Cotton
15/03/08
Sam Lightnin' Hopkins
Cotton
12/03/08
PELO DIREITO À MEMÓRIA E PELO DEVER DE PRESERVAR UM MUSEU UNIVERSAL DE COIMBRA Petition
Eu não concordo com o fim do MNCT. Por isso assinei a petição, a Bem da Cultura, a Bem de Portugal!
11/03/08
Gavroche e o Último Garoto...
Gavroche na pintura de Delacroix “A Liberdade guiando o povo”
Chamo para me ajudar a esclarecer e justificar este porquê, o Gavroche, o garoto revolucionário, que nas barricadas da Revolução Francesa ajudava, na luta pela liberdade do povo francês, a impor a toda a humanidade os mais belos princípios humanos: igualdade, liberdade e fraternidade. Foi um garoto revolucionário pelos melhores ideais. Este garoto, Gavroche, teve os maiores elogios do grande escritor francês Victor Hugo, que o imortalizou na sua obra “Os Miseráveis”, considerando-o uma pérola. No livro “Rã no Pântano” do Dr. António de Almeida Santos, de Vide, é maravilhosamente tratado. Escreveu:
“Meu Gavroche… Vá Gavroche, rouba uma estrela do Céu, quando o Sol fechar os olhos. Tu, rouba a mais bela”.
Por isso, as estrelas roubadas quando o Sol dormia e as pérolas agarradas ao coração dos garotos gavroches, sinto-me culpado dos roubos, desde a idade do Gavroche, eternizado pelo grande Delacroix, até hoje. À espera que a morte me diga, já basta, esperando que me diga também, leva a tua estrela e a tua pérola. Quantos garotos gavroches, que foram meus amigos e companheiros, levaram as suas estrelas e as suas pérolas? Gavroches revolucionários, nas barricadas da vida, revolucionários com os ideais presos às mãos, para as suas estrelas iluminarem a sua defesa pela liberatura, da poesia, da arte, na sua diversidade e dos melhores valores humanos.

Mas nem todos os garotos gavroches foram felizes. Milhares de garotos e raparigas, agruparam-se numa cruzada, conhecida pela Cruzada das Crianças, comandadas por dois garotos com as idades de 10 anos, um francês, Eugénio, e o outro alemão, o Estêvão, para libertarem a Terra Santa dos muçulmanos, em 1212. Transcrevo esta Cruzada da História da Igreja, do autor August Franzen: «Por que Deus exigia que só as virgens e crianças poderiam libertar a Terra Santa. E porque todas as cruzadas tinham sido derrotadas, apesar de cavaleiros sanguinários». E transcrevo o fim desta Cruzada, do mesmo livro da História da Igreja «O empreendimento em nome de Deus, terminou numa terrível tragédia. As raparigas foram vítimas de terríveis abusos no norte de Itália (apesar das bênçãos do papa, em Roma), em Marselha vendidos para escravos e em Alexandria, uma imagem arrepiante». E quantos inocentes gavroches, têm sido aproveitados em nome de Deus, de Cristo e de sua Mãe? Inocentes, só acompanhados pelas luzes das estrelas que lhes ofereceu o seu companheiro gavroche Jesus, têm sido aproveitados, mesmo pelos que se afirmam cristãos-católicos portugueses. E aproveitamento por todo o mundo, que resulta em milhões de crianças massacradas com guerras e mortes com fome. Satisfazem os seus interesses. Mas quando chegar o fim de tantos deles, sem as luzes das estrelas dos gavroches, um negrume eterno os espera. Eu, ainda aqui estou, com a minha estrela roubada. A pérola está com a minha mulher.
E só no patim da igreja de Vide.
Oh pai!... Não estás só... estás nos nossos corações e rodeado de todos os teus Gavroches!
Dois Livros Únicos...
Eis a capa do segundo volume "O Último Garoto" do Memorial de Vide, que ficou incompleto devido ao falecimento do seu autor, meu pai. Farei tudo para o acabar e editar. Edição de autor, claro, como o primeiro volume "Camélias Brancas". Sendo um livro essencial para a história da Freguesia de Vide, Conselho de Seia, sob múltiplos aspectos, históricos, sociais, geográficos, geológicos, costumes, literários, etc , e tendo pedido ajuda para a sua edição à Câmara Municipal de Seia, soube da recusa pela omissão na resposta ao envio de um livro. 
Ambas as capas são da minha autoria...
Deixo-vos com duas mensagens. A primeira, a dedicatória do livro "Camélias Brancas":
À minha mãe
Mãe que deu ao mundo catorze filhos, nascidos em Vide, como exemplo de uma mulher heróica, professora e educadora.
Na minha partida para longe do meu lar, recordou-me a melhor oração, na mensagem cristã:
“Se quiseres viver a razão da tua vida, olha os lírios do campo que cantam a Natureza divina e olha as avezinhas no céu azul, que voam felizes e em liberdade."
Por isso esta mensagem influenciou este Memorial, que conta vidas humanas, sem cuidar nas suas diferenças sociais, porque têm a mesma dignidade humana, seja analfabeta ou de formação cultural.
Reafirmando esta mensagem, na página seguinte, em jeito de despedida:
Reforma Indignante!
A propósito ainda da manifestação dos professores deparei com o seguinte "post" "A acção colectiva e a sua lógica" publicada no blogue Ladrões de Bicicletas, que também vem publicado aqui. O "post" vem a propósito de uma análise publicada por Vital Moreira. Sendo a perspectiva de Vital Moreira baseada na de Mancur Olson, "inspirador de uma das mais eficazes linhas de ataque neoliberal aos pilares fundamentais do Estado Social", como diz João Rodrigues no seu "post", é de facto razão mais do que suficiente para ficarmos todos preocupados com "a extensão da guinada à direita do «socialismo moderno»", nas palavras do mesmo autor. Também já o tinha dito no meu "indignação!". Agora, é de facto lamentável que Vital Moreira venha diminuir a justeza da luta dos professores contra uma reforma indignante. Vindo de quem vem, só nos pode deixar preocupados. Na realidade, o PS e o seu governo têm intoxicado a opinião pública com slogans demagógicos, tentando que a opinião pública tome o seu partido contra os professores. Por isso, não acredito, como diz Vital Moreira, que "a maioria da população que pode apoiar essas mesmas reformas não tem nem a mesma intensidade de interesses nem a mesma capacidade de mobilização". Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Eu espero que os portugueses contradigam este tipo de opinião e apoiem os professores. Porque ao fazê-lo estão a defender a justiça e a verdade, contra a arbitrariedade. Acredito que o façam e não se deixem enganar por majores e outros. Pois, não é por acaso que numa recente sondagem, mais de 40% dos portugueses elegeram a classe dos professores como a classe em quem mais confiavam, contra somente 6% na classe politica, que ficou em último lugar.10/03/08
Uma Fotobiografia Abafada... A Razão de Ser do Estado da Cultura em Portugal (VI)

09/03/08
Indignação!

08/03/08
Quando os Sinos Dobram...
Um Testemunho Histórico de Alda Luís Gomes,
Quando li a carta abaixo, mal queria acreditar. Aparentemente era uma simples carta trocada entre duas amigas. O nome, à primeira, nada me disse. Ao ler a carta com atenção, percebi que se tratava de uma carta de Alda Luís Gomes para a minha avó Maria. Alda Luís Gomes era irmã do ilustre cientista Ruy Luís Gomes. Mas esta carta é um testemunho único, contado na primeira pessoa, da perseguição baixa e mesquinha que o regime salazarista moveu contra aqueles que lhe podiam fazer frente. Cegamente, os alvos da mesquinhez foram sempre os homens mais inteligentes de Portugal. Aqueles a quem o regime nunca enganaria e, muito menos, compraria. Em suma, a nata da ciência portuguesa. Não é à toa que falamos do "atraso" português. São estes testemunhos que o comprovam. Trata-se, enfim, de uma descrição das peripécias incríveis, inenarráveis até, que ocorreram durante o funeral de um grande, grande português. Falamos de Abel Salazar... Desde terem prendido o cadáver, a sepultarem-no às 10 horas da noite, o esbofetear do director da Faculdade de Medicina do Porto da altura, a prisão de Ruy Luís Gomes, nada pareceu faltar naquele trágico funeral. Nem depois de morto...

