Razao

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30/04/11

Contra o Preconceito, Votar, Votar!

Grande Lula da Silva!
Tomara que houvesse mais políticos assim. Ou melhor. Haver até há, só que não os deixam "piar". Na Europa nem vê-los! Neste contexto, os brasileiros deram uma lição de democracia ao mundo. Apostaram num metalúrgico para Presidente e este fez um trabalho extraordinário. O Brasil parece ter encontrado definitivamente o caminho do progresso económico e social. Os americanos de certa forma tentaram, mas parece que se enganaram. O povo português é que não há forma de aprender! Infelizmente, deixa-se enganar e engole tudo o que os "nossos" fazedores de opinião debitam, embora não passem de mero lixo tóxico... São autênticas Fukoshimas de duas patas e proliferam em todos os órgãos de comunicação social! Mas aqui fica este pequeno vídeo. Pode ser que sirva de inspiração, para que os meus conterrâneos votem massivamente à esquerda do PS nas próximas eleições. Deus nos livre das pragas que nos têm infestado, desde há trinta anos a esta parte, e para as quais sentimos sempre uma atracção fatal!

25/04/11

25 de Abril de 2011

imagem retirada daqui

Celebram-se hoje trinta e cinco anos da Revolução de Abril. Apesar das conquistas adquiridas ao longo destes anos, a sociedade portuguesa foi conduzida a um beco sem saída. Para isso muito contribuiu a partidocracia e o clientelismo que floresceu em torno dos partidos políticos da esfera do poder. De facto, hoje, a credibilidade da nossa classe política é praticamente nula. O que ela diz, pura e simplesmente, não se escreve. Diz coisas que a realidade teima em mostrar que não são verdadeiras. Antes, são mesmo contraditórias. Partidos que se dizem de esquerda, governam com a batuta do neo-liberalismo e da direita, pregando aos quatro ventos que são defensores de um modelo social que lentamente vêm ajudando a destruir.

O problema não é, infelizmente, somente português. Diria mesmo que os europeus ensandeceram, pois vemos países que considerávamos modelos de desenvolvimento social, baseados nos valores da social democracia, a votarem em partidos de extrema direita, defensores de valores que no passado tanto mal fizeram à humanidade. É razão para dizer que a memória dos povos é curta. Esqueceram-se que foi a social democracia que permitiu que atingissem, em poucos anos, padrões de vida elevadíssimos. Os nórdicos, não há muito tempo, morriam à fome.

A desagregação lenta que temos vindo a assistir da União Europeia é somente o corolário das políticas da direita e do capitalismo selvagem que têm sido seguidas nos últimos anos. Pior. Capitalismo de casino, dos off shores, onde se lava o dinheiro proveniente do tráfico de droga, de armas e de pessoas. Com este sistema estão os actuais políticos europeus solidários. Incluindo os portugueses. Se estamos enganados, porque não combatem e ilegalizam os off shores? Porque permitem que a dívida dos países seja alvo de agências de notação e de especuladores sem escrúpulos? As mesmas agências que classificavam, com notação máxima, bancos e seguradoras que faliram logo de seguida, arrastando com eles toda a economia mundial? Como pode ser isto possível? E que penas têm tido os responsáveis pelo crash de 2008? NENHUMAS! São eles que continuam a mandar ou gozam de reformas milionárias!

Este sistema baseado na ganância humana, da corrupção generalizada, não tem futuro. Nunca teve. Os povos suportam as injustiças sociais até determinados limites. Por isso, dias negros se avizinham, e temos que nos preparar para as graves convoluções sociais que aí vêm. Porque, infelizmente, só movimentos revolucionários de rotura poderão acabar com o sistema oligárquico que se instalou. Com pés de veludo, este foi tomando conta do poder, vencendo a democracia por dentro. Não sou eu que o digo. É a História que no-lo diz.

25 de Abril sempre!

22/04/11

Geração à Rasca

Sobre as razões que assistem à geração à rasca... enfim, a todos nós!





