14/07/08
Primórdios da Fotografia
10/07/08
Um Balanço da Justiça (À) Portuguesa...
- Processo Apito Dourado: zero, nada, nulo, vazio.
- Assassinatos de seguranças na noite: zero, nada, nulo, vazio.
- Caso Maddie: zero, nada, nulo, vazio (e ainda um bónus: ridicularizados por essa Europa fora)
- Caso Freeport: zero, nada, nulo, vazio.
- Caso dos sobreiros PP: zero, nada, nulo, vazio.
- Caso BCP: zero, nada, nulo, vazio.
Retrato da Nossa Sociedade de Consumo
Este vídeo promocional sobre investimento imobiliário mostra bem a loucura que grassa na sociedade consumista, depravada, em que vivemos. Nao fosse o sotaque e diria que se tratava de Artur Albarran, rejuvenescido e capilarmente implantado, vendendo um pedaço do paraíso lá para os lados de Alcochete...
09/07/08
A Escola do Passado
A EscolaO Professor Sequeira Mendes, percursor da pedagogia moderna, entra na Escola e, logo de manhã, ordena, bem alto, para os alunos a exame da 4ª classe: “Meninos, levantem-se e perfilem-se alinhados, na minha frente”.
A cada pergunta da lição anterior e na revisão do ditado, a minha pele era a mesma da geada do Inverno e as respostas quedavam-se no gorgomilo, mais pelo medo de errar, pois a palmatória, grossa e com cinco olhos bem abertos, espreitava ansiosa sobre a mesa.
Mas só um, o meu companheiro, perfilado ao meu lado esquerdo, o Zé Ribeiro, respondia acertadamente, porque possuía uma inteligência afoita, que abafava o medo de errar.
E, como prémio, para castigar os que não respondiam por não saber ou por medo, apesar de pequeno, julgava-se, e com razão, o mais alto no saber.
“Ó Zé, não me malhes com força, porque tenho uma ferida na mão, quando fazia um loisão”.(1)
Disse-lhe como uma reza.
O Matias, do meu lado direito: “Zé, malha-o com força, senão queixo-me”.
O Zé Ribeiro negou-se, bateu levemente, mas ao contrário quase esmagava a mão do Matias. “Sacana” gemeu.
O professor Sequeira Mendes, como alguns pedagogos clássicos, tinha a metodologia de ensinar, partindo do contrário ou falso, para o verdadeiro, para acirrar o discernimento e ginasticar a inteligência, isto é, “abrir os olhos” para o conhecimento.
“Os meus meninos, sabem de onde vem o perfume que o Sete Estrelo, na ponte, vende para perfumar as meninas?”
Como era primavera, olhei para fora da janela e senti o cheiro das flores de laranjeira, mas calei-me, arrepiado com medo de responder. Mas o Joaquim da Silva, de Baloquinhas, por sentir o cheiro do alecrim, vindo da varanda da Senhora Marquinhas, gaguejou “Vem do alecrim” e o António Ribeiro, mais afoito: “Dos goivos”.
“Quem disse alecrim ou goivos? Nem de alecrim, nem de goivos, mas sim, vem das caganáteas! Sim ou não?” Nós todos obedientes, para aliviar: “Sim, sim Senhor Professor!”.
“Que lindos burrinhos, bem se vê que não têm idade de cheirar o perfume que vem das flores, igual, às do jardim ao lado da Escola”.
Ainda embalado na pedagogia de acirrar espertezas atirou-nos com uma pergunta fisgada e amaciada, como estivesse a pescar bordálos com uma minhoca.
“Os inteligentes meninos, sabem quantos centímetros tem um metro?”.
Todos, sem gaguejar, pois a aritmética não enganava: “Cem centímetros”.
“Não, não, meus meninos, na Vide e, por milagre, só na Vide, o metro tem noventa centímetros! Sim ou não?”
“Sim, sim, Senhor Professor!”, como para nos abençoar e para nos dar uma manhã mais sorridente.
“Noventa? Então na Loja do Senhor António Nobre, roubam os fregueses quando lhes medem a chita com o metro?”.
Já no primeiro ano do liceu em Coimbra, passei pela escola a caminho da casa dos meus tios, na Venda.
-“Ò doutorsinho, venha cá ensinar os ignorantes”. Chamou e pediu o professor Sequeira Mendes.
Arrastado, sentei-me na borda do banco e, na sua primeira pergunta, saltei, fugi como uma lebre, aos zig-zag, para arejar os calções que a Assunção tirou para enxugar, na casa dos meus padrinhos.
Nas vésperas dos exames da 4ª classe, em Seia, fui com a minha Mãe Preciosa, numa mula, pernoitando na vivenda do meu avô materno, em Torrozelo.
Minha Mãe, apesar de uma mãe com dez filhos e já com a morte de quatro, presidiu aos exames da 4ª classe, por ser considerada a melhor professora do conselho de Seia. Foi uma Mãe, uma professora e uma Santa.
Passámos todos com distinção, não por favor, mas sim, pelo saber pedagógico do professor Sequeira Mendes que, recordo, por me ter dado a melhor motivação para ensinar, educar e formar muitos jovens.

1O loisão, o fincão e a gradizela eram três peças de pau armadas na loisa para apanhar pássaros.
22/06/08
Laranja Avermelhado
Adiante. É bom ver que, finalmente, se vislumbra uma verdadeira social democrata nas hostes laranjas. Mais vale tarde do que nunca. Ou será que só vestiu a pele da avózinha? Qual loba por detrás, como a questão das obras deixou perceber? Seja como for, foi um discurso quase a relembrar a utopia que o seu amigo defendia nos tempos em que raciocinava. De tal forma que o homem, na plateia, babando-se, quase atingia o orgasmo. O Zézinho que se cuide, pois anda tudo baralhado. Abruptamente, laranjas viraram rosas. Agora, rosas virarão laranjas. Pelo meio rosas alaranjadas ou, pior ainda, laranjas avermelhadas. Sinais do tempo, com certeza.
20/06/08
Nebulosa do Caranguejo (M1)
Foto 40f/99 a 3 cores, tirada com o instrumento astronómico FORS2 ( FO cal R educer and S pectrograph), acoplado ao VLT, Very Large Telescope, conjunto de 4 telescópios com espelhos de 8,2 m, da ESO, no Monte Paranal, no Chile, a 2,635 m de altitude. Foto tirada em modo de imagem na manhã do dia 10 de Novembro de 1999 (Fonte ESO).Imagem espetacular da Nebulosa do Caranguejo, na Constelação do Touro. As nebulosas são extensas áreas de gás (especialmente hidrogénio), plasma e poeiras onde provalemente, por efeito gravitacional, são formadas as estrelas. Uma espécie de incubadora. Em termos astronómicos esta nebulosa está catalogada com o código NGC 1952, tendo sido detectada pela primeira vez por John Bevis em 1731. O Astrónomo francês Charles Messier redescobriu-a, de forma independente, em 1758, sendo o primeiro objecto astronómico referenciado no célebre catálogo de Messier (o primeiro catálogo astronómico que contava com cerca de 110 objectos) com o código M1.
