Razao

ESTE BLOGUE COMBATE TUDO O QUE POSSA POR EM CAUSA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A SUA LIBERDADE. É, POR ISSO, ANTICAPITALISTA E ANTICOMUNISTA.

29/11/08

Leave the Teachers Alone...

Hey you!

Leave the teachers alone!...

Because you need education... and kids arent' bricks in your wall!




24/11/08

Notas Soltas e Apreendidas!

No meu "post" Notas Presas e Combustíveis!, critiquei António Vitorino e seu programa Notas Soltas, pois na altura achei terem ali sido defendidas, acerca da crise dos combustíveis, ideias erradas. O tempo, aliás, deu-me razão. Hoje, pelo contrário, venho dar-lhe os parabéns pela clarividência política dos seus pontos de vista e pela sua notável eloquência. Infelizmente, há muito arredada do discurso político em Portugal. A entrevista foi conduzida por José Alberto Carvalho, em substituição de Judite de Sousa que tinha entrevistado, momentos antes, Vítor Constâncio, Presidente do Banco de Portugal (BP). A sua primeira intervenção foi, como não podia ter deixado de ser, sobre a dita entrevista. Nesta, como Vitorino bem comentou, Vítor Constâncio clarificou toda a polémica em torno da supervisão do Banco Português de Negócios (BPN) - e que negócios! -, defendendo de forma magistral o papel do Banco de Portugal neste processo, perante a porta-voz, Judite de Sousa, de uma corrente de opinião política que bem conhecemos. É certo que Vitorino está politicamente próximo de Constâncio. Mas a diferença entre o comentador e a jornalista resume-se a uma palavra: bom-senso. Perante a teimosia insistente da jornalista em querer, à viva força, encontrar responsabilidades do BP neste processo, parecendo até que foram o BP e o seu Presidente os principais responsáveis pelo que se passou no BPN, Vítor Constâncio explicou, claramente, que, perante a fraude e a ocultação da mesma, não foi possível ao BP ter descoberto a marosca e a trafulhice, levada a cabo pela chefia do banco, em tempo útil. Aos meus olhos, como aos de Vitorino, como aos de qualquer pessoa inteligente e de boa-fé, as explicações do presidente do BP foram claras como a água. Curiosamente, ou não, toda a chefia do BPN é próxima do partido da referida jornalista. Por isso a tentativa de desviar as atenções do essencial, a fraude, a burla cometida por ex-governantes do PSD, todos eles pertencentes à administração do banco dos "negócios", do supérfluo, a responsabilidade do BP e do seu presidente na possível falha de supervisão das negociatas daqueles "magnatas". Lamentável. Isto, obviamente, Vitorino não pôde dizer. Mas sublinhou, claro está, que estamos na presença de um caso de polícia que deve ser investigado até às últimas consequências pela Procuradoria Geral da Republica que, segundo Vitorino, tem os meios, necessários e suficientes, para averiguar as ditas "negociatas". No entanto, defendendo a posição tomada pelo Presidente da Republica, acerca do conselheiro de estado ligado ao BPN (e por ele indigitado), lá foi dizendo que, perante as declarações de Dias Loureiro, em entrevista dada à mesma jornalista, onde esta, refira-se, teve um comportamento oposto ao de hoje, e o contraditório que se gerou com António Marta, administrador do BP, se abriu um caso político que a Assembleia da Republica deve investigar até ao fim. Soberbo! Aguardam-se, por isso, os próximos episódios.
Frases retidas (ideia): a forma criativa, imaginativa, inovadora até, que os portugueses, de forma única, são capazes de pôr ao serviço do boato.

