29/09/09
28/09/09
Um Olhar sobre as Legislativas 2009
Os resultados das legislativas do passado Domingo, dia 27, não foram uma surpresa. O PSD, com Ferreira Leite a dar tiros nos pés a toda a hora, fazendo uma campanha eleitoral incoerente, dizendo uma coisa e fazendo o oposto, como tem sido apanágio do PSD ao longo dos anos, jamais poderia ganhar as eleições. Nem nós queríamos ser governados à moda salazarenta e avarenta. Era péssimo para o país se os “velhos do Restelo” chegassem ao poder.Portugal precisa das obras públicas anunciadas. Todas elas. Pois todos sabemos que, ao menos assim, o dinheiro servirá para o progresso do país. Para fazer mexer a economia. As obras anunciadas pecam por serem poucas. Era preciso investir na energia nuclear, sem preconceitos, sem politiquices. Não conseguiremos ter a nossa independência energética de outra forma. Além disso, ao contrário do que se possa pensar, as centrais nucleares não poluem o ambiente e não emitem gazes de efeito de estufa. Só vapor de água. Há o problema do armazenamento dos resíduos nucleares, que têm que ser armazenados durante umas décadas. É certo. Mas isso faz-se. Todos os países desenvolvidos o fazem. Depois há a nossa ligação ao mar. É preciso investir na construção naval e ligar o porto de Sines por via ferroviária à Europa. Há as nossas florestas, abandonadas e esquecidas pelos sucessivos governos. É uma riqueza que temos deixado destruir pelo fogo, pondo em risco a vida e o bem-estar de milhares de portugueses. Há quem enriqueça à custa dos incêndios. Só quem não sai da cidade alfacinha não se apercebe da calamidade. É a falta de visão estratégica, a falta de medidas como as que enumerei, que faz com que Portugal não saia da cepa torta. E não vi um único partido aflorar sequer qualquer um destes problemas. Depois há que lutar em Bruxelas pela implementação da Europa Social. Educação e Saúde de qualidade e gratuita para todos. Os impostos que pagamos são para isso mesmo. Uniformidade de preços na Europa deve conduzir também à uniformidade de salários. Em Portugal, só existe hipocrisia. Salários miseráveis e os preços dos mais elevados de toda a Europa. Não pode ser. Não mintam. E dinheiro não falta. Há milhares de milhões para saldar dívidas da banca corrupta, há com certeza para levar as obras públicas (aeroporto e TGV incluídos) até ao fim. Não se gasta assim, gasta-se na mesma, por ventura em coisas bem mais supérfluas. Cortem nas mordomias de quem governa, nos lucros da banca e das seguradoras, privatizem a EDP e a Galp. É fácil, basta haver vontade política. Os pançudos que paguem mais impostos e os que não pagam, penhorem-lhes os bens e cadeia com eles.
Assim, perante a ausência de propostas convincentes da oposição, o PS lá se aguentou, embora tenha perdido a maioria absoluta. Perdeu-a por estupidez. Pela arrogância desmesurada demonstrada pelos seus líderes. Hostilizou desnecessariamente várias classes profissionais, principalmente a dos professores. Não há reformas que funcionem se não forem chamados a intervir os seus principais interlocutores. Tivemos uma equipa incompetente no Ministério da Educação, que não deixa saudades, apesar de algumas coisas positivas que foram feitas. É certo que, hoje, há mais estabilidade nos quadros das escolas. O problema é que o que foi feito de positivo foi ofuscado pela arrogância e prepotência. E ficaram nódoas que têm que ser urgentemente limpas. O ECD tem que ser revisto, e o injusto e intolerável concurso para professores titulares tem que ser renunciado por quem de direito. Não há qualquer razão, a não ser economicista, para dividir a carreira docente ao meio. Há outras formas mais justas de exigir trabalho e esforço a quem queira progredir nas respectivas carreiras. Não sejam mesquinhos. Pequenininhos.
Mas a transferência de votos nestas eleições está longe de ser bem compreendida pelos analistas. Senão vejamos. O único partido que mantém o seu eleitorado é o PCP. Aumenta ligeiramente, com a eleição de mais um deputado, face a 2005. De resto, foi uma dança tresloucada de cadeiras. Muitos eleitores do PS votaram no BE, é certo, mas muitos também se refugiaram no PSD de Ferreira Leite. O PS perde essencialmente para o BE, mas também para o PSD. Por outro lado, muitos eleitores do PSD votaram agora em Sócrates, animados pela política de direita seguida por este. De onde vieram então os votos do CDS-PP? Na sua maioria do PSD. Assim, O PSD manteve aproximadamente a mesma votação de 2005, mas com eleitores diferentes. Tal como o PS. Além de perder muitos, são também muitos os seus novos eleitores. Penso que nunca na vida política portuguesa se assistiu a tamanha mudança de eleitorado.
Surpreendente nestas eleições foi mesmo o resultado do CDS-PP. Pensamos que o PP se prepara para tomar o lugar do PSD. Bem vistas as coisas, não há espaço político entre o actual PS e o PP. Sociais-democratas são os socialistas, desde sempre, pois não há qualquer diferença entre socialismo democrático ou social-democracia. Todos os partidos deste universo político estão na bancada do Partido Socialista Europeu. Só mesmo da cabeça de analfabetos políticos, que pregam aos quatro ventos que são de direita, e sociais-democratas ao mesmo tempo, poderia sair tamanha aberração. Desde quando é a social-democracia de direita? Só mesmo em Portugal. A confusão começou quando o PPD se tornou PSD e aumentou, quando o CDS se tornou PP. É tudo farinha do mesmo saco. Por isso, ou o PSD encontra rapidamente um rumo, ou fica condenado a desaparecer. Portas e Sócrates preparam-se para o desmontar, peça a peça. Lá diz o povo, quem com ferros mata, com ferros morre.
Para finalizar, resta dizer que o BE atingiu o seu auge. Embora o seu líder viesse cantar de galo antes do tempo, perante o cenário político que se vivia em Portugal, o BE só duplicou a sua votação, quando a deveria ter triplicado e ter ficado à frente do CDS. Não aconteceu. E isso é muito mau sinal. Muito do seu eleitorado nestas eleições foi, como todos sabemos, eleitorado de esquerda descontente com o PS. Pessoas como eu. Terá que trabalhar muito para o manter, se é que será possível mantê-lo. Têm que descer à terra e enfiar o seu pseudo-intelectualismo balofo na gaveta. Só assim poderão aspirar a ganhar confiança do eleitorado e consolidar a sua posição no espectro político português. Poderá existir aqui o que poderíamos chamar de síndroma PRD generalizado.
Teremos assim o PS a governar em minoria, a ter que ouvir, a ter que negociar. Temo, pela experiência já demonstrada, que seja missão quase impossível. Este PS não soube ouvir e demonstrou sofrer de autismo. Vamos esperar para ver em que é que tudo isto vai resultar, esperançados, acima de tudo, que Portugal saiba sempre encontrar o seu caminho.
Agora vêm aí as autárquicas. E as surpresas serão mais que muitas...
Foi Você que Pediu um Míssil?
22/09/09
Boeing Sonic Cruiser
Em 2007, o CEO da Boieng apresentou o Sonic Cruiser, um avião quase supersónico, percursor dos aviões orbitais. Chegará o dia em que será possível ligar a Big Apple a Tokyo em cerca de 4 horas. Acontece que, entretanto, devido à crise petrolífera, primeiro, e à financeira depois, o projecto foi metido na gaveta.
Como curiosidade, lembro a história de outros projectos de aviões supersónicos americanos, que nunca se tornaram realidade (the United States' Supersonic Transport (SST) program). O desenvolvimento deste program iniciou-se em 1963 pela FAA (Federal Aviation Administration). O programa pretendia desenvolver aviões de passageiros capazes de superarem Mach 2 e transportarem 300 passageiros. Era a resposta americana ao anglo-gaulês Concorde. Nesse sentido foi desenvolvido o Lockheed L-2000 e o Boeing 2707.