Sabe-se que esta nebulosa é remanescente da Supernova SN 1054, a primeira referenciada na história, e foi observada pela primeira vez por astrónomos chineses e árabes no ano de 1054 como uma estrela visível à luz do dia. Está localizada a uma distância de cerca de 6.000 anos-luz da Terra, tem um diâmetro de cerca de 11 anos-luz (3,4 pc) e expande-se a uma velocidade de 1500 km/s. Uma supernova é basicamente o resultado de uma violenta explosão que marca o fim de vida de estrelas gigantes e super gigantes, com várias massas solares. A explosão ejectará as camadas mais externas da estrela, formando-se um remanescente de supernova. Dependendo da massa estelar inicial, novos objectos astronómicos poderão nascer da supernova. Para estrelas super gigantes, o fim do combustível nuclear fará com que a força de gravidade deixe de ser equilibrada e a matéria remanescente será comprimida de tal forma, que um corpo de tal forma denso será gerado, com um campo gravitacional tão intenso, que dele nada escapará, inclusive a luz. Nascerá assim um buraco negro. Se a massa da estrela for menor, instantes antes da explosão a região central da estrela contrai-se com a gravidade, fazendo com que os núcleos atómicos sejam literalmente esmagados, deles resultando somente neutrões e, consequentemente forma-se uma estrela de neutrões, super massivas, ultracompactas e com gravidade extremamente elevada. Existem vários tipos de estrelas de neutrões. Um deles é o que se designa por pulsar. Um pulsar é uma estrela de neutrões muito pequena e muito densa, podendo apresentar um campo gravitacional até um bilião de vezes maior que o campo gravitacional terrestre e que, devido ao movimento de massa no seu interior, gira a velocidades elevadas. No caso em questão, a estrela de neutrões no centro da nebulosa do caranguejo gira 30 vezes por segundo em torno do seu eixo. Estas estrelas possuem fontes de radiação electromagnética poderosas, especialmente de raios-X, emitindo uma enorme quantidade de radiação pelos pólos, varrendo diferentes direcções no espaço, tal e qual como um farol. Daí o termo pulsar.
Na imagem acima, a luz verde é predominantemente produzida pela emissão de hidrogénio do material ejectado pela estrela que explodiu. A luz azul é predominantemente emitida por electrões de muito elevada energia (“relativistica”) que num campo magnético de larga-escala se movem em espiral (a chamada emissão de sincrotrão). Acredita-se que estes electrões são continuamente acelerados e ejectados pela rotação rapidíssima da estrela de neutrões no centro da nebulosa. Este pulsar foi identificado pela estrela mais em baixo e mais à direita das duas estrelas juntas, vizinhas do centro geométrico da nebulosa, imediatamente à esquerda da espécie de arco pequeno, melhor visto na foto abaixo.

18/06/08
13/06/08
O Porco que Queria Morrer Santo...
Numa manhã outonal, de Outubro, fui visitar os meus tios, na sua casa da Venda. Na cozinha, encontrei uma mulher toda vestida de preto, a preparar-se para fazer benzeduras sobre uma porção alimentar para o porco, sob o olhar esperançoso da minha tia Encarnação. O porco já estava em estado de engorda para a matança, lá para o Natal.“Tia Encarnação não acredito nisto!”
Reagiu à minha juventude, irreverente e já em mudança para um certo sentido de racionalidade.
“Ó Carlos, o porco está a morrer! E depois!... E depois! … temos tanta gente no Natal”.
“Querida tia... quem vai salvar o porco, sou eu!”.
“Tu?! Mas como?!”.
Nessa altura trabalhava comigo, no Barril de Alva, o Armando Ribeiro, que nesse dia estava também de visita à sua família.
Chamei-o.
“Ó Armando vamos salvar o porco dos meus tios”.
Corremos para o curral. Eram duas horas da tarde, mais ou menos. Ficámos aterrados. O porco estava estendido ao comprido, com os pêlos baços e com o rabo esticado, indicativo de doença grave. O Armando quase gago: “O porco está morto” E agora? Estou tramado e frito. A bruxa vai rir-se de mim, pensei comigo mesmo.
Reagi. Encostei a fivela de metal reluzente do meu cinto, na boca do porco. A fivela ficou logo embaciada. O porco ainda respirava.
E, esperançado comecei logo ao trabalho de salvação. Apalpei-lhe a barriga. Como estava muito inchada, diagnostiquei a doença: timpanismo ou “barriga de gases”, resultante de fermentações de comida estragada ou imprópria.
Na minha angústia, agarrei-me aos ensinamentos práticos da minha mãe para as curas de emergência. Por outro lado, eu sabia que no quadro fisiológico dos animais, a fisiologia do porco é a mais semelhante à do homem.
