra qualquer... Se nos damos ao luxo de não tocar nos interesses instalados no meio de uma crise tão grande, é porque as coisas não estão assim tão más, não é? Além disso, teríamos milhares de milhões disponíveis a taxas bem melhores dos que os 6 e tal por cento, impostos por esses tais dos "ratings". Não pouparíamos umas massitas? E como a coisa está negra para os mesmos de sempre, mais escuro do que negro não existe. Entretanto, se a coisa ficasse "memo" má, o que eu duvido, pois o que ouvimos é que Portugal vai crescer 1,4% este ano e que as exportações vão de vento em popa, então, nesse caso, teriam finalmente que mexer nos interesses e nos gatunos pançudos que nos têm andado a roubar. Certo? Alimentaríamos a esperança de uma revolução que mudasse mentalidades e humanizasse esta sociedade de materialismo pornográfico.
Ai, eu até vou dizer um segredo. Como sempre defendi a social-democracia até era capaz de engolir um sapo gigante e ir votar PSD nas próximas eleições se o Dr. Coelho mandasse o ("que vai ser") orçamento do PS às malvas. Entenderam? É que PSD não é PSD. PSD é PPD. Certo? Afinal, com tanta proposta que eles têm recebido para cortar na despesa do estado, a esta hora já devem ter um orçamento de fazer inveja a qualquer um. Veja-se o magnífico estudo de Marques Mendes em relação aos institutos públicos a abolir no imediato... que maravilha! Mas temo que este tabu do orçamento, com o Dr. Coelho a teimar, não te quero, não te quero, seja tão só para ter os holofotes em cima e capitalizar os votos dos descontentes, pois, bem sabemos, que este orçamento enche as medidas de qualquer "social-democrata", que se preze, da nossa praça. Ou o homem é mesmo corajoso e quer zelar pelos interesses do povo? Eis que está a nascer um novo salvador da pátria! Monárquico, ainda por cima! Nossa Senhora!...
05/10/10
Primeiro Centenário da República Portuguesa
Comemora-se hoje o primeiro centenário da implantação da República Portuguesa. Marco histórico para Portugal que há 100 anos passou a ser um estado laico, revitalizando-se a democracia parlamentar moribunda, herdada da monarquia, e em que a abertura do ensino superior e a sua generalização constituíram, provavelmente, as suas maiores conquistas para o povo português. Infelizmente, os nosso responsáveis políticos brindaram-nos com discursos de ocasião medíocres. Numa data tão importante para Portugal, o Primeiro Ministro português limitou-se a fazer um discurso de circunstância e limitado, tendo por pano de fundo os seus PECs (planos de estabilidade e crescimento, i.e., de apertar o cinto ao Zé Povinho) e os recadinhos aos sindicatos portugueses. Uma tristeza confrangedora de meter dó.