PS: fotos recebidas por e-mail

10/04/11

Uma Golpada chamada PEC4

Tudo é coincidência. Mas eu adoro coincidências. Fico com a sensação de que é sempre possível ganhar o euromilhões. Não haja dúvida que o momento de apresentação do PEC4 nada teve a ver com a aproximação do XVII Congresso do Partido Socialista. Nada mesmo. Não houve qualquer calculismo político. Não. O Primeiro Ministro foi a a Bruxelas apresentar o seu PEC4, duas semanitas antes do congresso socialista, sem passar cavaco a ninguém, porque sabia de antemão que toda a oposição e o Presidente da República estavam solidariamente com ele. Para quê dar a conhecer aos pequenos portugueses o seu 4º plano de austeridade? Afinal, era só mais um, e os portugueses já estão habituados. Aliás, o povo português adora quem o castiga. Foi assim com Salazar, com Cavaco e agora com Sócrates.

Obviamente que, ao assinarem em Bruxelas mais um conjunto de medidas de austeridade, para gáudio dos actuais dirigentes da direita Europeia, sem passar cavaco a ninguém, não havia por detrás desta atitude nenhuma "malévola" intenção relativamente aos partidos da oposição, em especial, ao PPD-PSD. Imagino que, hoje, ao ligar a sua TV, Passos Coelho perceba e tenha noção da queda que deu. Este PEC4 não foi mais do que uma casca de banana, milimetricamente colocada de forma a que a queda fosse certa e aparatosa. A forma como este PEC4 foi apresentado, primeiro lá fora e só depois cá dentro, só podia conduzir ao seu chumbo. Chumbo que o PS e Sócrates calcularam muito bem. Assim, o XVII congresso socialista seria já o tiro de partida para as legislativas que, com certeza, iriam ser marcadas no seguimento do chumbo do PEC4. Os estrategas do partido calcularam tudo muito bem:

1 - Vendo que a entrada do FMI e Companhia seria inevitável, devido à sua péssima governação, Sócrates embrulha as suas responsabilidades no PEC4 e oferece-as de bandeja ao Presidente da República e a Passos Coelho.

2 - Depois de terem dado sucessivas coberturas ao governo, o PPD-PSD não teria outro remédio senão chumbar o PEC4. Aparentemente, não tinha nenhuma alternativa. Ao serem desprezados da forma como o foram, Passos Coelho jamais poderia ter aceite este PEC4.

3 - Também a posição pós-eleitoral do Presidente da República, bastante arrogante, diga-se, não configurava nenhuma intenção da sua parte para arranjar os consensos necessários dentro do actual quadro parlamentar. Ele seria levado a dissolver imediatamente a Assembleia e a marcar eleições legislativas.

4 - Este foi o cenário que os dirigentes socialistas previram. Passos Coelho e o Presidente da República cairiam que nem uns patinhos. Tivessem sido bem assessorados e jamais o PEC4 teria sido chumbado. A partir do momento que Passos e o Presidente engolem o isco, o PS e Sócrates respiraram de alívio. Poderiam agora transferir o ónus da sua má governação para cima da oposição e, melhor, para cima do líder inexperiente do partido seu rival. O PPD-PSD.

5 - Na semana seguinte, o XVII congresso socialista seria assim o tiro de partida para as próximas eleições legislativas, mostrando todo o unanimismo do partido em torno do líder incontestado. Os poucos contestatários, como Ana Gomes, foram atirados para as calendas do Congresso. O discurso de Alegre centrou-se na atribuição de culpas de tudo à Banca e aos mercados, e o de Gama, apesar da referência aos insubstituíveis, acabaram por ser elogiosos para o líder. Sócrates, triunfante, passeou a sua arrogância e a sua soberba.

6 - Perante tal triunfalismo e tamanha propaganda, as sondagens da semana que vem mostrarão os resultados da golpada socialista chamada PEC4. Cá estaremos para contabilizar o efeito da golpada chamada PEC4.

Sem dúvida que este PEC4 foi uma tremenda jogada política. Afinal em que situação ficaria Sócrates e o PS senão criassem toda esta situação em torno do PEC4? Com certeza que ninguém lhes perdoaria a derrota, que um pedido de ajuda urgente ao FMI e à UE acarretaria. O PEC4 não foi mais do que a tábua de salvação política do PS e dos seus dirigentes. Salvaram-se de tal forma, que uma possível reeleição não é sequer de excluir. Fantástico! Mataram vários coelhos com a mesma cajadada. Foi efectivamente uma grande golpada política.

O desnorte que todos demonstraram é bem elucidativo. O XVII congresso do PS deste fim de semana entra-nos pelos olhos adentro. A oposição não se ouve. O Presidente no seu inglês trémulo balbucia que a UE terá que ter imaginação no empréstimo de milhões que fará a Portugal. Inacreditável. Nós é que pedimos e quem empresta é que deve ter imaginação na forma como nos vai emprestar! Mas o povo que não se preocupe com isso, que Sócrates e o PS aí estão para conduzir as negociações. Quem mais?

Eu, pessoalmente, acho tudo isto insuportável. Por isso apelo, uma vez mais, ao voto. O voto, na minha opinião, deverá ser à esquerda do PS. Mas, essencial, é que se faça a regeneração da classe política portuguesa. Basta de mentiras e parvos nós não somos!

08/04/11

Revolução Precisa-se!

Infelizmente vivemos num estado oligárquico, onde democracia é uma panaceia que se esgota no dia das eleições. Milhares vão votar nos mesmos de sempre, impelidos pela lavagem ao cérebro da propaganda dos órgãos de comunicação social, que são manipulados pelos oligarcas do país. A grave situação que Portugal está a viver deve-se, sobretudo, há vassalagem que, há muito tempo, o poder político presta ao poder económico e financeiro. Todos sabemos que as oligarquias são formas primitivas de governação que só servem interesses mesquinhos e tacanhos. Isto já na Grécia antiga era conhecido. A nossa desgraça reside precisamente no facto da nossa sociedade ter uma classe política subserviente da classe económica e financeira. E isto vem de há muito tempo a esta parte. Mais precisamente, desde a bolha bolsista especulativa de 1987, orquestrada por Cavaco e Silva. Esqueceram-se? E quando assim é, mais tarde ou mais cedo, caímos em desgraça. Ela aí está à vista de toda gente...

Assim, mais do que fazer rodar os partidos na esfera do poder, todos eles conotados com os interesses instalados, é necessário regenerar a classe política. A solução seria uma nova revolução e a imposição de um governo verdadeiramente democrata onde os interesses das populações e do país fossem efectivamente defendidos. Um pequeno exemplo. Veja-se o que ao longo dos últimos 30 anos tem acontecido com as nossas florestas que são, indubitavelmente, uma das nossas maiores riquezas. Viram algum político verdadeiramente interessado em defende-la? Não querem saber... porquê? Isto passa-se relativamente a tudo o que diz respeito ao nosso património colectivo. Mar, pescas, agricultura, ciência, cultura... Poderíamos citar tantos casos que seria fastidioso fazê-lo. E tudo por incompetência de quem nos governa e governou nos últimos 30 anos!

Assim, não sendo aparentemente possível fazer uma revolução do tipo 25 de Abril, que bem precisávamos, resta-nos usar a única arma que nos resta. O voto. Devemos todos ir votar. Em massa. MAS VOTAR SOMENTE NAQUELES QUE NUNCA ESTIVERAM NO PODER NOS ÚLTIMOS 30 ANOS. Assim, da lista abaixo, não devemos votar nos que estão a vermelho, ou em qualquer coligação em que venham a entrar. Como podem ver, na realidade, temos muito por onde escolher. Afinal, porquê votar sempre nos que tanto mal nos têm feito?

Esquerda

Centro-esquerda

Centro

Centro-direita

Direita

Pensem bem nesta mensagem e decidam fazer qualquer coisa pelo nosso país! Votem em todos menos no PP, PPD e PS e não se deixem levar pelo mito de que os que lá estão, pela sua "experiência", são mais competentes. Não são! Quando para lá foram, também não a tinham. Não se deixem enganar! O que a actual classe política tem mostrado é que é incompetente e mentirosa.

POSTSCRIPT.:

Quero deixar bem claro que sou um independente de esquerda e sempre votei PS. Por isso, enganado, ajudei a eleger José Sócrates para o seu primeiro mandato. Agora luto para remediar o meu erro. Essa é a razão desta minha mensagem. Sem mais!

VOTEM CONTRA O SISTEMA. VOTEM ESQUERDA OU DIREITA, MAS NUNCA NO PPD-PSD, PS ou CDS-PP!

30/03/11

O Exemplo Islandês (I)

A revolução em marcha...

Desde o dia 27 de Novembro de 2010, a Islândia tem uma Assembleia Constituinte composta por 25 cidadãos, eleitos entre os seus pares. Foram 550 os cidadãos islandeses, entre homens e mulheres, que, satisfazendo os critérios de elegibilidade, concorreram para dar o seu contributo para reescrever a nova constituição do país. A Constituição islandesa que vigorava desde 1944, baseava-se quase inteiramente na Constituição dinamarquesa, país do qual a Islândia foi um protectorado. Basicamente, na Constituição islandesa o termo "rei" foi trocado por "Presidente da República".

Depois do beco sem saída em que o governo de direita deixou o país em 2008,
os islandeses uniram-se e resolveram, e bem, acabar com o capitalismo selvagem que governava o país. Os resultados têm sido verdadeiramente surpreendentes. Exemplo para todos nós que deveríamos fazer a mesma coisa. Em Portugal e em toda a Europa. Por isso, o meu apelo à Revolução pelo Voto. Se os islandeses venceram o medo do papão dos mercados, nós também podemos vencê-lo e acabar com a pouca vergonha desta sociedade capitalista escabrosa em que vivemos.

Propriedade privada sim, mas nunca à custa da pública!

Continua...


29/03/11

Comunicado do Gabinete do Primeiro-Ministro

Faz o Governo saber que, de forma irrevogável, tendo em consideração a actual e futura situação das contas públicas e como medida de contenção permanente de despesas, a luz ao fundo do túnel foi desligada para sempre.

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24/03/11

Um Apelo ao Voto Útil

Um apelo ao voto útil. Ao voto verdadeiramente útil! Ao voto que permita uma revolução pacífica, varrendo do parlamento os três partidos que, desde os anos 80, nos têm (des)governado.

Tudo leva a crer que se irão realizar eleições para o parlamento dentro em breve. Façamos, por essa via, uma revolução pelo voto! Nesse sentido, faço um repto a todos os meus concidadãos:

POR FAVOR, VOTEM!

VOTEM MASSIVAMENTE!

MAS, POR FAVOR, NÃO VOTEM EM NENHUM DOS TRÊS PARTIDOS QUE "SE" GOVERNAM DESDE QUE EXISTE "DEMOCRACIA"!

A BEM DE PORTUGAL!

Estava a ver que nunca mais...

Ufff... até que enfim. Estava a ver que nunca mais... e... esperemos que nunca mais.

16/02/11

Eles Comem Tudo...

... E não deixam nada!
Ontem sabíamos e não falávamos, hoje falamos e não sabemos...
Grande Zeca, sempre actual!

15/02/11

O Charlatão...

Depois do último post e de toda a trampa que tenho lido, sobre moções e comilões, com autoridades da concorrência que... valha-nos Deus! O que é que é isto?!... para onde vai a rapaqueca, com o país nela pendurado!... aqui ficam o José Mário Branco e o Sérgio Godinho...


Arranja-me um Emprego...

Já tinha dado os meus parabéns ao Paco, que me surpreendeu com o seu "TGV", e aos Deolinda que têm feito furor com "Que parva que sou". Pois bem, que se faça justiça a um músico igual a ele mesmo, como sempre interventivo. Parabéns Sérgio Godinho e que tenhas inspiração para muitas músicas como esta... que está fabulosa.

07/02/11

Bravo Paco Bandeira!