17/11/08

PARANÓIA

O braço de ferro que opõe o governo aos professores começa a ter contornos que roçam o absurdo. Entre professores e ministério há um diálogo de surdos que ninguém compreende. Há um desentendimento que é irreversível. Passou-se para lá do admissível. Para citar o Lopes da Silva, salvo o erro, agora só mesmo se houver "porrada". Perante todos os tristes acontecimentos que temos assistido, começamos a desconfiar que a cruzada levada a cabo contra os professores tem razões que a própria razão desconhece. Mas tememos que a razão que esteja por detrás de todo este imbróglio seja até compreensível do ponto de vista da Psicologia. É paranóia. E mais do que atribuir culpas à actual ministra, que sempre teve carta branca e cobertura para tudo o que fez e tem feito, é perceber o papel do principal responsável por isso, ou seja, o do próprio primeiro-ministro. Todas as suas intervenções neste processo, defendendo sistematicamente a ministra, dando-lhe toda a cobertura nos ataques continuados que levou a cabo contra toda a classe dos professores, que pelas suas responsabilidades públicas teria antes o dever de respeitar e proteger, demonstram bem que, no fundo, a actual ministra da educação tem sido a ponta de uma lança que o próprio primeiro-ministro tem usado para vingar possíveis traumas dos seus tempos de escola. Até que ponto toda a polémica gerada em torno dos seus diplomas académicos, não fosse já o pronuncio da actual cruzada? Quantos professores o terão marcado tão negativamente, para que, hoje, todos tenham que pagar por isso? Pior. Para que o país tenha que pagar por isso?

Os professores foram já suficientemente humilhados por este governo. Os professores, perante a soberba, a arrogância, a prepotência e o autoritarismo fascista demonstrado pelos actuais governantes portugueses, nem sequer deveriam admitir qualquer outro cenário para conversações com o Ministério da Educação que não inclua, à cabeça, a demissão de toda a equipa ministerial. Se antes exigiam somente a suspensão do actual vergonhoso modelo de avaliação de desempenho, que todos contestam, imposto pelo ministério à revelia de toda e qualquer opinião, agora, perante a teimosia e a estupidez, tornou-se irreversível a demissão da ministra e da sua equipa. Não há outro caminho. Esta foi também a opinião, inteligentemente expressa, de uma doméstica portuguesa no programa de ontem de manhã na TSF. Nenhuma reforma pode vingar quando é feita, deliberada e ostensivamente, contra as pessoas que nela têm que representar o papel principal, como é o caso dos professores e da actual reforma do ensino. Se ninguém duvida que era urgente uma reforma no ensino, começando pelos próprios professores, ninguém contesta que o seu objectivo principal deveria ser a melhoria e a qualidade do sistema de ensino público português. Mas não é nada disso. A actual reforma, que começou com uma campanha de intoxicação da opinião pública, ao melhor estilo de propaganda nazi, que de forma imperdoável pôs em causa a dignidade de toda uma classe profissional, mais não visa do que fins economicistas e estatísticas bonitas para inglês ver.
Não são só os professores que contestam esta reforma, pois a esmagadora maioria do povo português apoia os professores. Não admira, pois é a classe profissional em quem o povo mais acredita. O governo e o PS estão isolados nesta matéria. Mas somente a cúpula do PS, porque as bases não se revêem nesta política neoliberal de cariz fascista. Eu não me revejo. Repudio-a e sinto-me traído. Mas, sem vergonha, ainda se acham defensores da democracia? Qual democracia? É que o líder parlamentar do PS, armado em paladino da democracia, veio a terreiro criticar, veementemente, as palavras da líder do PSD que, após o jantar-debate de ontem, falando da prepotência de quem governa sobre a imposição de reformas a classes profissionais que são previamente hostilizadas, disse que isso (essa hostilização e imposição do quero posso e mando) só seria possível se a democracia fosse interrompida por um determinado prazo. É certo que das suas palavras ressalta um brilhozinho de anuência, que criticamos. Mas no essencial, MFL, fez-nos lembrar Platão. O que não compreendemos, de todo, é a reacção hipócrita do paladino socialista. Mas afinal que outra coisa tem feito o governo que o dito apoia, senão hostilizar classes profissionais e impor reformas que vão contra as pessoas? Isto é governar, ostensivamente, de forma anti-democrática e não vemos o paladino dizer uma única palavra sobre o assunto. Mais valia meter o rabinho entre as pernas e calar-se bem caladinho. Esqueceu-se dos seus tempos de estudante em Coimbra? Por duas vezes num ano a quase totalidade dos professores portugueses, vindos de todo o país, juntaram-se nas ruas da capital para mostrarem a sua indignação (mais do que justificada). Das duas vezes, a quase totalidade dos professores, mais de 100.000 professores que marcharam sobre Lisboa e todos os outros que não puderam ir, não teriam o direito, em qualquer país dito democrático, de serem ouvidos? Qual democracia, qual carapuça! Paranóia!

