A propósito ainda da manifestação dos professores deparei com o seguinte "post" "A acção colectiva e a sua lógica" publicada no blogue Ladrões de Bicicletas, que também vem publicado aqui. O "post" vem a propósito de uma análise publicada por Vital Moreira. Sendo a perspectiva de Vital Moreira baseada na de Mancur Olson, "inspirador de uma das mais eficazes linhas de ataque neoliberal aos pilares fundamentais do Estado Social", como diz João Rodrigues no seu "post", é de facto razão mais do que suficiente para ficarmos todos preocupados com "a extensão da guinada à direita do «socialismo moderno»", nas palavras do mesmo autor. Também já o tinha dito no meu "indignação!". Agora, é de facto lamentável que Vital Moreira venha diminuir a justeza da luta dos professores contra uma reforma indignante. Vindo de quem vem, só nos pode deixar preocupados. Na realidade, o PS e o seu governo têm intoxicado a opinião pública com slogans demagógicos, tentando que a opinião pública tome o seu partido contra os professores. Por isso, não acredito, como diz Vital Moreira, que "a maioria da população que pode apoiar essas mesmas reformas não tem nem a mesma intensidade de interesses nem a mesma capacidade de mobilização". Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Eu espero que os portugueses contradigam este tipo de opinião e apoiem os professores. Porque ao fazê-lo estão a defender a justiça e a verdade, contra a arbitrariedade. Acredito que o façam e não se deixem enganar por majores e outros. Pois, não é por acaso que numa recente sondagem, mais de 40% dos portugueses elegeram a classe dos professores como a classe em quem mais confiavam, contra somente 6% na classe politica, que ficou em último lugar.11/03/08
Reforma Indignante!
A propósito ainda da manifestação dos professores deparei com o seguinte "post" "A acção colectiva e a sua lógica" publicada no blogue Ladrões de Bicicletas, que também vem publicado aqui. O "post" vem a propósito de uma análise publicada por Vital Moreira. Sendo a perspectiva de Vital Moreira baseada na de Mancur Olson, "inspirador de uma das mais eficazes linhas de ataque neoliberal aos pilares fundamentais do Estado Social", como diz João Rodrigues no seu "post", é de facto razão mais do que suficiente para ficarmos todos preocupados com "a extensão da guinada à direita do «socialismo moderno»", nas palavras do mesmo autor. Também já o tinha dito no meu "indignação!". Agora, é de facto lamentável que Vital Moreira venha diminuir a justeza da luta dos professores contra uma reforma indignante. Vindo de quem vem, só nos pode deixar preocupados. Na realidade, o PS e o seu governo têm intoxicado a opinião pública com slogans demagógicos, tentando que a opinião pública tome o seu partido contra os professores. Por isso, não acredito, como diz Vital Moreira, que "a maioria da população que pode apoiar essas mesmas reformas não tem nem a mesma intensidade de interesses nem a mesma capacidade de mobilização". Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Eu espero que os portugueses contradigam este tipo de opinião e apoiem os professores. Porque ao fazê-lo estão a defender a justiça e a verdade, contra a arbitrariedade. Acredito que o façam e não se deixem enganar por majores e outros. Pois, não é por acaso que numa recente sondagem, mais de 40% dos portugueses elegeram a classe dos professores como a classe em quem mais confiavam, contra somente 6% na classe politica, que ficou em último lugar.10/03/08
Uma Fotobiografia Abafada... A Razão de Ser do Estado da Cultura em Portugal (VI)

09/03/08
Indignação!

08/03/08
Quando os Sinos Dobram...
