Razao

ESTE BLOGUE COMBATE TUDO O QUE POSSA POR EM CAUSA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E A SUA LIBERDADE. É, POR ISSO, ANTICAPITALISTA E ANTICOMUNISTA.

14/10/13

Liberalismo versus Neoliberalismo - A História Repete-se


Os momentos que vivemos nos dias de hoje não são novos. Infelizmente, tudo é muito parecido ao que se viveu em meados do Século XIX. Naquele tempo viveram-se tempos muito complicados decorrentes da pós-revolução industrial. Os governos liberais da altura, baseados nas ideias de Adam Smith, em tudo fazem lembrar os actuais neoliberais, agora alimentados pelo dinheiro das grandes casas financeiras americanas e mundiais. 

Infelizmente, quando a humanidade encontra novas formas de riqueza, encontra também novas formas de desigualdade social. A revolução industrial acentuou os males produzidos pela desigualdade na distribuição das riquezas, levando à exploração das classes operárias pelos industriais e capitalistas da altura. Esta desigualdade, deve frisar-se muito bem, foi levada a um grau de desumanidade incrível. Eis um excerto de Juan Zamora que o descreve muito bem:

“ Até 1800, aproximadamente, os salários mantiveram-se altos, pois o número que homens aptos a utilizar e manusear as máquinas era diminuto. Mas a partir dessa data, o proletariado industrial começou a aumentar extraordinariamente produzindo-se a queda das diárias, e como consequência indirecta da depressão dos salários, o emprego em grande escala do trabalho de mulheres e de crianças. As jornadas eram de catorze e até de dezasseis horas. Como a diária mal bastava para o mantimento de uma só pessoa, todas aquelas de que se compunha uma família viam-se forçadas, se queria subsistir, a empregar-se nas fábricas. Crianças de seis e sete anos trabalhavam oito, dez e doze horas, e a sua fadiga era tanta que muitas vezes, ao sair das oficinas, não tinham forças para regressar às suas casas e caiam adormecidas sobre a erva aos lados do caminho. Nas proximidades das fábricas, em habitações estreitas e insalubres, apinhava-se uma população famélica, extenuada e andrajosa. Excesso de trabalho, pobre alimentação e trabalho prematuro traziam como inevitável o raquitismo, a tuberculose e uma alta percentagem de mortalidade infantil e juvenil. Perante este estado de coisas, a atitude dos governos limitava-se a deixar fazer, a deixar passar. Nas esferas políticas o liberalismo económico, forte mantenedor da não intervenção do Estado, ainda continuava citando Adam Smith e proclamando que toda a ingerência dos poderes públicos no sistema económico era um atentado aos mais sagrados direitos da humanidade”.
in O Processo Histórico, 1945.

Troque-se a palavra máquinas pela palavra computadores e vejam-se, ou prevejam-se, os acontecimentos históricos. Absolutamente assustador.

Obviamente que todos sabemos as consequências de tudo isto. A teoria Marxista sobre a interpretação económica da história, que continua correcta, quer queiram quer não queiram, bebeu muito nestes acontecimentos. Mais tarde as revoluções operárias, como aconteceu na União Soviética, foram somente consequência de todo um mal-estar criado pelo liberalismo económico do Século XIX. Se hoje lermos este texto, substituindo o termo máquina por computador, podemos ver o que o futuro próximo se apresta para nos trazer. A diferença daquele século para os nossos dias, pós-revolução informática, só peca pela velocidade dos acontecimentos. Hoje tudo é mais rápido. Muito mais rápido. Os fenómenos sociais foram acelerados, tal como os computadores aceleraram a nossa capacidade de fazer contas. E o expoente é elevado. Significo com isto que o empobrecimento mundial que se avizinha será muito acelerado (isso vê-se já, claramente, no nosso país) e as revoluções que necessariamente se seguirão, além de mais repentinas, serão necessariamente mais brutais. Esperamos estar enganados, mas, infelizmente, o método científico que permitiu dar-nos a tecnologia dos nossos dias, também permite deduzir o que aí vem com base nos acontecimentos do passado (se Compte estiver correcto). Só não vê isto, quem não quer, ou não puder.

Sem comentários: