Razao

ESTE BLOGUE COMBATE TUDO O QUE POSSA POR EM CAUSA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A SUA LIBERDADE. É, POR ISSO, ANTICAPITALISTA E ANTICOMUNISTA.

06/01/09

A Grande Porca, a Galinha Choca, o Grande Papagaio e as Santolas Ocas...

Medina Carreira sem papas na língua! Bravo! O elogio de Medina Carreira a Rafael Bordalo Pinheiro... dia 5 no Nós por Cá. No dia seguinte ouvíamos na rádio que a fábrica das Caldas ia fechar as portas. Que grande coincidência...


10/12/08

Insólita Conferência de Imprensa

Insólita conferência de imprensa de Garry Kasparov. Surreal e cómica, embora pelos piores motivos. Sabe-se que Kasparov tem tido uma postura de oposição veemente às políticas de Putin e Medvedev. A brincadeira ilustrada é o mínimo que pode acontecer aos opositores dos senhores do Kremlin. Enquanto assim for e o antigo génio do xadrez continuar entre nós...

Mas se por um lado Kasparov não merecia tal desconsideração, muitos políticos existem em Portugal que mereceriam ser brindados com uma brincadeira do género.

04/12/08

Salgalhada Inqualificável

O termo que, no mínimo, se pode usar para caracterizar as políticas do ministério da educação do actual governo "socialista" anti-socrático, para não indignar o sábio Sócrates, é só um: salgalhada. Para não dizer mais. Depois de no dia de ontem termos assistido a uma greve histórica dos professores, que sempre foram uma classe tradicionalmente desunida, com as televisões a mostrarem escolas encerradas de norte a sul do país, fomos confrontados com a presença do Sr. Secretário de Estado Valter Lemos nos noticiários da hora do almoço a dissertar sobre realidades inexistentes, dizendo, perante as evidências que o contrariavam, descaradamente, que, apesar de alguma adesão por parte dos professores, as escolas continuavam o seu trabalho normal. Obviamente, mentia!

Hoje, a ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, no debate de urgência na Assembleia da Republica, vem dizer que está até disposta a aceitar um novo modelo de avaliação de desempenho dos professores, mas só para o ano. Neste ano, pasme-se, o modelo que ela e a sua equipa impuseram, é para cumprir. Mais nada! Isto é de uma contradição insanável. De uma arrogância que roça a loucura. Pode até assumir-se que o modelo não presta e que pode e deve ser mudado, mas, os professores que nos desculpem, o modelo é para cumprir. Porque, segundo a ministra é melhor implementar um modelo que não presta, que entope e atafulha burocraticamente as escolas, que paralisará as escolas, do que não fazer nada e deixar tudo como está. De facto, faria bem melhor em seguir o ditado: para pior já basta assim. A própria comissão de avaliação, nomeada pelo próprio ministério, veio dizer que o modelo não era exequível. Afinal o que andaram a fazer os políticos estes anos todos? Estivemos anos e anos sem que os sucessivos governos regulamentassem devidamente a lei para a avaliação dos professores e, agora, temos um governo autista, que não ouve ninguém, que legisla a seu belo prazer, mal e porcamente, sendo inclusivamente capaz de assumir que faz mal e, pior que tudo, tem feito muito mal à profissão docente. Rachou a carreira ao meio, dividindo os professores em professores de primeira e de segunda usando critérios estúpidos, a roçar a malvadez, tal foi a enormidade das injustiças que gerou. Além disso, o estatuto da carreira docente impingido por este governo é um cancro que deveria ser estirpado. Os professores não devem, não podem, calar-se. Penso que os sindicatos deveriam marcar greve por tempo indeterminado, seguindo o exemplo dos professores chilenos.
PS: registe-se que a ministra da educação e o ministro dos assuntos parlamentares se puseram a andar da Assembleia, deixando os deputados a falar sozinhos...

01/12/08

Educação e a Justa Luta dos Professores Portugueses

Muito há a fazer na educação. Sem dúvida! Mas as reformas que são necessárias não são, de certeza absoluta, aquelas que o actual governo nos quer impingir. A avaliação de desempenho dos professores é somente um mero ponto, num conjunto de medidas injustas, hipócritas e sem nexo que, longe de resolver qualquer problema, teve como fito incendiar a escola pública. Os objectivos são puramente economicistas, tendo este governo posto em causa a dignidade de uma classe que não merecia tal tratamento. Os poucos professores que apoiam a "salgalhada" de medidas estúpidas que lhes impuseram, ministério e este governo "socialista", são os que, olhando somente para o seu umbigo, beneficiaram com a estupidez.

