Razao

ESTE BLOGUE COMBATE TUDO O QUE POSSA POR EM CAUSA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A SUA LIBERDADE. É, POR ISSO, ANTICAPITALISTA E ANTICOMUNISTA.

01/10/10

Assalto ao Museu

Uma carta ao Director do Diário de Coimbra:

A forma como o morto-vivo Museu Nacional da Ciência e da Técnica (MNCT), Dr. Mário Silva, tem sido tratado pelas autoridades competentes é, pura e simplesmente, inadmissível e intolerável. Essa forma, só pode ser possível num país de Estado “Torto”, atrasado, inculto, sem regras, sem rei e sem roque. Como poderiam os governantes de um país civilizado mandar fechar as portas do seu Museu Nacional da Ciência? Impossível! Ninguém lhes perdoaria e seria um escândalo. Mas é precisamente isso que está a acontecer em Portugal. Lamentavelmente, tudo isto está a ser feito às escondidas, à socapa e sem que ninguém se indigne. A falta de cultura é tanta que, mesmo os que sabem, fecham os olhos e assobiam para o lado. A tutela, no presente, não querendo ver o seu nome ligado a este crime de lesa-pátria, que o é, acobarda-se e não legisla. Percebe-se porquê. Esconde-se, com medo, segredando ao ouvido dos responsáveis da Universidade de Coimbra, para que eles, aos poucos, se apoderem do património (aquele que lhes interessar). Esperemos que os seus responsáveis não repitam o espalhafatoso leilão que ocorreu às portas do antigo laboratório de Física, no início do século passado, desbaratando um património único no mundo, que pertencia ao antigo laboratório de física pombalino, mandado instalar em Coimbra pelo Marquês de Pombal no âmbito da sua Reforma, para que aqui, finalmente, com cerca de duzentos anos de atraso em relação à Europa, as Ciências Físicas fossem ensinadas com base na experimentação. Foi também devido ao Professor Mário Silva que parte desse património leiloado foi recuperado. Ele que, lamentavelmente, viu a sua última obra, precisamente o MNCT, ser destruída lentamente desde 1977, ano da sua morte, até ao presente. Que vergonha!

A razão de ser deste texto prende-se com a verdadeira salgalhada em que colocaram o Museu. Em primeiro lugar, a nomeação do actual director (ex-director?) do Museu Nacional da Ciência e da Técnica para director do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra, também Professor da Universidade de Coimbra. Não haveria aqui um caso de pura incompatibilidade? Não terá sido propositado? Pois sabemos que o resultado foi o que soubemos posteriormente. O MNCT será extinto e integrado na Universidade! Mas em que moldes? Ninguém sabe e, pelos vistos, ninguém quer saber. Aonde está o documento legal que o oficializa? Como pode a Universidade de Coimbra estar já a pagar os vencimentos dos antigos funcionários do MNCT, há cerca de dois anos, se estes não são, oficialmente, seus funcionários. Como pode o palacete Sacadura Bote, sede do MNCT, à rua dos Coutinhos, que deveria ser, por mera e elementar justiça, Casa-Museu Mário Silva, estar a ser ocupado por fundações da Universidade, se, legalmente, no papel, como sói dizer-se, o MNCT, morto-vivo, é certo, ainda não foi oficialmente extinto?

Mas não se pense que estamos contra o Museu de Ciência da Universidade. Não! Apesar da falta de ambição que lhe preside, achamos que este investimento só peca por tardio e porque a Universidade está em Coimbra. A de Lisboa teve logo o seu Museu em 1977, logo a seguir à morte do Professor Mário Silva, tendo os seus responsáveis, na altura, omitido, propositadamente, que já existia um Museu Nacional de Ciência em Portugal, obra do Professor Mário Silva.

Agora todos querem lavar as mãos como Pilatos. Mantêm o MNCT no limbo porque, conscientemente, sabem o mal que estão a fazer. Estão a enterrar o Museu de Ciência de Portugal. Estava maltratado? Sim, estava muito. Mas o Museu tem (tinha?) um excelente património. Mas é preciso dizê-lo. Por culpa da Câmara Municipal da Coimbra, que sempre lhe virou as costas e pela própria Universidade, que sempre lhe fez o mesmo. Não havia condições para o MNCT estar em Coimbra? Que o levassem daqui para fora, para Lisboa, para o Porto, para onde Judas perdeu as botas. Mas extingui-lo? Que assumam as suas responsabilidades e assinem de vez os diplomas necessários para pôr fim a toda esta comédia trágica, desferindo a machadada final no Museu Nacional da Ciência e, também, uma valente machadada na cultura portuguesa. Tenham coragem e assumam as responsabilidades como os homens que foram capazes de extinguir um Museu Nacional de Ciência. Tenham a grandeza dos talibã que assumiram a responsabilidade de arrasar as estátuas dos Budas no Afeganistão. E Portugal ficará reduzido aos “museuzinhos” de Ciência das suas velhas universidades.

Não haja dúvida que a Ciência continua a ser o parente pobre da cultura portuguesa. Há milhões para todo o tipo de museus, excepto para os de Ciência. É um património que não é preciso salvaguardar e dar a conhecer. Bastam os centros Ciência Viva, não é? Não é por acaso que o país está na sua situação actual. Há uma crise profunda de valores e uma ausência total de cultura e bom senso nos que nos governam. Da esquerda à direita...

Maria Isabel Silva

Coimbra

30/09/10

É Memo para Estudar. Mas Tudo Memo...

Como "diziria" um ex-director geral da educação... este país está memo, memo no fundo, fazendo companhia ao nemo. Só assim se justifica a compra dos submarinos... senão como poderíamos visitá-lo?

16/09/10

27/08/10

Ao Professor Doutor Eduardo Caetano

Faleceu o Professor Doutor Eduardo Caetano, Catedrático jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa. Perdeu-se, provavelmente, o maior especialista nacional em engenharia hospitalar. Mas também o homem justo e integro que nunca esqueceu os seus mestres-escola, nem as injustiças e arbitrariedades praticadas contra aqueles a quem devíamos enaltecer e seguir o exemplo. Ficámos mais pobres, muito mais pobres...

Como se pode ler na página da Universidade Nova:

O Professor Eduardo Caetano era licenciado em engenharia electrotécnica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (depois dos estudos preparatórios que realizou na Universidade de Coimbra, onde foi aluno do Professor de Física Mário Augusto da Silva, Professor perseguido e ostracizado, primeiro pelo Estado Novo e, depois, pelo "nosso" Estado "democrático"). Foi Presidente da International Federation of Hospital Engineering e da Associação Portuguesa de Engineering Hospitalar e Director-Geral das Instalações e Equipamentos da Saúde.

Foi perito da União Europeia em planeamento e programação de equipamentos hospitalares, membro do Conselho Científico do Instituto Nacional de Engenharia Biomédica e académico correspondente da Academia Portuguesa de Medicina. Teve um papel essencial no planeamento e programação da 1ª vaga dos principais hospitais portugueses, que constituem a actual rede hospitalar, e publicou numerosos trabalhos sobre engenharia da saúde o último dos quais, O Internamento Hospitalar – Aspectos Tecnológicos, foi publicado em 2002, pela Fundação Calouste Gulbenkian. Publicou ainda as obras: A Nação e os Técnicos, Coimbra e os seus Problemas e Mário Silva, Professor e Democrata..

Relativamente a este seu último livro, em meu atender, devia ser adoptado e estudado no nosso ensino secundário, pois trata-se de uma biografia única que retrata de forma exemplar os tempos de obscurantismo vividos durante o Estado Novo. O Professor Eduardo Caetano escreveu-o devido ao tremendo impacto que lhe causaram as injustiças constantes que foram cometidas contra o Professor Mário Silva, seu antigo Mestre.

Bem-haja e descanse em paz, Professor Eduardo Caetano!

13/03/10

E quando não se educam as crianças...

... Somos todos muito bem castigados! Este é um dos maiores estúpidos que tive a infelicidade de ouvir. E é para isto que vai o dinheiro dos contribuintes portugueses!!! Uma verdadeira vergonha. Tudo é vergonhoso nesta lamentável cena.

Um alto administrador de uma empresa pública (PT), à qual só chegou por meio de grande cunha, com certeza, passa a audição na Assembleia da República a dizer que é do Futebol Clube do Porto. Engoliu uma cassete e, dali, não sai absolutamente mais nada. É com gente deste calibre que Portugal está a ser governado! Este, para nossa desgraça, é o protótipo do gestor português. E esta gente ganha num mês o que a maioria dos portugueses ganha em vários anos de trabalho árduo. Só me apetece pintar a cara de preto por viver num país tão miserável... Ao menos tenham vergonha na cara e enterrem a cabecinha oca na areia!


23/01/10

Frase do dia

"Eduquemos as crianças, e não será necessário castigar os homens."
Pitágoras

20/01/10

Generoso Não É Quem Dá, Mas Quem Ama!

Foto do dia... (recebida por email).

Esta foto foi extraída de um jornal hindú e vinha com a seguinte legenda: “SÓ QUEM É POBRE PROCEDE COM TANTA GENEROSIDADE. …QUE PENA QUE O HOMEM NÃO SEJA SEMPRE ASSIM”! Aqui está alguém verdadeiramente rico... que será devidamente recompensado quando chegar a hora. Não?

Agora Tenho a Certeza...

Deus escreve mesmo direito por linhas tortas... descontínuas, emaranhadas e confusas! Que recompensa para o povo haitiano perante tamanha injustiça?

Após anos de ditaduras, guerras e de tudo o que de mau se possa imaginar, este povo, o mais pobre da América, teve agora que sofrer mais de 100.000 mortos, num terrível terramoto, e um número indeterminado de feridos, desalojados, desaparecidos... Parece que 1/3 da população foi devastada. E todos os haitianos estão a sofrer...

Se Deus castiga assim quem já sofre tanto na Terra, imagino o castigo que os sacanas que detêm o poder na Terra (seja ele qual for) sofrerão quando tiverem que prestar contas no Juízo Final. Não?

10/01/10

Memórias do Melhor Rally do Mundo...

Existem algumas coincidências intrigantes relacionadas com o fim do melhor rally do mundo, o rally de Portugal, o fim do Grupo B nos rallies, o apogeu do WRC e a tragédia que se abateu sobre duas das suas lendas. Uma portuguesa e outra finlandesa. Falamos do "Villeneuve dos Rallies", Henri Toivonen, e do "Villeneuve Português dos rallies", Joaquim Santos. Mas comecemos pelo princípio.

O ínicio do fim da era de ouro dos rallies deu-se na edição do rally de Portugal de 1986. A última década tinha tornado este desporto num dos preferidos dos portugueses. E não só. Desde o velhinho rally TAP, passando pelos célebres Vinhos do Porto, com as disputas renhidas e inesquecíveis, ao metro, diria mesmo, entre os Fiat 131 Abarth e os Ford Escort RS 1800, protogonizadas por lendas como Markku Álen, Walter Röhrl, Hannu Mikkola e Björn Waldegård. Quem não se lembra dos troços de Vide ou de Arganil, este com mais de 40 km, com início na Aldeia das Dez, ladeados por ribanceiras e precipícios a perder de vista, onde invariavelmente os rallies eram decididos? Troços de terra, com vistas estonteantes, onde era comum ver-se bocados de rocha xistososa a cobrir todo o piso. Mas também pelas lições de condução de finlandeses voadores, como Ari Vatanen, Timo Salonen, Kankkunen e, o mais espectacular de todos, o "Villeneuve dos rallies", Henri Toivonen. Toivonen que tive o prazer de ver em acção várias vezes, desde os tempos do espectacular Talbot-Lotus. Foi também piloto da Opel, ao volante do Ascona 400, da célebre equipa Rothmans. Lutou muito contra a entrada dos 4WD nas provas do WRC. Um dia, na Lousã (quem não se lembra das 5 curvas?), por pouco não fui atingido na cabeça por um pedragulho disparado quando, após o accionamento do travão de mão, à saída de um gancho à esquerda, os 400 CV nas rodas traseiras de um Opel varreram literalmente, o chão. Com o surgimento de autênticas "bombas voadoras" de tracção integral, como os Audi Sport Quattro S1 (no início com a incrível Michelle Muton), os Lancia Delta S4, os Ford RS 200, e as potências dos motores a chegarem aos 700 CV, integrados no famoso Grupo B, o espectáculo ficou, literalmente, ao rubro. Domar estes monstros era tarefa quase sobre-humana, embora a espectacularidade da condução em slide, na qual Toivonen e Santos eram mestres, tivesse sofrido um grande revés.

Desde a década de 70 que se viam, de ano para ano, ao sabor também do avanço tecnológico e da competição saudável e renhida, cada vez mais pessoas entusiastas e fans deste desporto. O público português, infelizmente, comportava-se muitas vezes como se estivesse numa arena, desafiando touros, como o primeiro vídeo bem documenta. Está-lhe no sangue, provavelmente. A falta de civismo era, talvez, a única crítica que nos era apontada. Porque, se devidamente controlado (o que raramente acontecia), o rally de Portugal era único no mundo. Pela organização, pelo traçado e classificativas, pelo entusiasmo do seu público, pela exuberância das paisaigens, pela hospitalidade do seu povo. Os rallies chegavam a durar 6 dias! Convivia-se ao relento, à luz das fogueiras acesas para calar o frio das noites de Março, à beira dos troços das florestas, à espera do espectáculo. Foram tempos magníficos que provavelmente não voltarão.

Foi pois com uma expectativa enorme que se iniciou no dia 5 de Março de 1986 mais um rally de Portugal, com o primeiro troço cronometrado na Lagoa Azul, em Sintra. Com uma lista de inscritos extraordinária, antevia-se um espectáculo imperdível. Nesta primeira classificativa por Sintra, os 8 primeiros classificados estavam separados por apenas 2 segundos: Henri Toivonen e Markku Alen (ambos em Lancia Delta S4) e Walter Rohrl (Audi Sport Quattro), 2m15, Timo Salonen (Peugeot 205 T16) e Kalle Grundel (Ford RS 200 ), 2m16, Massimo Biasion (Lancia Delta S4), Juha Kankkunen (Peugeot 205 T16) e Malcolm Wilson (MG Metro), 2m17. Estes tempos foram obtidos numa classificativa aonde se acotovelavam mais de meio milhão de pessoas! Pessoas que formavam autênticos "rails" humanos, entre os quais os pilotos tentavam passar no limite. E, assim, sentia-se que a tragédia iria acontecer. Ainda na 1ª classificativa (Lagoa Azul), Joaquim Santos, o "Villeneuve português dos rallies", ao volante de um Ford RS 200, sofria um despiste e "varria" uma multidão de espectadores, provocando 33 feridos e 2 mortos (mãe e filho, de 9 anos). Foi a primeira coincidência! Podia ter acontecido com qualquer outro, mas aconteceu com o melhor piloto português...

Foi antes da 2ª ronda por Sintra – no reagrupamento no Autódromo do Estoril – que todos seriam informados do acidente. O nervosismo pairava no ar, com os pilotos exaltados a recusarem-se repetir as passagens por Sintra. No início da tarde, os pilotos das equipas oficiais reunem-se no Hotel Estoril-Sol e acabam por decidir abandonar a prova, num gesto de protesto perante a impotência da organização. Elaboraram um comunicado que foi lido por Henri Toivonen. Segunda coincidência. Havia pilotos mais velhos... mas teve que ser o piloto mais espectacular de todos os tempos a fazê-lo. Eis o que Toivonen transmitiu:
- «As razões pelas quais os pilotos abaixo assinados não desejam prosseguir o Rali de Portugal são as seguintes:
1 – Como uma forma de respeito pelas famílias dos mortos e dos feridos;
2 – Trata-se de uma situação muito especial aqui em Portugal: sentimos que é impossível para nós garantir a segurança dos espectadores;
3 – O acidente no 1º troço cronometrado foi causado por um piloto que tentou evitar espectadores que estavam na estrada. Não se ficou a dever ao tipo de carro nem à sua velocidade;
4 – Esperamos que o nosso desporto possa beneficiar futuramente com esta decisão.»


Foi, literalmente, o fim do rally, apesar de ter continuado a partir da 2ª etapa, por vontade do grande César Torres, o director da prova e do ACP. A vitória desse outro rally viria a sorrir a Joaquim Moutinho, passando este a ser o primeiro português a ganhar uma prova do WRC. Mas as florestas esvaziavam-se, o espectáculo terminava e o luto ensombrava o “melhor rally do mundo". Era o princípio do fim. Fim que teve como corolário o espectacular e trágico acidente que vitimou Henri Toivonen no rally da Córsega, dois meses depois, no dia 2 de Maio. Mais uma coincidência...