Razao

ESTE BLOGUE COMBATE TUDO O QUE POSSA POR EM CAUSA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A SUA LIBERDADE. É, POR ISSO, ANTICAPITALISTA E ANTICOMUNISTA.

22/03/08

A Virgem e o Menino

Não, não se trata de uma nova pintura de Giotto! É só para vos recomendar um blogue onde podem encontrar fotomontagens sensacionais. Trata-se do blogue, traduzindo para português, "Nós temos caos no jardim". Vale a pena visitar.

A China e o Genocídio no Darfur!

Um campo de refugiados do Darfur

Recebi um email interessante de Colleen Connors, da Save Darfur Coalition, que deixo à vossa consideração. Resumindo em português:

Caro JP, a China não deve virar as suas costas ao genocídio no Darfur. Mais de 80.000 pessoas foram deslocadas só no último mês e o aumento dos combates resultou na morte de milhares de civis (são eliminadas povoações inteiras pela milícia árabe, os janjawid). Tendo a China poder para parar o Genocídio que ali está a ocorrer devemos dizer ao "representante especial chinês para o Darfur" para ajudar a diplomacia dos representantes da UNAMID. A China devia estar a concentrar-se em manter no terreno os representantes da UNAMID. Em vez disso eles parecem estar a monitorar os sistemas informáticos das organizações internacionais pela paz no Darfur. Além do email pessoal dos seus membros, os hackers chineses passaram os computadores pessoais a pente fino!

Para pressionar Liu Guijin, o representante chinês para o Darfur, a usar a sua influência junto do governo sudanês, e assim ajudar a UNAMID a parar o genocídio e evitar mais mortes, click aqui. Note-se que a China sendo membro do Conselho de segurança da ONU tem grande influência na missão de paz. No entanto, em vez de a utilizar para ajudar o Darfur, a China continua a defender os interesses do governo sudanês, expandindo o comércio e ajudando militarmente.
A juntar a isto, o desrespeito e a violação dos direitos do povo tibetano. E vamos nós aos jogos olímpicos de Pequim este ano com um sorriso nos lábios? EU NÃO VOU!

21/03/08

INTOLERÁVEL!


Mas atenção! A culpa, aqui, não é da jovem! Que não venham agora os media, PGR e outros, armados em cães de fila, linchá-los na praça publica. Não! Não os castiguem agora, porque estes meninos prestaram um grande serviço público. É que o crime não é tão grave assim, comparado com o que grassa por aí. Mas foi um alerta precioso. Que isto sirva para que o contexto social no país evolua no sentido da dignificação, da reposição do respeito e da autoridade do professor. Percebam que os verdadeiros culpados, aqui, foram os que, com a maior responsabilidade, deram o exemplo, a ministra e o governo. Há muito que os sucessivos governos em Portugal vêm contribuindo para uma crescente desautorização do professor na sala de aula. O desrespeito pela profissão de professor que este governo, injustamente, passou para a opinião pública só veio agravar a situação, contribuindo para o espectáculo que agora assistimos. Há uma tensão social grave instalada nas escolas. É necessário inverter esta situação, urgentemente. Isso passa por começar a responsabilizar, em primeiro lugar, os governantes, causadores da situação intolerável de libertinagem que hoje se vive na escola. Depois os pequenos selvagens pelos actos intoleráveis que cometerem. A eles e aos respectivos papás que os não educam. Há necessidade de uma política de responsabilização que obrigue os pais, em casa, a terem consciência que o filho que não educam não pode fazer o que quer. Se o faz, tem que ser responsabilizado. Uma vez que o primeiro-ministro se responsabilizou pela sua ministra só lhe resta uma saída honrosa: a demissão! Mas, antes, um pedido de desculpa aos professores também não lhe ficava nada mal!

Agora, nem oito nem oitenta. Mas a diferença com o que se passa lá fora:


É que, provavelmente, em Portugal este professor teria sido linchado na sala de aula. Mas nem um sussurro dos alunos, apesar da atitude reprovável do professor!

Para finalizar, aqui ficam as palavras finais de um post de Paulo de Carvalho (que li hoje 31de Março) e que retratam muito bem o que se vive:

Portanto, queiram fazer o favor de colocar o despertador ao PGR e aos Media, pois o que aconteceu no Carolina Michaelis é mel, comparado com o que grassa por esse país fora. Abram os telejornais com homens a morder em cães e não com cães a morder em homens, pois estes cães existem porque não têm domadores. Se o Ministério da Educação e o Governo não racharem a cabeça ao meio para lá meterem a ideia de que certos cães precisam de chicote para serem domados, continuaremos com uma escola inclusiva sim, mas anti-democrática, onde os pitt-bulls e os rottweillers aporcalham por completo o canil e onde os cocker-speniells, os labradores e os golden-retrievers sentem a sua pureza em risco.

18/03/08

A QUEM DE DIREITO... A Razão de Ser do Estado da Cultura em Portugal (VII)

Acabo de receber por email a cópia de uma carta que a minha mãe enviou para publicação no jornal Diário de Coimbra. Deixo à vossa consideração:

"Senhor Director:

Ainda e Sempre o
Museu Nacional da Ciência e da Técnica

Ao Senhor Luís Fernandes,

Como filha mais velha do Professor Mário Augusto da Silva e que, ao longo destes anos – 30 anos precisamente – tenho vindo a público no Diário de Coimbra lutar, clamar em prol das obras do meu pai, não podia agora ficar calada. Quero primeiro agradecer-lhe o ter tomado posição tão empenhadamente a favor do Museu Nacional da Ciência e da Técnica (MNCT). Também dizer-lhe que foi a primeira vez que um conimbricense, como diz “um cidadão anónimo”, vem à luta pelo Museu. Muito, muito obrigada. A maioria dos nossos conterrâneos esteve, e está, sempre de costas viradas para o Museu. As sua vidinhas são mais importantes que um Museu de Ciência. Como estavam e estão enganados! Embora com muito mais população, Coimbra está em agonia. Era a terceira cidade! E hoje?

As chamadas forças vivas da cidade, ou é melhor chamar-lhes «forças mortas», tudo têm feito para levar ao desaparecimento o MNCT, não o vendo como o que Mário Silva queria fazer, um Museu Nacional da Ciência e da Técnica de Portugal. Um museu vivo e dinâmico, com pólos em todas as cidades, desde os moinhos, azenhas, lagares de azeite… até às últimas conquistas da ciência. Englobando todos os museus já existentes como pólos independentes mas integrados num grande museu, para proporcionar a quem o visitasse uma visão de todo o passado e as conquistas do futuro. Principalmente as referentes ao engenho português. Veja como Coimbra se poderia efectivamente tornar num pólo de excelência da cultura portuguesa, em vez de termos somente aquela publicidade enganosa na A1.

Fiquei muito magoada quando o próprio ministro Mariano Gago lhe deu o golpe final, quando tinha sido sua Excelência, em 1999, a salvá-lo, criando junto ao MNCT o Instituto da História da Ciência e da Técnica. Como bem referiu na altura, era uma lacuna no nosso ensino superior.

Realmente para quê impor à cidade, às suas forças vivas e à sua população este museu?

O Senhor Presidente da Câmara, o seu pelouro da cultura e os ditos “amigos da cultura” não estão nada interessados. O Senhor Reitor da Universidade achou por bem fazer antes mais um museuzinho de ciência… para juntar aos outros todos que lá tem. Ao menos se já existia com Estatutos legalizados um Museu Nacional da Ciência e da Técnica na cidade, porque não a Universidade reivindicar a sua integração. Penso que os Senhores Professores tiveram medo de tamanha responsabilidade. Repare. A Mário Silva foi-lhe dada a direcção de um Museu assim. Direcção que assumiu com Mestria. Em princípio ficaria em Lisboa, mas amando a sua cidade conseguiu que Coimbra fosse a sua sede. E porque não Coimbra, que já tinha sido a sede da primeira universidade portuguesa. Coimbra mereceu?...