Caro amigo Paco Bandeira,

Ouço-te e canto-te desde miúdo. Cantei muitas vezes: Oh Elvas, Oh Elvas, Badajoz à vista, sou contrabandista de amor e saudade, transporto no peito a minha cidade... E não sei porquê, lembrei-me agora daquela outra música, já não sei de quem: Oh tempo, volta para trás...

Mas não muito para trás...

Também tenho estranhado a tua ausência das rádios e TVs. Eles que nunca te largavam... e agora é o que se vê? Criaste-lhes anti-corpos, não foi? Pois, depois de te ouvir compreendo tudo muito bem... Não sei porquê, mas fizeste-me lembrar o Zeca, o Dylan até. Mas agora com uma frontalidade impressionante. Sinceramente, não esperava uma música destas de ti. Via-te como um ícone da música popular portuguesa. Por isso, conservador demais para te atreveres a testar a censura encapotada dos nossos dias. Lamento que agora não passem a tua música na rádio e que não te veja na TV como antigamente. Muita coisa mudaria se o nosso povo te ouvisse agora com ouvidos de ouvir. Quem sabe, este "post" não ajudará a divulgar um pouco este teu "grito". Deus queira, até porque a música é linda!

Mas continua sempre assim. Não esmoreças. Precisamos desta intervenção, porque, infelizmente, os Zecas deste país têm sido tão poucos...

Os meus parabéns! E muita força amigo Paco!

Um abraço do
JP

27/01/11

Pelo Não Financiamento Público de Qualquer Forma de Ensino Privado


Cartoon retirado daqui

Querem escolas privadas? Paguem-nas! Desculpem-me a frontalidade, mas para mim a igualdade de oportunidades no acesso à educação, sem qualquer excepção, é a melhor forma de garantirmos uma verdadeira sociedade democrática.

Todos já reparámos na contestação do ensino privado ou cooperativo pelo facto do governo ter reduzido as subvenções públicas. Sinceramente, é curioso, para não dizer uma asneira, das grossas, que aqueles que mais mal dizem do Estado e do Serviço Público, sejam os primeiros a dizer aqui-del-rei quando o estado corta as ajudas ao ensino privado e cooperativo. Lamentavelmente, o estado tem vindo a sustentar todo o ensino português, público, privado ou cooperativo, até à escolaridade obrigatória, isto é, até ao 9º ano, desde que as escolas sejam declaradas de serviço público. Isto é, praticamente todas elas, embora sejam privadas. Patético!

Que o estado subvencione uma escola privada ou cooperativa do interior do país onde não exista alternativa pública (se não existia devia existir), ainda vá que não vá, mas isso é o que certamente não se passa nas grandes cidades do nosso país. Aliás, se não existe, devia existir. E, nestes casos, o Estado deve construir, comprar e resolver o problema que pontualmente exista nalguma região do país. O dinheiro que virá de não subvencionar, JUSTAMENTE, o ensino privado, dará para construir muitas escolas decerto. Só assim teremos um ensino de qualidade onde todos, sem qualquer excepção, possam ter acesso. Não é o colégio particular dos "betinhos" que o permitirá. Antes pelo contrário. Estes são o espelho das desigualdades sociais que temos que combater se queremos uma sociedade de igualdade de oportunidades.

Conheço a realidade de Coimbra onde existem muitos colégios privados, a maioria religiosos. Os "meninos dos papás" que, Meus Deus, poderiam lá agora estudar numa escola pública, que horror, vão para o colégio ainda de fraldas. E todos podem ir para o colégio? Obviamente que não. A não ser que tenham grande cunha, evidentemente. Chegar ao bispo, nestes casos, pode ser a chave para o "sucesso". Depois, a partir da primária até ao 9º ano, o estado paga, ou melhor, pagamos todos. A partir daí os papás se querem manter os filhotes no colégio têm que abrir os cordões à bolsa. Claro que os que lá andam, muitos deles filhos de novos ricos, que se calhar não pagam a ínfima parte dos impostos que nós pagamos, mantêm os filhinhos no colégio. E esta gente que é maioritariamente, venenosamente, visceralmente até, contra o serviço público, e tudo o que cheira a Estado, agacha-se, estende a mão, e roubam-nos à má cara, fazendo com que paguemos os estudos dos seus meninos bonitos durante anos a fio. Não pode ser! Até porque todo esse dinheiro deveria ir direitinho para a Escola Pública. É dinheiro de todos. Não faz sentido que sustente privados.