Um Testemunho Histórico de Alda Luís Gomes,
Quando li a carta abaixo, mal queria acreditar. Aparentemente era uma simples carta trocada entre duas amigas. O nome, à primeira, nada me disse. Ao ler a carta com atenção, percebi que se tratava de uma carta de Alda Luís Gomes para a minha avó Maria. Alda Luís Gomes era irmã do ilustre cientista Ruy Luís Gomes. Mas esta carta é um testemunho único, contado na primeira pessoa, da perseguição baixa e mesquinha que o regime salazarista moveu contra aqueles que lhe podiam fazer frente. Cegamente, os alvos da mesquinhez foram sempre os homens mais inteligentes de Portugal. Aqueles a quem o regime nunca enganaria e, muito menos, compraria. Em suma, a nata da ciência portuguesa. Não é à toa que falamos do "atraso" português. São estes testemunhos que o comprovam. Trata-se, enfim, de uma descrição das peripécias incríveis, inenarráveis até, que ocorreram durante o funeral de um grande, grande português. Falamos de Abel Salazar... Desde terem prendido o cadáver, a sepultarem-no às 10 horas da noite, o esbofetear do director da Faculdade de Medicina do Porto da altura, a prisão de Ruy Luís Gomes, nada pareceu faltar naquele trágico funeral. Nem depois de morto...

2 -

4-


NOTA BEM:
06/03/08
Sam Lightnin' Hopkins
Cotton
05/03/08
João Brandão e os Cacas
João Brandão in Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Volume 1, Publicações Alfa
A Beira Serra foi assolada por lutas sangrentas, entre os liberais que juraram a Constituição, em 1826, nos períodos monárquicos do Rei D. Pedro IV e da Rainha D. Maria II e os absolutistas ou miguelistas do Rei D. Miguel, que se considerou Rei Absoluto e, como tal, representante de Deus, como se auto denominaram os monarcas absolutistas europeus.
A Beira Serra, especificamente, os concelhos de Oliveira do Hospital e Seia, sofreram com essas lutas e vinganças de morte. De um lado, os liberais, comandados pelas tropas de João Brandão e, do outro, os miguelistas, capitaneados por influentes concelhios. Na freguesia de Vide foram mais sangrentas, entre João Brandão e os cacas, ladrões, salteadores e criminosos, apoiados e armados pelos miguelistas dos referidos concelhos.
A Ponte de pau, no local da Catraia, onde os cacas foram derrotados por João BrandãoNa sua perseguição até ao Sobral Gordo, Sobral Magro e Cebola, João Brandão apreendeu 600 armas na Barriosa. Os cacas eram tão ladrões, que ainda conheci casas na Vide, que tinham duas paredes, para entre elas se esconderem os alimentos.
A propósito, António Figueiredo, do Casal do Rei, conhecido por Tio Teixeira, por ter uma quinta na Teixeira, era um miguelista fanático, e de tal modo, que misturava a fotografia do Rei D. Miguel com os seus santos, no oratório. Conta-se que começou a engordar um boi, para ser comido quando do regresso do Rei D. Miguel, exilado em Viena de Áustria, para recuperar o trono de Portugal. Mas, aconteceu que, passados quatros anos, o boi já gordo, foi roubado, abandonado e morto na Portela da Avoaça, deixando desanimado o padre João Silva, de Vide, conhecido por Padre Rústico, porque ansiava alambazar-se na comedura do boi. Foi um alarido e aos gritos “roubaram o boi do Rei D. Miguel”.
E a propósito final, João Brandão foi injustamente preso e exilado em Angola, aonde teve uma morte trágica, depois de ter sido condenado por defender a justiça e os valores humanos. Por isso, e pela sua lealdade, mereceu um louvor “honroso e patriótico” da Rainha D. Maria II.
Mas mais importante. As vitórias de João Brandão tiveram a melhor aliada, o amor da sua amante, em Baloquinhas, que o avisava da presença dos cacas, com uma fogueira, num dos altos dessa povoação e cujo aviso, era por ele aguardado, na Estalagem. Alguém, do passado, recordou os versos da cantiga do seu amor:
Leva-te o fogo do meu amor
A minha irmã Ester escreveu sobre João Augusto Brandão, filho de João Brandão:
“Conheci um homem verdadeiramente extraordinário, filho de João Brandão – e que se aparentou à minha família pelo seu casamento com a prima Leucádia, do Councedeira. Filósofo, naturalista e curandeiro. Salvando muita gente com a ciência dos seus livros.”
O filho de João Brandão, que foi Presidente da Junta Paroquial de Vide.
Nota final: aqui iniciarei uma série de contos que o meu pai nos deixou. São essencialmente histórias da sua Beira Serra, da terra do bacalhau da Maria, que Torga também perpetuou nos seus contos. São Histórias do Portugal profundo que nos fazem sentir orgulho de sermos portugueses, ainda que no meio da miséria de valores que, hoje, nos cerca e nos esmaga.
No Colégio de S. Pedro, em finais do Século XIX
Collegio de S.Pedro em Coimbra (1896(?))
Quem sabe não encontram um vosso (bis)avô ou (bis)avó no meio da turma. Se forem de Coimbra, quem sabe?... Eu tenho o meu bisavô José. "Click" na foto para ver a turma noutra perspectiva.
I Love It
O músico de jazz Toots Thielemens esteve ontem na Casa da Música no Porto e estará amanhã no Centro Cultural de Belém. Este músico belga retira sons da harmónica como só ele sabe fazer. Infelizmente não posso ir ao concerto. Males de quem vive na paisagem e não em Portugal. A propósito. Que tal um referendo para mudarmos a capital para outra cidade portuguesa? Dava-me jeito que fosse Coimbra, que já foi capital, mas, agora, não merece! Hmm... e que tal Guimarães? Se estivesse a falar a sério diria... Vila Nova da Rabona!03/03/08
Sobre a Polémica Acerca da Descoberta em Portugal da Lei das Acções Magnéticas...
Além destas dúvidas que, na minha opinião, são legítimas, surge-me uma outra que me parece relacionada de forma indirecta. Afinal, devemos ou não louvar o trabalho do Marquês de Pombal, nomeadamente na reforma educativa? A pergunta é pertinente porque tem sido ambíguo o tratamento histórico dado à Reforma Pombalina. Depois por uma série de tristes factos, como é exemplo o que aconteceu em 1911 quando o Laboratório de Física decidiu “leiloar num espalhafatoso leilão” [5], parte do espólio do antigo gabinete de física pombalino. Muita coisa se perdeu e só o esforço de Mário Silva permitiu que até nós chegassem autênticas preciosidades históricas sobre os primórdios da investigação e do ensino da Física em Portugal, reunidas num Museu de Física, único no mundo, que criou em finais dos anos trinta [5]. Depois pelo lamentável esquecimento e abandono a que foi votado o Museu após a expulsão de Mário Silva da Universidade, ocorrida em 1947. O Museu só foi reaberto em 1997, isto é, cerca de 60 anos após a sua criação! Coincidência ou não, nem as comemorações do bicentenário da Reforma Pombalina serviram para reabrir o Museu. Nada foi feito na Universidade de Coimbra, nem no resto do país, para celebrar condignamente o bicentenário da Reforma Pombalina, que se deveria ter comemorado em 1972. Que diferença com o que se passou com as celebrações do primeiro centenário!
Como Tudo Começou…
Foi com a consciência de ter descoberto um autêntico tesouro que Mário Silva iniciou a sua investigação sobre a actividade científica dos primeiros directores do Gabinete de Física Pombalino [3]. Sobre a reforma e dalla Bella, eis o que Mário Silva descobriu: “… Há, na verdade, que reconhecer que o reformador soube produzir as condições materiais necessárias para a sua realização (investigação científica), e disto é prova suficiente o magnífico conjunto de trabalhos que, embora esquecidos ou ignorados, foram realizados pelos primeiros professores do Gabinete de Física da nossa Universidade… a valorizar, logo de princípio, esse magnífico conjunto de trabalhos, não faltou sequer a descoberta sensacional de uma lei fundamental da Física: a lei das acções magnéticas … Informado de que havia sido sócio (dalla Bella) da Academia das Ciências de Lisboa, e até o primeiro sócio efectivo da minha especialidade, tive interesse em folhear as Memórias publicadas por esta Academia, no intuito de estudar os trabalhos que ele não poderia ter deixado de ali apresentar. Tive logo a grande surpreza de encontrar, nas primeiras páginas do primeiro volume das Memórias, o trabalho importante da descoberta da lei das acções magnéticas. Trata-se de um trabalho consciencioso que revela as magníficas qualidades de investigador do seu autor. Tudo é descrito com a maior precisão: observações feitas, cuidados havidos e resultados obtidos… Este trabalho é de 1782; ora, só em 1785 é que Coulomb publicou o seu, com o enunciado da mesma lei. Mas como já referimos, ela foi, infelizmente, esquecida a favor de Coulomb que tem sido, até agora, considerado seu único autor”. Acrescentando “Sem querer, por agora, pormenorizar todas as causas deste lamentável esquecimento, devo referir uma que desde logo se me apresentou: foi a data da publicação do primeiro tomo das Memórias da Academia. Com efeito, esta publicação só se fez em 1797. Quer dizer: dalla Bella faz o seu trabalho em 1782, apresenta-o à Academia no mesmo ano, e os dirigentes desta agremiação científica cometem o lamentável desleixo de o conservar esquecido durante 15 anos nos seus arquivos!” [2-3].
Como Tudo Acabou…
“Passaram-se os anos, morreu D. José, Pombal foi desterrado, e é somente em 1786 que D. Maria I chama a atenção dos professores de Coimbra para a falta de cumprimento da obrigatoriedade da redacção dos compêndios, a qual não foi respeitada por nenhum dos mestres das seis Faculdades, catorze anos decorridos sobre a publicação dos Estatutos. Dalla Bella só se desempenhou do encargo em 1789-90, anos da publicação do seu Physices Elementa usui Academiae Conimbricensis Accommodata, em três grossos volumes (1168 pp., 37 folhas desdobráveis com 262 gravuras). Bem instalado em Coimbra, tendo à sua disposição um excelente e completo Gabinete de Física… seria de esperar que dalla Bella,… organizasse o seu plano de trabalho como investigador… A situação obrigava-o a isso (!)… ”. Ver figura 1.
Estas afirmações de Rómulo de Carvalho são injustas e lamentáveis. Podemos esquecer que o próprio Gabinete de Física Pombalino foi obra do Professor dalla Bella? Isto não pode ser esquecido e muito menos negado. Muitas das máquinas nele existentes, para o ensino da Física Experimental, tinham sido projectadas pelo próprio dalla Bellla, sendo verdadeiras preciosidades do engenho português. Algumas podem ver-se na Figura 2, que nos mostra também o aspecto da Sala de dalla Bella do Museu Pombalino de Física da Universidade de Coimbra, que nos foi deixado pelo Professor Mário Silva. Pois bem, algumas delas já não existem. Devido ao abandono a que este magnífico museu foi votado, após 1947, e contra o qual Rómulo de Carvalho também nada fez, algumas das máquinas, que também se podem ver na foto, desapareceram!
“Serviu-se dalla Bella, para o estudo que se propunha efectuar, de uma pedra magnética, de grande porte, …, bloco de magnetite de 12 kg… Com este enorme pedaço de magnetite e com outros corpos magnetizados, de menores dimensões, colocados próximos a diversas distâncias daquele, pretendeu dalla Bella descobrir a lei das acções magnéticas. Note-se que essa lei já era dada como conhecida teoricamente por analogia com acções de efeitos semelhantes (gravíticas e eléctricas), e que restava apenas confirmá-la pela experiência. Foi, como se sabe, o investigador françês Coulomb quem a confirmou, e é com o seu nome que essa lei permanece nos anais da História da Ciência. Coulomb utilizou corpos magnetizados de pequenas dimensões… e é evidente ser impossível chegar a conclusões análogas às do físico françês recorrendo a um pedaço de magnetite de 12 kg… Nós próprios o utilizámos, em Coimbra, por curiosidade (!?), para o mesmo fim de dalla Bella, e de imediato reconhecemos a impossibilidade de se chegar ao enunciado da lei… temos razões para supor que o acolhimento dado, pela Academia, às duas Memórias não tenha sido muito dignificante para o seu autor”. Pensamos que o Professor dalla Bella deveria ter direito de resposta. Na figura 3 pode ver-se o magnífico conjunto do qual faz parte o magnete referido.

Penso que Rómulo de Carvalho [4] limita-se a descrever as dificuldades que o Professor dalla Bella enfrentou para provar, experimentalmente, que as forças magnéticas variam com o quadrado da distância. Baseando-se na bibliografia usada na época pelo próprio Professor dalla Bella, demonstrando à saciedade que o Professor dalla Bella estava a par de todos os trabalhos relevantes publicados até à sua descoberta, o que só demonstra o seu elevado nível de conhecimentos científicos, Rómulo de Carvalho concluiu “que à data (1781) em que dalla Bella vai iniciar as suas observações, relativamente ao estabelecimento da lei das acções magnéticas, já está assente: 1º) que as acções magnéticas variam na razão inversa dos quadrados das distâncias dos magnetes … e 2º) que a medida das referidas distâncias se deve efectuar entre certos pontos (centros de atracção) dos magnetes… Restava portanto a confirmação experimental da lei estabelecida através da teoria” [4]. No entanto, que fique bem claro, a lei só acabou por ser formulada e demonstrada em 1785 por Coulomb. O certo é que dalla Bella o tenta fazer 4 anos antes e pelos vistos com algum sucesso. O seu “crime” foi o de unir aqueles dois “pressupostos” na verificação dos seus resultados experimentais. Mais ninguém o tinha feito antes. Existe alguma originalidade e genialidade no trabalho de dalla Bella. A ciência só avança por associação de ideias e foi precisamente isso que dalla Bella fez. Desprezando o trabalho de dalla Bella, porque este teve o “desplante” de escrever nas suas Memórias que aqueles “pressupostos” eram descobertas suas, Rómulo de Carvalho afirma: “Julgamos ter sido John Michell o primeiro que enunciou a lei fundamental das acções magnéticas, em 1750, nos termos em que Coulomb a veio a enunciar mais de trinta anos depois.” [4]. Pensamos que esta atitude é inadmissível, porque historicamente, entre eles, existe o trabalho de dalla Bella, que Rómulo de Carvalho omite propositadamente, pois considera que o Professor dalla Bella agiu de má fé. Partindo de uma ideia que à partida o contradiz, que é o facto indesmentível, que o Professor dalla Bella era uma pessoa competente e a par da Física do seu tempo, deduz que o seu trabalho foi forjado por estar sob “a exigente pressão das suas obrigações de sócio de uma Academia das Ciências” [4]. Porque, hipoteticamente, o Professor dalla Bella, segundo Rómulo de Carvalho, ter começado os seus estudos sobre magnetismo depois de ter sido convidado a apresentar uma Memória à Academia das Ciências, pois “Dalla Bella fez parte do primeiro grupo de 24 académicos, sócios efectivos, e a sua escolha dever-se-ia ter fundamentado não no valor da actividade que manifestara como cientista (?) mas na crença de que possuísse certas capacidades que a função universitária exigia.” [4]. Inacreditável! No entanto, ao afirmar que “…este excepcional encargo (de vir ensinar Física Experimental e participar na reforma) obriga-nos a crer que o professor italiano seria pessoa de indescutível competência … ” e que a bibliografia usada por dalla Bella “de excelente escolha…. depõe, muito favoravelmente, em abono da cultura científica de dalla Bella” [4], prova-se que existe uma contradição na argumentação de Rómulo de Carvalho.
Cremos que, em certa medida, o trabalho de Rómulo de Carvalho [4] pretende redimir o erro da Academia das Ciências ao denegrir o trabalho de dalla Bella. Porque, segundo este autor, “Parece-nos que os estudiosos portugueses que se agrupavam na Academia das Ciências não eram os beócios que dalla Bella suporia…”, vindo em defesa da Academia das Ciências, pelo grave erro cometido ao esquecer, lamentavelmente, o trabalho de dalla Bella, afirmar “cremos que as Memórias foram mal recebidas”. O certo é que nada prova acerca desta sua dedução, afirmando, surpreendentemente, o seguinte. “Parece-nos lícito supor que a demora resultasse da má impressão causada nos consócios que dela teriam tido conhecimento prévio. O interesse suscitado, à sua chegada a Lisboa, por uma Memória enviada de Coimbra (!?), pelo lente da cadeira de Física Experimental criada pela reforma pombalina, ter-se-ia desfeito com a notícia da «descoberta» de dalla Bella (!!!). A «nova ideia» do professor italiano deveria ser velha para alguns dos Académicos portugueses” (?!). Não é isto uma nova contradição? Se era uma «descoberta», não teria que ter sido maior ainda a responsabilidade da Academia? E onde está contra argumentação da Academia, que provaria que as Memórias foram mal recebidas? É certo que naquela época existiam académicos notáveis, como por exemplo o Professor de Astronomia Monteiro da Rocha, mas que se saiba não existe nenhum escrito reprovando as Memórias. E se assim foi, como se explica que a douta Academia “se resolveu a incluir as duas Memórias de dalla Bella nas suas publicações”? Não só a incluiram como tiveram a honra de serem das primeiras do Tomo I das Memórias da Academia Real das Ciências de Lisboa?… Não será isto nova contradição? Segundo Rómulo de Carvalho isto só se deveu pela “ligação de compadrio entre o professor italiano e o Visconde de Barbacena…”. Será possível? Não será outra contradição? Afinal, os consócios da Academia, homens esclarecidos e informados, poderiam aceitar uma situação destas? E Rómulo de Carvalho conclui: “O Tomo I das Memórias da Academia Real das Sciências de Lisboa só foi publicado em 1797… dalla Bella, lente jubilado da Universidade de Coimbra, já deixara Portugal e regressara à sua pátria, sem ter chegado a ver a sua «descoberta» em letra impressa. Entre as recordações que de nós levou talvez avultasse a convicção de que este país que o acolhera, e a ele, sem necessidade, recorrera para a execução de uma reforma do ensino, ainda possuia um grupo de homens suficientemente esclarecidos e informados da ciência do seu tempo para não aplaudirem, ingènuamente, a primeira «descoberta» que se lhes apresentasse.”. Sem palavras! O negrito acima é meu. Será que não podemos mudar a capital para outra cidade portuguesa? Não há pachorra...
Cremos que além da defesa da Academia das Ciências, ressalta dos seus escritos uma posição dúbia relativamente à reforma pombalina do ensino. Tem, neste contexto, uma posição diferente face à contudência das palavras de Bernardino Machado. Se por um lado a elogia, afirmando [7] “Qualquer que seja o juízo que se faça relativamente à acção do marquês de Pombal, sempre se acentua, com sinal positivo, o projecto e a execução da sua reforma do ensino…”, continuando “Na verdade, fora da Companhia de Jesus (na altura quase monopolizavam o ensino, proibindo a entrada de tudo o que não fosse aristotélico), a sociedade tinha-se transformado radicalmente, e o ambiente tornava-se cada vez menos receptivo à doutrinação dos jesuítas. A vitória do combate secular entre Antigos e Modernos, entre Aristóteles e S. Tomás de Aquino por um lado, e Descartes, Gassendi e Newton por outro, pendia irremediavelmente para estes últimos, e nada a faria deter… Os inimigos mais perigosos da doutrinação filosófica da Companhia de Jesus, em Portugal, eram os elementos de uma outra ordem religiosa, a Congregação do Oratório de S. Filipe Néri, que desde cedo abraçaram a Física Moderna expondo-a nas suas escolas e defendendo-a nos seus escritos…”. Por outro critica-a, afirmando [7] “Quando em 1759 Pombal decretou a expulsão dos jesuítas de todo o território português, … a situação escolar do país sofreu um colapso quase total… para a elaboração da sua reforma do ensino universitário, que é indubitavelmente uma obra notável, instituiu Pombal uma Junta, que designou “Junta de Providência Literária”… As reuniões da Junta efectuavam-se, semanalmente, em casa do próprio marquês ou então do Cardeal João Cosme da Cunha… os resultados imediatos da Reforma Pombalina, no que respeita à Faculdade de Filosofia (e também à de Matemática), foram muito deficientes… precipitação com que se procedeu à reforma dos estudos e à má preparação pedagógica dos seus intervenientes…”. Terá havido na nossa história alguma reforma educativa que se possa comparar à de Pombal? Tomáramos nós.