Mas morreu Mário Silva. Sucede-lhe um Professor Catedrático no activo. Veja o resultado. Um descalabro completo. E lá vão vinte anos. Vem novo Professor, só que desta vez alguém que se dedica completamente e trabalha com afinco durante somente cerca de dois anos – Professor Paulo Renato Trincão, com o ministro Mariano Gago. Foi o canto do cisne do museu. Muda novamente o governo. As forças vivas que tinham sido travadas, têm agora via livre novamente. O Museu Nacional tem agora os dias contados. E o novo Senhor Ministro ainda tem a ousadia de lhe por o nome Dr. Mário Silva!!! Como estava certa quando publicamente, aqui mesmo, repudiei esta “honra”. Porque além de diminuir ambos era a maneira de ser mais fácil fechá-lo. Colocam lá outro Professor no activo. A sua direcção é a ruína completa do museu. Aliás tinha à sua espera o novo museuzinho… para quê gastar energias e responsabilidade na direcção do Museu Nacional da Ciência da Técnica, não de Lisboa, do Porto, de Coimbra, e de, e de, e de… mas o Museu Nacional da Ciência e da Técnica de Portugal.

No seu segundo artigo fala do Dr. Mário Nunes. Vou dizer-lhe pois talvez não se recorde. O Dr. Mário Nunes em 15 de Maio de 1988 no Jornal Domingo, publicou um extenso artigo “Museu Nacional da Ciência e da Técnica muda ou não de local?!” O artigo é encimado pelas fotos das duas casas principais. A da rua Fernandes Tomás (que o director à data Professor Alte da Veiga alienou). A da rua dos Coutinhos, o palácio Sacadura Bote, comprado mais tarde pelo Estado no tempo do Professor Renato Trincão. Em boa hora! Porque estava para ser vendido a um sr. professor… Trás ainda uma outra foto da casa da rua da ilha onde mostra a tecnologia da cerâmica. Nela havia, entre outras coisas, uma sala de armas, composta por uma grande colecção. Engraçado. Senão repare: no Inverno do ano seguinte, 1989, o telhado deste edifício, velho, rompeu e deixou entrar água. Isto num prédio de dois ou três andares. O museu ficava no rés-do-chão. O Sr. director mandou retirar todas as peças (onde estão?) e muito solicitamente comprou o imóvel para si mesmo!!! Mas voltemos ao que interessa. O Dr. Mário Nunes termina-o assim: “que o Museu da Ciência e da Técnica continue a ser nacional e sediado em Coimbra, são os votos que formulamos e a melhor forma de estarmos na e com a urbe mondeguina”.

Que me diz o senhor? Não é para rir? O Sr. Dr. Mário Nunes tem hoje o pelouro da cultura da Câmara Municipal de Coimbra.

Coimbra, 18 de Março de 2008

Maria Isabel da Silva Nobre"
Visita do Prof. Veiga Simão ao Museu Nacional da Ciência e da Técnica aquando da sua inauguração em 1971. Foto tirada num dos salões dedicados ao génio de Leonardo da Vinci.
Recordo que acerca deste assunto publiquei vários "posts" onde chamo à atenção para a petição que está on-line aqui:

http://www.petitiononline.com/muscoimb/petition.html

TIBETE LIVRE JÁ!

Imagem retirada do site estudantes para um Tibete livre
A 29ª edição dos Jogos Olímpicos de Verão realizar-se-á em 2008, entre 8 e 24 de Agosto, na cidade de Pequim, China. Caso não sejam boicotados pelos países ocidentais, incluindo Portugal, se a China não rever as suas posições, estes serão claramente os Jogos Olímpicos da globalização dos interesses e da hipocrisia. Celebrando-se então em Pequim a invasão deste país ao vizinho Tibete, onde os mais elementares direitos do homem têm vindo a ser desrespeitados há muitos anos, e, pior, o apoio incontestado deste país ao genocídio do povo do Darfur (região no Oeste do Sudão). Se assim for, aqui fica a mensagem: hipócritas de todo o mundo não faltem!
Ver últimas notícias aqui.

