Razao

ESTE BLOGUE COMBATE TUDO O QUE POSSA POR EM CAUSA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A SUA LIBERDADE. É, POR ISSO, ANTICAPITALISTA E ANTICOMUNISTA.

17/08/09

"Triplicações"

Em tempos, Guterres engasgou-se com uma dada percentagem do PIB. Agora é Sócrates, Mimi e Valtinho que mostram as suas proezas a Matemática. Vamos lá... o triplo de 50 é?... é?.... é? Vá lá Mimi... não se acanhe....................... 150!!! Bravo Sr. P.M.!
É caso para dizer que a Matemática e o PS andam de candeias às avessas... Esperemos que, por estas e por outras, não tenhamos que enfrentar novamente a Economia de Mercearia que aparentemente se vislumbra no horizonte. Livrai-nos, Senhor, de tal cataclismo! Volta Guterres!

06/08/09

Frase do dia

"Sendo a velocidade da luz superior à velocidade do som, é perfeitamente normal que algumas pessoas pareçam brilhantes até abrirem a boca."

Autor Desconhecido.

A Flauta Mágica da Quinta da Melroa


Não era a “Flauta Mágica” de Mozart que, em 1791, enchia de música os salões de Viena, extasiando a melhor sociedade austríaca? “Flauta Mágica”, ópera musicada por Mozart que, com a sua magia, o Bem vencia o Mal e o Espírito da Luz vencia as Trevas.
A flauta da Quinta de Melroa, essa, enchia de música suave as noites de Verão, não debaixo de candelabros de cristais reluzentes, mas sob um “salão” de brilhantes estrelas lá em cima no céu. “Assunção, quem toca tão bem?” “O Filipe, menino”. Percebi, mais tarde, que a magia da flauta do Filipe eram uma serenata de amor para a Assunção. A magia da flauta morreu com a morte de Filipe, no melhor da sua juventude. A flauta do Filipe e a flauta do Zé Amaro cruzavam-se harmoniosamente sobre a Vide. Juntavam-se na mesma harmonia os cantares musicados do harmónio do Augusto Amaral, tocados nos descansos da sua profissão de coveiro e de tamanqueiro famoso.
A Vide, no meu tempo de criança e juventude, era uma aldeia de trasbordante alegria. Alegria própria de um povo que cultivava a solidariedade, solidariedade de porta aberta. Não havia favores, mas sim pedidos com uma amizade transparente e límpida. As retribuições não motivavam angústias ou vergonhas. No carnaval os bailes na casa do Zé Moura, do Vinhas e do Zé dos Santos eram muito divertidos e animados. Animados com músicos folgazões com as suas concertinas, harmónios, gaitas de boca e ferrinhos. Por vezes uma guitarra para o desafio. Aos domingos os bailes no fundo da Castanheira e na Venda faziam pirraça aos bailes mandados no terreiro da ponte. E não faltavam todos os domingos, depois da missa, os bailes à porta do Miguel, com gentes do Rio de Mel, animados pelo cantor Ventura, a desafiar os convencidos cantadores de Vide, o Artur Matias e o Salvador.
“Não achas, irmão Carminé, que quando dançaste o fandango, sobre a mesa da sala de jantar na casa do Tio Joaquim, na Venda, não era o contágio da alegria da tua Vide que tanto engrandeceste?” Nesse tempo os mais idosos eram todos tios. Recordo somente os que mais buliram com a minha imaginação de criança. Dos outros tios ficaram recordações da sua bondade ou de um recado compreensivo, nas diabruras.
Ao “Ti” Zé Domingos alto e magro. À sua profissão de sapateiro aliava uma personalidade de pensador e filósofo. Todas as tardes, na loja do meu padrinho António Nobre, entrevado numa cadeira, juntava-se com o meu pai e com o “Ti” Zé Silva, para o jogo da bisca. Eu, que aviava os fregueses, observava-os, com curiosidade e admiração. Numa dessas tardes, no Inverno, o “Ti” Zé Domingos, com as mãos enfiadas nas mangas do casaco, chegou sem saudar os parceiros da bisca. “Oh Zé, que tens?”, perguntam. “Andam por aí uns surrumangueiros a morder... mas que tenham cuidado e juízo...” “Ainda as aguilhadas vêm das profundezas do Inferno, já eu as estou a sentir no olho do cu”. “Quem?”, perguntámos mais curiosos e atiçados. “Na Vide não nomeio pessoas, para não aumentar a lista dos gajos, que choram o entrudo no pinhal da Venda”, justifica o “Ti” Zé Domingos. Recordo com ele a “Ti” Ana, que me acarinhava em sua casa.
O “Ti” Zé Silva, com a pêra aguçada no seu porte alto e elegante, lembrava uma personagem saída dos romances de Camilo Castelo Branco.
O “Ti” Francisco do Ribeiro mirava-me risonho, da sua pequena janela de granito. Semeou gerações que uniram a inteligência com o sucesso. E na mesma recordação, o “Ti” Augusto Nobre quedava-se ao soalheiro, virado para o Chão da Fonte.
O “Ti” Brito, no canto da sua loja, sempre a vasculhar, com os óculos na ponta do nariz, o seu velho alfarrábio agrícola. Conhecendo a minha tendência para a agricultura, dava-me úteis conselhos sobre a oportunidade das podas e cuidados sobre o giro da lua, nas épocas das culturas.

O “Ti” Zé Augusto dos Santos, pedagogo e mestre no ensino, dava lições aos adultos, no recanto da sua casa. Ao recordá-lo revejo nele o grande Pestalozzi (1746 – 1827), um dos maiores pedagogos na história da educação.
O “Ti” Bernardo Luís, republicano convicto, sonhando já com um mundo mais justo. Aos domingos e feriados “obrigava-me” a saudar a bandeira nacional, içada no mastro, na janela de sua casa.
O António Ferreiro fabricava, na sua forja ao cruzeiro, enxadas e podões sem igual em todo o concelho e regiões limítrofes.
E os famosos artesãos de Vide?
O “Ti” Zé Francisco, o artista canastreiro que construía as melhores cestas e balaias de castanho e a “Ti” Ana da Quinta da Melroa, na magia do seu tear, fabricava belas e garridas mantas de chita e de lã, dando nobreza a todas as salas, mesmo as mais pobres.
O “Ti” Manuel Dias, um dos últimos elos vivos do percurso das gerações passadas, desajeitava-me os calções e, ainda por cima, com uma racha atrás, na sua alfaiataria, contra o meu “estilo de moda”, a pedido dos meus padrinhos. Na sua loja de vendas observava, com uma presença silenciosa e amiga, os “aristocratas” do jogo do voltarete. Voltarete “roubado” no ambiente da lareira da Tia Maria José. Jogo de cartas santificado por mestres clericais, destacando-se o Padre Alfredo, de Unhais.
Recordamos também os antepassados mais distantes no tempo. Antepassados que nos deixaram para sempre obras trabalhadas com enxadões e picaretas, nas encostas e vales das nossas ribeiras. Cortavam xisto com a magia de Miguel Ângelo, o maior escultor italiano e do mundo, quando cortava com o seu cinzel o mármore de Carrara. Cada um, com o seu sonho. Cada um, com a criatividade na sua arte.
Manhãs de Sábado de Páscoa. Os sinos da nossa Igreja anunciavam a Ressurreição de Jesus. Soltavam-se cânticos de aleluias. Aleluias que se misturavam com a neblina sagrada dessas primaveras e com o cheiro macio e saboroso dos bolos quentes da “Ti” Marquinhas da Ponte. O “Ti” Zé António, nos Domingos de Páscoa, entrava com Jesus, em todas as casas, com a missão de juntar todos no mesmo abraço sagrado e festivo. No mesmo abraço, os donos da casa, católicos e não crentes, os raivosos virados a mansos, os zangados abraçados, crianças ranhosas e lavadas, os lambuzados com pão-de-ló, encharcados em vinho, os perfilados, comunistas (estes diziam, já com o lugar reservado no Inferno), os alegres cantadores e macambúzios.
Pedaços de paraíso levados por Jesus, nas Suas caminhadas na Páscoa.
Mas, que tem a ver o passado com a “Flauta Mágica” de Mozart?
Os tempos de hoje respondem. Essa magia morreu. Por isso recordar o passado é uma compensação, para estes tempos e para quem sente a morte dessa magia. Antepassados, sem honrarias sociais, sem cargos de mandar, mantêm-se unidos na mesma solidariedade. Unidos na mesma poeira viva que paira eternamente pelo nosso cemitério. Poeira de antepassados abraçados aos meus, recolhe a verdadeira personalidade do povo de Vide.

24/07/09

Tráfego Aéreo. Impressionante!

É impressionante! E fascinante! No vídeo abaixo, que é uma compilação de imagens de radar, cada ponto amarelo é um avião. São 12 horas de tráfego aéreo resumidos num minuto! De notar que à medida que a noite chega aos continentes (Europa, América ou Austrália, ...) e aos diferentes países, os pontinhos amarelos vão desaparecendo. São aos milhares. De notar também nas rotas transatlânticas e nos pontos que se perdem no meio do oceano. É um espectáculo! E aqueles que passam no Pólo Norte com uma velocidade diabólica? Alguns perdendo-se no meio da Gronelândia, Norte do Canadá e Sibéria... Que aviões serão? Serão voos orbitrais? Serão já uma realidade, ainda sob segredo militar?