Lembrei-me, que o meu pai, quando tinha gases no estômago (aerofagia), engolia comprimidos de carvão vegetal. Imediatamente mandei o Armando buscar a sua casa, bocados de carvão. Esmagados e dissolvidos em água morna, enfiámos a mistura, por um funil para dentro do estômago (aerofagia). Em seguida, um clister com azeite em água tépida, para provocar a descarga das fezes.
“O Armando, vai depressa buscar um toro de couve, mas grosso e comprido”. Untámo-lo de azeite e, de imediato, enfiámo-lo todo pelo cu acima do porco. O Armando, como um desalmado esfregava, esfregava… Aqui, o porco vingou-se. A descarga de gases foi de tal ordem, que o Armando, ainda com o toro de couve na mão foi atirado contra a parede do curral.
“Ó Armando, que grande peido?”. “Peido? Isto, foi uma bomba”.
Socorri-me, já esperançado, depois desta descarga, do último recurso para a cura do porco, o esfreganço com o vinagre, porque sabia que o vinagre era usado para reactivar o sistema nervoso e os órgãos motores. Rasguei a minha camisa de flanela e com os seus pedaços esfregámos, sem descanso, a espinha do porco, da cabeça ao rabo.
Entretanto, a tia Marquinhas, mãe do Armando veio em nosso auxilio deitar na pia, depois de bem lavada uma aguada de arroz para acalmar e limpar os intestinos do porco, no caso de sobreviver.
Depois destes tratamentos de cura, não resistimos ao cansaço e ao sono. Adormecemos encostados um ao outro.
Eram cerca de oito horas da manhã, já com o sol a assomar à porta do curral, quando acordei. E o que vejo? O porco na minha frente, empertigado, já com o rabo em rosca e a fixar-me com os seus olhos brilhantes e estranhos.

Reparei que a pia já estava quase vazia. A tia Marquinhas nunca deixou de acreditar na nossa luta contra as benzeduras.
Transponho para o porco, o conceito de alma animal, em forma de mensagem. Mensagem que reproduzo na minha perspectiva numa convergência dos três estados de alma, na igual humanização de todas essas manifestações de vida.
“Estes sacanas, salvaram-me para me matar. Os humanos matam, esfolam e chamuscam a alma, uns dos outros, para morrer e eu sou morto para lhes dar vida. Os cobardolas amarram-me ao banco, espetam no meu gorgomilo um facalhão e ficam aparvalhados com os calos da enxurrada do meu sangue. Não sabem estes hominídeos que os meus órgãos serão utilizados em transplantes para substituir os seus órgãos fanados, porque descobriram que sou, fisiologicamente, o único animal com maior semelhança com o homem. Eu sei que vou ser comido desde a minha tromba à ponta do rabo, em festins, com danças, com cantares e com bebedeiras.
Eu sei, também, que vou ser rilhado durante muito tempo, durante anos, em baptizados, casamentos e em euforias políticas e religiosas. Até o Senhor e os Santinhos da Igreja, sentem arrepios, quando à porta da sua casa, em dias festivos, ouvem as arrematações das fogaças: “Quem dá mais por este chouriço, quem dá mais por este bucho, que é de comer e chorar por mais. Sem o respeito pelo uso costumeiro, fui salvo para ser morto, quando seria mais justo, se tratado com benzeduras, para ter, sim, uma morte santa.”
As bruxas aguardavam a morte do porco assentadas nos degraus da porta da Casa da Venda. Logo que souberam que o porco “ressuscitou”, fugiram…
…e assim acabaram as bruxas em Vide.
C.N.
Nota: desenhos da autoria do artista plástico Álvaro de Matos, Coimbra.
06/06/08
Privatizem-se!
Hoje fui ao meu oculista na Praça 8 de Maio. Ando a ver mal. Esperava à porta pelos meus óculos, quando me apercebo das peripécias de um casal de turistas ingleses que, mesmo ao meu lado, pretendiam tirar uma foto à fachada da Igreja de Santa Cruz. A foto acima mostra o nosso campo de visão e a razão do seu praguejar. Absolutamente extraordinário. Não sei qual a intenção de colocarem este mamarracho alusivo ao "Jazz ao Centro", patrocinado pela Caixa dos Amigos e Amigalhaços, literalmente em cima da fonte da praça 8 de Maio, impossibilitando o seu funcionamento, num dia quente como o de hoje e, pior, tirando as vistas da fachada da Igreja de Santa Cruz. O “Jazz ao Centro” mereceria um pouco mais de respeito. Poderiam ter posto o Jazz um pouco mais ao lado. Sem desprimor pelo Jazz. Adoro Jazz. Eu penso que este postal ilustrado ilustra bem a demência que grassa nas nossas instituições púbicas, perdão, públicas. Isto só mesmo neste país das bananas, cheio de macacos comilões. Mas afinal, quanto pagará a Caixita à edilidade por esta magnifica visibilidade? É tanta a visibilidade que até repugna! Como puderam colocar esta bosta em cima da fonte da praça? Pelo espalhafato da coisa, o dinheirito, upa, upa, deve ter sido uma pipa daquelas. Afinal, bem precisam dele, não é? Quem não precisa nos dias que correm? Até a Caixa dos Amigos, que, como os outros, tem que nos meter a mão no bolso para suportar a crise… e pagar as bostas. A mim meteram! Precisamente antes de ter ido ao oculista. Mas adiante. Servirá o dinheirito amealhado para arranjar a esburacada estrada de Vale de Canas? Afinal não seria justo ser o cidadão a pagar os buracos e buracões fabricados pelos construtores civis das casitas sociais que por ali proliferam. Estes, coitados, também pelo dinheirito que ganham nas obras não podem fazer tudo. E, depois, fazer o buraco redondinho e ainda por cima pagar por ele, não seria justo, não senhor! Ou será que, finalmente, pretendem cumprir a Lei de 2004, que OBRIGARIA os responsáveis de caminhos e estradas de os limparem, pelo menos, 15 m das bermas? Ou será que é para investir na depauperada cultura da cidade? Ah sim, Jazz ao Centro... já me esquecia! Precisam de dinheiro, claro. A vida está difícil para todos, não é? Afinal o que a minha mãe vai começar a pagar de IMI não chega. Pois. Ela e todos nós! É muito pouco! Sim senhor! Quem pagaria as mordomias, o carrito e as viagens (a gasosa está de estouro), enfim… as bostas que por aí vemos? Além disso, vendo melhor as coisas, afinal a terra, o chão, é do povo! Ah, então! No fundo, no fundo, nas fundações, o chão pertence ao país, ao estado, enfim, à autarquia. A quem mais? Afinal não vamos rumo ao socialismo? A propriedade privada é uma utopia! Biba o chuchialismo! E não é a solidariedade um valor a preservar, a implementar? Ah, solidários, solidários! Sol e dó! É por isso que vão ser sol i dários com a minha mãe. Tem 82 anos, acabou de enviuvar, aufere a MILIONÁRIA REFORMA de 585 euros, qual ex-administrador honorário da Caixita, e gritaram-lhe aos ouvidos QUE SÓ VAI começar a PAGAR de IMI quase 700 euros por ano. Por um apartamento que já tem há 50 ANOS e onde vive desde 1974, depois de ter sido espiolhada do fruto de 30 anos de trabalho que deixou em África. Que chulidários! Caricato é que pagará TRÊS VEZES MAIS do que os seus vizinhos. O médico do segundo andar, então, paga menos de renda ao senhorio do que ela irá pagar ao estado pelo apartamento que deveria ser dela. É o que se chama de igualdade perante a CONSTITUIÇÃO. Acho que o são… na constipação e na obstipação! Afinal há que ser justo:Privatizem a Caixa dos Amigos! Privatizem as edilidades! Privatizem as chuchas! Privatizem a bosta! Privatizem-se!
05/06/08
Pedrada no Charco
Confesso que cada vez mais vejo menos televisão. Jornais nem vê-los. Pela merda que estão, por mim, podem ir todos à falência. As razões são as que todos conhecemos. Deambulamos pelo marasmo de notícias vazias, da venda da banha da cobra, de comentários chatos e tolos que, em boa verdade, confesso, são proferidos por pessoas que, se não estão senis, engoliram a cassete do poder vigente. Ouvi-los na TV, então, é de fugir a sete pés. Ainda há pouco estava um assim a “lanzoar”, como diria o meu pai, no noticiário da TVI. Dissertava sobre as mil e uma razões que existem para que, descendo o petróleo nos mercados mundiais, os preços dos combustíveis não possam descer em Portugal. Enfim. Não há pachorra.Mas eis que, por mero acaso, deparamos com uma entrevista surpreendente. Miguel Urbano Rodrigues a ser entrevistado pela Ana Lourenço na SIC Notícias. Há duas noites atrás, é certo. Mas ainda vou a tempo. Miguel Urbano Rodrigues, irmão do também escritor, Urbano Tavares Rodrigues, comunista assumido, e cada vez mais comunista (curioso!), tal é a coerência, delicia-nos com uma perspectiva do mundo actual que me surpreendeu pela positiva. Também ele, aos 82 anos, prefere a informação aqui, na blogoesfera, do que o lixo saído das rotativas. Formidável. De facto, um dos maiores pensadores portugueses contemporâneos, pensador comunista, como realçou Ana Lourenço no final. Aceito, independentemente da ideologia que não abraço, porque reconheci nas palavras de Miguel muito dos meus pensamentos sobre a situação do mundo actual. Alguns já por aqui escritos. Por isso deliciei-me. Eis alguém que toca na ferida, que chama os bois pelos nomes, que diz algo que sabemos ser verdadeiro, que nós próprios sentimos como tal. Miguel, dizendo-se materialista, mais parecia um idealista. Fala das FARC e de uma realidade na Colômbia que eu desconhecia em absoluto. Nesse assunto, senti que o Miguel vinha de outro planeta. Espera aí. Estou assim tão intoxicado pelo lixo noticioso? Terá ele alguma razão? Mas então e a Ingrid Betancourt de quem não falaram na entrevista? Lapso? E o seu pobre filho que implorava nas TVs pela saúde e libertação da mãe, raptada pelos malvados dos terroristas das FARC que a torturavam e faziam passar fome? O Miguel tinha uma perspectiva completamente diferente. Inversa da nossa. Mas o Miguel falou de muito mais, da decadência da nossa civilização, da regressão da humanidade, da inevitabilidade do fim desta civilização, tal como no passado assistimos à queda de Roma. Do trágico falhanço na implementação do Socialismo. Na dificuldade de implementar o Marxismo que, na realidade, nunca o foi. Defendeu Cuba e o seu regime. Indagado sobre a ausência de direitos humanos na Ilha, perguntou o que entendia Ana por Direitos Humanos? Que era um conceito muito subjectivo. Quais são afinal os direitos humanos dos mendigos que vivem nas ruas das nossas civilizadas cidades? Empestadas pela droga proveniente dos silos dos senhores que governam a Colômbia! Em Cuba existe educação e saúde para todos. Tem taxas de licenciados únicas no mundo. Enfim, arremessa-nos com uma perspectiva diferente, que nos faz pensar. Prefere dizer que é progressista em vez de esquerdista. Diz-nos que os problemas não se resolvem com sessões de esclarecimento num qualquer teatrinho. Os problemas actuais exigem muito mais do que isso. Afinal, Alegre nem sequer põe em causa a cúpula socialista, que nos impõe um governo neoliberal, imoral e repugnante, de direita pura e dura. Ao bom estilo Europeu, em nome da globalização dos interesses. Bem pior que o americano. Estamos num beco sem saída e por isso é preciso agir.Em suma, foi uma entrevista como há muito não via ou ouvia. Parabéns à SIC pelo bocadinho de verdadeira informação. Caso cada vez mais raro nos dias que correm. E obrigado ao Miguel Urbano Rodrigues pela lucidez e sabedoria. Faço votos para que o contratem como comentador. Juro que passaria a estar mais atento a umas Escolhas quaisquer, a umas Notas que não se soltam, ou aos telejornais da TVI.

