Socorro, estou a ser governado por...
19/11/08
17/11/08
PARANÓIA
O braço de ferro que opõe o governo aos professores começa a ter contornos que roçam o absurdo. Entre professores e ministério há um diálogo de surdos que ninguém compreende. Há um desentendimento que é irreversível. Passou-se para lá do admissível. Para citar o Lopes da Silva, salvo o erro, agora só mesmo se houver "porrada". Perante todos os tristes acontecimentos que temos assistido, começamos a desconfiar que a cruzada levada a cabo contra os professores tem razões que a própria razão desconhece. Mas tememos que a razão que esteja por detrás de todo este imbróglio seja até compreensível do ponto de vista da Psicologia. É paranóia. E mais do que atribuir culpas à actual ministra, que sempre teve carta branca e cobertura para tudo o que fez e tem feito, é perceber o papel do principal responsável por isso, ou seja, o do próprio primeiro-ministro. Todas as suas intervenções neste processo, defendendo sistematicamente a ministra, dando-lhe toda a cobertura nos ataques continuados que levou a cabo contra toda a classe dos professores, que pelas suas responsabilidades públicas teria antes o dever de respeitar e proteger, demonstram bem que, no fundo, a actual ministra da educação tem sido a ponta de uma lança que o próprio primeiro-ministro tem usado para vingar possíveis traumas dos seus tempos de escola. Até que ponto toda a polémica gerada em torno dos seus diplomas académicos, não fosse já o pronuncio da actual cruzada? Quantos professores o terão marcado tão negativamente, para que, hoje, todos tenham que pagar por isso? Pior. Para que o país tenha que pagar por isso?
Os professores foram já suficientemente humilhados por este governo. Os professores, perante a soberba, a arrogância, a prepotência e o autoritarismo fascista demonstrado pelos actuais governantes portugueses, nem sequer deveriam admitir qualquer outro cenário para conversações com o Ministério da Educação que não inclua, à cabeça, a demissão de toda a equipa ministerial. Se antes exigiam somente a suspensão do actual vergonhoso modelo de avaliação de desempenho, que todos contestam, imposto pelo ministério à revelia de toda e qualquer opinião, agora, perante a teimosia e a estupidez, tornou-se irreversível a demissão da ministra e da sua equipa. Não há outro caminho. Esta foi também a opinião, inteligentemente expressa, de uma doméstica portuguesa no programa de ontem de manhã na TSF. Nenhuma reforma pode vingar quando é feita, deliberada e ostensivamente, contra as pessoas que nela têm que representar o papel principal, como é o caso dos professores e da actual reforma do ensino. Se ninguém duvida que era urgente uma reforma no ensino, começando pelos próprios professores, ninguém contesta que o seu objectivo principal deveria ser a melhoria e a qualidade do sistema de ensino público português. Mas não é nada disso. A actual reforma, que começou com uma campanha de intoxicação da opinião pública, ao melhor estilo de propaganda nazi, que de forma imperdoável pôs em causa a dignidade de toda uma classe profissional, mais não visa do que fins economicistas e estatísticas bonitas para inglês ver.
Não são só os professores que contestam esta reforma, pois a esmagadora maioria do povo português apoia os professores. Não admira, pois é a classe profissional em quem o povo mais acredita. O governo e o PS estão isolados nesta matéria. Mas somente a cúpula do PS, porque as bases não se revêem nesta política neoliberal de cariz fascista. Eu não me revejo. Repudio-a e sinto-me traído. Mas, sem vergonha, ainda se acham defensores da democracia? Qual democracia? É que o líder parlamentar do PS, armado em paladino da democracia, veio a terreiro criticar, veementemente, as palavras da líder do PSD que, após o jantar-debate de ontem, falando da prepotência de quem governa sobre a imposição de reformas a classes profissionais que são previamente hostilizadas, disse que isso (essa hostilização e imposição do quero posso e mando) só seria possível se a democracia fosse interrompida por um determinado prazo. É certo que das suas palavras ressalta um brilhozinho de anuência, que criticamos. Mas no essencial, MFL, fez-nos lembrar Platão. O que não compreendemos, de todo, é a reacção hipócrita do paladino socialista. Mas afinal que outra coisa tem feito o governo que o dito apoia, senão hostilizar classes profissionais e impor reformas que vão contra as pessoas? Isto é governar, ostensivamente, de forma anti-democrática e não vemos o paladino dizer uma única palavra sobre o assunto. Mais valia meter o rabinho entre as pernas e calar-se bem caladinho. Esqueceu-se dos seus tempos de estudante em Coimbra? Por duas vezes num ano a quase totalidade dos professores portugueses, vindos de todo o país, juntaram-se nas ruas da capital para mostrarem a sua indignação (mais do que justificada). Das duas vezes, a quase totalidade dos professores, mais de 100.000 professores que marcharam sobre Lisboa e todos os outros que não puderam ir, não teriam o direito, em qualquer país dito democrático, de serem ouvidos? Qual democracia, qual carapuça! Paranóia!
11/11/08
10/11/08
O Verdadeiro Troglodita!
Eis o verdadeiro troglodita em pessoa. Além de troglodita, é estúpido. Mas não é de estupidez simples. Alia o melhor de três mundos. É um verdadeiro troglodita de estupidez mesquinha. Este pitecantropos demencis, foi o mesmo que tentou branquear o regime salazarista quando, nos tempos áureos do cavaquismo, mandava na SIC. É por causa deste "rebanho" de trogloditas do Restelo que, pastando por aí, têm tido acesso aos corredores do poder, antes e depois do 25 de Abril, que Portugal não passa da cepa torta. Triste sina a nossa que temos que "ouvir" os seus mééés estridentes. Ainda se fossem iguais aos dos chibos, agora assim... é insuportável!
09/11/08
O Ser Professor e a Crise Actual...
Eles não podem estar enganados. Nós não estamos enganados. Afinal, largando os seus lares, idos de todo o país, concentraram-se nas avenidas da capital. Não foram mil nem dois mil, foram mais de cem mil, a quase totalidade dos professores portugueses, que, revoltados, depois de indignados, marcharam em Lisboa exigindo o fim de uma política de educação ignóbil, hipócrita, onde o que efectivamente conta é a preocupação economicista. Foi uma massa humana imensa que gritou em uníssono: BASTA! Mas arrogantes e prepotentes, no melhor estilo autoritário e fascista, como se constatou com as visitas da PSP às escolas aquando da primeira manifestação, em Março deste ano, fazendo tábua rasa da opinião da maioria esmagadora dos professores, ministra e governo continuam intransigentes e autistas. Democracia? Faço votos para que a democracia se faça. Que os professores não esmoreçam e levem a sua luta justa até ao fim. À greve por tempo ilimitado, se tiver que ser, na defesa da razão que lhes assiste. Neles se começa a vislumbrar o papel que os operários tiveram no início do século passado, na defesa da dignidade de quem trabalha. É também a incompetência que tem que ser banida da governação de Portugal. Realmente, se dignidade existisse na política, a actual Ministra da Educação só teria uma saída. A demissão. Mas como quem está por detrás desta reforma maquiavélica, protegendo sistematicamente a ministra, é com certeza o próprio primeiro-ministro, também a demissão lhe deveria ser extensível. Ambos enveredaram por uma cruzada e perseguição aos professores que só conseguimos explicar recorrendo à Psicologia. O problema, e que é um enorme problema, de facto, é que nos dias que correm, dignidade é valor que não conta. É até valor a combater. Daí a revolta dos professores, a revolta daqueles a quem a sociedade incumbe de transmitir conhecimento às gerações do futuro, que lutam, precisamente, pela dignidade que lhes roubaram. Está tudo interligado. Hoje, não presta quem conhecimento tem. Presta, isso sim, quem só dinheiro tem! Mas afinal que sociedade é esta? Em que sociedade vivemos nós? Estaremos nós a entrar numa nova idade das trevas? Numa espécie de idade média pós-moderna? Será que só evoluímos se tivermos que retroceder socialmente, para que através de revoluções cíclicas reconquistarmos os valores que se perdem sistematicamente pelo caminho? Serão assim os valores da justiça, da igualdade, da liberdade, da solidariedade, tão voláteis, que uma vez conquistados, logo tendem a ser perdidos? É a dialéctica a dizer presente? Como o professor Ilídio Sardoeira bem lembrou, há muitos anos, num magnífico discurso na Assembleia da Republica, e que os actuais responsáveis políticos não percebem, nem querem perceber: a escola é o espelho da sociedade; esta não transforma aquela, reprodu-la.
Assistindo ao falhanço dos nossos políticos em promover sociedades mais justas e solidárias, os professores tornaram-se assim no bode expiatório de uma sociedade doente. Se tivermos em conta o que, verdadeiramente, se passa nas nossas escolas e as políticas que se querem impor, facilmente concluiremos que os professores são, ao contrário, autênticos heróis. O que está em causa no grito dos professores é toda a injustiça de que têm sido vítimas. Mais do que combaterem um processo de avaliação de desempenho vergonhoso, que os inunda com papelada burocrática sem-fim, afastando-os, por esse meio, daquilo que verdadeiramente gostam de fazer, e que todos queremos que eles cumpram escrupulosamente, ou seja, o preparar e dar aulas, é toda a injustiça que lhes foi criada na progressão das carreiras. Isto sem falar que muitos deles viram anos de serviço serem-lhes, literalmente, roubados para esse efeito. Pior. Racharam ao meio a carreira, dividindo-os em professores de primeira e de segunda, sem se saber em qual das duas se incluem, efectivamente, os melhores. Porque, efectivamente, um professor que prossiga os seus estudos, concluindo um mestrado ou um doutoramento, em termos de carreira, em praticamente nada é beneficiado. Como pode ser isto possível? Alguém pode assim compreender esta confusão? Mas ainda pior. Atiram-se uns contra os outros, impondo-se-lhes cotas ridículas para a progressão, premiando-se o seguidista politiqueiro em detrimento do mestre-escola. Uma verdadeira pouca vergonha que, mais do que a demissão imediata, deveria punir com cadeia os mentores de tal afronta. Foram rios de dinheiro desbaratados em anos de uma política saloia e estúpida que todos estamos e vamos pagar. Porque não se avalia, em primeiro lugar, a competência, ou melhor, a incompetência desses responsáveis? Afinal, de educação já eles demonstraram à saciedade que não percebem absolutamente nada. Não percebem que a excelência no ser professor se conquista por via de lições magistrais proferidas, no fazer "escola", no transmitir o saber pensar e o saber fazer. Isto exige da parte dos docentes horas e horas de trabalho de casa, de campo, ou qualquer outro lugar onde, em harmonia, o docente possa verdadeiramente estudar, concentrar-se e meditar na melhor forma de transmitir o conhecimento na aula seguinte. Será que eles percebem o que eu digo? Julgo que não!
As maiores realizações da inteligência humana foram sempre conseguidas quando o homem conquistou o direito ao livre pensar. Também não foi à toa que Bernardino Machado escreveu: na Universidade deve aprender-se de tudo, sobretudo a liberdade. O desenvolvimento da Filosofia na Grécia antiga, e o conhecimento que o Homem adquiriu naqueles tempos magníficos, sem paralelo na sua História, dos pré-socráticos das diferentes Escolas, de Tales a Pitágoras, passando por Demócrito, o atomista, a Sócrates e a Platão, na sua Academia, que tudo questionavam, passando pelos sofistas, até ao advento da própria Ciência com Aristóteles e à escola peripatética que se lhe seguiu, só foi possível pela verdadeira liberdade que a sociedade grega concedeu ao espírito humano. E não nos referimos à liberdade do voto da democracia balofa da nossa civilização actual, que se esgota na urna. Por muito menos combateu Platão a democracia grega. Com muitos defeitos, os gregos inventaram uma democracia que jamais o homem pôde tornar a reviver. Infelizmente. A sociedade actual, acorrentando o homem numa amálgama de valores ocos, absurdos até, do consumismo pornográfico ao egoísmo hediondo, obrigando-o a sobreviver numa selva de betão armado, alimenta-se da sua própria alma. Somente neste contexto se compreende que surjam governantes obtusos e arrogantes, quais populistas medíocres, que negam os ensinamentos dos gregos, espezinhando-os e trucidando-os, para júbilo da populaça inculta, que das bancadas assiste impávida à chacina da educação na arena da hipocrisia. A profissão maior da Grécia antiga, a do mestre transmissor de conhecimento, tem sido transformada, lentamente, pela nossa actual "democracia", numa não profissão, em qualquer coisa indigna, da qual todos querem fugir. A dignidade de outros tempos, inclusive aquela que gozou no tempo do Estado Novo, num regime que pugnou pela educação das elites e pelo analfabetismo do povo, tem sido, literalmente, consumida e, pior, ridicularizada aos olhos de todos. A nossa actual democracia, adulterada com os valores da actual sociedade globalizada, presta vassalagem ao superficial, ao facilitismo e à estupidez. Outrora, Diógenes, o cínico, caminhava à luz do dia de candeia acesa pelo meio da multidão, procurando incansavelmente um "homem verdadeiramente virtuoso". Hoje, muitos séculos volvidos, nem Diógenes poderiam sequer existir. Não há nem deixam que haja sabedoria para tal.
Termino fazendo votos para que os professores levem até às últimas consequências a sua justa luta. Porque o que verdadeiramente está em jogo é o futuro de Portugal.
17/10/08
O Círculo do Quadrado
Preâmbulo: Apesar de atrasado, porque não tenho podido prestar a atenção devida ao blogue, não poderia deixar de comentar um dos últimos programas da Quadratura do Círculo. Aqui fica a minha opinião. Com todas as letras e desenhos.

ÀS VEZES ESPANTO-ME, OUTRAS ENVERGONHO-ME ...
Mas Aceito. Enfio a carapuça. Serve-me na perfeição. Afinal, por aqui ando sob as siglas JP que significam João Paulo, o meu nome. Há muito que sou conhecido por JP pelos meus amigos de infância. Mas antes JP que JPP. Aqui escrevo como um perfeito amador, sem dúvida, e Graças a Deus. Iletrado por não ler o que Sua Excelência escreve, confesso. Analfabeto da corrupção que grassa na classe política, com certeza. Sou doido, mas não sou maluco. Em suma, enquadro-me, com muita honra, nos tais 99% que o Magnífico gostaria de amordaçar. Mas escrevo e escreverei até que a garganta me doa. Fá-lo-ei sempre, mesmo que ninguém me leia e Sua Eminência me queira calar. Descendo de gente que comeu o pão que o diabo amaçou, na defesa dos valores da liberdade, da democracia e da cultura portuguesa. Antes e depois. Sou descendente de gente que sempre defendeu os mesmos valores políticos. Não somos vira-casacas, nem lambe botas. A nós, não dá Vossa Senhoria, nenhuma lição. Não tenho nada, mas mesmo nada, a aprender com Sua Eminência. Aliás, para além da Filosofia, sou fã das Ciências exactas e adoro Cosmologia, áreas em que, com certeza, Sua Excelência é tão analfabeto, como eu sou das trafulhices dos bastidores da política portuguesa, uma área que Sua Excelência domina e é Mestre. Com o maior cinismo do mundo: os meus sinceros parabéns. Ah, Diógenes, Diógenes, bem podes continuar de candeia acesa... procurando, procurando...

O Círculo do Quadrado. Cartoon retirado daqui
ÀS VEZES ESPANTO-ME, OUTRAS ENVERGONHO-ME ...
Não menosprezando o entretenimento que o programa nos proporciona, pois que a falta de alternativas nos leva muitas vezes a sintonizar o tal programa (na falta do tal canal), não podemos deixar de ficar incrédulos com as alarvidades que ali, às vezes, são ditas. A propósito do mal-entendido gerado em torno de um painel de azulejos de Maria Keil, aproveitado por alguém do círculo para criticar a informação que circula na blogosfera, a sumidade, do alto da sua arrogância intelectual e com uma sobranceria sem sem-fim, teceu um conjunto de ideias ridículas, típicas de quem usa palas nos olhos, como os asnos de antanho. Comentando a propósito do conteúdo da blogosfera, dizia que 99% dos blogues são puro lixo, escritos por “amadores” sem formação (ai meu Deus!), iletrados segundo o douto (cruzes canhoto!), que ali expressam as suas opiniões sem nexo, ou melhor, descarregam os seus desabafos, dizendo mal de tudo e de todos (ai credo!), porque a vida não lhes corre bem, por frustrações de todos os níveis ou outros males mentais mais graves (que horror!). Fazem-no, segundo a sumidade, a coberto de algum anonimato. JPP? Sobram 1% de blogues, de excelência, de inovação comunicacional (inovação e mais inovação… já não há mais pachorra!), que fazem toda a diferença e, por ela, e só por ela, não vê a sumidade razão suficiente para se censurar a blogosfera, lá deixando escapar, no entanto, que o Parlamento Europeu tratará desse assunto muito em breve. Nem mortos o consentiremos, Excelência! Mas deduz-se, obviamente, que o altaneiro e abrupto deverá pertencer aos tais 1%. Confesso, como leitor da blogosfera que não tenho muito tempo para ler o blogue de Sua Eminência, pois o tempo é escasso e não há pachorra que resista a tanto “early morning blogs”.
Mas Aceito. Enfio a carapuça. Serve-me na perfeição. Afinal, por aqui ando sob as siglas JP que significam João Paulo, o meu nome. Há muito que sou conhecido por JP pelos meus amigos de infância. Mas antes JP que JPP. Aqui escrevo como um perfeito amador, sem dúvida, e Graças a Deus. Iletrado por não ler o que Sua Excelência escreve, confesso. Analfabeto da corrupção que grassa na classe política, com certeza. Sou doido, mas não sou maluco. Em suma, enquadro-me, com muita honra, nos tais 99% que o Magnífico gostaria de amordaçar. Mas escrevo e escreverei até que a garganta me doa. Fá-lo-ei sempre, mesmo que ninguém me leia e Sua Eminência me queira calar. Descendo de gente que comeu o pão que o diabo amaçou, na defesa dos valores da liberdade, da democracia e da cultura portuguesa. Antes e depois. Sou descendente de gente que sempre defendeu os mesmos valores políticos. Não somos vira-casacas, nem lambe botas. A nós, não dá Vossa Senhoria, nenhuma lição. Não tenho nada, mas mesmo nada, a aprender com Sua Eminência. Aliás, para além da Filosofia, sou fã das Ciências exactas e adoro Cosmologia, áreas em que, com certeza, Sua Excelência é tão analfabeto, como eu sou das trafulhices dos bastidores da política portuguesa, uma área que Sua Excelência domina e é Mestre. Com o maior cinismo do mundo: os meus sinceros parabéns. Ah, Diógenes, Diógenes, bem podes continuar de candeia acesa... procurando, procurando...
Esperando que a Excelência caia da cadeira, sou, com estima e consideração, alguém que detesta hipócritas e personagens de 1984.
30/09/08
DESMITOS: BAILOUT E IDEOLOGIA
Álvaro Santos Pereira, como excelente economista que é, tem-nos dado excelentes opiniões no seu blogue DESMITOS. Apesar de, no seu último post "BailOut e Ideologia" vaticinar que a crise financeira estaria sanada, o que não se verificou, dado que o Congresso Americano afinal acabou por não aprovar o plano de resgate das instituições financeiras americanas, como inicialmente estava previsto, Álvaro Santos Pereira fala da sua preocupação sobre o inivitável futuro proteccionismo dos mercados, dizendo:
Comentava o leitor António:
Ao que devo acrescentar agora. O problema e o cerne da crise, em meu entender, é precisamente a falta de protecção dos mercados, por culpa da actual política ocidental, dando-se largas ao capitalismo selvagem e a conceitos como "subprimes" e, pior, possibilitando o livre comércio entre países com realidades completamente distintas. Como pode a Europa ter as fronteiras abertas aos produtos chineses, quando os factores de produção nas duas economias não podem sequer ser comparados? Como podem as pequenas e médias empresas europeias competir neste mercado injusto? E qual a sua razão de ser? A quem interessa? Assim, a crise financeira americana não é mais do que a ponta do iceberg...
26/09/08
Frase do dia (2)
Perante a catástrofe iminente... com total desfaçatez ...
Mário Soares, "Crise Sistémica?", in DN 23/09/2008.
Privatizam-se os lucros e socializam-se os prejuízos ...
(a propósito da nacionalização da AIG pelo governo hipócrita de Bush)
Mário Soares, "Crise Sistémica?", in DN 23/09/2008.
Que grande texto de Mário Soares. Li-o após ter escrito o meu, mas sempre me revi nas suas ideias. Por isso sempre o apoiei. Só lamento que, enquanto governante, as tenha deixado, tantas e tantas vezes, na gaveta. O que escreve, hoje, está muito longe da sua actuação enquanto governante no passado. Poderia ter feito bem mais pelos ideais que diz defender, evitando o beco em que meteram o socialismo democrático, ou a social democracia, em Portugal, e na Europa que tanto defendemos. Não esquecemos também o PSD português e os seus dirigentes que, desde sempre, paradoxalmente, dizendo-se da social-democracia, que nunca defenderam e sempre combateram, nos impingiram o neoliberalismo que sempre repugnámos. Pior mesmo, a roçar a traição, só mesmo as atitudes seguidistas do actual PS português.
24/09/08
Crise Económica ou Crise Política?
A crise económica actual, provocada pela crise financeira que nasceu a partir do chamado “subprime” nos Estados Unidos da América (EUA), uma espécie de crédito imobiliário de alto risco generalizado que se descontrolou, alimentada igualmente pela crise energética especulativa, é somente um sinal de algo muito mais perturbador e inquietante. O beco sem saída em que caiu a política ocidental, principalmente a europeia. O problema não seria tão grave se a União Europeia (UE) tivesse cumprido o seu papel de regulação dos mercados, na chamada economia global, como lhe competia e como os povos europeus exigiam. No entanto, indo sucessivamente a reboque dos interesses americanos e dos grandes interesses económicos, os seus actuais responsáveis, traindo os valores da social-democracia e da democracia cristã, defendidos pelos homens que a pensaram, subjugaram o poder político ao poder económico. A chamada Europa Social foi sucessivamente adiada, dando o seu lugar à Europa do Capital.
A crise económica actual é a prova que os mercados têm que ser regulados, e intervencionados sempre que for necessário, pois o seu funcionamento não pode ser deixado ao livre arbítrio dos mesmos, ou seja, ao sabor dos caprichos e ganância dos homens. Pior. Da ganância de entidades, de organizações de grupos de homens a quem chamamos de multinacionais. O capitalismo desregulado, na chamada globalização actual, deu origem a instituições supranacionais que estão acima de qualquer política nacional, ou supranacional. Ao poder destas organizações prestam hoje vassalagem todos os governos do mundo, principalmente os dos chamados países NATO. Excepto alguns, poucos, que ousam afrontar os interesses instalados ou a deles beneficiar de forma escandalosa. Como estereótipo do primeiro grupo podemos falar do venezuelano e do segundo do chinês.
Neste panorama, à crise económica que aí está, sucederá uma catástrofe social, e política, que afectará principalmente os estados membros da União Europeia, há muito vendidos aos interesses das multinacionais. A não ser que a UE arrepie caminho rapidamente. Não se percebe como os partidos sociais-democratas europeus, com responsabilidades governativas em tantos estados membros, sendo mesmo o partido socialista maioritário no parlamento europeu, que a política europeia actual alinhe pelo neo-liberalismo vigente, que a pôs à beira do abismo. Nada que já não tivesse acontecido no passado. Engels sempre teve razão e as teorias de Karl Marx sobre o capitalismo, a procura a todo o custo do lucro e das mais-valias, nunca fizeram tanto sentido como no mundo actual. Independentemente do rotundo fracasso das sociedades pseudo-comunistas do antigo império da ex-União Soviética (URSS). Ao comunismo desumano sucedeu o capitalismo selvagem, comandado pelas máfias das armas, da droga, da prostituição e da escravatura humana. Milagre de Fátima? Jamais, à luz dos valores que a Igreja diz defender.
Os actuais políticos europeus, politicamente analfabetos, venderam o bem-estar social da UE à globalização dos interesses das multinacionais ocidentais. Em suma: abertura dos mercados ocidentais a produtos manufacturados por empresas ocidentais com mão-de-obra escrava do oriente. Quem comanda politicamente os destinos da UE (e dos EUA) são os interesses económicos. O pior é que os políticos escrevem-no e dizem-no alto, para quem os queira ler e ouvir. Sem um pingo de vergonha sequer. Infelizmente, com alguns benefícios, é certo, como uma maior disseminação da informação, aproximando os povos e as suas culturas, a chamada globalização não é mais do que uma manobra, sem escrúpulos, das multinacionais para aumentarem os seus astronómicos lucros. Insaciáveis, estes jamais serão suficientes, a não ser que alguém faça frente aos seus interesses. Do que se trata afinal? É muito simples. Em troca do derrube das barreiras alfandegárias aos produtos produzidos nos países do oriente, principalmente na China e na Índia, podem as multinacionais europeias deslocalizarem as suas fábricas para aqueles países, onde pagam salários dez vezes inferiores aos que teriam que pagar nos países europeus de origem. Não bastando o facto de fomentarem directamente o desemprego, acarretam a imoralidade de obrigarem as pequenas e médias empresas a diminuir os salários, os benefícios sociais dos trabalhadores europeus e, em última análise, a falir, aumentando também o desemprego de forma indirecta. Para sobreviverem actualmente, as pequenas e médias empresas ocidentais são obrigadas a ter níveis de inovação absurdos. Tudo o que é de manufactura clássica não pode, sequer, ser produzido na Europa. Os seus custos tornaram-se proibitivos no Ocidente. Como podem as empresas europeias competir com as chinesas ou indianas, que fazem uso de mão-de-obra a roçar a escravidão? E que dizem os políticos europeus? Que é necessário flexibilizar (despedir), que é necessário inovar, que os salários têm que diminuir, que os trabalhadores têm que trabalhar mais e durante mais tempo… Ou seja, para que as multinacionais tenham os seus interesses salvaguardados, tão-só a maximização do seu lucro através do uso de mão-de-obra barata, retiram-se direitos sociais aos europeus, adquiridos durante décadas de lutas sociais árduas, infelizmente esquecidas. Não se exige aos chineses, por exemplo, que imponham lá os direitos sociais daqui como condição primeira para o comércio livre com a UE. Não! Exige-se, isso sim, que se retirem aos europeus os direitos que os chineses não têm e deveriam ter. É esta a filosofia imoral da actual direita europeia, seguida de perto pela esquerda, dita democrática. Se podemos desculpar os primeiros, pois a estupidez e a injustiça está-lhes no sangue, aos segundos teremos que os apelidar de traidores corrompidos. Uma vergonha que urge desmascarar e combater.
É tempo, pois, de deixarmos os preconceitos de lado e votarmos em quem defende o fim desta globalização dos interesses, do lucro pelo lucro, à custa de tudo e de todos. O pior é que ninguém, no espectro político, parece querer mudar, realmente, este estado de coisas. E isso é que é mesmo doloroso. A falta de alternativas políticas viáveis e de partidos políticos onde nos possamos rever. Estamos pois num beco que parece mesmo não ter saída.
A crise económica actual é a prova que os mercados têm que ser regulados, e intervencionados sempre que for necessário, pois o seu funcionamento não pode ser deixado ao livre arbítrio dos mesmos, ou seja, ao sabor dos caprichos e ganância dos homens. Pior. Da ganância de entidades, de organizações de grupos de homens a quem chamamos de multinacionais. O capitalismo desregulado, na chamada globalização actual, deu origem a instituições supranacionais que estão acima de qualquer política nacional, ou supranacional. Ao poder destas organizações prestam hoje vassalagem todos os governos do mundo, principalmente os dos chamados países NATO. Excepto alguns, poucos, que ousam afrontar os interesses instalados ou a deles beneficiar de forma escandalosa. Como estereótipo do primeiro grupo podemos falar do venezuelano e do segundo do chinês.
Neste panorama, à crise económica que aí está, sucederá uma catástrofe social, e política, que afectará principalmente os estados membros da União Europeia, há muito vendidos aos interesses das multinacionais. A não ser que a UE arrepie caminho rapidamente. Não se percebe como os partidos sociais-democratas europeus, com responsabilidades governativas em tantos estados membros, sendo mesmo o partido socialista maioritário no parlamento europeu, que a política europeia actual alinhe pelo neo-liberalismo vigente, que a pôs à beira do abismo. Nada que já não tivesse acontecido no passado. Engels sempre teve razão e as teorias de Karl Marx sobre o capitalismo, a procura a todo o custo do lucro e das mais-valias, nunca fizeram tanto sentido como no mundo actual. Independentemente do rotundo fracasso das sociedades pseudo-comunistas do antigo império da ex-União Soviética (URSS). Ao comunismo desumano sucedeu o capitalismo selvagem, comandado pelas máfias das armas, da droga, da prostituição e da escravatura humana. Milagre de Fátima? Jamais, à luz dos valores que a Igreja diz defender.
Os actuais políticos europeus, politicamente analfabetos, venderam o bem-estar social da UE à globalização dos interesses das multinacionais ocidentais. Em suma: abertura dos mercados ocidentais a produtos manufacturados por empresas ocidentais com mão-de-obra escrava do oriente. Quem comanda politicamente os destinos da UE (e dos EUA) são os interesses económicos. O pior é que os políticos escrevem-no e dizem-no alto, para quem os queira ler e ouvir. Sem um pingo de vergonha sequer. Infelizmente, com alguns benefícios, é certo, como uma maior disseminação da informação, aproximando os povos e as suas culturas, a chamada globalização não é mais do que uma manobra, sem escrúpulos, das multinacionais para aumentarem os seus astronómicos lucros. Insaciáveis, estes jamais serão suficientes, a não ser que alguém faça frente aos seus interesses. Do que se trata afinal? É muito simples. Em troca do derrube das barreiras alfandegárias aos produtos produzidos nos países do oriente, principalmente na China e na Índia, podem as multinacionais europeias deslocalizarem as suas fábricas para aqueles países, onde pagam salários dez vezes inferiores aos que teriam que pagar nos países europeus de origem. Não bastando o facto de fomentarem directamente o desemprego, acarretam a imoralidade de obrigarem as pequenas e médias empresas a diminuir os salários, os benefícios sociais dos trabalhadores europeus e, em última análise, a falir, aumentando também o desemprego de forma indirecta. Para sobreviverem actualmente, as pequenas e médias empresas ocidentais são obrigadas a ter níveis de inovação absurdos. Tudo o que é de manufactura clássica não pode, sequer, ser produzido na Europa. Os seus custos tornaram-se proibitivos no Ocidente. Como podem as empresas europeias competir com as chinesas ou indianas, que fazem uso de mão-de-obra a roçar a escravidão? E que dizem os políticos europeus? Que é necessário flexibilizar (despedir), que é necessário inovar, que os salários têm que diminuir, que os trabalhadores têm que trabalhar mais e durante mais tempo… Ou seja, para que as multinacionais tenham os seus interesses salvaguardados, tão-só a maximização do seu lucro através do uso de mão-de-obra barata, retiram-se direitos sociais aos europeus, adquiridos durante décadas de lutas sociais árduas, infelizmente esquecidas. Não se exige aos chineses, por exemplo, que imponham lá os direitos sociais daqui como condição primeira para o comércio livre com a UE. Não! Exige-se, isso sim, que se retirem aos europeus os direitos que os chineses não têm e deveriam ter. É esta a filosofia imoral da actual direita europeia, seguida de perto pela esquerda, dita democrática. Se podemos desculpar os primeiros, pois a estupidez e a injustiça está-lhes no sangue, aos segundos teremos que os apelidar de traidores corrompidos. Uma vergonha que urge desmascarar e combater.
É tempo, pois, de deixarmos os preconceitos de lado e votarmos em quem defende o fim desta globalização dos interesses, do lucro pelo lucro, à custa de tudo e de todos. O pior é que ninguém, no espectro político, parece querer mudar, realmente, este estado de coisas. E isso é que é mesmo doloroso. A falta de alternativas políticas viáveis e de partidos políticos onde nos possamos rever. Estamos pois num beco que parece mesmo não ter saída.
19/09/08
Carteis e Carteiristas!
Uma imagem que vale por mil palavras. Imagem retirada daqui.Os acontecimentos dos últimos dias deixam-nos perplexos. Deixam-nos até enojados. Mas o vómito já não vem, pois já vomitámos vezes demais…
Penso que não restam dúvidas. Se alguma vez existiram. As petrolíferas que operam em Portugal funcionam em cartel, com a Galp como chefe de orquestra. E não precisamos de nenhuma Alta Autoridade para Coisa Nenhuma, cujos responsáveis deveriam ser julgados e punidos, para percebermos a extensão do polvo. Relembramos que estes senhores foram capazes de aumentar várias vezes, na mesma semana, o preço da gasolina, única e exclusivamente com o argumento que o petróleo (afixado pelo Platts ou o que quiserem) estava igualmente a subir nos mercados internacionais. Acontece que agora os preços do petróleo estão em queda acentuada desde de Julho, quando o preço do barril quase atingiu os 150 dólares. Não se compreende, portanto, tendo este caído quase para metade, que o preço dos combustíveis no retalho praticamente não tenha variado. Alguém entende? E porque são os preços quase os mesmos em todas as gasolineiras? Se o mercado funcionasse, e houvesse livre concorrência, com certeza que teríamos os preços dos combustíveis bem mais baixos. Mas o mercado, em Portugal, funciona para que os vampiros comam tudo e não deixem nada. Livre concorrência num país de monopólios, carteis e carteiristas? E se o Estado não regula, porque não regula, quem fixa os preços são os senhores comilões, cuja avidez pelo lucro não tem limites. Ouço, neste momento, que os alarves estão a lucrar mais UM MILHÃO DE EUROS POR DIA, comparativamente ao passado mês de Abril, quando o preço do petróleo estava ao preço actual. Para estes pançudos engordarem, à grande e à francesa, sacrifica-se a economia. Não podemos esquecer que os preços dos combustíveis foram uma das principais causas para o aumento da inflação no espaço da UE, que por sua vez influenciou as taxas de juro, que asfixiam pessoas e empresas, em suma, a própria economia...
E só mesmo a estupidez dos analistas de direita (vd ex. quadratura do círculo), com o complexo do intervencionismo do Estado (cruzes canhoto, que sacrilégio!), é capaz de nos dizer que isso nunca, MESMO QUE AS PETROLÍFERAS ACTUEM À MARGEM DA LEI. O blá, blá do costume. Relembro que estes senhores, se operassem nos Estados Unidos, estariam na cadeia. Ponto final. Infelizmente não vivemos só num regime capitalista. Vivemos, isso sim, num regime de capitalismo SELVAGEM. E o pior, à boleia desta pouca vergonha, assistimos a um governo frouxo, que se diz socialista (anedota?), que na prática nada faz, a alambazar-se com o dinheirão do ISP. É o chamado chico-espertismo. Mas quem julgam que enganam eles? Que ponham os olhos em Espanha, cujo governo acaba de afirmar que existe margem para que os combustíveis desçam 10 cêntimos/litro, ao mesmo tempo que a gasolineira da A25, junto à fronteira de Vilar Formoso, despede pessoal e fecha portas. Neste momento a gasolina no outro lado da fronteira já SÓ É MAIS BARATA CERCA DE 30 CÊNTIMOS/LITRO. Tenham Vergonha e coragem de fazer alguma coisa contra as sanguessugas que proliferam em Portugal. A bem de Portugal!
Não quero deixar de acrescentar o seguinte. É cada vez mais evidente, se a tudo isto juntarmos a proclamada crise financeira, que só parece existir para alguns, que as políticas neo-liberais, apadrinhadas por socialistas e sociais-democratas, pasme-se, que só servem para encher a barriga a meia dúzia de pançudos, estão a levar a humanidade para um beco sem saída. É tempo de dizer basta e correr com os traidores aos valores do socialismo democrático e da social democracia.
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