Razao

ESTE BLOGUE COMBATE TUDO O QUE POSSA POR EM CAUSA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A SUA LIBERDADE. É, POR ISSO, ANTICAPITALISTA E ANTICOMUNISTA.

05/10/10

Primeiro Centenário da República Portuguesa

Comemora-se hoje o primeiro centenário da implantação da República Portuguesa. Marco histórico para Portugal que há 100 anos passou a ser um estado laico, revitalizando-se a democracia parlamentar moribunda, herdada da monarquia, e em que a abertura do ensino superior e a sua generalização constituíram, provavelmente, as suas maiores conquistas para o povo português. Infelizmente, os nosso responsáveis políticos brindaram-nos com discursos de ocasião medíocres. Numa data tão importante para Portugal, o Primeiro Ministro português limitou-se a fazer um discurso de circunstância e limitado, tendo por pano de fundo os seus PECs (planos de estabilidade e crescimento, i.e., de apertar o cinto ao Zé Povinho) e os recadinhos aos sindicatos portugueses. Uma tristeza confrangedora de meter dó.

Emigração ou Revolução, eis a Questão!

A propósito do post de Daniel Oliveira no Blogue arrastão, sobre as opções face à crise hipócrita que grassa por aí, emigração ou revolução, acho por bem que se opte pela última. Emigrar seria puro egoísmo, procurando lá fora o que não podemos ter aqui, materialmente falando, claro. Revoltar é mais altruísta. A revolução encante-me, porque poderia permitir um novo amanhã para os nossos filhos, varrendo a nojice do capitalismo selvagem que nos rodeia e nos afunda em injustiças insuportáveis. Confesso que por vezes faço figas para que o sistema financeiro actual implodisse e que a banca ranhosa que temos se afundasse definitivamente. Passaríamos dias difíceis, é certo, mas a esperança no estabelecimento de uma nova ordem social, política e económica, centrada nas pessoas e no ambiente, é bastante motivadora.

Assim, se a revolução vingasse, a primeira medida elementar a tomar seria anular a causa principal do problema social e económico que Portugal e a Europa vivem actualmente. Para isso, seria necessário:
- Fechar imediatamente as fronteiras da Europa a tudo o que seja fabricado em países aonde não existam condições salariais e sociais idênticas às europeias. Claro que isto obrigaria as multinacionais europeias a regressar à base e, desse modo, a criar emprego. Muito emprego. Certo? Globalize-se à europeia e não à chinesa! Os países em vias de desenvolvimento poderiam exportar para a Europa em condições especiais, mas todos os produtos deveriam pagar direitos aduaneiros. Assim, as multinacionais europeias não poderiam ir escravizar terceiros, deixando no desemprego os europeus, para maximizar, de forma gananciosa, os seus lucros. Este é o cerne dos problemas sociais e económicos que se vivem hoje na Europa!

03/10/10

Caras de Pau

Serviço público em Portugal por parte dos governantes portugueses significa: estágio em auto-serviço para reforma dourada após mandato!...

Pelas entrevistas dadas ontem por José Sócrates às televisões, ficamos com a sensação de estar perante uma personagem surreal, retirada de um filme de Hitchcock. Fala das medidas de austeridade, tremendamente duras que quer impor ao povo português, aos mesmos de sempre, como se estivesse a falar da melhor coisa do mundo. Como se não houvesse alternativa e que todos se tivessem que resignar. Isso mesmo. Mais umas medidas. Ponto. Crua e friamente faz-nos crer da inevitabilidade das mesmas. Se tivesse um pingo de vergonha, explicaria aos portugueses por que têm eles de apertar ainda mais o cinto que já não tem espaço para mais buracos. Porque têm eles que ajudar ao afundamento da própria economia?! Isto é já uma realidade que todos apercebem. Estamos, sem dúvida, perante uma personagem trágico-cómica, que já não consegue disfarçar o seu carácter e o seu perfil. Surreal. Um robot que debita um discurso político vazio, sem ideias, sem ideologia, sem emoção. Um ignorante ideológico, como lhe chamou alguém do programa Eixo do Mal. É bem verdade! Socialista democrático?! hahahaha...

Temos é que falar verdade! E não debitar delírios mirabolantes de personagens bacocas. Temos é que falar num mar de desperdícios de dinheiros públicos, desde frotas de carros luxuosos, passando por um mar de institutos que não servem para coisa nenhuma, num batalhão de assessores e consultores pagos a peso de ouro, em empresas públicas e municipais com gestores incompetentes pagos principescamente, que só lá chegam porque são amigos do amigo, em especulações de todo o tipo, do imobiliário à bolsa, em negociatas com os meios de combate aos incêndios, à custa da destruição de uma das maiores riquezas de Portugal, em parcerias público-privadas, principalmente na saúde, que só servem para que meia dúzia de pançudos chupem o Estado como bem querem, ou seja, todos nós, em negócios da China sem que um centavo de impostos seja pago ao Fisco, em escandalosas reformas de ex-governantes, dos seus cargos de ex-gestores do faz-de-conta, em auto-estradas pagas por todos, mas exploradas por outros tantos pançudos, com portagens exorbitantes. Mas afinal para que pagamos impostos?! Os holandeses, belgas, alemães têm magníficas redes de autoestradas sem portagens. Porque temos que ser roubados quando entramos numa em Portugal? Em Portugal pagam-se hoje impostos de circulação que chegam às centenas de euros!!! Para quê? O que fazem eles ao nosso dinheiro? Numa palavra: ladrões! E os IMIs? A roubalheira que obriga as pessoas a pagar as suas próprias casas?!

Mas haveria muito mais para dizer. A lista seria infindável, e o que se pouparia daria para pagar a dívida pública várias vezes, incluindo aumentos condignos para a administração pública, a construção do TGV e do novo aeroporto. Injecção de milhares de milhões euros em BPNs e BPPs, geridos por corruptos ex-governantes, dos quais agora ninguém fala? Um vergonha digna de um país de gatunos e de corruptos, pagos por todos nós, principalmente pelos próprios funcionários públicos que descontam para todos. Veja-se o caso da ADSE. Este fundo serve também para financiar o SNS, usado por todos, quando deveria somente ser usado para proteger quem o paga, ou seja, os funcionários públicos. Uma vergonha!

Agora parece que a PT nos deixa um fundo de pensões descapitalizado, para que amanhã todos tenhamos que pagar as pensões milionárias dos seus funcionários. Provavelmente alguém do governo está a preparar a sua reforma dourada. Isso mesmo. Serviço público em Portugal por parte dos políticos portugueses significa: estágio em auto-serviço para reforma dourada após mandato! Mas perante as medidas de austeridade, injustas, ignóbeis e vergonhosas, tomadas pelo governo, como podemos tolerar que a PT, que arrecadou este ano 7,5 mil milhões de euros com a venda da Vivo à Telefónica, tenha pago ZERO EUROS de impostos?!?! E como justificar os lucros milionários de Banca e Seguros nestes anos de crise profunda! Bem, crise? Qual crise? Nunca houve tanto dinheiro, nem tantos lucros.

Por isso, coragem política, hoje, seria a nacionalização de todas as empresas monopolistas portuguesas que rendem milhões à custa de todos nós. PT, EDP, REN, GALP, BRISA, etc., são só alguns exemplos de empresas que deveriam ser nacionalizadas em nome do interesse nacional. JÁ! Recordemos que algumas destas empresas seriam proibidas de operar nos Estados Unidos. País liberal onde os monopólios não são permitidos. Também a CGD, em vez de proceder como qualquer outro banco privado, deveria ser obrigada a oferecer um verdadeiro serviço público, refreando o ímpeto ladrão da banca portuguesa em geral. Esta deveria ser obrigada a pagar em sede de IRC o que todas as outras empresas são obrigadas a pagar.

E não se fiem nos novos salvadores da pátria que se vislumbram nos órgãos da comunicação social. É tudo mais do mesmo. É tudo farinha do mesmo saco. PS e PSD deviam ser responsabilizados pela actual situação do país... e castigados fortemente nas urnas com a única arma que temos: o voto. Ambos têm culpa no cartório, a começar pelo próprio Presidente da República, o pai de todos os males de que o país padece, aquando dos seus mandatos como Primeiro Ministro. O tal do Deus, Pátria e Família...