Amanhã, dia 3 de Dezembro de 2008, é dia de greve dos professores. Faço votos para que todos os professores adiram na máxima força. Que não desistam da justa luta pelos direitos e dignidade que lhes roubaram. Pelo que já vimos, o movimento actual dos professores ultrapassa o do actual movimento sindical. Os sindicatos, ao contrário do que tem sido dito, são imprescindíveis na luta pelos direitos de quem trabalha. Há que os defender e dignificar também. Há muita intoxicação e é confrangedora a falta de cultura política e histórica daqueles que enchem a boca contra o movimento sindical e os sindicatos. Não sabem, literalmente, do que falam. É certo que há erros que foram cometidos, que é necessário corrigir. Mas os sindicatos foram muito importantes no passado, porque a eles se deveu, em grande parte, o bem estar social que a humanidade conseguiu alcançar no último século. Agora que os ciclos da história se renovam e o capitalismo começa a ter os contornos hediondos que já teve no passado, a sua intervenção será novamente necessária e imprescindível. No passado, o movimento operário foi o motor da mudança. Hoje são os professores e os intelectuais, de um modo geral, que o assumem.

O vídeo abaixo fala sobre a história da educação pública obrigatória ao longo dos últimos 200 anos. De facto, o modelo público massificado serviu às mil maravilhas os regimes totalitários. É um modo natural e simples de moldar as mentes. Não é esse o modelo de escola pública que deve ser defendido, evidentemente. Quando defendemos a escola pública, defendemos implicitamente o acesso pleno e gratuito à educação, ao conhecimento e à cultura de todos os homens livres. Gratuito da escola primária à escola superior e onde a liberdade seja o valor primeiro a ser ensinado.


29/11/08

24/11/08

Notas Soltas e Apreendidas!

No meu "post" Notas Presas e Combustíveis!, critiquei António Vitorino e seu programa Notas Soltas, pois na altura achei terem ali sido defendidas, acerca da crise dos combustíveis, ideias erradas. O tempo, aliás, deu-me razão. Hoje, pelo contrário, venho dar-lhe os parabéns pela clarividência política dos seus pontos de vista e pela sua notável eloquência. Infelizmente, há muito arredada do discurso político em Portugal. A entrevista foi conduzida por José Alberto Carvalho, em substituição de Judite de Sousa que tinha entrevistado, momentos antes, Vítor Constâncio, Presidente do Banco de Portugal (BP). A sua primeira intervenção foi, como não podia ter deixado de ser, sobre a dita entrevista. Nesta, como Vitorino bem comentou, Vítor Constâncio clarificou toda a polémica em torno da supervisão do Banco Português de Negócios (BPN) - e que negócios! -, defendendo de forma magistral o papel do Banco de Portugal neste processo, perante a porta-voz, Judite de Sousa, de uma corrente de opinião política que bem conhecemos. É certo que Vitorino está politicamente próximo de Constâncio. Mas a diferença entre o comentador e a jornalista resume-se a uma palavra: bom-senso. Perante a teimosia insistente da jornalista em querer, à viva força, encontrar responsabilidades do BP neste processo, parecendo até que foram o BP e o seu Presidente os principais responsáveis pelo que se passou no BPN, Vítor Constâncio explicou, claramente, que, perante a fraude e a ocultação da mesma, não foi possível ao BP ter descoberto a marosca e a trafulhice, levada a cabo pela chefia do banco, em tempo útil. Aos meus olhos, como aos de Vitorino, como aos de qualquer pessoa inteligente e de boa-fé, as explicações do presidente do BP foram claras como a água. Curiosamente, ou não, toda a chefia do BPN é próxima do partido da referida jornalista. Por isso a tentativa de desviar as atenções do essencial, a fraude, a burla cometida por ex-governantes do PSD, todos eles pertencentes à administração do banco dos "negócios", do supérfluo, a responsabilidade do BP e do seu presidente na possível falha de supervisão das negociatas daqueles "magnatas". Lamentável. Isto, obviamente, Vitorino não pôde dizer. Mas sublinhou, claro está, que estamos na presença de um caso de polícia que deve ser investigado até às últimas consequências pela Procuradoria Geral da Republica que, segundo Vitorino, tem os meios, necessários e suficientes, para averiguar as ditas "negociatas". No entanto, defendendo a posição tomada pelo Presidente da Republica, acerca do conselheiro de estado ligado ao BPN (e por ele indigitado), lá foi dizendo que, perante as declarações de Dias Loureiro, em entrevista dada à mesma jornalista, onde esta, refira-se, teve um comportamento oposto ao de hoje, e o contraditório que se gerou com António Marta, administrador do BP, se abriu um caso político que a Assembleia da Republica deve investigar até ao fim. Soberbo! Aguardam-se, por isso, os próximos episódios.
Frases retidas (ideia): a forma criativa, imaginativa, inovadora até, que os portugueses, de forma única, são capazes de pôr ao serviço do boato.