17/03/08

Requiem pelo Museu Nacional da Ciência e da Técnica

Requiem aeternam dona eis, Domine,
Exaudi orationem meam
Sobre o assunto em epígrafe, constatei que a carta que enviei aos «Amigos da Cultura» foi colocada on-line no blogue do movimento. Muito bem! Mas há qualquer coisa que não bate certo. Afinal o meu primeiro "post" sobre esta petição é do dia 12 de Março e até ao momento aquela petição só foi subscrita por 11 pessoas?! Que se passa? Será que o desmantelamento e o futuro incerto do espólio do Museu Nacional da Ciência e da Técnica (MNCT), não são razões mais do que suficientes para assinarem aquela petição? Não é uma forma de mostrarmos que não concordamos com este assassinato cultural? Não devemos tentar deter mais um crime contra a CULTURA PORTUGUESA?
Para que fique na História, para quando ela um dia nos julgar a todos. Quero deixar uma palavra de apreço a dois Professores da Universidade de Coimbra, para os quais este assunto não passou despercebido. Refiro-me aos Professores Sá Furtado (Professor Catedrático Jubilado da FCTUC) e Reis Torgal (Professor Catedrático da FLUC). Obrigado pela vossa lucidez.
Transcrevo um texto do Professor Reis Torgal num fórum universitário, em 2003, altura em que o desacato começou verdadeiramente. O MNCT ficou no limbo, mas não foi desmantelado como parece ir acontecer agora. Naquela altura ainda foi evitado o pior, porque acabou por ser indigitado o Professor Paulo Gama da Mota para director do MNCT, agora com a designação suplementar de Dr. Mário Silva. Imagine-se! Embora naquela altura tenham assassinado o Instituto para a História da Ciência e da Técnica, que tinha sido criado em 1999 junto do MNCT, por intermédio do Professor Mariano Gago, então ministro da tutela. Como o texto continua actual, aqui fica:
"Caros colegas,
Fico impressionado com a indiferença com que os universitários e a academia aceitaram a extinção do MNCT, idealizado pelo Prof. Mário Silva (demitido por Salazar em 1947), museu esse que, na verdade, tem passado por uma vida atribulada e que, apesar de tudo, ultimamente, dava uma certa imagem de dinamismo. Que eu saiba, e independentemente do apoio que cada um, eventualmente, terá dado a um manifesto que por aí correu, só eu (permitam-me a referência), o antigo director, Prof. Paulo Trincão, e o Prof. Sá Furtado viemos a público, de forma mais ou menos polémica, para falar sobre o assunto, no "Diário de Coimbra". O Magnífico Reitor também se referiu ao caso, embora apenas a propósito da possível ligação do MNCT à Universidade, ideia essa que (a meu ver bem) repudiou. Todavia, para além da Universidade, houve algumas vozes dispersas que protestaram. Nestas situações o que impressiona não é a variedade de opiniões, mas o silêncio. É como se o MNCT não nos dissesse respeito, como professores e investigadores, ou como estudantes ou trabalhadores da Universidade. Será assim?
Um abraço para todos
Luís Reis Torgal"

16/03/08

A Mula do Severino Espanhol e o Médico

Um conto do meu pai. Em memória do pai mais sábio do mundo.
Este conto é dedicado ao Carlos Freitas, confrade blogueiro do prosas vadias e à sua mulher. Porque de facto o mundo é pequeno...
O Severino Gonçalves mais conhecido por Severino Espanhol
Naquele tempo, a Vide não tinha acesso fácil aos lugares ou lugarejos da sua freguesia. Não tinha estradas, mesmo de terra batida, mas sim, caminhos, entre urgueiras e barrancos. Por isso, as deslocações humanas, por transportes, eram feitas por mulas ou machos, como se estes animais fossem mula-táxi ou macho-táxi.
O médico Dr. Vasco de Campos, de Avô, médico da minha família e com fortes laços de amizade, visitava, frequentemente, os seus doentes ou quando, por chamadas urgentes, em Vide ou na sua freguesia. Numa entrevista que me concedeu na Ponte das Três Entradas, aliás publicada no jornal “A Comarca de Arganil”, contou-me um episódio numa das suas visitas médicas, a uma aldeia escondida na freguesia de Vide.