01/10/10

Assalto ao Museu

Uma carta ao Director do Diário de Coimbra:

A forma como o morto-vivo Museu Nacional da Ciência e da Técnica (MNCT), Dr. Mário Silva, tem sido tratado pelas autoridades competentes é, pura e simplesmente, inadmissível e intolerável. Essa forma, só pode ser possível num país de Estado “Torto”, atrasado, inculto, sem regras, sem rei e sem roque. Como poderiam os governantes de um país civilizado mandar fechar as portas do seu Museu Nacional da Ciência? Impossível! Ninguém lhes perdoaria e seria um escândalo. Mas é precisamente isso que está a acontecer em Portugal. Lamentavelmente, tudo isto está a ser feito às escondidas, à socapa e sem que ninguém se indigne. A falta de cultura é tanta que, mesmo os que sabem, fecham os olhos e assobiam para o lado. A tutela, no presente, não querendo ver o seu nome ligado a este crime de lesa-pátria, que o é, acobarda-se e não legisla. Percebe-se porquê. Esconde-se, com medo, segredando ao ouvido dos responsáveis da Universidade de Coimbra, para que eles, aos poucos, se apoderem do património (aquele que lhes interessar). Esperemos que os seus responsáveis não repitam o espalhafatoso leilão que ocorreu às portas do antigo laboratório de Física, no início do século passado, desbaratando um património único no mundo, que pertencia ao antigo laboratório de física pombalino, mandado instalar em Coimbra pelo Marquês de Pombal no âmbito da sua Reforma, para que aqui, finalmente, com cerca de duzentos anos de atraso em relação à Europa, as Ciências Físicas fossem ensinadas com base na experimentação. Foi também devido ao Professor Mário Silva que parte desse património leiloado foi recuperado. Ele que, lamentavelmente, viu a sua última obra, precisamente o MNCT, ser destruída lentamente desde 1977, ano da sua morte, até ao presente. Que vergonha!

A razão de ser deste texto prende-se com a verdadeira salgalhada em que colocaram o Museu. Em primeiro lugar, a nomeação do actual director (ex-director?) do Museu Nacional da Ciência e da Técnica para director do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra, também Professor da Universidade de Coimbra. Não haveria aqui um caso de pura incompatibilidade? Não terá sido propositado? Pois sabemos que o resultado foi o que soubemos posteriormente. O MNCT será extinto e integrado na Universidade! Mas em que moldes? Ninguém sabe e, pelos vistos, ninguém quer saber. Aonde está o documento legal que o oficializa? Como pode a Universidade de Coimbra estar já a pagar os vencimentos dos antigos funcionários do MNCT, há cerca de dois anos, se estes não são, oficialmente, seus funcionários. Como pode o palacete Sacadura Bote, sede do MNCT, à rua dos Coutinhos, que deveria ser, por mera e elementar justiça, Casa-Museu Mário Silva, estar a ser ocupado por fundações da Universidade, se, legalmente, no papel, como sói dizer-se, o MNCT, morto-vivo, é certo, ainda não foi oficialmente extinto?

Mas não se pense que estamos contra o Museu de Ciência da Universidade. Não! Apesar da falta de ambição que lhe preside, achamos que este investimento só peca por tardio e porque a Universidade está em Coimbra. A de Lisboa teve logo o seu Museu em 1977, logo a seguir à morte do Professor Mário Silva, tendo os seus responsáveis, na altura, omitido, propositadamente, que já existia um Museu Nacional de Ciência em Portugal, obra do Professor Mário Silva.

Agora todos querem lavar as mãos como Pilatos. Mantêm o MNCT no limbo porque, conscientemente, sabem o mal que estão a fazer. Estão a enterrar o Museu de Ciência de Portugal. Estava maltratado? Sim, estava muito. Mas o Museu tem (tinha?) um excelente património. Mas é preciso dizê-lo. Por culpa da Câmara Municipal da Coimbra, que sempre lhe virou as costas e pela própria Universidade, que sempre lhe fez o mesmo. Não havia condições para o MNCT estar em Coimbra? Que o levassem daqui para fora, para Lisboa, para o Porto, para onde Judas perdeu as botas. Mas extingui-lo? Que assumam as suas responsabilidades e assinem de vez os diplomas necessários para pôr fim a toda esta comédia trágica, desferindo a machadada final no Museu Nacional da Ciência e, também, uma valente machadada na cultura portuguesa. Tenham coragem e assumam as responsabilidades como os homens que foram capazes de extinguir um Museu Nacional de Ciência. Tenham a grandeza dos talibã que assumiram a responsabilidade de arrasar as estátuas dos Budas no Afeganistão. E Portugal ficará reduzido aos “museuzinhos” de Ciência das suas velhas universidades.

Não haja dúvida que a Ciência continua a ser o parente pobre da cultura portuguesa. Há milhões para todo o tipo de museus, excepto para os de Ciência. É um património que não é preciso salvaguardar e dar a conhecer. Bastam os centros Ciência Viva, não é? Não é por acaso que o país está na sua situação actual. Há uma crise profunda de valores e uma ausência total de cultura e bom senso nos que nos governam. Da esquerda à direita...

Maria Isabel Silva

Coimbra

30/09/10

É Memo para Estudar. Mas Tudo Memo...

Como "diziria" um ex-director geral da educação... este país está memo, memo no fundo, fazendo companhia ao nemo. Só assim se justifica a compra dos submarinos... senão como poderíamos visitá-lo?

27/08/10

Ao Professor Doutor Eduardo Caetano

Faleceu o Professor Doutor Eduardo Caetano, Catedrático jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa. Perdeu-se, provavelmente, o maior especialista nacional em engenharia hospitalar. Mas também o homem justo e integro que nunca esqueceu os seus mestres-escola, nem as injustiças e arbitrariedades praticadas contra aqueles a quem devíamos enaltecer e seguir o exemplo. Ficámos mais pobres, muito mais pobres...

Como se pode ler na página da Universidade Nova:

O Professor Eduardo Caetano era licenciado em engenharia electrotécnica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (depois dos estudos preparatórios que realizou na Universidade de Coimbra, onde foi aluno do Professor de Física Mário Augusto da Silva, Professor perseguido e ostracizado, primeiro pelo Estado Novo e, depois, pelo "nosso" Estado "democrático"). Foi Presidente da International Federation of Hospital Engineering e da Associação Portuguesa de Engineering Hospitalar e Director-Geral das Instalações e Equipamentos da Saúde.

Foi perito da União Europeia em planeamento e programação de equipamentos hospitalares, membro do Conselho Científico do Instituto Nacional de Engenharia Biomédica e académico correspondente da Academia Portuguesa de Medicina. Teve um papel essencial no planeamento e programação da 1ª vaga dos principais hospitais portugueses, que constituem a actual rede hospitalar, e publicou numerosos trabalhos sobre engenharia da saúde o último dos quais, O Internamento Hospitalar – Aspectos Tecnológicos, foi publicado em 2002, pela Fundação Calouste Gulbenkian. Publicou ainda as obras: A Nação e os Técnicos, Coimbra e os seus Problemas e Mário Silva, Professor e Democrata..

Relativamente a este seu último livro, em meu atender, devia ser adoptado e estudado no nosso ensino secundário, pois trata-se de uma biografia única que retrata de forma exemplar os tempos de obscurantismo vividos durante o Estado Novo. O Professor Eduardo Caetano escreveu-o devido ao tremendo impacto que lhe causaram as injustiças constantes que foram cometidas contra o Professor Mário Silva, seu antigo Mestre.

Bem-haja e descanse em paz, Professor Eduardo Caetano!

13/03/10

E quando não se educam as crianças...

... Somos todos muito bem castigados! Este é um dos maiores estúpidos que tive a infelicidade de ouvir. E é para isto que vai o dinheiro dos contribuintes portugueses!!! Uma verdadeira vergonha. Tudo é vergonhoso nesta lamentável cena.

Um alto administrador de uma empresa pública (PT), à qual só chegou por meio de grande cunha, com certeza, passa a audição na Assembleia da República a dizer que é do Futebol Clube do Porto. Engoliu uma cassete e, dali, não sai absolutamente mais nada. É com gente deste calibre que Portugal está a ser governado! Este, para nossa desgraça, é o protótipo do gestor português. E esta gente ganha num mês o que a maioria dos portugueses ganha em vários anos de trabalho árduo. Só me apetece pintar a cara de preto por viver num país tão miserável... Ao menos tenham vergonha na cara e enterrem a cabecinha oca na areia!


23/01/10