10/11/08

O Verdadeiro Troglodita!

Eis o verdadeiro troglodita em pessoa. Além de troglodita, é estúpido. Mas não é de estupidez simples. Alia o melhor de três mundos. É um verdadeiro troglodita de estupidez mesquinha. Este pitecantropos demencis, foi o mesmo que tentou branquear o regime salazarista quando, nos tempos áureos do cavaquismo, mandava na SIC. É por causa deste "rebanho" de trogloditas do Restelo que, pastando por aí, têm tido acesso aos corredores do poder, antes e depois do 25 de Abril, que Portugal não passa da cepa torta. Triste sina a nossa que temos que "ouvir" os seus mééés estridentes. Ainda se fossem iguais aos dos chibos, agora assim... é insuportável!

09/11/08

O Ser Professor e a Crise Actual...

Eles não podem estar enganados. Nós não estamos enganados. Afinal, largando os seus lares, idos de todo o país, concentraram-se nas avenidas da capital. Não foram mil nem dois mil, foram mais de cem mil, a quase totalidade dos professores portugueses, que, revoltados, depois de indignados, marcharam em Lisboa exigindo o fim de uma política de educação ignóbil, hipócrita, onde o que efectivamente conta é a preocupação economicista. Foi uma massa humana imensa que gritou em uníssono: BASTA! Mas arrogantes e prepotentes, no melhor estilo autoritário e fascista, como se constatou com as visitas da PSP às escolas aquando da primeira manifestação, em Março deste ano, fazendo tábua rasa da opinião da maioria esmagadora dos professores, ministra e governo continuam intransigentes e autistas. Democracia? Faço votos para que a democracia se faça. Que os professores não esmoreçam e levem a sua luta justa até ao fim. À greve por tempo ilimitado, se tiver que ser, na defesa da razão que lhes assiste. Neles se começa a vislumbrar o papel que os operários tiveram no início do século passado, na defesa da dignidade de quem trabalha. É também a incompetência que tem que ser banida da governação de Portugal. Realmente, se dignidade existisse na política, a actual Ministra da Educação só teria uma saída. A demissão. Mas como quem está por detrás desta reforma maquiavélica, protegendo sistematicamente a ministra, é com certeza o próprio primeiro-ministro, também a demissão lhe deveria ser extensível. Ambos enveredaram por uma cruzada e perseguição aos professores que só conseguimos explicar recorrendo à Psicologia. O problema, e que é um enorme problema, de facto, é que nos dias que correm, dignidade é valor que não conta. É até valor a combater. Daí a revolta dos professores, a revolta daqueles a quem a sociedade incumbe de transmitir conhecimento às gerações do futuro, que lutam, precisamente, pela dignidade que lhes roubaram. Está tudo interligado. Hoje, não presta quem conhecimento tem. Presta, isso sim, quem só dinheiro tem! Mas afinal que sociedade é esta? Em que sociedade vivemos nós? Estaremos nós a entrar numa nova idade das trevas? Numa espécie de idade média pós-moderna? Será que só evoluímos se tivermos que retroceder socialmente, para que através de revoluções cíclicas reconquistarmos os valores que se perdem sistematicamente pelo caminho? Serão assim os valores da justiça, da igualdade, da liberdade, da solidariedade, tão voláteis, que uma vez conquistados, logo tendem a ser perdidos? É a dialéctica a dizer presente? Como o professor Ilídio Sardoeira bem lembrou, há muitos anos, num magnífico discurso na Assembleia da Republica, e que os actuais responsáveis políticos não percebem, nem querem perceber: a escola é o espelho da sociedade; esta não transforma aquela, reprodu-la.

Assistindo ao falhanço dos nossos políticos em promover sociedades mais justas e solidárias, os professores tornaram-se assim no bode expiatório de uma sociedade doente. Se tivermos em conta o que, verdadeiramente, se passa nas nossas escolas e as políticas que se querem impor, facilmente concluiremos que os professores são, ao contrário, autênticos heróis. O que está em causa no grito dos professores é toda a injustiça de que têm sido vítimas. Mais do que combaterem um processo de avaliação de desempenho vergonhoso, que os inunda com papelada burocrática sem-fim, afastando-os, por esse meio, daquilo que verdadeiramente gostam de fazer, e que todos queremos que eles cumpram escrupulosamente, ou seja, o preparar e dar aulas, é toda a injustiça que lhes foi criada na progressão das carreiras. Isto sem falar que muitos deles viram anos de serviço serem-lhes, literalmente, roubados para esse efeito. Pior. Racharam ao meio a carreira, dividindo-os em professores de primeira e de segunda, sem se saber em qual das duas se incluem, efectivamente, os melhores. Porque, efectivamente, um professor que prossiga os seus estudos, concluindo um mestrado ou um doutoramento, em termos de carreira, em praticamente nada é beneficiado. Como pode ser isto possível? Alguém pode assim compreender esta confusão? Mas ainda pior. Atiram-se uns contra os outros, impondo-se-lhes cotas ridículas para a progressão, premiando-se o seguidista politiqueiro em detrimento do mestre-escola. Uma verdadeira pouca vergonha que, mais do que a demissão imediata, deveria punir com cadeia os mentores de tal afronta. Foram rios de dinheiro desbaratados em anos de uma política saloia e estúpida que todos estamos e vamos pagar. Porque não se avalia, em primeiro lugar, a competência, ou melhor, a incompetência desses responsáveis? Afinal, de educação já eles demonstraram à saciedade que não percebem absolutamente nada. Não percebem que a excelência no ser professor se conquista por via de lições magistrais proferidas, no fazer "escola", no transmitir o saber pensar e o saber fazer. Isto exige da parte dos docentes horas e horas de trabalho de casa, de campo, ou qualquer outro lugar onde, em harmonia, o docente possa verdadeiramente estudar, concentrar-se e meditar na melhor forma de transmitir o conhecimento na aula seguinte. Será que eles percebem o que eu digo? Julgo que não!

As maiores realizações da inteligência humana foram sempre conseguidas quando o homem conquistou o direito ao livre pensar. Também não foi à toa que Bernardino Machado escreveu: na Universidade deve aprender-se de tudo, sobretudo a liberdade. O desenvolvimento da Filosofia na Grécia antiga, e o conhecimento que o Homem adquiriu naqueles tempos magníficos, sem paralelo na sua História, dos pré-socráticos das diferentes Escolas, de Tales a Pitágoras, passando por Demócrito, o atomista, a Sócrates e a Platão, na sua Academia, que tudo questionavam, passando pelos sofistas, até ao advento da própria Ciência com Aristóteles e à escola peripatética que se lhe seguiu, só foi possível pela verdadeira liberdade que a sociedade grega concedeu ao espírito humano. E não nos referimos à liberdade do voto da democracia balofa da nossa civilização actual, que se esgota na urna. Por muito menos combateu Platão a democracia grega. Com muitos defeitos, os gregos inventaram uma democracia que jamais o homem pôde tornar a reviver. Infelizmente. A sociedade actual, acorrentando o homem numa amálgama de valores ocos, absurdos até, do consumismo pornográfico ao egoísmo hediondo, obrigando-o a sobreviver numa selva de betão armado, alimenta-se da sua própria alma. Somente neste contexto se compreende que surjam governantes obtusos e arrogantes, quais populistas medíocres, que negam os ensinamentos dos gregos, espezinhando-os e trucidando-os, para júbilo da populaça inculta, que das bancadas assiste impávida à chacina da educação na arena da hipocrisia. A profissão maior da Grécia antiga, a do mestre transmissor de conhecimento, tem sido transformada, lentamente, pela nossa actual "democracia", numa não profissão, em qualquer coisa indigna, da qual todos querem fugir. A dignidade de outros tempos, inclusive aquela que gozou no tempo do Estado Novo, num regime que pugnou pela educação das elites e pelo analfabetismo do povo, tem sido, literalmente, consumida e, pior, ridicularizada aos olhos de todos. A nossa actual democracia, adulterada com os valores da actual sociedade globalizada, presta vassalagem ao superficial, ao facilitismo e à estupidez. Outrora, Diógenes, o cínico, caminhava à luz do dia de candeia acesa pelo meio da multidão, procurando incansavelmente um "homem verdadeiramente virtuoso". Hoje, muitos séculos volvidos, nem Diógenes poderiam sequer existir. Não há nem deixam que haja sabedoria para tal.
Termino fazendo votos para que os professores levem até às últimas consequências a sua justa luta. Porque o que verdadeiramente está em jogo é o futuro de Portugal.

17/10/08

O Círculo do Quadrado

Preâmbulo: Apesar de atrasado, porque não tenho podido prestar a atenção devida ao blogue, não poderia deixar de comentar um dos últimos programas da Quadratura do Círculo. Aqui fica a minha opinião. Com todas as letras e desenhos.

O Círculo do Quadrado. Cartoon retirado daqui

ÀS VEZES ESPANTO-ME, OUTRAS ENVERGONHO-ME ...

Não menosprezando o entretenimento que o programa nos proporciona, pois que a falta de alternativas nos leva muitas vezes a sintonizar o tal programa (na falta do tal canal), não podemos deixar de ficar incrédulos com as alarvidades que ali, às vezes, são ditas. A propósito do mal-entendido gerado em torno de um painel de azulejos de Maria Keil, aproveitado por alguém do círculo para criticar a informação que circula na blogosfera, a sumidade, do alto da sua arrogância intelectual e com uma sobranceria sem sem-fim, teceu um conjunto de ideias ridículas, típicas de quem usa palas nos olhos, como os asnos de antanho. Comentando a propósito do conteúdo da blogosfera, dizia que 99% dos blogues são puro lixo, escritos por “amadores” sem formação (ai meu Deus!), iletrados segundo o douto (cruzes canhoto!), que ali expressam as suas opiniões sem nexo, ou melhor, descarregam os seus desabafos, dizendo mal de tudo e de todos (ai credo!), porque a vida não lhes corre bem, por frustrações de todos os níveis ou outros males mentais mais graves (que horror!). Fazem-no, segundo a sumidade, a coberto de algum anonimato. JPP? Sobram 1% de blogues, de excelência, de inovação comunicacional (inovação e mais inovação… já não há mais pachorra!), que fazem toda a diferença e, por ela, e só por ela, não vê a sumidade razão suficiente para se censurar a blogosfera, lá deixando escapar, no entanto, que o Parlamento Europeu tratará desse assunto muito em breve. Nem mortos o consentiremos, Excelência! Mas deduz-se, obviamente, que o altaneiro e abrupto deverá pertencer aos tais 1%. Confesso, como leitor da blogosfera que não tenho muito tempo para ler o blogue de Sua Eminência, pois o tempo é escasso e não há pachorra que resista a tanto “early morning blogs”.

Mas Aceito. Enfio a carapuça. Serve-me na perfeição. Afinal, por aqui ando sob as siglas JP que significam João Paulo, o meu nome. Há muito que sou conhecido por JP pelos meus amigos de infância. Mas antes JP que JPP. Aqui escrevo como um perfeito amador, sem dúvida, e Graças a Deus. Iletrado por não ler o que Sua Excelência escreve, confesso. Analfabeto da corrupção que grassa na classe política, com certeza. Sou doido, mas não sou maluco. Em suma, enquadro-me, com muita honra, nos tais 99% que o Magnífico gostaria de amordaçar. Mas escrevo e escreverei até que a garganta me doa. Fá-lo-ei sempre, mesmo que ninguém me leia e Sua Eminência me queira calar. Descendo de gente que comeu o pão que o diabo amaçou, na defesa dos valores da liberdade, da democracia e da cultura portuguesa. Antes e depois. Sou descendente de gente que sempre defendeu os mesmos valores políticos. Não somos vira-casacas, nem lambe botas. A nós, não dá Vossa Senhoria, nenhuma lição. Não tenho nada, mas mesmo nada, a aprender com Sua Eminência. Aliás, para além da Filosofia, sou fã das Ciências exactas e adoro Cosmologia, áreas em que, com certeza, Sua Excelência é tão analfabeto, como eu sou das trafulhices dos bastidores da política portuguesa, uma área que Sua Excelência domina e é Mestre. Com o maior cinismo do mundo: os meus sinceros parabéns. Ah, Diógenes, Diógenes, bem podes continuar de candeia acesa... procurando, procurando...
Esperando que a Excelência caia da cadeira, sou, com estima e consideração, alguém que detesta hipócritas e personagens de 1984.

30/09/08

DESMITOS: BAILOUT E IDEOLOGIA

Álvaro Santos Pereira, como excelente economista que é, tem-nos dado excelentes opiniões no seu blogue DESMITOS. Apesar de, no seu último post "BailOut e Ideologia" vaticinar que a crise financeira estaria sanada, o que não se verificou, dado que o Congresso Americano afinal acabou por não aprovar o plano de resgate das instituições financeiras americanas, como inicialmente estava previsto, Álvaro Santos Pereira fala da sua preocupação sobre o inivitável futuro proteccionismo dos mercados, dizendo:
Comentava o leitor António:
Na verdade não há qualquer verdade a crise financeira é apenas uma ilusão. O que há é uma terrivel crise económica. Qualquer de nós quando faz um negócio procura fazê-lo maximizando a sua margem e reduzindo o seu risco. Estes são os negócios ideais que todos nõs queremos fazer. E os bancos também.O pior é que quando há poucas oportunidades de fazer bons negócios têm de se fazer negócios menos bons. E quanto menor é a oportunidade de fazer bons negócios maior é o risco para se fazer qualquer negócio.Subprime é isso mesmo. Subprime é uma economia em marasmo e com falsos indicadores de crescimento e em que só se conseguem apresentar resultados quebrando regras básicas.O subprime não é uma causa mas sim o efeito da crise económica existente no ocidente já há muito tempo mas que esteve disfarçada precisamente à custa do subprime. Resolva-me a enormissima crise económica em que estamos metidos e eu garanto-lhe que três dias depois Wall Street está em grande..."
Ao que devo acrescentar agora. O problema e o cerne da crise, em meu entender, é precisamente a falta de protecção dos mercados, por culpa da actual política ocidental, dando-se largas ao capitalismo selvagem e a conceitos como "subprimes" e, pior, possibilitando o livre comércio entre países com realidades completamente distintas. Como pode a Europa ter as fronteiras abertas aos produtos chineses, quando os factores de produção nas duas economias não podem sequer ser comparados? Como podem as pequenas e médias empresas europeias competir neste mercado injusto? E qual a sua razão de ser? A quem interessa? Assim, a crise financeira americana não é mais do que a ponta do iceberg...

26/09/08

Frase do dia (2)

Perante a catástrofe iminente... com total desfaçatez ...
Privatizam-se os lucros e socializam-se os prejuízos ...
(a propósito da nacionalização da AIG pelo governo hipócrita de Bush)

Mário Soares, "Crise Sistémica?", in DN 23/09/2008.

Que grande texto de Mário Soares. Li-o após ter escrito o meu, mas sempre me revi nas suas ideias. Por isso sempre o apoiei. Só lamento que, enquanto governante, as tenha deixado, tantas e tantas vezes, na gaveta. O que escreve, hoje, está muito longe da sua actuação enquanto governante no passado. Poderia ter feito bem mais pelos ideais que diz defender, evitando o beco em que meteram o socialismo democrático, ou a social democracia, em Portugal, e na Europa que tanto defendemos. Não esquecemos também o PSD português e os seus dirigentes que, desde sempre, paradoxalmente, dizendo-se da social-democracia, que nunca defenderam e sempre combateram, nos impingiram o neoliberalismo que sempre repugnámos. Pior mesmo, a roçar a traição, só mesmo as atitudes seguidistas do actual PS português.