Seja como for, o vídeo dá-nos uma imagem da quantidade de voos aéreos diários no mundo inteiro e, tendo em consideração o número de acidentes verificados, mostra-nos que é, de facto, o meio de transporte mais seguro do planeta. Isto, apesar do acidente ocorrido recentemente com o voo AF447 da Air France, um AirBus A330-200 que no dia 1 de Junho, quando fazia a ligação entre o Rio e Paris, se perdeu no Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo, numa zona de díficil acesso. Já depois deste trágico acidente, a 30 Jun 2009, um Airbus A310 com 150 pessoas a bordo caiu no arquipélago das Comores no Oceano Índico, outro no Irão, etc. No entanto, nestes últimos casos, sabe-se que é por falta de manutenção ou manutenção indevida das aeronaves. Por isso mesmo houve manifestações em França exigindo melhores ligações aéreas com as ilhas francófonas do Índico. Este vídeo fica então como incentivo para aqueles que têm receio de andar de avião.

Fonte:
http://radar.zhaw.ch/resources/airtraffic.wmv

20/07/09

40º Aniversário da Apolo 11

Comemora-se hoje o 40º aniversário da alunagem da Apolo 11. Para a posteridade ficou a célebre frase de Neil Armstrong quando pisou o solo lunar: "é um pequeno passo para o homem, mas um gigastesco passo para a Humanidade". Sem dúvida! Recordo-me de ter seguido pela rádio, passo a passo, esta magnífica viagem, pois na bela cidadezinha de Trigo de Morais(1) não havia televisão.



O programa Apolo teve seis missões que decorreram entre 1963 e 1970. Com alguns acidentes graves, como foi o caso da Apolo 13, teve o seu momento áureo no dia 20 de Julho de 1969 quando, pela primeira vez, o homem caminhou em solo lunar. Todo o programa, principalmente o que conduziu à construção do poderoso foguetão Saturno V, que transportou o módulo de alunagem (Águia) e a cápsula de comando, foi obra de um génio da engenharia aeronáutica, o alemão Wernher von Braun. Enquanto Amstrong e Aldrin desceram na Águia até à lua, aterrando num lugar baptizado como "Mar da Tranquilidade", Collins manteve-se só no módulo de comando na órbita da Lua. Para mim, quando passou pelo lado oculto da Lua, deve ter-se sentido o homem mais solitário de todos os tempos. Quando regressaram ao módulo de comando, a Águia foi desacoplada tendo os três astronautas regressado à Terra no módulo de comando. Relembro que Von Braun foi também o pai das temidas bombas voadoras V-2, que fustigaram Inglaterra entre 1944 e 1945. Preso e deportado para os EUA, cedo demonstrou o seu génio à frente do programa espacial americano, tendo-se tornado Diretor do Space Flight Center da NASA, a 1 de julho de 1960. Lembramos também o papel fundamental que o Presidente J.F. Kennedy teve no apoio ao programa Apolo. Foi um programa essencial da política americana, naquela fase da Guerra Fria. Os americanos queriam ser os primeiros a chegar à Lua, custasse o que custasse, "vingando-se" do feito russo com a Sputnik, que foi o primeiro satélite artificial da Terra, lançado pela União Soviética cerca de 12 anos antes, a 4 de outubro de 1957.

O que se lamenta é que nunca mais houve da parte do Homem a vontade de conquista do espaço, como a demonstrada durante o programa Apolo. Até hoje. Pena que a riqueza produzida seja essencialmente para a satisfação da ganância e ostentação de uma minoria, muito minoritária, da população da Terra. Estamos muito longe da tese de Fukuyama "Fim da História"! É incrível a arrogância com que alguns falam da História da Humanidade. Fim da História? Civilizações tão ou mais poderosas que a actual Civilização Ocidental, nasceram e morreram no passado, tal como outras, Novas, nascerão e morrerão. A História repete-se e os seus ciclos renovam-se. A nossa esperança é que os melhores, os mais sábios, possam chegar ao poder para que, desse modo, nos saibam conduzir a um futuro melhor, como Platão já desejava na Antiga Grécia.

Os três astronautas da missão Apolo 11, da esquerda para a direita, Buzz Aldrin (águia), Michael Collins (módulo de comando), and Neil Armstrong (águia). À direita Chris Kraft director da NASA Johnson Space Center. Fotografia tirada no Domingo, 19 de Julho de 2009, no National Air and Space Museum, em Washington. Os quatro foram oradores no Museu John H. Glenn para a História do Espaço (Foto Nasa).
John Glenn Lecture Series 40th Anniversary of Apollo 11.