17/11/08

PARANÓIA

O braço de ferro que opõe o governo aos professores começa a ter contornos que roçam o absurdo. Entre professores e ministério há um diálogo de surdos que ninguém compreende. Há um desentendimento que é irreversível. Passou-se para lá do admissível. Para citar o Lopes da Silva, salvo o erro, agora só mesmo se houver "porrada". Perante todos os tristes acontecimentos que temos assistido, começamos a desconfiar que a cruzada levada a cabo contra os professores tem razões que a própria razão desconhece. Mas tememos que a razão que esteja por detrás de todo este imbróglio seja até compreensível do ponto de vista da Psicologia. É paranóia. E mais do que atribuir culpas à actual ministra, que sempre teve carta branca e cobertura para tudo o que fez e tem feito, é perceber o papel do principal responsável por isso, ou seja, o do próprio primeiro-ministro. Todas as suas intervenções neste processo, defendendo sistematicamente a ministra, dando-lhe toda a cobertura nos ataques continuados que levou a cabo contra toda a classe dos professores, que pelas suas responsabilidades públicas teria antes o dever de respeitar e proteger, demonstram bem que, no fundo, a actual ministra da educação tem sido a ponta de uma lança que o próprio primeiro-ministro tem usado para vingar possíveis traumas dos seus tempos de escola. Até que ponto toda a polémica gerada em torno dos seus diplomas académicos, não fosse já o pronuncio da actual cruzada? Quantos professores o terão marcado tão negativamente, para que, hoje, todos tenham que pagar por isso? Pior. Para que o país tenha que pagar por isso?

Os professores foram já suficientemente humilhados por este governo. Os professores, perante a soberba, a arrogância, a prepotência e o autoritarismo fascista demonstrado pelos actuais governantes portugueses, nem sequer deveriam admitir qualquer outro cenário para conversações com o Ministério da Educação que não inclua, à cabeça, a demissão de toda a equipa ministerial. Se antes exigiam somente a suspensão do actual vergonhoso modelo de avaliação de desempenho, que todos contestam, imposto pelo ministério à revelia de toda e qualquer opinião, agora, perante a teimosia e a estupidez, tornou-se irreversível a demissão da ministra e da sua equipa. Não há outro caminho. Esta foi também a opinião, inteligentemente expressa, de uma doméstica portuguesa no programa de ontem de manhã na TSF. Nenhuma reforma pode vingar quando é feita, deliberada e ostensivamente, contra as pessoas que nela têm que representar o papel principal, como é o caso dos professores e da actual reforma do ensino. Se ninguém duvida que era urgente uma reforma no ensino, começando pelos próprios professores, ninguém contesta que o seu objectivo principal deveria ser a melhoria e a qualidade do sistema de ensino público português. Mas não é nada disso. A actual reforma, que começou com uma campanha de intoxicação da opinião pública, ao melhor estilo de propaganda nazi, que de forma imperdoável pôs em causa a dignidade de toda uma classe profissional, mais não visa do que fins economicistas e estatísticas bonitas para inglês ver.
Não são só os professores que contestam esta reforma, pois a esmagadora maioria do povo português apoia os professores. Não admira, pois é a classe profissional em quem o povo mais acredita. O governo e o PS estão isolados nesta matéria. Mas somente a cúpula do PS, porque as bases não se revêem nesta política neoliberal de cariz fascista. Eu não me revejo. Repudio-a e sinto-me traído. Mas, sem vergonha, ainda se acham defensores da democracia? Qual democracia? É que o líder parlamentar do PS, armado em paladino da democracia, veio a terreiro criticar, veementemente, as palavras da líder do PSD que, após o jantar-debate de ontem, falando da prepotência de quem governa sobre a imposição de reformas a classes profissionais que são previamente hostilizadas, disse que isso (essa hostilização e imposição do quero posso e mando) só seria possível se a democracia fosse interrompida por um determinado prazo. É certo que das suas palavras ressalta um brilhozinho de anuência, que criticamos. Mas no essencial, MFL, fez-nos lembrar Platão. O que não compreendemos, de todo, é a reacção hipócrita do paladino socialista. Mas afinal que outra coisa tem feito o governo que o dito apoia, senão hostilizar classes profissionais e impor reformas que vão contra as pessoas? Isto é governar, ostensivamente, de forma anti-democrática e não vemos o paladino dizer uma única palavra sobre o assunto. Mais valia meter o rabinho entre as pernas e calar-se bem caladinho. Esqueceu-se dos seus tempos de estudante em Coimbra? Por duas vezes num ano a quase totalidade dos professores portugueses, vindos de todo o país, juntaram-se nas ruas da capital para mostrarem a sua indignação (mais do que justificada). Das duas vezes, a quase totalidade dos professores, mais de 100.000 professores que marcharam sobre Lisboa e todos os outros que não puderam ir, não teriam o direito, em qualquer país dito democrático, de serem ouvidos? Qual democracia, qual carapuça! Paranóia!