Ecos…
Têm a palavra
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Referências
[1] M. A. da Silva, O Elogio da Ciência, Coimbra Editora, 1971.
[2] Nobre, J.P., Ruivo, D. e Fiolhais, C., Mário Silva, o Professor, o Cientista e o Político, Gazeta de Física, vol. 24 (1) 2001, 25-27.
[3] M. A. da Silva, A Actividade Científica dos Primeiros Directores do Gabinete de Física que a Reforma Pombalina criou em Coimbra em 1772, Proc. I Congresso da História da Actividade Científica Portuguesa, Coimbra, Novembro de 1940.
[4] R. de Carvalho, A pretensa descoberta da lei das acções magnéticas, por dalla Bella, em 1781, na Universidade de Coimbra, Revista Filosófica, nº 11 ano IV, 1954.
[5] M. A. da Silva, Um Novo Museu em Coimbra: O Museu Pombalino de Física da Faculdade de Ciências de Coimbra, Revista da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, vol. VIII 1939.
[6] B. Machado, A Universidade de Coimbra, tip. França Amado, 1905.
[7] Catálogo do Museu de Física da Universidade de Coimbra, O Engenho e a Arte, F. C. Gulbenkian, 1997.
[8] M. Gliozzi, L´elettrologia fino al Volta, vol. II, Nápoles, 1937.
[9] G. Constanzo, Sobre a descoberta das acções magnéticas, Revista de Chimica pura e applicada, II serie, ano XIV, Porto, 1938.
[10] R. Monteiro, Mário Silva, Dalla Bella e a Lei das Acções Magnéticas, Gazeta de Física, vol. 24 (4) 2001, 7 p.
01/03/08
Insignificâncias
1 - Urbanizar a Costa Vicentina ou destruir a Amazónia?
2 - Emborracharem-se no Eliseu ou na sala do telefone vermelho?
4 - Premiar a Milu ou fechar uma escola?
Retirado do JN (2/3/2008): "O anfitrião do encontro, Valentim Loureiro, elogiou o Governo e a ministra e atacou os professores, dizendo não "perceber" as manifestações, nem a luta contra a avaliação, nem os valores das pensões ("Não percebo como é que um professor do 1.º ciclo pode reformar-se com 2500 euros!", exemplificou, aplaudido pelos dirigentes de associações de pais). Terminou com repetidas "felicitações sinceras (a Maria de Lurdes Rodrigues) pela sua capacidade de resistência", oferecendo-lhe uma caravela em filigrana "para ultrapassar as dificuldades que está a viver".
QUE VERDADEIRA POUCA VERGONHA! QUE PAÍS MISERÁVEL!
5 - Premiar as obras do Zézinho ou viver nelas?
6 - Condescender com os plágios do sr. doutor ou vê-lo como primeiro-ministro?
Enfim, aqui ficam 6 bagatelas e outras tantas significâncias actuais, ordenadas ao acaso. Das minhas bagatelas pessoais é melhor nem falar...