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(1) NOTA: Trigo de Morais, pequena povoação no interior de Moçambique, a 200 km de Lourenço Marques (Maputo) e a cerca de 150 km de João Belo (Xai-Xai), nas margens do rio Limpopo e junto ao caminho de ferro, a meio caminho entre Lourenço Marques e Mabalane, Rodésia, cresceu desde um pequena povoação (Guijá), junto da fábrica de algodão, até à bela cidade que os portugueses deixaram, em apenas 20 anos! Isto sim, chama-se crescimento económico! Trigo de Morais foi também o nome do grande engenheiro agrónomo português, homenageado pela sua magnífica obra no desenvolvimento agrícola dos vastos campos do vale do Limpopo, no distrito de Gaza em Moçambique, nomeadamente a engenharia hidráulica que concebeu para a irrigação dos vastos campos de arroz, algodão, etc. Trabalho que foi completamente desbaratado depois da independência daquela ex-colónia portuguesa. Hoje, penso que Trigo de Morais se chama Chókuè!?

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11/07/09

Stand by Me...

Sensacional. A partilha. Os laços pela música. Coisas simples desta vida, que nos fazem pensar, que nos fazem vibrar, que nos fazem esquecer, que nos fazem admirar, que nos fazem sentir vivos e ter esperança num futuro melhor, num mundo melhor, num mundo de homens bons...

NOTA: A música "Stand by me" foi interpretada pela primeira vez pelo cantor de soul norte-americano Ben E. King (1938-), co-autor da música e vocalista do grupo de R&B "The Drifters", em 1961 no album "Don't Play That Song", tendo estado no "top ten" americano nos anos de 1967 e 1987. Foi interpretada por outros autores, dos quais destacamos John Lennon e o seu album de 1975, Rock 'n' Roll.

03/07/09

Europa 2009. E agora?

Verifica-se que a direita é de facto maioritária no PE, o vermelho e o verde são, realmente, minoritários em Bruxelas. Razão pela qual a política dos interesses do capital tem tido sempre preponderância sobre os valores da solidariedade e da justiça social. A Europa Social estará novamente adiada até os europeus perceberem que têm que mudar. Esperemos que não seja tarde demais. Que a ganância do capitalismo europeu, consubstanciado nas políticas das suas multinacionais, levando as suas industrias para a China e para a Índia, explorando a mão-de-obra barata daqueles países, e vendendo os seus produtos a altos preços na Europa, maximizando mais-valias que bem atestam e validam as teses de Karl Marx, sufocando pelo caminho as PMEs europeias, dando azo a que a direita retrógrada europeia, continue a levantar a sua voz na defesa de políticas de baixos salários (baseados na treta da baixa produtividade europeia (pudera!)), na redução dos direitos sociais, na flexibilização dos horários de trabalho, no aumento das idades de reforma, etc. É tudo contrário aos valores políticos da social-democracia e ao pensamento dos homens que construíram a Comunidade Europeia. Se queremos mudar o estado actual das coisas, se queremos efectivamente acabar com a miséria social que se avizinha, há que impor regras aos pançudos, aos vampiros. Há que regulamentar. Há que travar a globalização dos interesses do capital. A globalização que aí está, não serve os interesses dos povos do planeta, em suma, do Homem. É preciso obrigar os países carniceiros, poluidores e esclavagistas, como são muitos dos países asiáticos, a mudar as suas políticas sociais se querem vender os seus produtos na Europa, na América, ou no Japão. Temos mesmo que impor embargos, se preciso for. Fazer regressar as fábricas das multinacionais aos países de origem, se preciso for. Enquanto os direitos sociais e humanos não estiverem globalizados, a globalização é uma fraude à escala planetária que urge combater. Economicamente, seria preferível tolerar monopólios, carteis e toda a espécie de ilícitos económicos que se podem praticar. Tudo áreas em que Portugal se tornou mestre, apesar de por cá sermos maioritariamente de esquerda. Isto se considerarmos o PS de esquerda, o que nos dias que correm é como dizer que as galinhas têm dentes. Mas tudo isto é brincadeira de crianças, comparativamente com as injustiças sociais e económicas que estão a ser geradas pela globalização que por aí se pavoneia pornograficamente. É aqui que reside o problema da economia mundial. Quer queiram quer não. É tão grave, que o problema do fanatismo religioso, que infelizmente nos tem vindo a atormentar, passou, em meu entender, para segundo plano. Provam-no os últimos acontecimentos no Irão. O meu sentimento é que os responsáveis políticos, fechando os olhos e assobiando para o lado, são coniventes com este estado de coisas. Pior, usam-no como pretexto para tentarem continuamente baixar o nível de vida dos europeus, promovendo o enriquecimento dos pançudos em dose dupla. Ignorância ou corrupção? Dito isto, a continuidade das actuais políticas europeias, que se apercebem pela continuidade de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia, é uma péssima notícia para todos os europeus e para o mundo em geral.