- Eu: - Recorde-me, Dr. Vasco, um episódio da sua vida de médico, que ficou bem gravado nas suas recordações, durante as suas caminhadas por terras do Alva e por terras serranas.
- Dr. Vasco: - Por coincidência, conto ao meu bom amigo um episódio, precisamente na freguesia de Vide. Como sabe, estudo e observo com interesse, os comportamentos humanos necessários aos diagnósticos que suportam a minha vida de médico.
Vou contar: fui chamado, com urgência, para acudir a um doente na sua freguesia. O Severino Espanhol era o melhor arreeiro que topei nas minhas andanças, por vezes sem descanso. Parti de Vide, montando a mula do Severino. Percorrido já um longo percurso, aliás muito mau e agreste, o Severino, bruscamente e com um forte esticão, parou a mula. Surpreendido, perguntei-lhe:
- O que se passa?
Justificou:
Sr. Doutor estamos por cima de um barranco fundo e a pique e, por isso, a mula não pode continuar a ser montada. Agora, Sr. Doutor Vasco, daqui para adiante, só passam e andam neste caminho bestas com dois pés. Mas não esteja com essa cara, porque vai beber uma golada de vinho tinto da garrafa que aqui trago. Olhe, a minha mulher não quer que beba vinho branco, porque, diz ela, que faz mijar muito e obriga a ter muitas paragens pelo caminho.
Para me acalmar da situação e ter mais coragem para continuar o caminho a pé, como se fosse a besta do Severino, bebi uma golada de vinho tinto:
Ó Severino, esta palha é da melhor. Foram os agradecimentos da besta.

- Eu: - Dedicado amigo Dr. Vasco, as nossas recordações nunca morrem, eternizam-se.
C.N.
PS: por falar em confrade, o próximo conto será sobre a confraria do carolo.

15/03/08

Sam Lightnin' Hopkins

Um dos melhores interpretes de Blues de todos os tempos. Para mim claro. É a alma e a pureza dos blues que aqui está. Uma homenagem a Sam Lightnin' Hopkins que faria hoje 96 anos de idade.

Cotton


Nasceu num bairro pobre de Centerville, Texas, no dia 15 de Março de 1912. Cedo, na sua infância, se iniciou nos blues pela mão de outra lenda dos blues, Blind Lemon Jefferson e pela influência do seu primo Texas Alexander. Em 1950 mudou-se para Houston onde tencionava ganhar a vida com a sua música. Na rua e em bares. Após as suas primeiras gravações para uma editora local, é convidado pela Aladdin Records de Los Angeles, onde toca com Wilson Smith. A sua alcunha Lightnin' surgiu naturalmente devido à sua parceria com aquele músico: Wilson "Thunder" Smith. Sam não escrevia as suas músicas: vivia-as. Como costumava dizer: "As pessoas aprendem como dedilhar uma viola, mas não têm alma. A sua música não vem de dentro, do coração. Dói-me. Mato-me a dizer-lhes como é." Sam toca o dia a dia, compondo as canções sobre coisas que conheceu no seu bairro pobre, do sul segregado, do azar no amor e todos os temas típicos dos blues. Mas sempre com naturalidade e humor. Muitas vezes, quando ia para o estúdio gravava aquilo que lhe vinha à cabeça. A música brotava-lhe da alma, tendo um estilo próprio de tocar viola. Tendo voltado para Hounston, de onde raramente saía e onde viveu a maior parte do tempo, a sua carreira teve altos e baixos. Mas durante cinco décadas manteve-se um elemento essencial, influenciando muitos músicos dedicados e inspirando milhares de fãs fiéis. Tocou no Carnegie Hall em 1960. E ficou imortalizado num documentário de Les Blanc, The Blues Accordin' to Lightnin' Hopkins (1969). Foi um dos músicos de blues que mais álbuns gravou e foi considerado um dos 100 homens mais importantes do Texas. Morreu em Houston em 1982.

12/03/08

PELO DIREITO À MEMÓRIA E PELO DEVER DE PRESERVAR UM MUSEU UNIVERSAL DE COIMBRA Petition

PELO DIREITO À MEMÓRIA E PELO DEVER DE PRESERVAR UM MUSEU UNIVERSAL DE COIMBRA Petition
Deparei-me com esta petição na internet. Desconhecendo a sua autoria e achando que o texto poderia ser melhorado, acabei por subscrevê-la, pois, no essencial, concordo com a iniciativa. O governo decidiu desmantelar o Museu Nacional da Ciência e da Técnica (MNCT), entregando o destino do seu valioso espólio nas mãos da Universidade de Coimbra. Não é a Universidade de Coimbra que aqui está em causa. Que fique bem claro. É o fim do Museu Nacional de Ciência que me incomoda. Que nos deve incomodar a todos. A Universidade ficará mais rica, com certeza, mas Coimbra e Portugal ficarão infinitamente mais pobres. Parece também que a Universidade se vai desfazer das peças de menor valor. É legítimo que questionemos os critérios que presidirão ao valor, ou falta dele, das milhares de peças do rico acervo deste Museu Nacional. É outra incógnita. É outra preocupação, dados os tristes exemplos que temos do passado. Parece também que o magnífico palacete Sacadura Bote vai servir de residência universitária, quando, justamente, ali deveria ser criada a Casa-Museu Mário Silva. Lamentamos igualmente que, infelizmente, o actual director do MNCT, desde 2002, acumulasse o cargo com o de director do novo Museu de Ciência da Universidade de Coimbra. Sendo também Professor da UC, a incompatibilidade deveria ter funcionado aqui, pois o MNCT saiu tremendamente prejudicado com essa incompatibilidade de funções. É óbvio que não defendeu a Instituição que dirigia. Por outro lado, o governo arranjou uma forma fácil de se livrar "do problema". Porque, infelizmente, para os sucessivos governos desde 1980, o Museu Nacional da Ciência e da Técnica sempre foi visto como um problema, com o qual nunca quiseram, nem souberam, lidar. Curiosamente, Mariano Gago surge na sua história dos últimos 30 anos associado ao melhor e ao pior momento. No tempo de Guterres criou o Instituto para a História da Ciência e da Técnica (IHCT/MNCT) e, aparentemente, a solução para o MNCT parecia estar encontrada. Criando junto do Museu um Instituto necessário e útil a Portugal. Lamentavelmente, veio Durão e arrasou com todos os Institutos. Bons e maus. Pena que, agora, o ministro não tenha mantido a opinião de então e venha dar o dito por não dito, acedendo aos desejos inconfessados da direita mais retrógrada e saudosista. Se tivesse sido criado em Lisboa, teria este Museu passado por tudo o que passou nos últimos trinta anos? Não creio.

Eu não concordo com o fim do MNCT. Por isso assinei a petição, a Bem da Cultura, a Bem de Portugal!

11/03/08

Gavroche e o Último Garoto...

Um conto do meu pai. Em memória do pai mais sábio do mundo.

Gavroche na pintura de Delacroix “A Liberdade guiando o povo”


PORQUÊ ÚLTIMO GAROTO? (do título do volume II do Memorial de Vide)

Chamo para me ajudar a esclarecer e justificar este porquê, o Gavroche, o garoto revolucionário, que nas barricadas da Revolução Francesa ajudava, na luta pela liberdade do povo francês, a impor a toda a humanidade os mais belos princípios humanos: igualdade, liberdade e fraternidade. Foi um garoto revolucionário pelos melhores ideais. Este garoto, Gavroche, teve os maiores elogios do grande escritor francês Victor Hugo, que o imortalizou na sua obra “Os Miseráveis”, considerando-o uma pérola. No livro “Rã no Pântano” do Dr. António de Almeida Santos, de Vide, é maravilhosamente tratado. Escreveu:

“Meu Gavroche… Vá Gavroche, rouba uma estrela do Céu, quando o Sol fechar os olhos. Tu, rouba a mais bela”.

Citando também Victor Hugo:
“O Gavroche é que tem na alma uma pérola e as pérolas não se dissolvem na lama”.