Na minha opinião o corte devia ser total. E eu não sou contra o ensino privado ou cooperativo. Não! Os papás querem o menino no colégio das freiras? Têm dinheiro para isso? Então, com certeza, mas não à nossa custa! Não à minha. Se é privado e os papás têm a mania, então que paguem. Porque tenho que ser eu, e todos nós, a pagar? Os meus filhos estudaram sempre na escola pública porque a defendo. É essa que existe nos países que considero serem os mais evoluídos do mundo, no que respeita aos valores da vida humana, à coesão e ao bem-estar social. Falo dos países sociais democratas do Norte da Europa. Lá não faz sentido sequer falar em ensino privado.

Não são exemplo?
No entanto, devemos pugnar para que o Estado cumpra com as suas obrigações. Obrigações que assumiu erradamente, inclusivamente, pasme-se, por aqueles que dizem defender o Estado Social (?!?!), e que terá obrigatoriamente que cumprir agora. Exigimos o fim imediato das subvenções aos privados, sim senhor, sejam eles de que tipo for, mas exigimos também que o Estado assuma as suas responsabilidades com todas as pessoas envolvidas no ensino privado e cooperativo, alunos, docentes e funcionários. Isto pode passar por integrar todos na Escola Pública e não deixar, em caso algum, nenhuma criança sem aulas, nenhum professor sem alunos, nenhum funcionário sem escola. E dinheiro há muito! Basta que acabem com uma ou duas parcerias púb(l)ico-privadas, das centenas que para aí proliferam e que nos esmifram a todos.

Que este seja um ano de transição, mantendo-se, por uma questão de bom-senso, as escolas privadas a funcionar, se estas forem totalmente dependentes dos subsídios. Nestes casos deve o Estado manter o financiamento do ano anterior. Se for preciso, para o próximo ano, todas as escolas que não tenham autonomia financeira, devem ser compradas pelo Estado e tornadas públicas, se for caso disso, ou encerradas. É claro, que deste modo, a Escola Pública sairá reforçada. Existindo uma política de exigência, a Escola Pública será sempre de excelência. Bem melhor que a privada até, porque esta nunca terá os mesmos recursos. Mas se os tiver, à custa do dinheiro dos que fazem questão de a pagar para os seus filhos, dar-lhes-emos os nossos parabéns. Há com certeza muitos bons exemplos destes. que devem, por isso, ser enaltecidos e aplaudidos. Isto é o que acontece nos países desenvolvidos do Norte da Europa.

A bem da Escola Pública Portuguesa, a bem da verdadeira igualdade de oportunidades para todos os portugueses!

Este assunto, controverso, pode ser também seguido aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui...

24/01/11

O Povo Nunca Se Engana e Raramente Tem Dúvidas...

Há quem tenha mau perder e há quem tenha mau ganhar. Cavaco Silva tem mau ganhar. Comprova-o o discurso da vitória presidencial. Vociferando contra todos os vencidos, acusando-os a todos de infames, inclusivamente contra Fernando Nobre, vem o reeleito falar de dignidade. Dignidade? Afinal, os bons exemplos devem vir de cima. Inclusivamente nos discursos que se fazem. E o discurso de vitória não se ficou por considerar os vencidos de infames e indignos. Quase hereges até. Não! Cavaco apontou o dedo à comunicação social para que esta denunciasse as suas fontes. Não saberá que as fontes jornalísticas podem ser sigilosas e, como tal, não podem ser reveladas se estas assim o entenderem? Afinal, para que quer Cavaco saber quem são? Não nos esquecemos que Cavaco Silva, já como primeiro-ministro, nos brindou com um discurso na Assembleia da República que evocou o Deus, Pátria e Família da época salazarista. O seu discurso de agora fez-nos recordar o de então.