Isto é Desenvolvimento e Progresso
19/09/09
11/09/09
Coisas Sérias e Caricaturas
Estamos todos fartos de tristezas. Elas não pagam dívidas, como bem diz o povo. Estamos fartos de viver no meio de uma hipocrisia política nojenta (como diz o Medina Carreira, com toda a razão). Os políticos governam em nome dos interesses e dos pançudos. Há muito que os chamo assim. Estes são os cabecilhas, os administradores dos grandes grupos económicos, nacionais e estrangeiros, da banca ladra, das seguradoras ursupadoras, dos monopólios e cartéis de vários tipos que fervilham na nossa praça, etc. Muitos são ex-governantes. Gente que nunca serviu Portugal, antes o usaram para se servirem e servir os interesses instalados. Já vem de há muito tempo. Do tempo do Estado Novo. Mas agora é pior. Antes sabíamos com o que contávamos. Hoje não. Os grandes capitalistas portugueses nunca investem, nem nunca investiram, verdadeiramente, no sector produtivo nacional. Somente a especulação financeira. Não sabem fazer mais nada. Além disso, somente a manipulação artificial dos preços, que nos impõem custos de vida, que nem os mais ricos da europa pagam. Com um único objectivo. Ficarem ainda mais ricos. Nada faz encher-lhes a vasta pança. São, verdadeiramente, pançudos insaciáveis.
E tudo isto com o beneplácito dos nossos governantes. Estes sabem, que o melhor está para vir. Está enraizado, para mal dos nossos pecados, na vida política portuguesa. Estão todos à espreita. Passar pelo governo é o sacrifício que fazem para depois enriquecerem. Depois do alto cargo governamental, se se serviu convenientemente os interesses e os pançudos, lá virá o aguardado tacho de administrador de coisa nenhuma, pago principescamente. Alternativamente, há as câmaras muncipais, onde se enriquece directamente, passando as licenças devidas, que nos estragam a paisagem e o ambiente. E as florestas lá continuam, crescendo e ficando apetitosas para o próximo fogo. Fogo que nos vai entrar pela porta (aqueles que vivem no campo sabem do que falo, os outros, os da cidade, olham para o lado e assobiam, até um dia!) e arruinar um recurso que teimamos em desperdiçar. Nesta matéria, como em quase todas, ninguém cumpre as leis, nem ninguém as obriga a cumprir. Só me apetece dizer: Bandidos! Haviam de arder nele. Este é um país espetacular, cheio de gente que não presta. Podre, por culpa de políticos fracos e corruptos. Entretanto, a generalidade da população está condenada a sobreviver, pois não é justa a distribuição de rendimentos. Dizem que não há dinheiro. Entretanto, falam-nos nos lucros chorudos da banca, das seguradoras, das gasolineiras, do diabo a quatro. Dinheiro há muito. Tenham vergonha! Tudo isto apadrinhado, desde há décadas, por partidos que se dizem sociais-democratas. Anedota. A população portuguesa tem um nível de vida muito mais próximo dos países do chamado terceiro mundo, do que dos países ricos do norte da Europa, aonde existe a verdadeira social-democracia, ou socialismo democrático, como queiram chamar-lhe. Lá aonde os serviços públicos são de alta qualidade, pagos, provavelmente, como menos impostos do que cá. Cá vive-se de aparências, invadidos por centros comerciais de luxo, aonde meia dúzia se abastece, enquanto a maior parte os aproveita para passear ao Domingo.
Por isso, a cariacatura. A anedota que se impõe. Aparentemente sem força para mudarmos este estado de coisas, façamos como no tempo da ditadura e ressuscitemos o teatro de revista. Mais vale rir do que chorar e assim sempre podemos ridicularizá-los. Por isso, vale a pena ver o vídeo seguinte. Está soberbo!
10/09/09
Sobre a Segunda Versão do Caso TVI
08/09/09
Matando Dois Coelhos com uma Só Cajadada
Primeiro, o mais óbvio. Aquele em que acreditámos numa primeira análise. Afinal de que valeu o afastamento de Manuela Moura Guedes (MMG), a não ser para uma dupla machadada em José Sócrates e no PS, em vésperas de eleições legislativas? Acusado de corrupção e, ao mesmo tempo, acusado de tentativa de obstrução à liberdade de informação, ambas são acusações que podem custar muitos votos. Se o afastamento de MMG tinha como objectivo impedir a divulgação pública da peça sobre o caso Freeport, o Jornal Nacional da TVI, sem MMG, não a teria passado, como acabou por acontecer. Aliás, hoje em dia, toda a gente sabe que seria impossível impedir a divulgação pública de uma peça destas. Até pelos interesses económicos e as audiências em jogo. Assim, é lícito pensar que os dirigentes do PS não seriam tão burros ao ponto de cometerem o harakiri político ao interferir, neste momento, na programação de um canal televisivo e de serem acusados de asfixia da liberdade de informação. No entanto, se o objectivo era castigar a jornalista, pela sua "irreverência" e guerra com o governo, o "timing" foi excelentemente bem escolhido para afectar o PS nas eleições. Se o PSD está por detrás disto ou não, segundo Manuela Ferreira Leite, nunca o saberemos. As provas apontam nesse sentido, com o levantamento do chamado TABU da ASFIXIA. Esta é a ajuda que o PSD acaba por dar ao PS numa possível segunda versão dos factos.
O segundo cenário poderá ser simplesmente maquiavélico. Independentemente da campanha de MMG ser caluniosa ou não, porque isso só a justiça poderá apurar, o que é público é que o nosso PM estava em guerra aberta com o Jornal Nacional e MMG. Efectivamente, também se pode pôr a hipótese de o PM, com a arrogância que sempre o caracterizou e com o seu orgulho ferido, querer “calar” à viva força Manuela Moura Guedes. Chamou os seus conselheiros e colocou-lhes a questão. O que fazer? O problema principal era o do “timing” político, porque tudo apontaria no sentido de José Sócrates e do PS. A jogada de mestre está precisamente aqui. Um grande bluff. Ou seja, com uma pequena ajuda, seria certo que o povo português rapidamente iria perceber que a saída de MMG, nesta altura, só prejudicaria o PS e, como tal, seria inverosímil que o PS ou o PM fizessem uma coisa dessas. Assim, Sócrates e os seus conselheiros mexem os cordelinhos para que MMG saia efectivamente de cena, como pretendia Sócrates. Ao mesmo tempo, dando a entender que esse acto só os prejudicaria a eles próprios nas próximas eleições, fazem-nos crer que é o PSD que está por detrás da marosca para tirar dividendos políticos, fazendo-se passar por vítimas inocentes. Além disso, colocam em segundo plano o essencial: a notícia em si. Genial!
Provavelmente nunca saberemos a verdade. Seja no entanto como for, num caso ou no outro, resta-me dizer que este caso TVI é um verdadeiro nojo de aproveitamento político, como diria Medina Carreira. E para que fique claro, não votarei no PS nas próximas eleições, pela primeira vez na minha vida, porque deixei de me rever nas suas políticas. É claro que houve aspectos positivos. Mas eu faço um balanço negativo. Intolerável o que fizeram aos professores, vergonhoso o que fizeram em termos de regulação da banca (a CGD é uma nojeira, os casos BPN e BPP…), seguros e sector energético (a privatização total da GALP e EDP deve ser um desígnio nacional), etc. Aliás, a EDP é monopolista e nos EUA nem sequer poderia operar. Imperdoável! Pior só mesmo um possível governo do PSD de Manuela Ferreira Leite ou do PP de Paulo Portas. Votemos por isso nos pequenos partidos. Vamos dar-lhes uma lição!
06/09/09
Coincidência Cósmica?
A Terra move-se em torno do Sol. O Sol orbita o centro da nossa galáxia, a Via Láctea. A Via Láctea orbita em torno do Grupo Local de Galáxias. O Grupo Local aproxima-se do Cluster de Galáxias, Virgo. Mas estas velocidades são inferiores à velocidade com que todos estes objectos juntos se movem relativamente à radiação de fundo de micro ondas cósmicas (CMBR). Na imagem acima, de todo o céu, tirada pelo satélite COBE, a radiação na direcção do movimento da Terra aparece deslocada para o azul, por isso mais quente, enquanto a radiação sobre o lado oposto do céu está deslocada para o vermelho, por isso mais frio. O mapa indica que o Grupo Local move-se a cerca de 600 quilómetros por segundo (km/s) relativamente à radiação primordial de fundo (radiação fóssil com origem no Big Bang). Esta elevada velocidade não era inicialmente esperada e a sua magnitude continua por explicar. Porque nos movemos tão depressa? O que está para lá daqui?Mas o que é igualmente espantoso é a semelhança da imagem do COBE com o diagrama do Taiji Tu. Na Filosofia Chinesa, esse conhecido símbolo, na figura abaixo, representa a integração de Yin e Yang e toda a dicotomia entre o Bem e o Mal. Yang: o princípio activo, noturno, escuro, frio. Yin: o princípio passivo, diurno, luminoso, quente. Seja coincidência ou não, o símbolo chinês parece ter agora razões acrescidas para a sua existência.