Por isso, as estrelas roubadas quando o Sol dormia e as pérolas agarradas ao coração dos garotos gavroches, sinto-me culpado dos roubos, desde a idade do Gavroche, eternizado pelo grande Delacroix, até hoje. À espera que a morte me diga, já basta, esperando que me diga também, leva a tua estrela e a tua pérola. Quantos garotos gavroches, que foram meus amigos e companheiros, levaram as suas estrelas e as suas pérolas? Gavroches revolucionários, nas barricadas da vida, revolucionários com os ideais presos às mãos, para as suas estrelas iluminarem a sua defesa pela liberatura, da poesia, da arte, na sua diversidade e dos melhores valores humanos.
Recordá-los? A "A Comarca de Arganil" não mos recusa, por que também os tem, com as idades que já os seus gavroches não têm tempo para os contar. Recordar tantos. Vasco de Campos, Carminé Nobre, Agostinho Antunes, João Castanheira, Mário Silva (cientista), Joaquim Mascarenhas, Nunes Pereira, Silvestre e Alberto (Barril de Alva)...
E os gavroches que canonizaram o Alvarinho Taveira na sua residência na aldeia de Casal de Balaus (Condeixa)? Numa Tertúlia banhada pelo «vinho bispa», o Vasco de Campos, Carminé Nobre, Miguel Torga e Vitorino Nemésio, exclamaram convictos: «Ó Alvarinho tu és amado pelo teu povo. És um santo!!». De imediato o artista plástico e escultor Álvaro de Matos fez-lhe uma estatueta de corpo inteiro, em terracota. E todos em procissão colocaram o Alvarinho num nicho junto ao altar da igreja, com autorização do padre Luciano, que paroquiava na altura a aldeia. Estes gavroches, iluminados pelas suas estrelas, beatificaram o Alvarinho sem prestarem contas, e á revelia das normas canónicas do papado, em Roma. Há santos só com estrelas na alma. O povo aceitou-o como santo e nas procissões das festas religiosas lá ia o Alvarinho num andor rodeado de flores...
E quem foi o Gavroche que lançou as estrelas para o céu, de propósito, para serem apanhadas pelos seus eleitos e companheiros garotos sem idades? Sabem, quem? O Gavroche revolucionário divino Jesus Cristo, que na gravura que se junta está com a sua Mãe na carpintaria do seu Pai José.

Mas nem todos os garotos gavroches foram felizes. Milhares de garotos e raparigas, agruparam-se numa cruzada, conhecida pela Cruzada das Crianças, comandadas por dois garotos com as idades de 10 anos, um francês, Eugénio, e o outro alemão, o Estêvão, para libertarem a Terra Santa dos muçulmanos, em 1212. Transcrevo esta Cruzada da História da Igreja, do autor August Franzen: «Por que Deus exigia que só as virgens e crianças poderiam libertar a Terra Santa. E porque todas as cruzadas tinham sido derrotadas, apesar de cavaleiros sanguinários». E transcrevo o fim desta Cruzada, do mesmo livro da História da Igreja «O empreendimento em nome de Deus, terminou numa terrível tragédia. As raparigas foram vítimas de terríveis abusos no norte de Itália (apesar das bênçãos do papa, em Roma), em Marselha vendidos para escravos e em Alexandria, uma imagem arrepiante». E quantos inocentes gavroches, têm sido aproveitados em nome de Deus, de Cristo e de sua Mãe? Inocentes, só acompanhados pelas luzes das estrelas que lhes ofereceu o seu companheiro gavroche Jesus, têm sido aproveitados, mesmo pelos que se afirmam cristãos-católicos portugueses. E aproveitamento por todo o mundo, que resulta em milhões de crianças massacradas com guerras e mortes com fome. Satisfazem os seus interesses. Mas quando chegar o fim de tantos deles, sem as luzes das estrelas dos gavroches, um negrume eterno os espera. Eu, ainda aqui estou, com a minha estrela roubada. A pérola está com a minha mulher.
E só no patim da igreja de Vide.

Oh pai!... Não estás só... estás nos nossos corações e rodeado de todos os teus Gavroches!