Basear a sua reeleição na evocação da sabedoria popular, afirmando que o povo não se deixou enganar, e, com base nela, considerar que é digno e os outros são indignos, também não é intelectualmente honesto. Afinal podemos evocar o mesmo, fazendo o discurso ao contrário. Na realidade, a escolha popular nem sempre é a mais correcta, nem a mais sábia. Como democratas temos que a aceitar, pressupondo que o reeleito será, para o bem e para o mal, Presidente de todos os portugueses e não somente, como disse Cavaco, "de todo o Portugal." Porque terá omitido a frase “de todos os portugueses”, como tem sido tradição nos discursos dos presidentes eleitos? Há os indignos, encabeçados pelos ex-adversários políticos? Também Salazar foi eleito pelos portugueses para encabeçar a lista dos 100 Grandes Portugueses de todos os tempos, com 41% dos votos. Este ditador, que tanto mal fez a Portugal, pois ainda estamos a pagar pelo atraso secular a que nos votou, ficou à frente de homens como D. Afonso Henriques, Infante D. Henrique, Vasco da Gama, Marquês de Pombal, D. João II, Luís de Camões, Fernando Pessoa e tantos outros. Tantos homens que tanto deram a Portugal. Muitos deles nem sequer aparecem na lista, em detrimento de outros que nunca lá deveriam estar. Cavaco Silva ganhou com cerca de 53% dos votos, numa eleição onde mais de metade da população portuguesa, para mal dos nossos pecados, não votou.

A reeleição de Cavaco Silva, na minha opinião, só comprova que nem sempre o voto popular é sábio. Tal como tantas vezes aconteceu no passado. Por isso a necessidade de educar, educar e educar. Ao contrário do que defendia Salazar. Portugal ainda tem que percorrer um longo caminho para que a democracia possa dar bons frutos. Infelizmente, um povo inculto é facilmente manipulado. E isso Salazar bem o sabia. Por este motivo, Sócrates (o verdadeiro) e Platão, por exemplo, eram contra a democracia grega de Péricles. Eram-no porque defendiam que o melhor governo deveria emanar dos mais sábios. Na velha democracia ateniense, o povo era muitas vezes chamado a tomar decisões para as quais não estava minimamente preparado. As leis votadas na Eclésia eram preparadas no Bulé, uma assembleia constituída por 500 cidadãos seleccionados ao acaso da pólis. Assim, o governo não era exercido com sabedoria e, segundo aqueles sábios, eram tomadas muitas decisões erradas. Tal como a reeleição de Cavaco Silva o foi. Na minha opinião, claro.

Esperemos, no entanto, que o discurso, que foi proferido no calor da vitória, não seja para levar à letra. Fazemos igualmente votos para que, na medida do possível, Cavaco Silva desempenhe bem o papel de Presidente de todos os portugueses. A bem de Portugal e dos portugueses!

23/01/11

O Testemunho do Professor Arnaldo

Hoje, dia de eleições presidenciais, por coincidência ou talvez não, recebi por email este testemunho que me comoveu. Por isso decidi transcreve-lo. É um testemunho dramático dos dias conturbados que se vivem em Portugal, em particular, e na Europa em geral. Fruto da incompetência generalizada daqueles que nos governam. Ao contrário de alguns políticos, que resolveram eleger a Escola e os Professores como bodes expiatórios dos males de que a nossa sociedade padece, transferindo o ónus da sua irresponsabilidade política e da sua incompetência para cima daqueles que menos mereciam, recordo aqui, bem alto, as palavras sábias do professor Ilídio Sardoeira:

A ESCOLA É O ESPELHO DA SOCIEDADE; ESTA NÃO TRANSFORMA AQUELA, REPRODU-LA

Do Diário do Professor Arnaldo (transcrito do blogue aventar)

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos. Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar. De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude. Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche. O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas…Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta. Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».

Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?

É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos.