Razao

ESTE BLOGUE COMBATE TUDO O QUE POSSA POR EM CAUSA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A SUA LIBERDADE. É, POR ISSO, ANTICAPITALISTA E ANTICOMUNISTA.

18/07/08

Talking Heads

Aqui fica a minha homenagem aos Talking Heads, e ao genial David Byrne, que marcaram a minha adolescência e me continuam a marcar. Byrne que compôs música do filme "O Último Imperador" de Bernardo Bertolucci ficará na história como um dos grandes génios da música do século XX. Não haja dúvida que a boa música perdura, não passa de moda. Agradeço-vos os momentos muito bons que me proporcionaram e proporcionam. Obrigado!
Os dois temas que aqui recordo pertencem ao terceiro álbum da banda, Fear of Music, de 1979, com temas como Mind, Fear of Music, Heaven, Drugs, etc. Primeiro uma excelente performance de David Byrne, na gravação ao vivo de Life During Wartime, depois, claro está, Heaven. Num post posterior voltaremos à carga com o álbum seguinte, de 1980, a obra-prima que é Remain in Light.
Life During Wartime

Heaven

15/07/08

Curiosidades sobre o Nosso Património...

Antiga offset Roland 800 após recuperação. Até na Líbia parece que dão mais valor a estas coisas do que nós em Portugal...
Encontrei por acaso o seguinte texto, que se resume, da autoria de José Ruy. Dadas as vicissitudes e os dias negros por que passa o Museu Nacional da Ciência e da Técnica e, consequentemente, a cultura portuguesa, é muito bom que estes testemunhos aqui fiquem de forma a evitar-se que o nosso vasto e rico património cultural, abandonado e menosprezado, se perca. Não são atoardas. Infelizmente, falamos com conhecimento de causa. E são vários os exemplos que poderíamos dar...
Esta história é sobre uma máquina offset da marca “Roland”, utilizada na impressão de uma curiosíssima antiga publicação portuguesa de BD, «O Mosquito». Continua o Mistério em que o Museu (NACIONAL) da Ciência e da Técnica, em Coimbra, Mantém a Máquina de «O Mosquito» (4)
Por José Ruy
… Na verdade, o modo como a equipa do jornal foi criada pelo Tiotónio e da maneira como funcionava, podemos fazer essa analogia pois, conseguir pôr na rua duas vezes por semana esse conjunto de histórias, era tarefa difícil. De resto a equipa não era grande, mas a sua coesão e capacidade profissional faziam dela uma verdadeira «máquina». O Mosquito que, como todos sabem, foi forçado pelo público leitor a adquirir uma impressora própria para dar resposta ao constante aumento da tiragem, preenchia no seu tempo, tempo de guerra, embora longe do nosso País, o vazio criado pela incerteza e a necessidade de «sonhar». Esse sonho era mantido pelas descrições de viagens no mundo ainda desconhecido, pelos actos heróicos de personagens de ficção inspiradas na realidade desejada, no salto constante para um futuro que ansiávamos fosse de paz. «O Mosquito» mantinha na juventude de todas a idades a chama viva da esperança. E só quem passou por esses tempos conturbados dá valor ao significado de coisas aparentemente tão simples, mas que eram na altura as mais importantes para as crianças que fomos.Ao longo da minha vivência tenho assistido a testemunhos de pessoas que conseguiram guindar-se na vida e que mantiveram viva essa recordação de «O Mosquito» e o que representava. Dou como exemplo o Telmo Protásio que me contava, como em miúdo, pertencendo a uma família com poucos recursos, conseguia, com grandes malabarismos, poupar cinco tostões para comprar o «seu» jornal. Era, dizia ele, a única coisa que conseguia ter como propriedade sua, já que os calções ou os sapatos haviam sido já do irmão mais velho. No seu canto ficava a deliciar-se com as aventuras espectaculares, isolando-se do resto do grupo que pedinchava de longe a partilha desses sonhos.
… Por isso o nosso sonho mantém-se, o de ver exposta na Amadora a «Rolland» Nº de série 7116. Na exposição que esteve patente nas instalações do CNBDI, de 29 de Outubro de 2006 a 1 de Junho de 2007, com o título «O Mosquito», Uma Máquina de Histórias, esteve uma reprodução quase em tamanho natural, dessa «Rolland» Offset. O espaço destinado a estar ocupado pela peça verdadeira, ficou vazio. Foi pena que o Senhor Professor Doutor Paulo Gama Mota não tivesse aceite o convite enviado pela organização do evento para visitar a exposição, pois se tivesse estado presente sentiria o que por sua culpa não foi possível realizar. Mas a esperança não morre. Pode ser que em breve o Senhor Director do Museu da Ciência e da Técnica tenha um rebate de consciência, um sonho fora de horas e acorde de manhã decidido a escrever-nos para franquear as portas do armazém do Carquejo.
A propósito de sonhos, vou transcrever o que publiquei no catálogo dessa exposição:
«Sonhei com um pesadelo. Conseguira entrar, talvez por artes de magia, no «Armazém do Carquejo» e secretamente abeirar-me da pobre «Rolland», desmantelada, vítima de brutal violação. Pelo corpo dos seus rolamentos e cilindros, grassavam chagas de ferrugem. Ao reconhecer-me sussurrou numa voz fraca, nada parecida com a que entoava a melodiosa canção, no multiplicar dos seus filhotes, os jornais, as revistas, os cartazes e bilhetes para touradas, as gravuras artísticas, os desenhos e as histórias, agora num lamento doloroso. Queixou-se-me dos maus-tratos sofridos, do impedimento de estar, como merecia, conservada e exposta num Museu. Acusou o responsável que a havia recebido para ser colocada no Museu da Ciência e da Técnica, como peça única que é, de em vez disso, a ter violentado abandonando-a num bafiento armazém, a morrer aos poucos, a encoberto dos olhos dos seus admiradores. Disse mais, a máquina, que o seu sequestrador tentava impedir a todo o custo que vissem o estado a que a deixara chegar, para assim encobrir a sua responsabilidade na acção de lesa memória colectiva, de lesa espólio cultural e de lesa património nacional. Despertei sedento de justiça, e acompanhado por todos os que comigo partilham este pesadelo, unidos numa corrente de solidariedade, desenvolveremos uma cruzada, mesmo que utópica».

Esperemos sinceramente que não. Para começar há uma petição para assinar

Must Darfur Wait Another Year?

Dear Joao,
Must Darfur wait another year?
One year after UNAMID peacekeepers were authorized, they still don't have the tools to do the job.
Urge the permanent five members of the U.N. Security Council to stop dragging their feet.
On July 31, 2007, the U.N. Security Council authorized 19,000 additional peacekeepers to help stop the violence in Darfur.
One year later, barely 2,000 have arrived, and those who are in Darfur lack the equipment they need to protect themselves, let alone Darfuri civilians. Just yesterday, at least seven peacekeepers were killed in Darfur in an attack most likely orchestrated by the government of Sudan.
Peacekeepers are risking their lives to fulfill the Security Council's promise to protect the people of Darfur. But the Security Council hasn't even given the peacekeepers the resources to protect themselves.
We cannot let another year pass with little more than words from our leaders.
Join our international campaign to deliver 50,000 petitions to the permanent members of the U.N. Security Council on July 31, 2008. Click here to urge them to take action today.
A Security Council resolution is useless without concrete action from the U.N. and the nations that lead it. It is outrageous that the five permanent members of the U.N. Security Council—China, Russia, France, the U.K., and the U.S.—cannot produce a few hundred trucks, or even just 24 helicopters, to end the brutal genocide.
This is a failure of will, plain and simple. The world promised Darfur protection but has failed to deliver it.
Since January alone, 190,000 Darfuris have been displaced and driven from their homes. How many more deaths and displaced people will it take before the world community provides real security?
Tell the five permanent members of the U.N. Security Council to stop dragging their feet and act immediately to fully and effectively deploy peacekeepers in Darfur.
Let's stand together on July 31—the one-year anniversary of the authorization of peacekeepers—to tell world leaders: No more false promises. No more delays. No more unfulfilled mandates. Just action and leadership, please.
And once you've signed the petition, click here to ask your friends and family to join you in taking action before July 31.
We can't afford to simply watch the clock run out on the Bush administration. Not when people are dying every day.
Thank you again for all you do for the people of Darfur.
Best regards,
Colleen Connors, Save Darfur Coalition
P.S. Keep in touch with events on the ground and what they mean for peace in Darfur. Check out our new blog at http://action.savedarfur.org/ct/mdx7ZNK1quTY/.

Frase do Dia (1)

«Os países que adoptaram políticas neo-liberais são os grandes derrotados; não souberam tirar partido do crescimento, e quando cresceram de facto, os benefícios ficaram nas mãos dos que ocupam o topo da pirâmide.»
Joseph E. Stiglitz, prémio Nóbel da Economia, in Diário Económico, 14-07-2008.

Uma frase para que alguns ex-marxistas-leninistas e ex-maoistas, vira-casacas, com e sem barbicha, mais papistas que o papa, meditem. Embora de nada adiante porque, como o povo bem sabe, burro velho não aprende línguas...

14/07/08

Primórdios da Fotografia

Uma homenagem aos irmãos Lumière, Auguste e Louis.
O filme abaixo é uma magnífica compilação fotográfica da autoria de Jean-Paul Barruyer realizada em 2004, ano das comemorações do centenário da invenção do primeiro processo moderno de fotografia a cores designado por “autochrome”, inventado pelos irmãos Lumiére. Este processo foi patenteado em França em 1903 (FR.Pat.No. 339223, 1903) e posteriormente, em 1906, nos EUA (US.Pat.No.822532). Tal como outras técnicas da época, o processo baseava-se no método aditivo, gravando a cena como imagens separadas a preto e branco, representando o vermelho, verde e azul, reconstituindo-se a cor com a ajuda de filtros. Para o conseguir numa única chapa de vidro, os Lumière pulverizaram-na com milhões de grãos microscópicos transparentes de fécula de batata (tamanho médio entre 10 e 15 micrómetros) que se tingem de vermelho (laranja), verde e azul (violeta). Este ecrã de grãos trabalha como um filtro de luz, interpretando a cena quando a luz passa através deles e impressiona uma emulsão pancromática de preto e branco. O resultado final era semelhante às fotos magníficas apresentadas no filme seguinte.


10/07/08

Um Balanço da Justiça (À) Portuguesa...

Resultado final das investigações de pequenos delitos, de baixa ou nenhuma gravidade. Balanço extremamente positivo e de resultado inigualável, tendo-se poupado milhões aos bolsos dos depauperados cidadãos portugueses. PSD e MFL aplaudem, de pé e de tanga. Principais casos:
- Processo Casa Pia: zero, nada, nulo, vazio.
- Processo Apito Dourado: zero, nada, nulo, vazio.
- Assassinatos de seguranças na noite: zero, nada, nulo, vazio.
- Caso Maddie: zero, nada, nulo, vazio (e ainda um bónus: ridicularizados por essa Europa fora)
- Caso Freeport: zero, nada, nulo, vazio.
- Caso dos sobreiros PP: zero, nada, nulo, vazio.
- Caso BCP: zero, nada, nulo, vazio.

Resultado das investigações de grandes delitos, de elevada gravidade económica. Balanço igualmente positivo. Dada a gravidade dos delitos, só referimos um pequenininho senãozito. As penas aplicadas foram baixas, tendo em conta a gravidade dos delitos. No entanto, louva-se a poupança de uns bons euritos, já que o Estado não vai ter que pagar a diária dos energúmenos por muitos e bons anos. Aspectos que, com certeza, PSD e MFL não deixarão de elogiar, de pé e de tanga.
- Caso principal: o jovem que fez um download e partilhou música de forma ilegal poderá ser condenado a 90 dias de prisão ou 60 dias acrescidos de uma multa e um pedido de indemnização. É assim mesmo, pá!
- Caso secundário (BE): a perseguição sem dó nem piedade a quem fez muito mal ao glorioso. Como diria o Zé Manel, o taxista (Maria Rueff): Ai se te apanhamos, pá... bandido, pá! Vais pagá-las todas, pá! Quem é que tu julgas que és, pá? Não escapas, não, pá! E vais ver quando os 5 da jantarada decidirem a pena, pá... até chias, pá, desgraçado de uma figa, pá!
A Justiça está boa e recomenda-se! Por acaso não precisa de interpor uma acção judicial ao vigarista do construtor da sua casa? Ele tem as costas quentes, não é? Goza na sua carinha, não é assim? Os buracões das leis, quais crateras lunares, estão do lado dele, não é? Mas porque não arrisca? Ai... então... os pobrezinhos dos advogados também precisam... Vá lá... Quem não arrisca não petisca! Afinal só precisa de gastar uns míseros 500 contitos na primeira instância (sem contar com as peritagens)... e depois... mais ano... menos ano... para os recursos, logo se vê... O banco, que já lhe leva tudo, empresta mais um pouco! Não?!... então?!... Vá lá!... eles têm tabuletas pintadas de verde... têm cara de balcão e tudo o que você precisa! Corra a pedir justiça, sorria e diga bem alto: Porreiro Pá! Vivo num país maravilhoso à beira mar plantado!
Em jeito de conclusão, aqui fica um segredo de estalo. A culpa de tudo isto é dos professores, pá, esses malvados, pá! Mais nada!

Retrato da Nossa Sociedade de Consumo

Este vídeo promocional sobre investimento imobiliário mostra bem a loucura que grassa na sociedade consumista, depravada, em que vivemos. Nao fosse o sotaque e diria que se tratava de Artur Albarran, rejuvenescido e capilarmente implantado, vendendo um pedaço do paraíso lá para os lados de Alcochete...

09/07/08

A Escola do Passado

A Escola
Sem educação não há cultura e sem cultura não há qualidade de vida, na melhor expressão ética de convivência e, por isso, vem a propósito recordar a nossa Escola do passado, na fotografia junto ao solar da Venda.
O Professor Sequeira Mendes, percursor da pedagogia moderna, entra na Escola e, logo de manhã, ordena, bem alto, para os alunos a exame da 4ª classe: “Meninos, levantem-se e perfilem-se alinhados, na minha frente”.
A cada pergunta da lição anterior e na revisão do ditado, a minha pele era a mesma da geada do Inverno e as respostas quedavam-se no gorgomilo, mais pelo medo de errar, pois a palmatória, grossa e com cinco olhos bem abertos, espreitava ansiosa sobre a mesa.
Mas só um, o meu companheiro, perfilado ao meu lado esquerdo, o Zé Ribeiro, respondia acertadamente, porque possuía uma inteligência afoita, que abafava o medo de errar.
E, como prémio, para castigar os que não respondiam por não saber ou por medo, apesar de pequeno, julgava-se, e com razão, o mais alto no saber.
“Ó Zé, não me malhes com força, porque tenho uma ferida na mão, quando fazia um loisão”.(1)
Disse-lhe como uma reza.
O Matias, do meu lado direito: “Zé, malha-o com força, senão queixo-me”.
O Zé Ribeiro negou-se, bateu levemente, mas ao contrário quase esmagava a mão do Matias. “Sacana” gemeu.
O professor Sequeira Mendes, como alguns pedagogos clássicos, tinha a metodologia de ensinar, partindo do contrário ou falso, para o verdadeiro, para acirrar o discernimento e ginasticar a inteligência, isto é, “abrir os olhos” para o conhecimento.
“Os meus meninos, sabem de onde vem o perfume que o Sete Estrelo, na ponte, vende para perfumar as meninas?”
Como era primavera, olhei para fora da janela e senti o cheiro das flores de laranjeira, mas calei-me, arrepiado com medo de responder. Mas o Joaquim da Silva, de Baloquinhas, por sentir o cheiro do alecrim, vindo da varanda da Senhora Marquinhas, gaguejou “Vem do alecrim” e o António Ribeiro, mais afoito: “Dos goivos”.
“Quem disse alecrim ou goivos? Nem de alecrim, nem de goivos, mas sim, vem das caganáteas! Sim ou não?” Nós todos obedientes, para aliviar: “Sim, sim Senhor Professor!”.
“Que lindos burrinhos, bem se vê que não têm idade de cheirar o perfume que vem das flores, igual, às do jardim ao lado da Escola”.
Ainda embalado na pedagogia de acirrar espertezas atirou-nos com uma pergunta fisgada e amaciada, como estivesse a pescar bordálos com uma minhoca.
“Os inteligentes meninos, sabem quantos centímetros tem um metro?”.
Todos, sem gaguejar, pois a aritmética não enganava: “Cem centímetros”.
“Não, não, meus meninos, na Vide e, por milagre, só na Vide, o metro tem noventa centímetros! Sim ou não?”
“Sim, sim, Senhor Professor!”, como para nos abençoar e para nos dar uma manhã mais sorridente.
“Noventa? Então na Loja do Senhor António Nobre, roubam os fregueses quando lhes medem a chita com o metro?”.
Já no primeiro ano do liceu em Coimbra, passei pela escola a caminho da casa dos meus tios, na Venda.
-“Ò doutorsinho, venha cá ensinar os ignorantes”. Chamou e pediu o professor Sequeira Mendes.
Arrastado, sentei-me na borda do banco e, na sua primeira pergunta, saltei, fugi como uma lebre, aos zig-zag, para arejar os calções que a Assunção tirou para enxugar, na casa dos meus padrinhos.
Nas vésperas dos exames da 4ª classe, em Seia, fui com a minha Mãe Preciosa, numa mula, pernoitando na vivenda do meu avô materno, em Torrozelo.
Minha Mãe, apesar de uma mãe com dez filhos e já com a morte de quatro, presidiu aos exames da 4ª classe, por ser considerada a melhor professora do conselho de Seia. Foi uma Mãe, uma professora e uma Santa.
Passámos todos com distinção, não por favor, mas sim, pelo saber pedagógico do professor Sequeira Mendes que, recordo, por me ter dado a melhor motivação para ensinar, educar e formar muitos jovens.


O professor Joaquim Ribeiro Nobre, o patriarca dos professores de Vide.
C.N.
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1O loisão, o fincão e a gradizela eram três peças de pau armadas na loisa para apanhar pássaros.

22/06/08

Laranja Avermelhado

Em termos gerais gostei das suas palavras no final do XXXI congresso do PPD. Agora mais PSD. Só é pena que o vento as leve. Mas dá jeito, claro. O tempo a isso convida. Apetece acreditar, mesmo que a imagem que de si tenhamos seja a de lápis atrás da orelha. Mas o português gosta. Gosta de levar no lombo. Quanto mais lhe batem, mais gosta. É saudosista-masoquista. E invejoso até ao cúmulo. Delira com líderes, principalmente se atacam a classe do lado, sem beliscar a sua. Enchem a boca com “a senhora tem credibilidade”. Seja lá o que isso for. E a senhora encaixa no perfil. E de burra nada tem, não senhor.
Agarra a direita. Embora tenha sido um pouco gato escondido com o rabo de fora, ou tipo garras ao léu para puxar o lençol. A velha e insuportável teoria do despesismo e a trágica visão incutida pelos velhos do restelo, sempre abocanhada pela direita populista portuguesa. Não há forma de perceberem que as tais grandes obras públicas são essenciais para o desenvolvimento de Portugal. Directa e indirectamente. Os benefícios que trarão, quer o novo aeroporto, quer o TGV, ao desenvolvimento de Portugal não são mensuráveis. Não consegue perceber isso e temo que seja tarde para aprender. Mas aqui fica uma questão para que medite. Para que serviu o ouro arrecadado durante anos e anos por Salazar? Enquanto os portugueses viviam num país quase medieval. É isso que quer? Ainda hoje estamos a pagar, essa sim, pesada factura.
Mas quer agarrar a esquerda. E para isso fez um discurso para fora. Estando o PPD reduzido ao básico, pois os que estão lá, estarão para sempre, nem que chovam picaretas, brindou-nos com um discurso progressista, moderno, enfim, de esquerda. Em suma, um discurso para os descontentes do PS. A senhora encheu a boca com palavras boas e bonitas, nada usuais no seu quadrante. Solidariedade? Tem a certeza que não queria dizer caridade? Afinal o seu mentor não tinha enterrado o socialismo? Defende agora o serviço nacional de saúde, justiça e educação para todos, solidariedade para com os mais desfavorecidos, enfim… parece que evoluiu desde os tempos em que defendia a política do Deus, Pátria e Família. Afinal, também é verdade, só as pessoas minimamente inteligentes progridem. Cultivam-se, enquanto os restantes pastam. Como aquele companheiro que diz “póprio", póprio para trás, póprio para a frente. Coitado. Apetecia dar-lhe uma palmada nas costas, para ver se expelia o r. Ou aquele outro, que foi director geral da educação, que na TV dizia, diziria para trás, diziria para a frente. Águas passadas.

Adiante. É bom ver que, finalmente, se vislumbra uma verdadeira social democrata nas hostes laranjas. Mais vale tarde do que nunca. Ou será que só vestiu a pele da avózinha? Qual loba por detrás, como a questão das obras deixou perceber? Seja como for, foi um discurso quase a relembrar a utopia que o seu amigo defendia nos tempos em que raciocinava. De tal forma que o homem, na plateia, babando-se, quase atingia o orgasmo. O Zézinho que se cuide, pois anda tudo baralhado. Abruptamente, laranjas viraram rosas. Agora, rosas virarão laranjas. Pelo meio rosas alaranjadas ou, pior ainda, laranjas avermelhadas. Sinais do tempo, com certeza.

20/06/08

Nebulosa do Caranguejo (M1)

Foto 40f/99 a 3 cores, tirada com o instrumento astronómico FORS2 ( FO cal R educer and S pectrograph), acoplado ao VLT, Very Large Telescope, conjunto de 4 telescópios com espelhos de 8,2 m, da ESO, no Monte Paranal, no Chile, a 2,635 m de altitude. Foto tirada em modo de imagem na manhã do dia 10 de Novembro de 1999 (Fonte ESO).

Imagem espetacular da Nebulosa do Caranguejo, na Constelação do Touro. As nebulosas são extensas áreas de gás (especialmente hidrogénio), plasma e poeiras onde provalemente, por efeito gravitacional, são formadas as estrelas. Uma espécie de incubadora. Em termos astronómicos esta nebulosa está catalogada com o código NGC 1952, tendo sido detectada pela primeira vez por John Bevis em 1731. O Astrónomo francês Charles Messier redescobriu-a, de forma independente, em 1758, sendo o primeiro objecto astronómico referenciado no célebre catálogo de Messier (o primeiro catálogo astronómico que contava com cerca de 110 objectos) com o código M1.

Sabe-se que esta nebulosa é remanescente da Supernova SN 1054, a primeira referenciada na história, e foi observada pela primeira vez por astrónomos chineses e árabes no ano de 1054 como uma estrela visível à luz do dia. Está localizada a uma distância de cerca de 6.000 anos-luz da Terra, tem um diâmetro de cerca de 11 anos-luz (3,4 pc) e expande-se a uma velocidade de 1500 km/s. Uma supernova é basicamente o resultado de uma violenta explosão que marca o fim de vida de estrelas gigantes e super gigantes, com várias massas solares. A explosão ejectará as camadas mais externas da estrela, formando-se um remanescente de supernova. Dependendo da massa estelar inicial, novos objectos astronómicos poderão nascer da supernova. Para estrelas super gigantes, o fim do combustível nuclear fará com que a força de gravidade deixe de ser equilibrada e a matéria remanescente será comprimida de tal forma, que um corpo de tal forma denso será gerado, com um campo gravitacional tão intenso, que dele nada escapará, inclusive a luz. Nascerá assim um buraco negro. Se a massa da estrela for menor, instantes antes da explosão a região central da estrela contrai-se com a gravidade, fazendo com que os núcleos atómicos sejam literalmente esmagados, deles resultando somente neutrões e, consequentemente forma-se uma estrela de neutrões, super massivas, ultracompactas e com gravidade extremamente elevada. Existem vários tipos de estrelas de neutrões. Um deles é o que se designa por pulsar. Um pulsar é uma estrela de neutrões muito pequena e muito densa, podendo apresentar um campo gravitacional até um bilião de vezes maior que o campo gravitacional terrestre e que, devido ao movimento de massa no seu interior, gira a velocidades elevadas. No caso em questão, a estrela de neutrões no centro da nebulosa do caranguejo gira 30 vezes por segundo em torno do seu eixo. Estas estrelas possuem fontes de radiação electromagnética poderosas, especialmente de raios-X, emitindo uma enorme quantidade de radiação pelos pólos, varrendo diferentes direcções no espaço, tal e qual como um farol. Daí o termo pulsar.

Na imagem acima, a luz verde é predominantemente produzida pela emissão de hidrogénio do material ejectado pela estrela que explodiu. A luz azul é predominantemente emitida por electrões de muito elevada energia (“relativistica”) que num campo magnético de larga-escala se movem em espiral (a chamada emissão de sincrotrão). Acredita-se que estes electrões são continuamente acelerados e ejectados pela rotação rapidíssima da estrela de neutrões no centro da nebulosa. Este pulsar foi identificado pela estrela mais em baixo e mais à direita das duas estrelas juntas, vizinhas do centro geométrico da nebulosa, imediatamente à esquerda da espécie de arco pequeno, melhor visto na foto abaixo.