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NOTA BEM:
06/03/08
Sam Lightnin' Hopkins
Cotton
05/03/08
João Brandão e os Cacas
João Brandão in Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Volume 1, Publicações Alfa
A Beira Serra foi assolada por lutas sangrentas, entre os liberais que juraram a Constituição, em 1826, nos períodos monárquicos do Rei D. Pedro IV e da Rainha D. Maria II e os absolutistas ou miguelistas do Rei D. Miguel, que se considerou Rei Absoluto e, como tal, representante de Deus, como se auto denominaram os monarcas absolutistas europeus.
A Beira Serra, especificamente, os concelhos de Oliveira do Hospital e Seia, sofreram com essas lutas e vinganças de morte. De um lado, os liberais, comandados pelas tropas de João Brandão e, do outro, os miguelistas, capitaneados por influentes concelhios. Na freguesia de Vide foram mais sangrentas, entre João Brandão e os cacas, ladrões, salteadores e criminosos, apoiados e armados pelos miguelistas dos referidos concelhos.
A Ponte de pau, no local da Catraia, onde os cacas foram derrotados por João BrandãoNa sua perseguição até ao Sobral Gordo, Sobral Magro e Cebola, João Brandão apreendeu 600 armas na Barriosa. Os cacas eram tão ladrões, que ainda conheci casas na Vide, que tinham duas paredes, para entre elas se esconderem os alimentos.
A propósito, António Figueiredo, do Casal do Rei, conhecido por Tio Teixeira, por ter uma quinta na Teixeira, era um miguelista fanático, e de tal modo, que misturava a fotografia do Rei D. Miguel com os seus santos, no oratório. Conta-se que começou a engordar um boi, para ser comido quando do regresso do Rei D. Miguel, exilado em Viena de Áustria, para recuperar o trono de Portugal. Mas, aconteceu que, passados quatros anos, o boi já gordo, foi roubado, abandonado e morto na Portela da Avoaça, deixando desanimado o padre João Silva, de Vide, conhecido por Padre Rústico, porque ansiava alambazar-se na comedura do boi. Foi um alarido e aos gritos “roubaram o boi do Rei D. Miguel”.
E a propósito final, João Brandão foi injustamente preso e exilado em Angola, aonde teve uma morte trágica, depois de ter sido condenado por defender a justiça e os valores humanos. Por isso, e pela sua lealdade, mereceu um louvor “honroso e patriótico” da Rainha D. Maria II.
Mas mais importante. As vitórias de João Brandão tiveram a melhor aliada, o amor da sua amante, em Baloquinhas, que o avisava da presença dos cacas, com uma fogueira, num dos altos dessa povoação e cujo aviso, era por ele aguardado, na Estalagem. Alguém, do passado, recordou os versos da cantiga do seu amor:
Leva-te o fogo do meu amor
A minha irmã Ester escreveu sobre João Augusto Brandão, filho de João Brandão:
“Conheci um homem verdadeiramente extraordinário, filho de João Brandão – e que se aparentou à minha família pelo seu casamento com a prima Leucádia, do Councedeira. Filósofo, naturalista e curandeiro. Salvando muita gente com a ciência dos seus livros.”
O filho de João Brandão, que foi Presidente da Junta Paroquial de Vide.
Nota final: aqui iniciarei uma série de contos que o meu pai nos deixou. São essencialmente histórias da sua Beira Serra, da terra do bacalhau da Maria, que Torga também perpetuou nos seus contos. São Histórias do Portugal profundo que nos fazem sentir orgulho de sermos portugueses, ainda que no meio da miséria de valores que, hoje, nos cerca e nos esmaga.
