Vale a pena ler a análise de Álvaro Santos Pereira no Blogue Desmitos. 31/03/08
As Lições Irlandesas...
Vale a pena ler a análise de Álvaro Santos Pereira no Blogue Desmitos. A Confraria do Carolo

Resumindo, o milho, na sua diversidade de cadeia alimentar e romântica, reinava sobre os outros reinos animais. Aliás, o filósofo grego Platão acreditava que o reino vegetal também tinha alma. E com razão. Perante o reino animal racional, de hoje, é a alma mais bela.O carolo nesta sua cadeia alimentar merece a sua confraria, conforme os povos ribeirinhos, nas margens das ribeiras de Alvoco, Loriga e Piódão e que humanizou e valorizou toda a Alta Serra, abençoada por uma Estrela.
Um moinho em Chão Sobral, parecido com o do Salgueiral na Vide. Foto retirada daqui
As suas sopas de carolo, com toucinho e chouriço, as sopas de papa-Iaberças, com a mistura de nabiças ou partes tenras das couves, os queijos de carolo cobertos com mel. Para não esquecer, apesar de ainda não ter apreciado o bucho de Arganil, talvez com ciúmes pelo bucho de Vide, do passado, mas que oportunamente penso, em breve, fazer a devida comparação.
Deste modo, a Confraria do Carolo, com a sua capital em Vide, embelezada com as cores verdes das suas capas e largos chapéus (cores do milho-verde), já está geminada, por natureza costumeira e religiosa, com a Confraria do Bucho, com a sua capital em Arganil.
Falta só a entronização dos confrades da Confraria do Carolo. Ou melhor, não falta. Os seus melhores confrades, pelos seus direitos próprios e com as suas vestes coloridas, com os melhores valores humanos, são todos esses povos serranos.
--------------------------------------------------------------------------------------
PAPAS DE CAROLO
Ingredientes:
(Para 4 pessoas)
- 3 chávenas de carolo (milho amarelo ou branco partido) ;
- 1 litro de leite ;
- 1 casca de limão (opcional)1 chávena de açúcar (aprox.);
- sal;
- canela.
Confecção:
Para lavar o carolo, este é colocado num alguidar com bastante água fria e agita-se de modo a trazer ao de cima o farelo. Retira-se o farelo e muda-se a água tantas vezes quantas as necessárias para que o carolo fique bem lavado. Quando o carolo estiver limpo de farelo, muda-se a pouco e pouco para outro alguidar com água, para o libertar das areias que se depositam no fundo, operação que se repete as vezes necessárias. Tem-se ao lume uma panela com água temperada com sal (casca de limão e canela). A água deve ser pelo menos três vezes o volume do carolo (para cada chávena de carolo, quatro chávenas de água). Quando a água levantar fervura, introduz-se o carolo e deixa-se cozer, tendo o cuidado de o mexer de vez em quando no princípio e constantemente assim que o preparado se torne mais espesso. Quando o milho estiver a meia cozedura, começa a juntar-se o leite a pouco e pouco, mexendo sempre. Por fim adiciona-se o açúcar, deixa-se cozer um pouco mais e serve-se em travessas ou pratos individuais enfeitados com canela.
C.N.
29/03/08
Ainda, Sempre e para Sempre o MNCT
26/03/08
Ainda e Sempre o Museu Nacional da Ciência e da Técnica

Visita do Prof. Veiga Simão ao Museu Nacional da Ciência e da Técnica aquando da sua inauguração em 1971. Foto tirada num dos salões dedicados ao génio de Leonardo da Vinci.
O Diário de Coimbra publica na sua edição de hoje, 26 de Março de 2008, a carta de indignação que a minha mãe lhes enviou, e cuja cópia eu coloquei no Natureza há alguns dias. Porque a sua ira é muita, tão grande como a minha, e porque a memória da maioria dos nossos concidadãos é muito curta, aqui fica novamente o texto. Eu sei que não adianta, mas não calaremos a nossa voz contra a estupidez, a insensibilidade e a hipocrisia que grassa, hoje, em Portugal . Um dia a História julgar-nos-à a todos:
"Senhor Director:
Ao Senhor Luís Fernandes
Como filha mais velha do Professor Mário Augusto da Silva e que, ao longo destes anos – 30 anos precisamente – tenho vindo a público no Diário de Coimbra lutar, clamar em prol das obras do meu pai, não podia agora ficar calada. Quero primeiro agradecer-lhe o ter tomado posição tão empenhadamente a favor do Museu Nacional da Ciência e da Técnica (MNCT). Também dizer-lhe que foi a primeira vez que um conimbricense, como diz “um cidadão anónimo”, vem à luta pelo Museu. Muito, muito obrigada. A maioria dos nossos conterrâneos esteve, e está, sempre de costas viradas para o Museu. As sua vidinhas são mais importantes que um Museu de Ciência. Como estavam e estão enganados! Embora com muito mais população, Coimbra está em agonia. Era a terceira cidade! E hoje?
22/03/08
A Virgem e o Menino
A China e o Genocídio no Darfur!
Recebi um email interessante de Colleen Connors, da Save Darfur Coalition, que deixo à vossa consideração. Resumindo em português:
21/03/08
INTOLERÁVEL!
Agora, nem oito nem oitenta. Mas a diferença com o que se passa lá fora:
É que, provavelmente, em Portugal este professor teria sido linchado na sala de aula. Mas nem um sussurro dos alunos, apesar da atitude reprovável do professor!
Para finalizar, aqui ficam as palavras finais de um post de Paulo de Carvalho (que li hoje 31de Março) e que retratam muito bem o que se vive:
18/03/08
A QUEM DE DIREITO... A Razão de Ser do Estado da Cultura em Portugal (VII)
Ainda e Sempre o
Museu Nacional da Ciência e da Técnica
Ao Senhor Luís Fernandes,
Como filha mais velha do Professor Mário Augusto da Silva e que, ao longo destes anos – 30 anos precisamente – tenho vindo a público no Diário de Coimbra lutar, clamar em prol das obras do meu pai, não podia agora ficar calada. Quero primeiro agradecer-lhe o ter tomado posição tão empenhadamente a favor do Museu Nacional da Ciência e da Técnica (MNCT). Também dizer-lhe que foi a primeira vez que um conimbricense, como diz “um cidadão anónimo”, vem à luta pelo Museu. Muito, muito obrigada. A maioria dos nossos conterrâneos esteve, e está, sempre de costas viradas para o Museu. As sua vidinhas são mais importantes que um Museu de Ciência. Como estavam e estão enganados! Embora com muito mais população, Coimbra está em agonia. Era a terceira cidade! E hoje?
As chamadas forças vivas da cidade, ou é melhor chamar-lhes «forças mortas», tudo têm feito para levar ao desaparecimento o MNCT, não o vendo como o que Mário Silva queria fazer, um Museu Nacional da Ciência e da Técnica de Portugal. Um museu vivo e dinâmico, com pólos em todas as cidades, desde os moinhos, azenhas, lagares de azeite… até às últimas conquistas da ciência. Englobando todos os museus já existentes como pólos independentes mas integrados num grande museu, para proporcionar a quem o visitasse uma visão de todo o passado e as conquistas do futuro. Principalmente as referentes ao engenho português. Veja como Coimbra se poderia efectivamente tornar num pólo de excelência da cultura portuguesa, em vez de termos somente aquela publicidade enganosa na A1.
Fiquei muito magoada quando o próprio ministro Mariano Gago lhe deu o golpe final, quando tinha sido sua Excelência, em 1999, a salvá-lo, criando junto ao MNCT o Instituto da História da Ciência e da Técnica. Como bem referiu na altura, era uma lacuna no nosso ensino superior.
Realmente para quê impor à cidade, às suas forças vivas e à sua população este museu?
O Senhor Presidente da Câmara, o seu pelouro da cultura e os ditos “amigos da cultura” não estão nada interessados. O Senhor Reitor da Universidade achou por bem fazer antes mais um museuzinho de ciência… para juntar aos outros todos que lá tem. Ao menos se já existia com Estatutos legalizados um Museu Nacional da Ciência e da Técnica na cidade, porque não a Universidade reivindicar a sua integração. Penso que os Senhores Professores tiveram medo de tamanha responsabilidade. Repare. A Mário Silva foi-lhe dada a direcção de um Museu assim. Direcção que assumiu com Mestria. Em princípio ficaria em Lisboa, mas amando a sua cidade conseguiu que Coimbra fosse a sua sede. E porque não Coimbra, que já tinha sido a sede da primeira universidade portuguesa. Coimbra mereceu?...
Mas morreu Mário Silva. Sucede-lhe um Professor Catedrático no activo. Veja o resultado. Um descalabro completo. E lá vão vinte anos. Vem novo Professor, só que desta vez alguém que se dedica completamente e trabalha com afinco durante somente cerca de dois anos – Professor Paulo Renato Trincão, com o ministro Mariano Gago. Foi o canto do cisne do museu. Muda novamente o governo. As forças vivas que tinham sido travadas, têm agora via livre novamente. O Museu Nacional tem agora os dias contados. E o novo Senhor Ministro ainda tem a ousadia de lhe por o nome Dr. Mário Silva!!! Como estava certa quando publicamente, aqui mesmo, repudiei esta “honra”. Porque além de diminuir ambos era a maneira de ser mais fácil fechá-lo. Colocam lá outro Professor no activo. A sua direcção é a ruína completa do museu. Aliás tinha à sua espera o novo museuzinho… para quê gastar energias e responsabilidade na direcção do Museu Nacional da Ciência da Técnica, não de Lisboa, do Porto, de Coimbra, e de, e de, e de… mas o Museu Nacional da Ciência e da Técnica de Portugal.
No seu segundo artigo fala do Dr. Mário Nunes. Vou dizer-lhe pois talvez não se recorde. O Dr. Mário Nunes em 15 de Maio de 1988 no Jornal Domingo, publicou um extenso artigo “Museu Nacional da Ciência e da Técnica muda ou não de local?!” O artigo é encimado pelas fotos das duas casas principais. A da rua Fernandes Tomás (que o director à data Professor Alte da Veiga alienou). A da rua dos Coutinhos, o palácio Sacadura Bote, comprado mais tarde pelo Estado no tempo do Professor Renato Trincão. Em boa hora! Porque estava para ser vendido a um sr. professor… Trás ainda uma outra foto da casa da rua da ilha onde mostra a tecnologia da cerâmica. Nela havia, entre outras coisas, uma sala de armas, composta por uma grande colecção. Engraçado. Senão repare: no Inverno do ano seguinte, 1989, o telhado deste edifício, velho, rompeu e deixou entrar água. Isto num prédio de dois ou três andares. O museu ficava no rés-do-chão. O Sr. director mandou retirar todas as peças (onde estão?) e muito solicitamente comprou o imóvel para si mesmo!!! Mas voltemos ao que interessa. O Dr. Mário Nunes termina-o assim: “que o Museu da Ciência e da Técnica continue a ser nacional e sediado em Coimbra, são os votos que formulamos e a melhor forma de estarmos na e com a urbe mondeguina”.
Que me diz o senhor? Não é para rir? O Sr. Dr. Mário Nunes tem hoje o pelouro da cultura da Câmara Municipal de Coimbra.
Coimbra, 18 de Março de 2008
Maria Isabel da Silva Nobre"
Recordo que acerca deste assunto publiquei vários "posts" onde chamo à atenção para a petição que está on-line aqui:
http://www.petitiononline.com/muscoimb/petition.html
TIBETE LIVRE JÁ!
17/03/08
Requiem pelo Museu Nacional da Ciência e da Técnica
Fico impressionado com a indiferença com que os universitários e a academia aceitaram a extinção do MNCT, idealizado pelo Prof. Mário Silva (demitido por Salazar em 1947), museu esse que, na verdade, tem passado por uma vida atribulada e que, apesar de tudo, ultimamente, dava uma certa imagem de dinamismo. Que eu saiba, e independentemente do apoio que cada um, eventualmente, terá dado a um manifesto que por aí correu, só eu (permitam-me a referência), o antigo director, Prof. Paulo Trincão, e o Prof. Sá Furtado viemos a público, de forma mais ou menos polémica, para falar sobre o assunto, no "Diário de Coimbra". O Magnífico Reitor também se referiu ao caso, embora apenas a propósito da possível ligação do MNCT à Universidade, ideia essa que (a meu ver bem) repudiou. Todavia, para além da Universidade, houve algumas vozes dispersas que protestaram. Nestas situações o que impressiona não é a variedade de opiniões, mas o silêncio. É como se o MNCT não nos dissesse respeito, como professores e investigadores, ou como estudantes ou trabalhadores da Universidade. Será assim?
Um abraço para todos
Luís Reis Torgal"





